Jorge Paz Amorim

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Belém, Pará, Brazil
Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Brasil: Nação soberana ou mero protetorado


Em entrevista ao jornal Valor, o Comandante do Exército, general Villas Bôas, fez um diagnóstico contundente da situação do país atualmente.

“Somos um país que está à deriva, que não sabe o que pretende ser, o que quer ser e o que deve ser”, disse ele ao jornal.

Tal avaliação é fundamental para entender o Brasil e seu papel no cenário econômico e político que se abre com o “fim do mundo unipolar“.

Em suas palavras, antes de mais nada, está o compromisso histórico das Forças Armadas com os destinos país, nunca abandonado pelos militares brasileiros.

Segundo Villas Bôas, “o país perdeu sua identidade, o sentido de projeto e ideologia de desenvolvimento”.

As suas palavras expressam uma verdade e, mais do que nunca, a recomposição do sentido de Nação é tarefa de todos os patriotas dispostos a superar preconceitos e olhar para o futuro.

Em palestra em uma universidade de Brasília, em 2016, o próprio general Villas Bôas identificou na origem desse processo a falsa bandeira da Guerra Fria que, em outros tempos, dividiu a Nação entre civis e militares.

A gravidade da crise nacional e internacional, portanto, impõe que todos assumam a defesa do Brasil, para não incorrer no mesmo erro histórico.

A bandeira da Nação não pode, e não deve, ser propriedade de nenhum setor político, econômico ou social.

Assim, o Brasil precisa resgatar suas mais importantes experiências históricas, que vêm de Getúlio Vargas, do general Ernesto Geisel e, mais recentemente, de Lula.

Vargas foi responsável pela construção do Estado moderno, enquanto Geisel assentou novas bases para a infraestrutura e Lula democratizou o acesso da maioria do povo ao desenvolvimento.

Nos três casos, o interesse nacional independente e a projeção soberana do Brasil no cenário mundial estiveram no centro dos respectivos governos.

O Brasil está sob ataque de uma “guerra assimétrica” com objetivo de destruir o Estado Nacional e subjugar a Nação aos interesses do sistema financeiro internacional.

Não por acaso, a Operação Lava Jato mirou a indústria de defesa em seus primeiros “bombardeios”, condenando o Almirante Othon à “prisão perpétua”.

Em sua “missão” lesa-Pátria, segue arrasando a indústria nacional de infraestrutura e a política de conteúdo local, herança de Geisel.

O sentimento de estar “à deriva”, em boa parte é fruto da situação política criada a partir da radical mudança política, econômica e social imposta pelo atual governo.

Atrelar os destinos do Brasil aos interesses do capital financeiro internacional, e seus representantes derrotados nas eleições norte-americanas, está cobrando o seu alto preço.

“Calabares” modernos, os traidores da nova “Guerra Brasílica” apostam na destruição do país para cumprir o “pacto” antinacional.

A exemplo da “Guerra Brasílica”, mais do que uma batalha momentânea contra um golpe paroquial, enfrentamos um ataque sistemático contra o Estado e a nacionalidade brasileira.

Primeiro ato constitutivo da Nação brasileira, a “Guerra Brasílica”, no século XVII, uniu índios, negros e portugueses em defesa da manutenção da integridade do território nacional.

É dessa experiência histórica ainda a postura intransigente contra os traidores, como Calabar.

Novamente, o Brasil está no centro das mudanças da geopolítica mundial, deflagradas com a falência da globalização, e radicalizadas com a vitória de Donald Trump nos EUA.

A afirmação do país no BRICS, a presença econômica e política no cenário mundial estão em jogo, definindo a nossa existência enquanto Nação soberana ou mero protetorado.

Um raro momento histórico, uma “janela de oportunidades”, que exige de todos os patriotas coragem, desprendimento e, principalmente, compromisso com os brasileiros.

Nenhum país do mundo, e menos ainda um país com a dimensão e a história do Brasil, consegue sobreviver sem um Projeto Nacional, e subordinado a interesses externos e internos menores.

Menos ainda, sem contar com Forças Armadas fortes, robustas, instrumentalizadas tecnologicamente, capaz de impor respeito e afirmar os interesses nacionais.

A PEC 55 abriu o caminho para desestruturar as Forças Armadas e transformá-las em mera “força policial”, capitães do mato do “exército invasor”.

Antes que, inclusive as Forças Armadas sejam comprometidas pelo processo de destruição do Estado Nacional, é urgente reagir ao desastre anunciado.

A vocação de grande Nação do Brasil está profundamente ameaçada por interesses alheios ao país, ao povo, à independência e à soberania nacional.

A hora, portanto, é de unir todos os brasileiros, a exemplo de outros momentos da história em que a Pátria esteve sob risco.

“Si vis pacem para bellum”, é sempre bom lembrar.
{Fernando Rosa- Senhor X/ Viomundo}

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Reforma da Previdência “joga os fundamentos da República na lata de lixo”



A subprocuradora-geral do Trabalho, Maria Aparecida Gurgel, disse que a reforma da Previdência “joga os fundamentos da República na lata de lixo”.

Ela criticou a inclusão dos benefícios assistenciais (BPC) no sistema previdenciário. De acordo com ela, a reforma está causando insegurança nos segurados ao elevar a idade dos novos beneficiários de 65 para 70 anos e ao desvincular os valores do salário mínimo.

Para ela, a legislação e as convenções das quais o Brasil é signatário não permitem retrocesso em direitos para as pessoas com deficiência e idosos.

Mas concordou com as mudanças que permitem ao servidor público que sofrer limitações em sua capacidade física ou mental poder voltar ao trabalho. “Desde que o serviço se readapte a ele, e não o contrário.”

O coordenador geral de Serviços Previdenciários e Assistenciais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Josierton Cruz Bezerra, explicou que a concessão de aposentadoria para a pessoa com deficiência é feita de acordo com uma exigência de contribuições diferenciada conforme a gravidade da deficiência.

Para o homem, os 35 anos de contribuição caem para 25 para a deficiência grave, 29 para a média e 33 para a leve. “Uma média de 30% dos que requerem não cumprem os requisitos.” Entre os deficientes e idosos carentes, que buscam o Benefício de Prestação a recusa seria de 50%.
[Agência Câmara/ Viomundo}

Serra volta à disputa


Serra só pensa em ser presidente do Brasil. Não digo que dorme e acorda refém dessa ideia fixa porque os mais íntimos afirmam que ele não dorme; apenas deita no sarcófago por umas poucas horas.

Ora, essa obsessão estava sendo atrapalhada pelo exercício de cargo auxiliar do MT. Logo ele, que sempre foi patrão do dito cujo, perdendo tempo fazendo as vezes de auxiliar do seu serviçal, daquele que não acompanhou a diáspora pemedebista que fundou a república da privataria por orientação do seu chefe, Serra.

Agora, o Nosferatu da Mooca volta ao Senado Federal e ocupará o papel de principal figura do governo golpista, contando com a mídia comparsa para repercutir tudo aquilo que ele, Serra, fizer no Senado para dar sentido político a zorra governamental.

Aí acabará a vida mansa de Alckmin, até aqui surfando solitário na onda da candidatura ao Planalto pelo PSDB, em 2018. Sim porque Aécio está mais sujo que cueca de carvoeiro e sensível a um peteleco midiático contra sua vida bandida para inviabilizar-se.

Já estava, mas consolida-se ainda mais a perspectiva do candidato tucano vir de São Paulo, representar basicamente o conservadorismo tupiniquim cuja maior fração vive naquele estado, recheado com o discurso de austeridade e competência do qual eles não conseguem fugir, embora aos olhos da maioria do povo brasileiro essa empulhação não passe de emissão maciça de notas de três reais.

Como sabe não ser páreo para Lula, preparemo-nos para ver as mais sórdidas manobras urdidas por mídia, judiciário e parlamento no sentido de inviabilizar no tapetão a candidatura daquele que hoje é favoritaço: Luís Inácio Lula da Silva.

De qualquer modo, os próximos lances dessa disputa paulista pela candidatura tucana deve reservar momentos emocionantes. Depois do banco de sangue feito pelo 'vampiro anêmico', que consumiu centenas de milhões de reais e não proporcionou uma gota; é provável que o novamente senador dê o troco e revele algo mais a respeito da roubalheira de merenda escolar das crianças de São Paulo. A conferir.

Diferença entre governo legítimo e golpista. Dilma será palestrante na ONU; ministra golpista terá que explicar-se


A presidente Dilma Rousseff participará, em Genebra, de evento sobre direitos humanos no início de março. Ela será uma das palestrantes do Festival de Cinema de Direitos Humanos, iniciativa que se transformou nos últimos anos no principal evento paralelo aos debates no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), que se reunirá a partir de segunda-feira, dia 27.

O encontro na ONU, que dura três semanas, marcará o retorno do Brasil no conselho depois de um ano afastado. O país foi eleito pela Assembleia Geral da entidade. Na sessão de abertura, quem fará o discurso em nome do governo de Michel Temer é Luislinda Valois, ministra de Direitos Humanos.

A reportagem apurou que ela vai usar o palanque para reafirmar os compromissos do País com a defesa dos direitos humanos, do estado de direito e de avanços sociais.

Já no discurso de Dilma, no festival de cinema, os dois temas principais deverão ser o combate contra a pobreza no Brasil e a fome. Dentro da ONU, o Brasil deve ser confrontado por temas como o da redução de gastos sociais, além de questionamentos por partes dos peritos sobre questões como segurança pública e as condições das prisões no País.

Quem terá ainda a função de defender o governo Temer será a embaixadora Maria Nazareth Farani Azevedo, que assumiu nesta semana o cargo de representante do Brasil na ONU. Ela, porém, já havia assumido a mesma função durante o governo de Dilma Rousseff.

Para ONGs, a volta do Brasil ao Conselho de Direitos Humanos também será uma oportunidade para cobrar o governo. "Vemos como uma oportunidade para que a sociedade civil possa expor as contradições de direitos humanos do Brasil", afirmou Camila Asano, coordenadora de Política Externa da entidade Conectas.

"O Brasil chega ao órgão com um quadro de numerosos retrocessos", disse, citando as mortes em presídios, o descontrole na área de segurança publica e a demarcação de terras indígenas. "Precisamos cobrar o mínimo de coerência", afirmou.

Outro teste será o exame da política de direitos humanos do Brasil. O País será sabatinado pela ONU em maio. No início de fevereiro, entregou para a ONU seu informe. Entidades como o Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa, além da própria Conectas, entraram com um pedido usando a Lei de Acesso à Informação para conseguir uma cópia do documento que por semanas foi mantido em sigilo.

No primeiro rascunho dos documentos, a imagem que o Brasil tentava passar para a ONU irritou as ONGs. Num capítulo sobre meio ambiente, o desastre de Mariana nem sequer era mencionado.
{Estadão/ Os Amigos do Presidente Lula}

Cunha bandida marca miseravelmente o Ministério da Justiça


É verdade que canalhas, canalhas, canalhas não faltam no cenário golpista, todavia, antiguidade é posto e Osmar Serraglio é canalha juramentado e praticante desde longas datas, daí sua escolha estar à altura do momento orgiástico que vivemos.

Com efeito, ninguém superaria em canalhice sua célebre frase, "Eduardo Cunha exerceu um papel fundamental para aprovarmos o impeachment da presidente. Merece ser anistiado", sublime banditismo serráglico suplicando em prol da impunidade do comparsa. Quarenta séculos de delitos vos contemplam.

Assim, esse apologista sem constrangimentos do assalto descarado ao poder feito com o heróico e bandido apoio do marido de D. Cláudia Cruz vem para tergiversar, manipular, sofismar e demais recursos à velhacaria que estejam ao seu alcance, pois sabe que comparsas midiáticos darão sentido moralista a seus malfeitos.

Fico pensando na cara de leso do republicano Cardozo, diante de tanto cinismo. Deve estar pensando, 'fui atrás de santos no inferno e saí com a bunda queimada. Pior: fui alvo de risos, chufas e deboches só porque levei essa corja a sério'.

Paciência. A lição sabemos de cor, só nos resta aprender. Enquanto não, vamos votando em um Eunício aqui, negociando com uns Barbalhos acolá, tudo em nome de um tal preenchimento dos espaços institucionais existentes, de resto, vigarice perpetrada pela turma do deixa pra lá que não consegue desentortar a boca, mesmo depois de privada do uso do cachimbo.

Não importa. Talvez um dia a gente aprenda.


Amor, eterno amor


Essa aparentemente surpreendente parceria entre o ministro Helder Barbalho e o governador paulista Geraldo Alckmin pode dar o tom da aproximação do ministro com o PSDB paraense, frisson causado semana passada quando Helder e o prefeito de Belém firmaram parceria a fim de conter a erosão na orla do Distrito do Mosqueiro.

Alckmin cedeu o maquinário e Helder chamou pra si a responsabilidade de concluir os 5% restantes das obras de transposição do rio São Francisco para o sertão nordestino, depois que Sérgio Moro inviabilizou a conclusão no prazo anterior ao dizimar esse e outros canteiros centrais espalhados pelo país, em nome do milenarismo vulgar que orienta seu comportamento.

Hoje a manchete do Diário do Pará, jornal da família Barbalho, anuncia que o estado passará a receber mensalmente as parcelas do Fundeb, sendo que os 215 milhões referentes a fevereiro já estão na conta do governo do estado, clara manifestação de boa vontade para com o aparente adversário.

Não esquecer que o PMDB foi aliado fundamental de Jatene em 2011 para que este derrotasse o PT, fazendo oposição ferrenha ao governo de Ana Júlia, sendo Helder um dos mais furibundos anti petistas daquele período. Deve ainda estar na memória dos paraenses o episódio da desapropriação da inútil granja do Icuí, arremedo de residência oficial, pela então governadora Ana Júlia que pretendia ceder o espaço para que lá se fizesse um conjunto habitacional do programa 'Minha Casa, Minha Vida'.

Helder fez disso factoide para firmar sua oposição à decisão governamental e tentou impor ali um espaço da Universidade Federal do Pará, algo que até hoje, quase sete anos passados, não saiu do papel até mesmo porque é de viabilidade duvidosa.

Não esquecer, ainda, que Helder levou uma surra retumbante de Simão Jatene em Ananindeua, muito em função de sua pífia gestão de oito anos a frente da prefeitura daquele município, recalque que talvez explique a reaproximação entre pemedebistas e tucanos paraenses na falta de algo melhor pra apresentar.

Resta saber como os donos do Grupo Liberal, mentores do primeiro desenlace, veem esse reatamento do relacionamento. Assim como Simão, que pegou o rumo das oropa e não se fez presente na bucólica caminhada que tanto está dando o que falar.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

TERROR DA VIRALATICE


A falácia de Aécio na sabatina de Moraes.


Aécio ajudou poderosamente a tornar ainda pior a sabatina de Alexandre de Moraes no Senado.

Aécio usou os Estados Unidos para justificar o injustificável: a indicação de um militante partidário para a mais alta corte do país, o STF.

“Nos EUA é natural os presidentes indicarem pessoas simpáticas ao partido que chegou à vitória”, disse ele. “Isso permite equilíbrio.”

Não, não e ainda não. Aécio falou uma besteira, ou por ignorância, ou por má fé, ou ainda quem sabe por uma mistura das duas coisas.

Nos Estados Unidos, o apartidarismo dos juízes da Suprema Corte é sagrado. Ninguém que tenha tido militância política pode sequer sonhar com a Suprema Corte.

O que acontece — isso sim — é que os presidentes americanos escolhem para vagas juízes que compartilhem suas crenças fundamentais.

Um presidente republicano, por exemplo, dará preferência a juízes conservadores. Da mesma forma, um presidente democrata optará por juízes mais progressistas. Roosevelt só conseguiu emplacar seu New Deal quando montou uma maioria progressista na Suprema Corte.

Levou muito tempo, e Roosevelt quase se desesperou de ver suas medidas serem rejeitadas sistematicamente na Justiça.

Mas, graças a sucessivas vitórias (ele se elegeu quatro vezes), Roosevelt afinal obteve maioria na Suprema Corte.

Só assim as medidas igualitárias do New Deal foram aprovadas.

Voltando: nenhum juiz indicado por Roosevelt militara na política.

As escolhas de Roosevelt, como as de qualquer outro presidente americano, foram chanceladas nas urnas.

É o voto popular que dá ao presidente dos Estados Unidos, ou de qualquer democracia, poder para escolher juízes afinados com suas ideias.

É aí que a intervenção de Aécio na sabatina se torna ridícula. Quantos votos tem este governo? Nenhum. Em maiúsculas fica mais claro: NENHUM.

Nenhum juiz nomeado por um governo como o de Temer terá qualquer traço de legitimidade.

No Brasil, o PT — e já falei disso várias vezes — cometeu um erro fatal ao não nomear para o STF juízes progressistas.

Eu disse progressistas, e não petistas. Por progressistas entendam-se todos aqueles que colocam justiça social entre as prioridades máximas.

Os votos autorizavam o PT a escolher juízes menos conservadores do que os que estão no STF. Mais que autorizavam: mandavam.

Temer, sem votos, não tem autoridade moral para indicar ninguém.

Aécio não poderia ser mais infeliz ao invocar o exemplo americano: por trás de cada juiz da Suprema Corte estão milhões de votos. Repito: ou foi má fé ou ignorância ou ambas.

Fico com a terceira opção.
{Paulo Nogueira/ DCM}

Cinismo no STF. Moro não pode investigar Sarney. Só Lula



A 2ª Turma do STF acaba de impor uma derrota acachapante ao novo relator da Lava Jato, Luiz Edson Fachin.

Contra seu relatório, quatro ministros decidiram que o ex-presidente José Sarney não pode ser julgado por Sérgio Moro, porque a delação de Sérgio Machado tem dois investigados, Renan Calheiros e Romero Jucá, com foro privilegiado.

Fachin, seguindo a linha de Teori Zavascki, queria que o processo corresse em Curitiba, com Sérgio Moro, com o compartilhamento das provas, já que Sarney não tem privilégio de foro.

Nananinanão, disseram Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandovski e Celso de Melo.

Sérgio Moro é só para Lula.

Ele não é “gente fina”, Sarney é.
{Tijolaço}

Levy Fidelix condenado por homofobia


A metamorfose ocorrida no organismo do desastrado candidato à presidência da República Levy Fidelix ainda rende, quase três anos depois do deslocamento do 'aparelho excretor' do dito cujo para a boca.

A Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania de São Paulo manteve a condenação de Levy, aplicando-lhe uma multa de 25,7 mil pela prática de conduta homofóbica.

Talvez, essa multa na parte mais sensível do organismo daquele vigarista o faça pensar que abrir a boca pra falar deve merecer certos cuidados cidadãos, caso contrário suas lições de boçalidade acabam voltando-se contra si e demonstrando que há mais mistérios entre a boca e o aparelho excretor do que pode supor seu torpe conservadorismo. Bem feito.

O blefe do jogador


Ao contrário do que pensa o sádico banqueiro Henrique Meirelles, essas medidas torpes do governo golpista não vieram pra ficar coisa nenhuma. São inúmeros os exemplos de imposições de iniquidades iguais a esssas que foram silenciosamente derrotadas na opinião pública até à execração final.

Nem a austeridade imposta a ferro e fogo, como ocorreu em 1964, conseguem vir para ficar. Aquelas, até duraram muito tempo, todavia, já em meados dos anos 1970, pouco mais de dez anos de imposição, sucumbiram ao descrédito que trouxeram junto, ainda mais porque a austeridade que veio com o golpe contra a democracia encobria a voracidade de rapaces inescrupulosos, que roubaram os cofres públicos sem pudor.

Portanto, teto de gastos orçamentários para arrochar salários, aposentadoria somente após 50 anos de serviço, tunga de direitos adquiridos na relação capital e trabalho, entrega de nossas riquezas ao capital multinacional não ficarão, como não ficaram após os oito anos de privataria tucana, um período de mandonismo aparentemente estável e duradouro, vinte anos, dizia um dos meliantes que articulou aquela quadrilha, aquelas vigarices neoliberais que desgraçadamente nos proporcionaram um dos mais vis governos que já tivemos.

Pode até o vil agiota Meirelles estar projetando que esse assalto perdurará após 2018, mas certamente ignora a reação popular como ocorreu em relação a Sarney, Collor e FHC, tão impopulares que tiveram de submergir pois eram sinônimos de antipatia.

E olha que esses despertaram alguma expectativa positiva em seus respectivos inícios de gestão. Ao contrário do torpe MT, que valeu-se de rasteira conspirata capitaneada por um bandido que se encontra atrás das grades pra depor uma presidenta legitimamente eleita, e o tal Temer faz que isso não é com ele.

Enfim, é provável que muitos brasileiros ainda venham sofrer as consequências dessa tragédia que ora se abate sobre nós. Contudo, nada indica a vida longa que o usurário ministro da Fazenda golpista projeta, parecendo isto muito mais um blefe político de ocasião do que uma convicção a longo prazo.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Panfletarismo burro


O panfleto tucano/liberal une com maestria ímpar burrice e manipulação. Hoje dá destaque ao que diz um jagunço da Polícia Federal, uma espécie de Volante dos tempos atuais, que declarou Lula e Dilma como agentes de obstrução da justiça a quando da nomeação do primeiro pela segunda para a chefia da Casa Civil.

Mesmo que a dita nomeação tenha gerado reações sórdidas da midiazona, de patifes togados e meganhas, recentemente o ministro Celso de Mello, julgando situação semelhante ocorrida com a nomeação de Moreira Franco por Michel Temer, sentenciou que isso está dentro da normalidade administrativa constituindo-se prerrogativa do chefe do Poder Executivo.

Ou seja, de acordo com o próprio STF, a nomeação de Lula foi normalíssima do ponto de vista jurídico/administrativo constituindo-se a manifestação do tal jagunço nada além do que gasolina atirada a fogueira da perseguição que tenta inviabilizar o favoritismo absoluto de Lula pra 2018.

Quanto ao tal papelucho da 25 de Setembro, é nítido o abandono total dos mínimos padrões de decência na obrigação de fazer jornalismo, passando a adotar sem limites o mais abjeto panfletarismo incomodado que está com sua condição de refém do pemedebismo, mesmo após constantes surtos do seu falso moralismo, quando deita falação ética, mesmo depois de flagrado desnudo nessa zona de tolerância em que se transformou sua relação com o governo do estado.

Ação judicial corre o risco de ser extinta por morte...pelo cansaço


Servidores municipais de Belém ganharam na justiça o direito de reposição salarial na ordem de 22,8%. Detalhe: a ação tramitou no século passsado e não cabe mais recurso, no entanto, até hoje a prefeitura enceta manobras protelatórias e evita cumprir essa decisão judicial referente ao que remonta a 1993.

Agora são os servidores estaduais que estão na iminência de abocanhar um reajuste, também referente a ganho obtido no século passado, na ordem de 22,45%, vitória obtida no distante ano de 1999, agora em vias de finalização judicial com o julgamento de uma ação rescisória que completará esse tour jurídico.

O diabo é que, depois de completada a peregrinação ocorrem essas manobras protelatórias, que no caso da capital já privou dezenas de servidores de usufruirem do ganho, pois, conforme dizem os legistas, vieram a óbito.

Nesse andamento, corremos o risco de ver pela primeira vez uma ação literalmente matar pelo cansaço a todos os seus pleiteantes, após mais de três décadas de embromation oficial. E a justiça que passa de compulsórias a novos magistrados segue firme dando guarida à chacina jurídica decorrente dessa lentidão.

Lorotas, lorotas, lorotas...


Com a recusa da SEEL em ceder o Ginásio Guilherme Paraense à FEFUSPA- Federação de Futsal do Pará, cai por terra a balela do espaço ser um incentivo ao esporte amador no estado.

Decididamente não é. Até aqui serviu apenas para que a tevê por assinatura realizasse seus eventos de caráter nacional, seguramente bancados por mais dinheiro saídos dos cofres estaduais, óbvio que se não fosse assim jamais aconteceriam tão longe do eixo Rio/São Paulo.

Portanto, esse mimo de cerca de 100 milhões de reais, bancados por dinheiro dos cofres paraenses, com que Simão faz auto promoção do seu inoperante governo é, na verdade, inacessível ao desprestigiado esporte amador que se pratica por aqui, muito, como agora constatou-se, graças a insensibilidade de um governante ausente, descompromissado e elitista.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Humberto Costa, qual página deve ser virada?


O senador Humberto Costa (PT-PE) concedeu uma entrevista à revista “Veja” (edição de 22 de fevereiro de 2017).

A entrevista está causando polêmica, tanto pelo conteúdo quanto por ter sido concedida a uma publicação conhecida pela falta de compromisso com a verdade, pelo direitismo e pela violência editorial.

Vale dizer que Humberto Costa não é o primeiro a ceder aos encantos das páginas amarelas da revista “Veja”. O ex-petista Cândido Vaccarezza enterrou ali suas pretensões de virar presidente da Câmara dos Deputados.

Ao decidir conceder uma entrevista à revista “Veja”, Humberto certamente sabia da repercussão.

Portanto, se existe alguma lógica política em sua atitude de conceder tal entrevista, ela consiste em mandar um recado para uma parcela dos golpistas.

A “Veja” interpretou e resumiu este recado da seguinte forma: existe um setor do PT disposto a admitir que o partido se “envolveu em corrupção”, disposto a “pedir desculpas à sociedade”, disposto a “abandonar o discurso de denúncia do golpe” e disposto a apresentar “propostas econômicas para tirar o país do atoleiro”.

“Veja” sintetizou esta interpretação no título que deu à entrevista: para este setor do PT representado por Humberto, teria chegado a “hora de virar a página”.

Falando de outro jeito: no momento em que o governo Temer afunda, este setor do PT estaria disposto a ajudar numa saída negociada para a crise.

Para chegar a esta interpretação, “Veja” teria manipulado as opiniões de Humberto?

Ou é mais ou menos isto que pensa o senador eleito pelo PT de Pernambuco?

A resposta será conhecida nos próximos dias. Pode ser que Humberto solicite uma correção na entrevista. Mas se ele não fizer isto, então valerá o que está escrito.

Enquanto a resposta não vem, vejamos ponto a ponto, confrontando as conclusões de “Veja” (citadas abaixo entre aspas e em negrito) com as afirmações publicadas de Humberto, sempre lembrando que ele ainda está em tempo de solicitar uma correção.

“Chegou a hora do PT admitir que se envolveu em corrupção”


Das 14 perguntas da entrevista, pelo menos 4 tratam de corrupção. A esse respeito, Humberto Costa diz que “houve” corrupção, que “claro” que houve pessoas que “podem” ter se beneficiado pessoalmente, que “até agora” foram “identificadas” coisas feitas “com o propósito de manter o poder e de fortalecer o PT”, sendo que “neste processo, perdemos as referências”.

Já li e ouvi – embora nunca na revista “Veja” – outras pessoas fazendo este tipo de raciocínio, que considero errado, pois tira o foco do financiamento privado empresarial, da economia política da corrupção e do debate sobre a orientação política geral do partido.

Mas o espantoso é que Humberto não denuncie globalmente a Operação Lava Jato. Espantoso, mas compreensível: se é hora de “virar a página”, melhor não lembrar que a Operação Lava Jato foi (e continua sendo) parte essencial de um golpe.

Mesmo quando “Veja” diz que “o ex-presidente corre o risco de acabar preso pela Lava Jato”, Humberto responde na condicional: “se um fato como esse acontecesse, seria uma violência institucional e política sem precedentes. Uma coisa como essa talvez até ampliasse a força política de Lula. Como não existem provas, argumentos que justifiquem a prisão dele, acredito que ele não só vai estar livre, como será candidato”.

Ou seja: ao menos no que foi publicado, não se denuncia a ilegal violência que já está sendo cometida. A questão fica no âmbito do “se” e do “seria”.

Em seguida, “Veja” pergunta se “o PT sobrevive sem Lula”. Humberto responde assim: “não acho que o PT vai acabar se o Lula sair da cena política”. Resposta curiosa, vinda de quem acaba de afirmar que Lula será candidato à Presidência da República. Mas, enfim, tudo pode ser produto das manobras editoriais de “Veja”.

“Chegou a hora do PT pedir desculpas à sociedade pelos erros que cometeu”

Perguntado se “o PT deve pedir perdão”, Humberto responde: “eu não elimino esta possibilidade”. A seguir ele diz que o 6º Congresso do Partido pode dizer ao povo que “pedimos desculpas pelos erros que cometemos e que nossos acertos foram maiores”.

Espero que “Veja” tenha deturpado esta passagem da entrevista de Humberto. Pois não faz o menor sentido – lógico nem político – admitir esta possibilidade de “pedir perdão”.

O PT certamente cometeu e ainda vai cometer muitos erros. Devido a estes erros, o PT certamente já fez e continua precisando fazer autocríticas públicas.

Mas se nós cometemos mais acertos do que erros, qual o sentido de “pedir perdão”??? Salvo, claro, que alguém acredite que o PT é uma “alma” torturada pela culpa e pela vergonha…

A esse respeito, vale a pena ler a resposta dada mais adiante sobre o caixa dois, em que Humberto afirma: “querem cassar o PT, o PMDB, o PSDB”. Estas respostas parecem saídas de um episódio de “Fringe”, um mundo alternativo em que o PT deve pedir perdão, enquanto o PMDB e o PSDB também sofrem o risco de cassação.

“Chegou a hora de abandonar o discurso de ‘denúncia do golpe’”


Das 14 perguntas da entrevista, pelo menos 7 dizem respeito à conjuntura e à postura do PT frente ao governo Temer.

Nas respostas, Humberto afirma que “não adianta mais ficar apenas no discurso de denúncia do golpe”. Tomada isoladamente, a frase é injusta. Afinal, nunca o PT ficou “apenas” na denúncia do golpe. Por exemplo, sempre fizemos questão de lembrar que o golpe era um meio para atingir um fim: reduzir direitos, limitar a democracia e alterar a política externa.

Mas quando lemos a resposta seguinte dada por Humberto, a frase acima deixa de ser injusta e converte-se num trampolim para um imenso erro político.

Segundo Humberto, “o resultado das eleições municipais obriga a gente a virar esta página. Não dá para ficar só no discurso do golpe, que era verdadeiro, real. A população não quer isso que está aí, mas também não queria o que estava lá com Dilma”.

Cada uma das frases acima revela disposição mental para a capitulação. Vamos por partes:

1) O resultado das eleições municipais, seja qual for, não legitima o golpe;

2) O golpe não “era”, ele é e continua sendo verdadeiro e real;

3) Não foi a população que derrubou Dilma, portanto pesquisas de opinião não servem como argumento para “democratizar” golpes;

4) Um partido que defende a democracia não pode, nunca, abrir mão de denunciar um golpe, mesmo que isso fosse contra a opinião momentaneamente majoritária do povo.

O mais curioso, digamos assim, é que esta disposição para a capitulação vem no momento em que o governo Temer está passando por imensas dificuldades. Dificuldades reconhecidas na capa da mesmíssima revista “Veja” que publica a entrevista de Humberto.

Logo, a leitura política que faço destas declarações de Humberto é a seguinte: ele está avisando uma parte dos golpistas de que está à disposição para um pacto de governabilidade.

Esta interpretação fica reforçada pela descrição feita por Humberto acerca das divergências existentes na bancada do PT no Senado.

Segundo ele, “há dois grupos bem distintos. O meu, que defende uma posição mais aberta, mais negociadora. E o da senadora Gleisi Hoffmann, que assumiu a liderança no meu lugar e quer o enfrentamento permanente. Na minha visão, não é possível ter uma orientação de enfrentamento permanente”.

Humberto não esclarece em torno de que questões ele acha possível ter uma posição “mais aberta” e “mais negociadora”. Por exemplo: ele por acaso considera possível negociar a reforma da previdência e a reforma trabalhista? Em que questões poderíamos ser mais “abertos”?

O único exemplo concreto dado por ele diz respeito à eleição da Mesa do Senado. Vejamos o que ele diz a respeito: “Nesse processo, um grupo tomou a posição deliberada de pegar um tema interno, de interesse única e exclusivamente do PT, e criar uma cruzada contra o outro grupo. Quem se interessou pelo debate sobre se o PT votaria ou não no Eunício Oliveira? Só o PT. E aí o que eles, Lindbergh e Gleisi Hoffmann, fizeram foi jogar uma parte da militância contra o grupo dos parlamentares que defendiam o entendimento”.

Humberto argumenta como se o tema fosse interno à bancada, de interesse única e exclusivamente dos senadores. Afinal, se o tema é interno ao partido, logo de interesse do conjunto dos petistas, é legítimo mobilizar a base. Especialmente se a postura da bancada tem relação – como Humberto mesmo confirma ter – com a tática geral do PT frente aos golpistas.

O “entendimento” defendido por Humberto faz parte de uma linha política geral de “virar a página”, linha esta que não foi apresentada nem aprovada em instância alguma do partido. Mas que se tentou aplicar na eleição da Mesa do Senado e da Câmara dos Deputados.

Humberto reconhece que um dos pilares da posição de Gleisi e Lindbergh é que “vivemos um período de exceção e não cabe haver entendimento. Ou seja: tudo tem de ser governo e oposição. Eu diria que se trata de um pretexto. Mudaria alguma coisa no Brasil se a gente se posicionasse contra? Não, claro.”

A edição feita por “Veja” deixou o raciocínio pouco claro. Mas quem acompanhou o debate no Senado pode adivinhar do que Humberto está falando. Ele parece perguntar se “mudaria alguma coisa no Brasil se a gente se posicionasse contra” Eunício de Oliveira? E ele responde que “não, claro”.

Aparentemente Humberto não se perguntou o oposto: mudou alguma coisa no Brasil, com ele e outros três senadores petistas votando no Eunício de Oliveira? Afinal, quem ganhou o quê com este “entendimento”?

Seja qual for a resposta, o espantoso é ver um senador petista, logo após um golpe, considerar um “pretexto” a afirmação de que vivemos um “período de exceção”, no qual “tudo tem de ser governo e oposição”. Mas, claro, tudo pode ser uma edição perversa da revista “Veja”.

“Chegou a hora do PT apresentar propostas econômicas para tirar o país do atoleiro”


Quando “Veja” pergunta diretamente “que postura o senhor acha que o PT deve assumir em relação ao governo Temer”, Humberto dá uma resposta muito curiosa: “temos de responder, como oposição, ao desmonte que eles estão fazendo (…) Mas precisamos mostrar à sociedade como sair da crise. Não basta criticar (…)”.

O “mas” cumpre um papel curioso neste raciocínio. É como se ele dissesse: vamos agir como oposição na hora de tratar do desmonte; mas, na hora de discutir como sair da crise, vamos agir de outra forma. Afinal, como ele deixa implícito noutra passagem da entrevista, é errado achar que “tudo tem de ser governo e oposição”.

É neste contexto, já no final da entrevista e depois de uma pergunta sobre o “caixa dois”, que Veja faz duas perguntas diretas sobre a politica econômica.

Na primeira resposta, Humberto defende ampliar o investimento estatal, além de desonerações temporárias e condicionais. Nenhuma palavra sobre reforma tributária, nem sobre outras propostas tão frequentes nas resoluções partidárias e nos documentos de economistas próximos ao partido.

Aliás, quem lê a entrevista fica com a impressão de que somos um deserto de propostas. Humberto chega a dizer que precisamos apresentar “um programa, um projeto, alguma coisa”.

Na sequência, respondendo à última pergunta da entrevista, Humberto afirma que “o que afundou a economia [no governo de Dilma] foi o fato de que demos incentivos demais em momentos que não eram ideais”.

Não sei se Humberto disse exatamente isso. Caso tenha dito, está explicado porque ele admite a possibilidade de “pedir perdão”. Pois ele acabou de aceitar a tese segundo a qual a crise econômica teria sido causada pela generosidade irresponsável do governo, multiplicada pela generosidade irresponsável do Congresso.

*

Se Humberto realmente deu as respostas publicadas por “Veja”, então ele estaria mesmo disposto a construir algum tipo de saída negociada para a crise.

Ilusão semelhante foi cometida por muita gente, em 2015 e 2016, gente que gastou tempo precioso buscando interlocutores do outro lado, setores que estivessem dispostos a construir uma mediação que evitasse o impeachment.

Hoje, depois do impeachment, depois de tudo o que o governo golpista e seus aliados fizeram, depois que as pesquisas revelaram que um setor importante da elite aposta em Bolsonaro para 2018, reincidir neste tipo de ilusão, neste tipo de conciliação, é – na falta de termo melhor – um criminoso suicídio.

Como diria Humberto: esta página precisa ser virada.
{Valter Pomar/ Agência PT}

Justiça determina: praia é pública, não de Luciano Huck


Em 2011, a juíza da 1ª Vara Federal de Angra dos Reis, Maria de Lourdes Coutinho Tavares, condenou o apresentador Luciano Huck a pagar R$ 40 mil por cercar com boias e redes a faixa costeira ao longo de sua mansão na Ilha das Palmeiras, em Angra dos Reis, litoral sul do Rio de Janeiro, sem autorização ambiental. O global alegou apenas que o fizera "sob o propósito de exercício futuro de atividade de maricultura".

Na sentença, a juíza alegou que "a motivação da colocação do cerco é outra que não a atividade de criar mariscos, ou seja, a maricultura seria um pretexto para legitimar a pretensão não acolhida pela lei, de apoderamento de bem de uso comum do povo". Ou seja, o chamado bom mocismo típico da classe média não queria que ninguém tivesse acesso a "sua" praia particular.

A juíza determinou ainda que Huck retirasse as boias e pagasse indenização por danos materiais e imateriais, além de multa diária caso descumprisse a decisão. Inconformado com a sentença, Luciano Huck recorreu e, em segunda instância, foi novamente condenado.

O apresentador recorreu então ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), por achar, segundo declarou, muito alto o valor da multa aplicada. Brigou durante sete anos na Justiça para tentar escapar da multa ambiental.

Sem sucesso. Na quinta-feira (16), o Ministério Público Federal (MPF) exigiu que o apresentador da TV Globo pague multa de R$ 40 mil.

Em manifestação ao STJ, a Procuradoria Regional da República da 2ª Região defende a rejeição do recurso de Huck por tratar-se apenas de "medida de inconformismo, caracterizando mera insatisfação do réu com a sentença".

Essa não foi a primeira vez que Huck já foi acionado na Justiça por chamar de seu o que é patrimônio público e ambiental. Em 2006, ele foi denunciado pelo MPF porque sua mansão na Ilha das Palmeiras foi construída sobre um espelho-d’água cercado por rochas e por ter erguido um muro com cerca de dez metros de altura. Ele também mandou fazer diques para a formação de uma praia artificial. No entanto, conseguiu escapar da Justiça, alegando que a construção original, de 1971, foi concluída antes da entrada em vigor da legislação atual, e que ele apenas reformara a casa que lá já estava.

Em junho de 2009, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB/RJ) liberou as regras para construções em áreas de preservação ambiental em Angra e outras regiões do estado. O decreto, de número 41.921, ficou conhecido como "Lei Luciano Huck", porque teria sido feito para beneficiar o apresentador da Globo.
{Rede Brasil Atual}

PRIVATARIA RIDES AGAIN


O vale-tudo contra Lula e o jornalixo da Folha Tucana- FSP


Em se tratando de forjar denúncias para forçar manchetes contra o ex-presidente Lula e sua família, a Folha de S. Paulo não tem limites.

Neste domingo (19/02), após pesquisa mostrar que ele lidera as intenções de voto para presidente em 2018, a Folha baixa mais o nível da apelação. Parece o governo Michel Temer tamanha a desfaçatez.

Um vazador teria informado à Folha que um delator da Lava Jato teria revelado em delação premiada que a Odebrecht teria pago um orientador de carreira para o filho mais novo do ex-presidente Lula.

O verbo no condicional é nosso, pois a Folha é peremptória na acusação. Veja abaixo.

Um dos favores feitos pela Odebrecht para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi pagar um orientador de carreira para ajudar seu filho Luís Cláudio a colocar de pé a empresa Touchdown Promoções e Eventos Esportivos, que organizava um campeonato de futebol americano.

A informação consta da delação premiada da empresa, que ainda está sob sigilo:

Segundo a Folha apurou, foi o próprio Lula quem pediu para que a empresa bancasse o “coaching”, cujo objetivo era ensinar a Luís Cláudio, 31, técnicas de gestão.

Procurado, o Instituto Lula disse que não comentaria.

Caçula de Lula e Marisa, ele promoveu entre 2012 e 2015 o Torneio Touchdown, que reunia cerca de 20 equipes de futebol americano.


Vamos por partes:

A Folha não diz quem deu a informação, quanto foi pago nem o nome de quem teria dado o suposto curso ao filho do ex-presidente.

A Folha também não informa quando isso aconteceu.

A informação sobre a data é relevante, sim, ao contrário do que alguns possam imaginar.

Lula deixou a presidência em 31 de dezembro de 2010. Já, segundo a Folha, o filho do ex-presidente promoveu campeonatos de futebol americano entre 2012-2015.

Assim, se fosse verdade, o suposto curso teria sido pago quando Lula não era mais presidente.

A Folha diz na 12ª linha da matéria: “Procurado, o Instituto Lula disse que não comentaria”.

A Folha sabe que não é bem assim. Falta com a verdade inclusive sobre a resposta do Instituto.

Tanto que ao final da matéria, na 50ª linha, publica parte da resposta do Instituto Lula. É apenas para constar.

A Folha não comenta também que jornalista José Chrispiniano, assessor de imprensa do Instituto Lula, lhe fez algumas perguntas-chave para que pudesse responder à demanda e o jornal não respondeu. Assim, como sonegou essas informações aos seus leitores neste domingo.

Não bastasse tudo isso, a Folha não conta aos seus leitores que ela e o seu vazador foram mudando as versões sobre o suposto acontecido ao longo da última sexta-feira (17/02), como demonstra troca de mensagem (na íntegra, abaixo) entre a repórter e o assessor do Instituto Lula.

Denúncia ridícula, desonesta, que não fica em pé.

Feita, obviamente, para diminuir o impacto positivo da pesquisa que deu Lula liderando em 2018, o que a Folha conseguiu com esta nova denúncia foi cravar mais um prego no seu caixão.

Nota do Instituto Lula

Como a Folha e vazadores mudam versão de história sem provas em poucas horas para gerar manchetes contra Lula e sua família. Não há o que comentar diante de informações genéricas de origem ilegal, de apurações sem documentos que mudam em poucas horas

Da Assessoria de Imprensa do ex-presidente Lula, via e-mail, em 19/02/2017

O jornal Folha de S. Paulo publica hoje matéria baseada em suposto vazamento de delação premiada contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A matéria vem com grande destaque na edição do primeiro domingo após pesquisa eleitoral indicar que, apesar da perseguição movida contra Lula por setores da imprensa e alguns agentes públicos, ele venceria as eleições para presidente da República tanto no primeiro quanto no segundo turno.

No contato feito com a assessoria de imprensa do ex-presidente (leia abaixo a troca de e-mails entre a Folha e a assessoria), a Folha de S.Paulo mudou em poucas horas a versão da sua apuração.

Primeiro haveria um “interlocutor de Lula” que teria feito o pedido citado na suposta delação a que a Folha teve acesso. A reportagem informou que o nome desse interlocutor não seria revelado. Depois, o tal interlocutor sumiu em uma informação de última hora que teria chegado na noite de sexta-feira (quando os jornais fecham a maior parte da sua edição de domingo).

Fica a impressão de alteração da história, pelo jornal ou por sua fonte, após terem sido questionados sobre a falta de informações básicas. A Folha de S.Paulo também não soube prover nenhum documento ou mesmo informações simples sobre a história que sustenta sua matéria: em que ano ela teria acontecido?

Lula deixou a Presidência da República em 31 de dezembro de 2010 e não ocupa nenhum cargo público desde então. Diante de informações genéricas, sem documentos, de origem ilegal, que mudam em poucas horas, não há o que comentar ou dar crédito a suposições.

Por lei, delações não são provas, quanto mais vazamentos de supostas delações, sem documentos, contexto, provas do ocorrido ou sequer o ano em que teria acontecido o fato. Servem apenas para gerar manchetes sensacionalistas contra Lula e sua família.

A Folha de S. Paulo costuma publicar esses ataques contra Lula aos domingos, atribuindo como “presentes” ao ex-presidente um estádio que é do Corinthians, ou uma piscina que é do Palácio do Planalto.

Supostas acusações de delatores divulgadas com estardalhaço na imprensa não têm se confirmado em depoimentos em audiências, onde mais de 11 delatores chamados como testemunhas de acusação pela Lava Jato foram incapazes de apontar qualquer ato ilegal ou vantagem indevida recebida pelo ex-presidente Lula. 

A imprensa, que faz estardalhaço de versões sem contexto e distorcidas de supostas delações, não dá destaque algum quando delatores como Paulo Roberto da Costa, Nestor Cerveró ou Pedro Barusco dizem, perante o juízo e com compromisso de dizer a verdade, jamais terem ouvido falar do envolvimento de Lula em ilegalidades ou recebimento de qualquer vantagem indevida (veja vídeo em https://www.facebook.com/Lula/videos/1219752334760431/).

Abaixo, a troca de mensagens entre a assessoria e a reportagem da Folha que mostra as informações faltando na matéria e a mudança de versão na história ao longo do dia.

Em 17 de fevereiro de 2017 13:20, Bela Megale escreveu

:Ola, tudo bem?Tivemos a informação de que o Alexandrino Alencar, delator da Odebrecht, disse em acordo com a Lava jato que a empresa pagou um orientador de carreira, uma espécie de coach, para ajudar Luis Claudio Lula da Silva na sua carreira no marketing esportivo e na implementação do campeonato Touchdown.Também temos a informação de que o pedido foi feito por um interlocutor do ex-presidente Lula.Gostaria de saber se o fato aconteceu e se Luis Claudio, Lula ou a defesa deles gostaria de comentar o assunto.Poderia nos dar uma resposta até as 19h?Obrigada.
BelaEm 17 de fev de 2017, às 14:04, Ass. de Imprensa 

– Instituto Lula escreveu:Caros,Imagino que seja para a manchete de domingo.

 Sempre é bom receber esses contatos na sexta, é bom saber que mantemos alguma relevância.Esse interlocutor tem nome?Atenciosamente,Em 17 de fevereiro de 2017 14:12, Bela Megale escreveu:Ola,Não vamos abordar o nome do interlocutor na matéria.Em 17 de fev de 2017, às 14:24, Ass. de Imprensa – escreveu:Vocês não sabem o nome do interlocutor, ou sabem e não vão dar? Sabem dizer o ano do ocorrido, ou isso também não será abordado na matéria?abraço,

José Chrispinian Em 17 de fevereiro de 2017 14:34, 

Bela Megale escreveu:, não iremos citar o nome e o ano. Pode passar o contato da assessoria do luis Claudio?

17 de fevereiro de 2017 15:17

De: Ass. de Imprensa – Instituto Lula
Enviado: sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017 15:17
Para: Bela Megale
Cc: Walter Henrique Nunes
Assunto: Re: Questão matéria luis Claudio

Caros

segue a resposta da assessoria do ex-presidente:

A pergunta, e pelo que você me diz também a matéria, baseiam-se em suposta delação para obtenção de benefícios judicias que deveria estar sob sigilo, sem apresentar transcrição, documento, contexto, época do ocorrido ou qualquer informação básica que permita até compreender o que está sendo perguntado. Não vamos comentar supostas informações incompletas baseadas em supostos documentos fora de contexto que estariam sob sigilo judicial.

Em 17/02/2017, às 20:23, Bela Megale escreveu:

Chrispiniano,

Desculpe, mas tivemos a correção de uma informação há poucos instantes. O pedido da contratação do orientador profissional teria partido do próprio ex-presidente Lula.

Esse dado constará na matéria. Se quiser enviar alguma resposta sobre o fato, pode encaminhar até sábado, amanhã às 11h, ou hoje até qualquer hora.

Obrigada

Bela Megale
Folha de S. Paulo

Em 17 de fev de 2017, às 20:28, Ass. de Imprensa – escreveu:

Mantenho a nota, ainda mais porque a história vai assim mudando conforme avança o dia.

Você tem documento sobre o assunto, que comprove essa líquida apuração?

Atenciosamente,

Jose

Em 17/02/2017, às 21:29, Bela Megale escreveu:

Olá, não abrimos os documentos que tivemos acesso. Obrigada.
{Conceição Lemes/ Viomundo}

Com golpistas, Brasil voltará ao caos de 2002

Há poucos anos, quando se discutia sobre os obstáculos do Brasil para se desenvolver efetivamente, autoridades e especialistas indicavam que faltava uma coisa, planejamento de longo prazo. As políticas de curto e médio prazo, contudo, geravam resultados satisfatórios. Hoje, após o afastamento de Dilma Rousseff, temos uma "política velha", que deve garantir um retorno para a posição que o país estava há 15 anos ou mais, acredita o professor do Instituto de Economia da UFRJ João Sicsú.

"Não há horizonte de otimismo para a economia brasileira", alerta Sicsú, que foi diretor de Políticas e Estudos Macroeconômicos do Ipea entre 2007 e 2011. Ele defende que uma nova recessão deve ser esperada para este ano, já que falta um plano de recuperação da economia e de combate ao desemprego.

O Boletim Focus previa em outubro do ano passado uma alta no PIB de 1,3% para 2017. Em dezembro, a previsão caiu para 0,5%, e pode cair ainda mais. Como aponta Sicsú, o desemprego crescente e a crise nos estados afetam o consumo, empresários deixam de investir porque não há perspectiva de crescimento da economia, não há política de investimento do governo e as estatais também investem menos. 

"Cada dia se espera menos da economia brasileira", destaca Sicsú

"Estamos tendo políticas econômicas que não resolvem o desemprego. Milhares de famílias já voltam para o programa Bolsa Família. Temos dados bastante assustadores, 500 mil famílias que saíram do programa até 2011 retornaram só no ano de 2016. Esta é a política econômica que nós temos hoje, uma política velha que produz antigos resultados. Vamos retornar ao passado que tínhamos",
{Jornal do Brasil}

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Machos e louras: queiram retirar-se, por favor.



Depois que o PSDB expôs sem pudor toda a iniquidade do quadro partidário brasileiro, fruto da herança daquilo que o general Golbery do Couto e Silva deixou e a famigerada 'Nova República' não abriu mão de usufruir, colocando na presidência de seu segmento afrodescendente uma loira, agora vem o Partido da Mulher dar sua contribuição à tragédia travestida de comédia.

Acaba de ser punido pela justiça eleitoral com a perda de 9 minutos da propaganda da legenda por não respeitar a presença mínima de 20% de mulheres nessa propaganda. Nesse caso, deveria até ser maior a exigência da presença feminina por motivos flagrantes. No entanto, sacripantas travestidos não respeitam sequer a legislação vigente.

Talvez, fosse o caso de movimentos de mulheres cobrar mais efetividade da justiça eleitoral fazendo com que o tal partido da mulher fizesse a representação de gênero inverter a exigência do TSE, ou seja, garantir maioria feminina absoluta, respeitada a presença de 20% de homens na legenda.

Ora, a exigência da presença masculina seria barbada de respeitar na medida em que o quadro político do país atesta vivermos uma autêntica machocracia. Todavia, mais que machismo, constitui ofensa esse tipo de manobra utilizada por políticos inescrupulosos, alugando uma legenda que deveria combater o arcaico patriarcalismo, impondo regras que respeitassem minimamente o papel da mulher em uma sociedade verdadeiramente democrática.

Isto deveria valer também para o deboche tucano em relação ao seu segmento afrodescendente, verdadeiramente uma empulhação torpe na medida em que no Congresso Nacional não existe um negro sequer compondo a bancada da privataria constatando-se, com efeito, tratar-se de ardil de patifes pra enganar incautos. Sem esse rigor, não há como reclamar da classe política.

FHC, Temer, as amásias e o 'jornalixo horizontal'


Hoje, é sabido por todos que Fernando Henrique Cardoso teve um caso amoroso e rumoroso com uma jornalista global, que foi mandada pra Espanha depois de ter ficado grávida e a desconfiança da paternidade era do então presidente do Brasil, o que acabou não se confirmando.

FHC contou com benefícios de empresas privadas para manter sua partner subterrânea vivendo confortavelmente na Espanha. Inclusive a própria Globo, que acabou fazendo bem mais do que exigia a relação de trabalho entre a emissora e sua funcionária.

Agora, diante das explicações que está dando a respeito do seu papel desempenhado durante o golpe, Eduardo Cunha revela que Michel Temer, o 'MT' da planilha da Odebrecht, também teve um caso com uma jornalista, caso este mais duradouro ainda que o de FHC com a repórter global.

Cunha insinua que Temer valeu-se de um esquema fraudulento montado na Caixa Econômica Federal, montado por ele, Cunha, e por Moreira Franco, pra liberação de FI/FGTS que teria bancado despesas da dita amante do atual presidente golpista.

Égua, será que era regra do jornalixo da midiazona, colocar essas insólitas mata-haris disfarçadas de repórteres diante de homens poderosos a fim de ajudar que chegassem ao topo e tirar proveito disso?

O encapetado ACM listava dois tipos de jornalistas: os que gostam de informações e os que gostam de dinheiro. Dizia, ainda, que para os primeiros não se devia dar dinheiro, para os segundos nada de informações.

Parece que o tino empresarial dos patrões midiáticos conseguiu a proeza de furar até as precauções do espertíssimo coronel baiano ao criar uma nova modalidade de jornalixo: o horizontal.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

1964/2016, as semelhanças que não são mera coincidência


A empresa CONSULTEC, organizada por Roberto Campos, Mauro Thibau e Garrido Torres Lucas Lopes como um grupo de assessoria e de pressão da Hanna Corporation, que funcionou como principal agência de coordenação e financiamento das atividades das multinacionais de apoio ao golpe de 1964, se converte num bloco de poder depois do golpe. Assume, a seguir, o comando da política econômica do governo militar juntamente com os velhos testas-de-ferro das empresas estrangeiras. Em consequência, 15 dias depois do golpe, o Congresso revoga a Lei de Remessa de Lucros. Revoga, a seguir, a Lei de Estabilidade no Emprego, principal conquista dos trabalhadores no período getulista.

Roberto Campos, ministro do Planejamento, e Otávio Gouveia de Bulhões, ministro da Fazenda, negociam a dívida externa brasileira com o FMI nos termos que os banqueiros ditam. O preço real foi a abertura de toda a economia brasileira e de todos nossos recursos naturais às empresas multinacionais e a aceitação das condições ditadas pela Hanna e pela Amforp para a solução de seus litígios com o governo.

Os norte-americanos socorrem com urgência o governo que implantaram, mandando entregar imediatamente a Castelo Branco, por conta da Aliança para o Progresso, 4 milhões de dólares para despesas de algibeira e, logo depois, mais 883 milhões como empréstimo. Mas começam também a cobrar, fazendo o governo comprar por 105 milhões de dólares as empresas que Brizola havia desapropriado por um dólar e que de Jango só reclamavam 30 milhões.

Roberto Campos, Eugênio Gudin e Otávio Gouveia de Bulhões, montados no poderio da ditadura, dão um aumento de 100% aos militares e, assim respaldados, ditam a política econômica antinacional e socialmente irresponsável que jamais haviam podido executar. (…) Roberto Campos entrega o BNDE a Garrido Torres, com o encargo de matá-lo; para isto, tenta extinguir os fundos públicos com que operava. Queria vingar-se dos técnicos que o haviam expulsado do banco como entreguista e corrupto.

Três decretos marotos conseguem à Light tudo que ela pedia: elevação de tarifas e sua correção automática, bem como a reavaliação dos seus ativos convertidos, para nós, em astronômicos passivos.

O governo devolve as refinarias particulares encampadas por Jango. Sabendo quanto elas pagariam de suborno para não serem encampadas, posso avaliar o que terão pago para serem desencampadas.

A ditadura regulamenta o artigo da Constituição que garante direitos de greve, para torná-la totalmente ilegal e punível. (…) O novo ministro do Trabalho, Arnaldo Sussekind, intervém em cerca de mil sindicatos, destitui as antigas diretorias legalmente empossadas e dissolve entidades sindicais de grau superior.

Roberto Campos faz Castelo Branco decretar a anistia fiscal para os brasileiros que repatriassem depósitos clandestinos de dólares no exterior.

A Handson’s Letter de Wall Street chama os brasileiros de “palhaços do mundo” pela compra da Amforp por 135 milhões de dólares. A compra negociada por Roberto Campos previu o pagamento de 10 milhões de dólares à vista, provavelmente o suborno; 24, 7 milhões em vinte anos, a juros de 6%; e 100 milhões, no mesmo prazo, a juros de 6,5%. Dos 100% de ações compradas, o Brasil só recebeu 75%; os outros 25% seriam as tais “ações sem valor ao par”, dadas aqui aos figurões que a Amforp subornou ou aos diretores cuja dedicação premiou. Assim terminaram as expropriações de Brizola, as empresas gaúchas da ITT e da BBS.

1965

O Serviço Geológico dos Estados Unidos rouba e entrega à U.S.Steel os levantamentos realizados por uma empresa brasileira para o governo, graças aos quais se localizou na Serra dos Carajás uma grande jazida de calcário e minério de ferro (18 bilhões de toneladas). A empresa americana, para se apropriar das jazidas, arma uma falcatrua, apresentando requerimentos de 167 funcionários no seu escritório de Belém, que incluíam desde porteiro e secretária até o diretor, requerendo alvarás de exploração de Carajás como uma montanha de calcário. A maroteira era tão escandalosa que nem o governo ditatorial pôde aprovar. Mas, ainda assim, concede à mesma United States Steel um alvará de exploração do minério de ferro de Carajás para exportação, que eles prometem iniciar imediatamente. Nunca iniciaram, porque o objetivo era, como sempre, ficar sentada em cima das concessões de mineração que obtinham. Mas venderam depois, ao próprio governo, esta licença incumprida, por bom dinheiro.

Dado o desinteresse da Light em expandir e melhorar os seus serviços de telefone, o governo decide nacionalizá-los. A empresa cede gostosamente. Pagaram o dobro do que ela pediu originalmente, uma bolada a pagar em 80 prestações trimestrais a juros de 6% –em dólares.

É promulgada e posta em execução a Lei 4.725, destinada a reduzir os salários reais através dos critérios de fixação do salário mínimo e de controle dos aumentos salariais. A nova lei, somada à repressão policial e à intervenção nos sindicatos, submete o trabalho à servidão frente ao capital.

A USP e a UFRJ, bem como dezenas de vetustas instituições culturais, veem surgir de dentro delas, espumantes de ódio, intelectuais repressores que aderem à ditadura e passam a apontar, de dedo duro, a seus colegas mais competentes como subversivos. O reitor da USP, Gama e Silva, se credencia para ministro da Justiça nomeando uma Comissão Dedo-Duro, que compões laboriosamente uma lista de 50 professores e estudantes dos mais brilhantes e remete aos órgãos de segurança para serem punidos e demitidos.

Entra em ação o acordo MEC-USAID, ratificado secretamente em 1967 para implantar a reforma universitária, que corresponde ao espírito da ditadura, privatizando as universidades públicas e dissolvendo as organizações estudantis. Para isto, o general Meira Matos junta milicos e deseducadores brasileiros com subintelectuais norte-americanos contratados pelo mesmo órgão de Washington que patrocinou o treinamento dos torturadores.

1966

Juracy Magalhães, embaixador do Brasil em Washington, convencido de que é bom para o Brasil tudo que for lucrativo para os Estados Unidos, assina um Pacto de Submissão Colonial. Por ele, se dá garantias formais de que respeitaremos as leis norte-americanas que garantem os investimentos de suas empresas no Brasil até 20 anos depois de qualquer futura lei brasileira que venha a afetá-los.

A reforma tributária é posta em execução, impondo o predomínio da União e reduzindo drasticamente as fontes de recurso dos estados e dos municípios, que passam, assim, a depender inteiramente das autoridades federais.

O bando entreguista instalado no poder entrega à Hanna Corporation –empresa reconhecidamente não-idônea nos Estados Unidos – a Companhia Vale do Paraopeba, detentora de imensas jazidas minerais– com a qual João Goulart pensava fazer a independência do Brasil, vendendo minério exclusivamente para construir siderúrgicas. A Hanna recebe, ainda, a estrada de ferro que liga Minas ao Rio para exportação de ferro e manganês, em competição com a Cia. Vale do Rio Doce. Desgastada no uso mais intensivo para transferir as montanhas de Minas para os Estados Unidos, a Rede Ferroviária custa ao governo brasileiro, em subsídios anuais, muito mais do que tudo que a Hanna paga pelo minério. Pelo uso daquela rede ferroviária de 633km de Belo Horizonte ao porto privado de Sepetiba, a Hanna pagava uma tarifa de 125 cruzeiros por tonelada, quando o preço de custo para o governo era de 160 mil cruzeiros. Em consequência desta outorga, o governo inicia a construção de uma outra estrada, por nossa conta, a Ferrovia do Aço, para levar o minério de Minas a Volta Redonda. Nela, já se gastaram mais de 2 bilhões de dólares, e falta outro tanto. Tamanha dação só se explica porque a Hanna foi a principal financiadora do golpe de 1964.

1967

Castelo Branco paga a última prestação do preço do golpe de 1964: um avião militar norte-americano desembarca em Brasília os diretores da Hanna Corporation que vêm firmar com Azevedo Antunes a ata de fundação da empresa nominalmente nacional, Minerações Brasileiras Reunidas, a fim de legalizar a apropriação estrangeira de 720km² das terras de Minas Gerais, onde se encontra uma das maiores reservas de minérios deste mundo, que Jango havia recuperado para o Brasil e eles ganharam.

Escândalo nacional com as acusações a Roberto Campos de ter participado da “vaquinha” que enriqueceu vários membros do governo com a nova alta do dólar por ele decretada.

O milionário Daniel K. Ludwig –secretariado por Heitor Ferreira de Aquino, que também foi secretário de Geisel e Figueiredo– compra, com a ajuda zelosa do general Golbery, um país de 60 milkm², no Amapá e no Pará, para montar ali um ambicioso projeto madeireiro, minerador e agroindustrial. Acaba dando imenso prejuízo que, como sempre, o Banco do Brasil assume e converte em mais uma negociata na forma de empréstimos subsidiados a milionários nativos.

Eminentes educadoras paulistas como Maria José Werebe, Maria Nilde Mascelani e Teresinha Framme, em São Paulo, Henriette Amado e diversas outras no Rio são perseguidas e denunciadas escandalosamente por darem uma orientação esclarecida a seus alunos sobre a matéria sexual.

Um incêndio suspeito destrói os artigos com a documentação e os registros de terras de índios e a filmoteca do velho SPI, então sob a guarda da Funai em Brasília.

1969

A Phillips Petroleum consegue de Costa e Silva a construção de um grande conjunto habitacional , bem em cima de uma jazida de fosforita, em Olinda, para inviabilizar sua exploração, que era competitiva com a deles.

1970

Avança o loteamento da Amazônia. Além dos 6 milhões de hectares de Ludwig, são doados 668 mil à Suyá-Missu, 600 mil à Codeara, 500 mil à Paragominas e outros tantos à Georgia Pacific, à Bruynzeel, à Volkswagen e à Robin Mac. Também entram na negociata a Anderson Clayton, a Swift-Armour, a Goodyear, a Nestlé, a Mitsubishi, a Bordon, a Mappin, além dos nativos Camargo Corrêa, Bradesco et caterva.

Acelera-se, em consequência, a destruição da floresta amazônica com drogas desfolhantes, napalm e correntes arrastadas por enormes tratores de esteira. O programa é esteira. O programa é transformar a selva em pastagens.

É criado o INCRA –Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária–, mas o que se implanta é a anti-reforma pela entrega de glebas quilométricas a grandes empresas para serem afazendadas à custa do povo. Isto porque as beneficiárias podem deduzir todos os seus gastos até a metade do imposto de renda que deveriam pagar, mas embolsam. Incrível, só neste Brasil da ladroagem.

Paulo Freire, exilado, publica nos Estados Unidos sua obra maior: Pedagogia do Oprimido, uma apreciação crítica de suas práticas de pioneiro da educação de adultos. Este livro é o texto educacional brasileiros mais traduzido e que exerce maior influência no mundo. Curioso é que, tal como ocorreu com Josué de Castro –outro intelectual nosso com grande êxito internacional, detestado pela mediocridade nativa–, Paulo Freire provoca a inveja mais odienta de toda a pedagogia fútil e vadia, que nada faz, mas se engalana com plumas tiradas do nosso grande educador.

É criado o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), destinado a pôr em prática um imenso programa de alfabetização imbecilizadora, aplicando ao contrário os métodos de Paulo Freire. Somado à repressão nas universidades, e mantido o ensino fundamental nesta campanha de alfabetização despolitizadora, a ditadura reduz drasticamente os gastos com a educação, que de 11,2% di irçamento da União, em 1962, caem para 5,4%.

1971

A ditadura, simultaneamente à liquidação política do Congresso nacional, o degrada com vergonhosas mordomias para legisladores que não legislam; o clientelismo de legiões de assessores e serviçais bem pagos e o faraonismo que converte a Câmara e o Senado –inúteis– nos maiores edifícios públicos do mundo.

São Paulo, na primeira fase da industrialização pioneira, realizada pelos Mattarazzo, gostava de se ver como a locomotiva que arrastava o Brasil, como um comboio de vagões vazios. Com a industrialização substitutiva, através da implantação de grandes fábricas das multinacionais, muda de imagem. Começa a ser vista pelo país como a grande bomba de sucção que nos sangra, para carrear lucros para o estrangeiro. Com efeito, o intercâmbio entre São Paulo e o resto do Brasil passa a ser tão desigual que alguns estados planejam criar reservas de mercado para suas próprias indústrias, fim de enfrentar o colonialismo interno, praticado ferozmente pelos gerentes paulistas das multinacionais.

A exploração dos doentes brasileiros pelas multinacionais, produtoras de remédios, que controlam a produção e o mercado, chega a níveis tão altos que provoca, mesmo na ditadura, a provação de um Plano Diretor de Medicamentos destinado a pôr cobro no escândalo. Mas Wall Street protesta e o Plano é anulado.

Graças ao cientista Albert Sabin, se verifica que o governo Médici, além de falsificar os índices do custo de vida para comprimir salários e de exagerar os progressos da alfabetização, mente também nas informações relativas ás condições sanitárias da população, declarando vacinações antipólio que não realizou, o que põe em risco a população infantil.

1972

A Hanna e Antunes inauguram, na baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro, um porto próprio, destinado a transportar para os Estados unidos as montanhas de ferro de Minas Gerais, a fim de constituir, ali, uma gigantesca reserva que garantirá tanto a prosperidade futura deles como a nossa pobreza.
{Darci Ribeiro- As negociatas da ditadura/ via Socialista Morena}

O coração tem razões que a própria razão desconhece


Tratado pelo Diário do Pará como evento créme de la créme do republicanismo parauara, a caminhada mosqueirense feita por Helder Barbalho, Jader Barbalho e Zenaldo Coutinho tem incontornáveis traços políticos visando o futuro.

Ciente que o golpista temerário corre o risco de ter vida longa no Planalto, e que seus porta-vozes por aqui são os pemedebistas, Zenaldo trata de apadrinhar sua pífia administração com os ex-adversários a fim de não encerrar a carreira política como seu antecessor.

É verdade que o eleitorado daquele distrito mal elegeria um vereador, todavia, a recuperação daquele potencial polo turístico tem tudo pra encantar a enorme população flutuante que frequenta o lugar, daí combater a erosão daquelas praias é tiro certo na perspectiva de atrair eleitores.

Além disso, os candidatos à simpatia de Simão para sucede-lo são outros que não o alcaide belenense, logo, isto pode ter gerado ciumeira em Zenaldo, seguida do descompromisso com qualquer um dos escolhidos, vale dizer, com o próprio partido.

Assim, depois de adentrar no até então inexpugnável reduto tucano da Federação das Indústrias do Pará, Helder, com essa aproximação, pode estar conquistando uma parte do eleitorado da capital, este historicamente refratário ao Barbalhismo, sabidamente um dos nichos responsáveis pela derrota do filho do Jader, em 2014.

Em outros tempos, isto seria visto como a mágica que a política costuma fazer ao alar bovinos às vistas perplexas da população. No entanto, diante da simpatia quase amor que move PMDB e PSDB na condução da gestão golpista de agora, nada mais natural que essa exibição de xodó inesperado.

Concorre pra isso a longa e volúvel trajetória zenaldista, que começou a vida política como jarbista, isto é, seguidor do coronel Passarinho; depois, deu guinada de 180º e abrigou-se no nicho do desafeto jarbista, Alacid Nunes; deu ainda alguns voos rasantes em outros nichos, até atirar-se nos braços da privataria simão/almirista, onde dava a entender que iria até à aposentadoria. Dava.