Jorge Paz Amorim

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Belém, Pará, Brazil
Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Os zurros de um farsante



Independente dos zurros do asinino Jair, na hipótese de vitória desse infame herdeiro do golpismo, há uma grande distância entre seus arroubos e tudo aquilo que a democracia brasileira construiu nos últimos trinta anos.

É verdade que o Brasil foi o único país do continente que não puniu os gorilas que usurparam os direitos da sociedade em 1964, assim como se acharam no direito de matar e deportar democratas, intelectuais e quem não rezava pela macabra ordem do dia que impuseram à força ao Brasil..

Porém, independente de termos de conviver com bizarrices humanas como esse candidato a ditador que a cultura do ódio nos impões, temos segmentos sociais nacionais e internacionais capazes de enfrentar na política qualquer aventureiro saudoso de 64.

Cogitar colocar na clandestinidade legendas como PT, PCdoB e PSOL, por exemplo, não será tão tranquilo como foi implantar um bipartidarismo artificial, como fizeram os antecessores desses que ensaiam uma nova aventura autoritária achacando até a Suprema Corte do país.

Há Lula, capaz de mobilizar a opinião pública internacional contra o autoritarismo que se quer impor burlando a via democrática, há uma nova ordem mundial que abomina esse consórcio torpe entre fundamentalismo religioso, farda e segmentos econômicos ligados à destruição da Amazônia.

Há as organizações populares dispostas a resistir à criminalização, como já tenta fazer o desacreditado e larápio Temer, certamente não calarão pois acostumados a enfrentar a repressão truculenta no campo e na cidade. Antes, ao contrário, mostrará a força dessas organizações na resistência ao arbítrio.

Assim, esse discurso infame que promete repressão, banimento, truculência e tudo mais que foi servido ao Brasil no pós 1964, agora sem a logística assassina da Operação Brother Sam, não significará imposição do reacionarismo à fórceps, até mesmo porque a conjuntura internacional mudou pra pior pra esses basbaques que batem continência pra bandeira dos EUA. Saberão na hora certa, caso queiram pagar pra ver.

Porque jamais nos vencerão



Se o Brasil tivesse uma imprensa digna da sua missão de informar, o Brasil não estaria à beira de cair sob o tacão do fascismo.

Se o Brasil tivesse instituições dignas de sua missão constitucional, não estaria na iminência de viver sob uma ditadura.

Se o Brasil tivesse liberais dignos de princípios e não amantes da velhacaria e de interesses eleitoreiros não estaria ao ponto de descer para a treva do autoritarismo.

Se Brasil tivesse uma elite econômica que amasse o país que sustenta sua fartura não estaria a um passo de regressarmos a escravatura.

Mas este país não os tem e por isso assistimos, indefesos, vê-lo atirado no lixo, submetido a um governante tosco, primário, imbecil, capaz de negar o direito mais básico que tem cada ser humano que aqui vive: o direito de ser brasileiro.

Quem assistir ao vídeo onde o Sr. Jair Bolsonaro despeja, com um discurso gutural o seu desejo de expulsar do país todos aqueles que não concordarem ou se submeterem a sua vontade fascista não pode deixar de perceber quão escura é a treva em que ele lançará esse país.

Desde Médici ninguém ameaçava um brasileiro com o exílio.

Mesmo os “bem-postos” – juízes, promotores, deputados, empresários, “mercadistas” – que odeiam o povo simples e humilde desse país não podem deixar de ver que vamos ser mergulhados na selva da violência estatal, numa situação em que as grandes maiorias da população serão submetidas à alternativa entre a vassalagem ou a insurreição.

As altas patentes militares, que aderem e se submetem a um capitãozinho “bunda-suja”, que há 30 anos garatujava no papel planos de explodir bombas em quartéis para obter salário melhor – se não sabem, deveriam saber – enfiaram as forças armadas na idolatria da indisciplina, da conspiração, da deformação de só ter coragem de apontar as armas para seu próprio povo, o que as decai à condição que Caxias rejeitou, a de capitães do mato.

Errem. Suicidem-se. Escondam numa votação escandalosamente manipulada, onde a boa-fé do povo brasileiro aceita ver como “corruptos” os que nem de longe, mesmo na sua vileza, os que praticam a mais vil das corrupções: a de vender o Brasil, a de vender os direitos do nosso povo, a de vender o sagrado bem da liberdade para instaurar um governo de pústulas, de tatibitatis, de gente microcéfala e, pior, genuflexa ao ponto de bater continência para a bandeira norte-americana.

É de repetir Castro Alves e gritar para que Andrada arranque dos ares seu pendão para que não sirva de mortalha às liberdades.

O nazismo teve seu ápice, teve multidões, teve seus braços erguidos no “heil” de milhares encantados, hipnotizados.

Os que ousaram resistir teriam passado anos como ratos em suas tocas não fosse o fato de que eram homens e mulheres cercados pelos ratos.

Quis-se avançar como um Brasil de todos. Ninguém foi perseguido, nenhuma bolsa foi saqueada, nem mesmo os salões foram violados. Apenas – e muito timidamente entreabriu-se suas portas para que outros pudessem entrar.

Será que é ofensa demais ver o rosto cafuzo, mulato, crestado do sol ao seu lado no shopping, no avião, na loja? É tanto o desprezo à carne da qual se nutrem ao sangue do qual bebem, aos pobres que os fazem ricos?

Eis, senhores, numa palavra, a torpeza de seu crime. Querem a morte de quem os nutre, de quem lhes constrói as casas de luxo, as mansões, de quem compra seus produtos, de quem é escorchado por seus bancos, de quem consome as porcarias que colocam no mercado? Querem o sangue de quem nunca lhes tirou uma gota de seu champanhe?

Há, porém, uma arma mortal e sem defesa, apontada contra os senhores.

Chama-se história, responde pelo nome de marcha incontível dos povos pelos seus direitos e liberdades. Neguem-na, persigam-na, prendam-na, exilem-na: nada adiantará.

Ela triunfa. Sempre haverá festa quando ela voltar e vocês se forem. É certo que haverá dores, haverá filhos separados dos pais, haverá vidas interrompidas, algumas perdidas.

Ainda há tempo para um difícil acesso de lucidez, tão mais difícil quanto mais covardes são aqueles que poderiam provoca-lo.

Mesmo assim, a causa de vocês é perdida, inviável, perversa. Há e haverá sempre brasileiros que não se vergarão que seja de onde for, estarão de pé, a enfrenta-los. Vocês não têm mais a censura e o silêncio que tiveram, há meio século para implantar uma ditadura.

Vocês são os zumbis do tempo que se foi e não adianta que avancem como hordas ameaçadoras.

Nós somos a vida e a humanidade, e a vida humana triunfará.
(Fernando Brito/ Tijolaço)

O pequeno ditador



A fala patética do celerado Jair Bolsonaro, ontem na avenida Paulista em ato do presidenciável do PSL, nos deu a certeza que sua vitória representará um hiato na democracia brasileira.

Dar aos adversários políticos duas chances, cadeia ou exílio, é digno do autoritarismo referendado pelo infame AI-5, na medida em que traduz a vontade de um grupo que se acha acima da lei não vê outra atitude que não a punição contra quem não reza por sua ordem do dia.

Por trás de toda a perversidade contida em seu programa governamental, conforme manifestações do general Mourão e o economista Paulo Guedes, há a força bruta a indicar desprezo pelo Poder Legislativo na hora de impor essas propostas contra o povo.

Como o Poder Judiciário provavelmente ficará sob o jugo de um soldado e um cabo, então, conclui-se que a vontade imperial de servidores públicos fardados imporá ao povo mais perda de direitos, à sociedade truculência e a setores que respiram democracia, como universidades públicas e segmentos culturais, perseguição e repressão cruel.

Ainda há tempo da sociedade brasileira dar um basta nisso, cortando o mal pela raiz já no próximo domingo. O diabo é que a histeria levou à esquizofrenia fazendo com que hordas de prejudicados acabem sob o efeito dessa 'síndrome de Estocolmo', vociferando irracionalmente em favor do seu algoz. Triste!

domingo, 21 de outubro de 2018

A AMEAÇA

O ovo e o protesto



Na data de hoje, faz exatamente um ano que o então ministro golpista, hoje candidato emedebista ao governo do Pará, Helder Barbalho, foi brindado com uma 'ovada' desferida por uma estudante, no município de Cametá.

Claro que Barbalhinho não deve estar com tempo para fazer avaliação a respeito do fato, ao contrário deste blogueiro que tem todo o tempo do mundo pra lembrar aos apressados que " Nosso suor sagrado É bem mais belo que esse sangue amargo..."

Vale dizer, a ovada ainda hoje tem o poder de mostrar que os delírios ministeriais não conduzem ao falso Olimpo da unanimidade, mas mostram claramente que o brilhareco efêmero vem acompanhado da fatalidade marcada pelo inevitável encontro com o ostracismo.

Aí teremos alguém clamando por uma ovada, enquanto todos passarão com seus saquinhos dispostos a dar mais valor a um omelete do que atirar protestos na cara de quem parece nem isso merecer.

A redução da diferença salarial entre homens e mulheres sob ameaça




0,07%. Este é o percentual colossal(risos, chufas, motejos e galhofas pra evitar o choro convulsivo) que atesta a redução da desigualdade salarial entre homens e mulheres.

Trocando em miúdos, em 2016, o rendimento feminino representava 84,4% da massa salarial masculina; enquanto ano passado essa diferença caiu para 85,1%, na média, repita-se.

É provável que essa queda já não se sustente nos próximos levantamentos, se levarmos em conta a enorme redução da realização de concursos públicos desde o advento do golpismo.

Ora, se a iniciativa privada tem como regra geral a máxima boçal que mulher deve ganhar menos porque engravida, então, com a redução do ingresso no serviço público via processo seletivo, onde já vem discriminado no edital a remuneração em igualdade de condição, provavelmente haverá estagnação na redução, isto se a diferença não voltar a subir, se ameaça que paira sobre nossas cabeças se concretizarem.

Pior que há muita mulher pisando distraída na sensatez, achando que tudo que se fala da ameaça é fake, quando falsa é a imagem de mais esse salvador da pátria, na verdade, um pesadelo que ameaça nos revisitar e nos submeter à tragédia da qual nos libertamos às custas de muito sacrifício em 1989, após a primeira eleição direta pra presidente da República e fim do último governo militar, de José Sarney. 

Charleston Heston, Mauro Bonna e os 'novos empreendedores'



Porta voz de FIEPA, FAEPA, CDL, ASPAS e tudo que é segmento empresarial do estado estranhando, nas páginas do jornal dos Barbalhos, que há ambulante por tudo quanto é lado.

Às vezes, o dito cujo lembra o personagem de Charleston Heston, em 'Planeta dos Macacos' que, fugido da opressão de um governo símio, sai à procura de saber que planeta era aquele em que sua nave foi parar depois de uma pane em seus motores.

Só cai em si quando chega em uma praia deserta e defronta-se com a imagem da Estátua da Liberdade soterrada, dando-se conta que estava em seu planeta e que este havia passado por um processo reverso de involução de uma espécie e evolução de outra.

Assim age o distraído porta voz ao dar de encontro, aqui e acolá, com os 'novos empreendedores' que o desgoverno golpista fabricou ao atirar ao lixo a Consolidação das Leis do Trabalho. Inchou a paisagem das ruas do país de desempregados, que a mídia trata eufemisticamente quando lhe convém, mas os odeia tanto quanto odiava, quando trabalhavam de carteira assinada. Triste!  

sábado, 20 de outubro de 2018

Manifestações “Todos pelo Brasil” se espalham pelo país e por capitais do mundo


O sábado (20) está sendo marcado por várias manifestações populares, em defesa da democracia e dos direitos do cidadão. A mobilização, intitulada “Todos pelo Brasil”, foi organizada por movimentos sociais. O objetivo central é lutar pela defesa da democracia e expor os retrocessos representados pela candidatura de Jair Bolsonaro (PSL).

Por isso, as manifestações relembrar o movimento #EleNão, do último dia 29. “As mulheres foram para as ruas no primeiro turno e com uma imensa manifestação ajudaram a garantir o segundo turno. Agora é preciso que toda a sociedade civil, mais uma vez, se organize para mostrar a nossa indignação e amor pelo Brasil, resistir e virar o jogo nas urnas no dia 28 de outubro”, diz o texto de convocação.

De acordo com site da campanha “O Brasil Feliz de Novo”, cerca de 46 cidades programaram atos. No Brasil, podemos citar Belo Horizonte e Juiz de Fora (MG), Mossoró (RN), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Aracaju (SE), São Paulo e Rio de Janeiro, entre outras.

Em capitais de outros países, também foram programadas manifestações, como em Berlim (Alemanha), Paris (França) e Londres (Inglaterra). Nesta última, houve homenagem a Marielle Franco e ao mestre de capoeira Moa do Katendê, vítimas da intolerância e da violência política.
(Revista Forum)

Sindicato dos Jornalistas(SP) denuncia Rede Record por pressionar profissionais a favorecer Bolsonaro


O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) recebeu denúncias de vários jornalistas da Rede Record – televisão, rádio e portal de notícias R7 – de que estão sofrendo pressão permanente da direção da emissora para que o noticiário beneficie o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) e prejudique o candidato Fernando Haddad (PT). A entidade torna público, como exige seu dever de representação da categoria, o inconformismo desses profissionais com as pressões inaceitáveis e descabidas em uma empresa de comunicação.

A pressão interna para favorecimento do candidato do PSL tem origem no anúncio feito em 29 de setembro passado, pelo bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, proprietário da emissora, de que passava a apoiar Bolsonaro à Presidência. A partir daí, o noticiário começou a dar uma guinada, ainda antes do primeiro turno eleitoral. Um momento importante foi a entrevista com Jair Bolsonaro levada ao ar em 4 de outubro, no mesmo momento em que sete outros candidatos à Presidência realizavam um debate na TV Globo, com a ausência do líder nas pesquisas.

Outras expressões dessa virada são decisões de não colocar em rede reportagens relevantes – exibidas em afiliadas – barradas na grade de noticiário nacional da emissora, por avaliações de que poderiam prejudicar Bolsonaro ou ajudar Haddad. O portal R7 também passou a ser dirigido a favor do candidato do PSL de forma explícita: por vários dias seguidos, os destaques da rubrica “Eleições 2018” na home se dividiam entre reportagens favoráveis a Bolsonaro e reportagens negativas a Haddad.

As pressões internas pela distorção do noticiário tomaram a forma de assédio a diversos jornalistas. A tensão na redação tornou-se insuportável para alguns profissionais. O fato já foi divulgado por sites jornalísticos.

Concessão pública

Nesta situação, deve-se lembrar em primeiro lugar que um canal aberto de televisão é uma concessão pública outorgada pelo governo federal, o que se subordina às disposições do artigo 5º da Constituição brasileira, inciso XIV, que assegura a toda a população o acesso à informação. No contexto de uma eleição, e no âmbito do jornalismo, isso significa o direito da sociedade a receber uma informação precisa, bem apurada, equilibrada, que contribua para qualificar a compreensão das propostas em jogo e dos compromissos e interesses envolvidos em cada candidatura. Em outras palavras, o cidadão deve ter acesso a uma cobertura eleitoral que valorize o bom jornalismo, reportando os fatos de forma correta, independentemente do candidato envolvido. Isso vale mesmo se o veículo tiver posicionamento político explícito, a favor de quaisquer dos candidatos, o que não deveria interferir em sua função jornalística.

Para balizar a atuação dos profissionais, existe o ferramental próprio da profissão, que inclui o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, no qual o jornalista é orientado a “divulgar os fatos e informações de interesse público” e a não se “submeter a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação”.

É preciso considerar que a Rede Record é uma empresa privada, para a qual a legislação prevê o “poder diretivo” do empregador sobre os funcionários. Isso funciona para o conjunto das relações de trabalho, mas o jornalismo está entre as profissões que exigem relativa autonomia por sua própria natureza (como acontece, por exemplo, com os professores). O compromisso do profissional com o “acesso à informação”, cláusula pétrea da Constituição, deve ser preponderante quando existe um conflito.

O Sindicato dos Jornalistas atua para garantir as prerrogativas profissionais nas relações de trabalho, e busca inserir nas Convenções Coletivas uma “cláusula de consciência”, que diz, resumidamente, que, em “respeito à ética jornalística, à consciência do profissional e à liberdade de expressão e de imprensa”, o jornalista tem o direito de “recusar a realização de reportagens que firam o Código de Ética, violem sua consciência e contrariem a sua apuração dos fatos”. Pela cláusula, o profissional poderia ainda se opor ao uso de material produzido por ele em reportagem coletiva (inclusive para preservar sua relação com fontes) e recusar a associação de seu nome ou imagem a trabalho jornalístico com o qual não queira se associar. As empresas de rádio e televisão recusam-se a aceitar esta cláusula essencialmente democrática, deixando o terreno livre para exercer sobre os jornalistas pressões abusivas, decorrentes de interesses privados que contrariam o direito público à informação.

Repúdio
Em defesa do direito à informação correta e equilibrada na cobertura das eleições, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo repudia as pressões feitas pela direção da Record e exige o respeito à autonomia de apuração e edição dos jornalistas da empresa. Em função da situação, adota ainda as seguintes providências:

a) respeitando a autonomia da Comissão de Ética do SJSP, reforça o pedido para que a direção da Record endosse o “Protocolo Ético para o Segundo Turno das Eleições 2018”, enviado pela Comissão de Ética para a chefia do jornalismo de todas as empresas de comunicação do Estado;

b) solicita uma reunião imediata com a empresa para expressar diretamente sua posição e reivindicar garantias de que as pressões sobre os jornalistas serão interrompidas o quanto antes;

c) insiste desde já com as empresas de rádio e televisão do Estado para que, nas negociações da campanha salarial deste ano (data-base em 1º de dezembro), seja incluída a cláusula de consciência, integrante da pauta de reivindicações;

d) decide inserir as denúncias relativas à Rede Record no dossiê que prepara para entregar ao Ministério Público dos Direitos Humanos sobre a violação de garantias profissionais dos jornalistas no atual período eleitoral; e

e) coloca-se à disposição de todos os jornalistas da emissora para fazer debates, reuniões e adotar todas as medidas necessárias para garantir o respeito à autonomia profissional a que todos os jornalistas, e cada um, têm direito.

São Paulo, 19 de outubro de 2018

Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo/ via Brasil 247

Derrotado



Bom, se 60% dos paraenses desaprovam a forma como o Pará é governado por Simão Jatene, conforme a pesquisa do IBOPE de quinta-feira última, é lógico que isto é componente a favor desse favoritismo de Helder a vencer a disputa pela sucessão de Simão, conforme também atestou a dita pesquisa.

Assim, parece que o problema não é este ou aquele candidato escolhido, mas a identificação da candidatura governista sob as bençãos do mandatário quase em fim de mandato.

Há até quem diga que o prefeito de Ananindeua, Manoel Pioneiro, seria mais competitivo que o atual candidato Marcio Miranda, principalmente pelo potencial de Pioneiro em ganhar votos na Região Metropolitana de Belém, reduto que derrotou o candidato emedebista no primeiro turno de 2014, sendo agora revertido para uma votação consagradora.

Mas tudo isso parece solução de arquibancada para um time que acabou de ser derrotado. Com efeito, um governante bem avaliado por menos de 1/5 da população, enquanto  ou o repudiam ou a ele são indiferentes os outros 4/5, dificilmente terá êxito na tarefa de fazer o sucessor.

Assim fosse o Pioneiro, como é o Marcio Miranda, a tarefa parecia inglória acrescido por esse que é um dos fatos mais marcantes desta eleição: o fracasso retumbante do PSDB, com a possibilidade de eleger um ou dois governadores e uma bancada reduzida à metade do que era no Congresso Nacional, na legislatura passada.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

TRAGÉDIA


Ao esconder o Bolsolão, a Globo mostra que está aberta para negócios com o ex-capitão


Vergonha alheia.

Desde a vitória de Donald Trump, quando ficoucomprovado que as redes sociais transformaram-se numa usina de mentiras decisiva, o mundo inteiro anda de olho nos países onde estejam ocorrendo eleições.

Ontem não foi diferente. Tão logo veio a público a bomba estampada na capa da Folha de S.Paulo, em letras garrafais: “Empresas bancam disparo de mensagens anti-PT nas redes” com a denúncia de que várias empresas firmaram contratos de até R$ 12 milhões para emissão de mensagens a serem feitas na próxima semana, a última antes da eleição de segundo turno, a repercussão foi imediata, enorme e mundial.

O Guardian afirmou que Bolsonaro – a quem se referiu como ‘um populista pró-tortura que elogia a ditadura’ – “tem recebido ajuda ilegal de um grupo de empresários brasileiros que estão patrocinando uma campanha para bombardear usuários do Whatsapp com notícias falsas”.

E assim foi ao longo do dia. Não se falava de outra coisa em redações, escritórios, bares e padarias. Portanto cresce aos olhos o fato de que o grupo Globo tenha ficado na moita praticamente o dia inteiro. E quando não tinha mais como segurar, foi obtuso.

Somente no final da tarde o G1 noticiou discretamente, dentro da seção ‘Eleições’, fora da primeira página. Já o site do O Globo havia postado uma matéria com o títuloforte “Bolsonaro pode ser acusado de abuso de poder econômico e ter candidatura impugnada”, mas logo depois derrubou o link.

E o Jornal Nacional não trouxe o tema nem como notícia. Deixou que o assunto fosse abordado pelo próprio Fernando Haddad no bloco que traz as informações sobre a agenda dos candidatos.

“Estamos diante de uma tentativa de fraude eleitoral. E fico perplexo que o pressuposto dessa campanha era liquidar a eleição no primeiro turno para que as notícias de hoje não viessem à tona”, disse o petista. A perplexidade era geral, diga-se, mas a empresa da família Marinho fazia cara de paisagem.

Fez pior. Em seguida ao bloco das agendas dos candidatos, o telejornal emendou uma reportagem curta e desvinculada na qual Raquel Dodge afirmou que fakenews “não convém à democracia”; Rosa Weber declarou “que os dois lados precisam combater as informações falsas”; Que Fachin pediu “fair play aos dois lados”.

Em resumo, deu-se um jeito de equilibrar a coisa toda, como se isso fosse possível. Agiram como Trump em resposta ao ataques de supremacistas brancos.

Jair Bolsonaro, como já se previa, saiu-se com o argumento que tem usado em todas as ocasiões (e que revela seu grau de despreparo e seu caráter): “Eu não tenho controle, não tenho como saber e tomar providência”.

O candidato tem reagido dessa forma covarde e espantosa para todo e qualquer evento importante – de incêndio em museu a assassinato cometido por seus seguidores – mas e a Globo? Vai aguardar 50 anos para se retratar, como fez para admitir seu apoio à ditadura?

Veja o tamanho da gravidade da situação: o PT entrou com pedido de inelegibilidade de Bolsonaro por abuso de poder econômico e o caso fez com que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) convocasse para hoje, às 16 horas, uma coletiva de imprensa na qual estarão a presidente do TSE, Rosa Weber, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), general Sérgio Etchegoyen, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a advogada-geral da União, Grace Mendonça, e o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Rogério Galloro.

Mas quem se informa exclusivamente pela Globo hoje será pego de surpresa e seus jornalistas terão que, mais uma vez, simular que ontem não sabiam de nada.

Vergonha, hein.
(Mauro Donato/ Diário do Centro do Mundo)

Bandido chileno visita seu similar tupiniquim



José Antonio Kast, que conseguiu alguma notoriedade no Chile puxando o saco do sanguinário e narcotraficante Augusto Pinochet, visitou ontem o candidato do PSL.

O símile chileno do fascista brasileiro veio atrás de algum brilhareco, depois que foi derrotado nas eleições presidenciais e desmascarado com a vinda da verdade à tona a respeito das ligações de seu ídolo com o tráfico de drogas.

Como todo celerado faz quando está em baixa, engrena um discurso moralista contra aborto e corrupção, mas não deixa de exaltar um regime imposto à força aos chilenos e que matou milhares de desafetos políticos. Um bandido!

O fantasma de nova ventura autoritária


The New York Times, nos EUA; The Guardian, na Inglaterra e Le Monde, na França, reportam-se a mais esse ataque da extrema-direita brasileira contra a democracia e contra a lisura de um processo eleitoral que já vinha conspurcado com a exclusão ilegal do favorito na disputa.

Com esses últimos ataques imorais à legislação, percebe-se que a tarefa não era apenas excluir Lula, mas, ganhar a eleição a qualquer custo, nem que para isso tivessem que recorrer a um celerado vassalo de Trump, bem como ao total desrespeito a lei.

A postura vacilante da justiça brasileira nos coloca sob a ameaça da reedição de um AI-1, aquele ato saído das Forças Armadas que extinguiu partidos, em 1965, e transformou a eleição presidencial daquele ano, até 1985, em eleições indiretas, depois de prometerem que devolveriam o poder aos civis tão logo depusessem Jango.

O resto da história dessa fatídica aventura sabemos como foi, assim como é assustador saber que a presidenta do TSE dará entrevista sobre o crime do candidato do PSL, denunciado ontem pela Folha de São Paulo, tendo ao seu lado um general servidor do Poder Executivo.

Desgraçadamente, os fatos históricos atuais nos levam a temer por uma nova aventura autoritária no país, tudo porque uma eleição limpa e democrática não seria suficiente para manter legitimamente o consórcio golpista no poder. Tal e qual aconteceu com Jango, que fazia um governo com mais de 70% de aprovação popular.

Lula saiu do governo com mais de 80% de aprovação. Foi sequestrado e encarcerado para não disputar. Ainda, assim, teve uma capacidade admirável de transferir votos ao sucessor. Deu nisso: fraude, empulhação, truculência, desprezo pelas leis e principalmente essa ameaça explícita da volta do autoritarismo. Triste!

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

58x42



A pesquisa IBOPE para o governo do Pará, divulgada há pouco pela TV Liberal, apresenta um quadro estável desde o resultado do primeiro turno das eleições.

Helder tem 58% dos votos válidos e Márcio Miranda 42%, mais ou menos a diferença verificada no primeiro turno.

Até na rejeição os dois se equivalem: enquanto a do emedebista está em 29%; a do demista está em 25%, tudo dentro da margem de erro.

Pelo visto, Helder deve viver sob a mesma tensão vivida em 2014, quando esteve próximo de vencer já no primeiro turno e acabou derrotado no segundo.

Chama a atenção, ainda, que o apoio declarado pelo terceiro colocado, o petista Paulo Rocha, não foi capaz de gerar um pontinho percentual sequer para o filho de Elcione.

Aliás, não será nada espantoso se o apoio declarado por Paulo acabar tendo efeito  contrário na medida em que Helder é golpista de primeira hora e a militância petista parece não digerir esse apoio.