Jorge Paz Amorim

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Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

domingo, 1 de abril de 2018

Desafinado



A respeito daquela patacoada musical protagonizada por Simão Lorota que circula no face, confesso que não havia entendido porra nenhuma dada a péssima dicção do cantante e a imperícia dos acompanhantes, todos de péssima qualidade.

Porém, hoje, ouvindo com mais calma, consegui identificar o que o autor da letra do samba-enredo do Quem São Eles que homenageou Eneida de Moraes estava a cantar de forma tão desvairada quanto carente de harmonia.

Trata-se de 'Nega Manhosa', de autoria e interpretação de Nelson Gonçalves, composição que está naquele rol de letras execráveis muito comuns em um determinado período da nossa música, tais como Mulata Assanhada, O Teu Cabelo Não Nega e a mais abominável de todas, uma que diz "Lá vem ela, chorando o que é que ela quer? Pancada não é que eu já dei..."

Curiosa a escolha de Simão dessa peça repulsiva, impregnada de racismo e exortações a uma mulher de cor em submeter-se resignadamente a um macho com pinta de malandro e explorador de seu semelhante como se fosse virtude.

Além disso, levando-se em conta o cacoete lorótico na exploração dos servidores públicos, se não foi distração é ato falho, falar de corda em casa de enforcado. A perda de grande oportunidade de ficar calado, principalmente em forma de cantoria desafinada. Credo!

Nêga Manhosa
Nelson Gonçalves
  XXXXXX
Levanta, levanta, nêga manhosa
Deixa de ser preguiçosa
Vai procurar o que fazer
Nêga, deixa de fita
Prepara a minha marmita
Levanta nêga, vai te virar

Deixei embaixo do rádio
Uma nota de cinquenta
Vai à feira, joga no bicho
E vê se te aguenta
Economiza, olha o dia de amanhã
Eu preciso do troco
Domingo tem jogo no Maracanã

Do bate bola eu sou um fã!

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