Na reta final para a composição de chapas que disputarão as eleições de outubro, cá no Pará, surge um impasse que pode mudar o rumo da prosa aliancista.
Segundo o jornalista Olavo Dutra, o PT regional soltou uma nota reafirmando a disposição de manter o nome do deputado estadual, Dirceu Ten Vatten, como escolha do partido à vice governadoria na chapa de Hana Ghassan.
Todavia, ainda segundo o mesmo jornalista, Helder Barbalho, candidato ao Senado pelo MDB e condutor plenipotenciário dessa composição, vê a opção por um nome oriundo de igreja evangélica como mais competitiva no momento.
De fato, convenhamos, após todas as concessões e vantagens ofertadas pelo governo federal comandado pelo PT à legenda regionalmente comandada pelo clã Barbalho, seriam suficientes para que Helder já tivesse sacramentado essa chapa.
Mas, no balanço de perdas e ganhos, o ex governador e candidato ao Senado teme reduzir sua chapa ao arranjo político que já dura quase uma década, deixando de mão beijada ao adversário e desafeto, Daniel Santos, esse enorme eleitorado fundamentalista.
Fato é que, essa indecisão já forçou a direção nacional do PT a tomar uma atitude que bate de frente com o MDB local, qual seja, a de declarar apoio à candidatura senatorial de Celso Sabino, agora no PDT, com isso obrigando o MDB a rever sua posição imperial.
Pelos recados evasivos de Helder, entende-se que ele gostaria que o PT concorresse só, na perspectiva da pulverização dos votos, o que foi tentado e não deu certo quando Barbalho lançou um monte de candidatos à prefeitura de Ananindeua, mesmo assim Daniel obteve mais de 80% dos votos.
Claro que todos sabem que uma eleição regional terá outra dimensão, onde a força emedebista em diversas regiões não permite que qualquer comparação meramente arbitrária, do tipo se deu certo aqui dará certo acolá, ignorando-se as especificidades regionais desse imenso país que se chama Pará.
Certo é que Helder quer tudo e vai usar sua influência para esticar a corda até onde der; largar o PT no meio da estrada, com o candidato favorito a um quarto mandato presidencial e dotado de uma sabedoria política inigualável seria suicídio, porém o medo das sombras sempre atormenta quem vê isso como vantagem e risco.
Desse distanciamento emedebista em relação ao PT poderia surgir, por exemplo, uma chapa que unisse o PSOL, PDT, PSB, Rede, PCdoB, Partido Verde e o próprio PT com o apoio de Lula, trazendo um discurso de inclusão social inexistente nesse estado comandado por mineradoras que lucram bilhões, enquanto populações desses municípios explorados vivem com meio salário mínimo.
Aguardemos, pois, mais um pouco até o hangar bovino soltar suas cabeças no espaço aéreo e ficarmos sabendo que acordos foram costurados. É isso.
