
Já que o Diário do Pará atribui à onipresença do governador Helder Barbalho até em situações distantes da influência governamental, como a distribuição feita pela Cerpasa de água e guaraná à população amapaense, por solicitação do governador paraense, segundo o jornal da família do dito cujo, por que não atribuir a ele o milagre da multiplicação do dinheiro nos cofres do Clube do Remo?
Até março deste ano, o clube devia dois meses de salários para os jogadores do time de futebol profissional, para os funcionários do clube a dívida era ainda maior, corria o risco de penhora de suas sedes por dívidas à porta do vencimento na Justiça do Trabalho, estava suspenso do Profut e à beira do colapso financeiro na medida em que suas receitas eram ínfimas diante das dívidas.
Veio a pandemia, a suspensão de público nos estádios e com isso uma das poucas fontes de renda dos clubes brasileiros foi bruscamente suprimida pelo lockdown levando grande parte dessas agremiações a experimentar uma situação falimentar, conforme declarou o presidente do Botafogo do Rio de Janeiro, bem como os colaboradores financeiros do clube de General Severiano.
Porém, após vários meses de inatividade, sem receitas de bilheteria nos estádios, programa sócio torcedor contando com valores ínfimos diante dos compromissos financeiros do clube, além de outras carências que elevavam o custo a ponto de obrigar o clube a alugar uma parte das dependências do seu estádio à uma rede de farmácias, de repente o Remo se vê nadando em dinheiro.
Contratou alguns jogadores que disputavam o Campeonato Brasileiro da Série B, para disputarem a Série C pelo Leão, sem que a mídia tocasse em um assunto sempre recorrente nessas situações: foi um mecenas que bancou, ou há perspectiva de calote à vista, nada disso. O Remo elevou a qualidade do seu elenco, elevando junto os custos da folha de pagamento, parece que sem o corte de 50%, como fizera em março.
Pra completar, anunciou, hoje, a contratação de um jogador que estava no Nacional do Uruguai, logo, primeira divisão, e que devia receber seus salários em dólar no país vizinho. Milagre? Claro que não. Alguém banca essa recuperação fantástica. Quem? Sobre isso o Diário do Pará silencia. Hum hum.

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