Jorge Paz Amorim

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Belém, Pará, Brazil
Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Quem é o ‘militar’ que disparou sua arma no meio da caravana de Lula em Salvador

Enquanto boa parte do mundo tinha os olhos voltados para o terrível ataque em Barcelona, um grupo fascistóide aguardava Lula em Salvador.

Se o propósito era o de um atentado, em breve saberemos. A verdade é que alguns deles estavam armados e pelo menos dois efetuaram disparam. Cinco foram detidos.

Um deles, Adjalbas Pereira, identificado pela polícia como um dos autores de disparo, afirmou ser militar. É um notório anti-Lula, anti-PT. Mas, sobretudo, é um maluco favorável à intervenção militar e que agora precisa ser mantido sob vigilância. Afinal de contas, mostrou do que é capaz.

Já no ano passado, mais precisamente no dia 31 de julho, ele também estava num ato contra Dilma Rousseff, no Farol da Barra em Salvador, com outra centena de desmiolados com roupas camufladas, portando uma faixa com a inscrição ‘Intervenção Militar’, que foi recolhida por agentes municipais.

Adjalbas ficou irado com a atitude.

“A gente foi argumentar para saber se tinha alguma determinação legal para a retirada da faixa, mas não falaram que lei é essa”, disse o ‘militar’ contestando o autoritarismo (!?!?). Louco é pouco.

Adjalbas Pereira concorreu em 2010 para deputado estadual pelo PSC (partido Social Cristão, o mesmo de outro famoso defensor de tiros no lugar de palavras, Jair Bolsonaro), mas não foi eleito. Teve pouco mais de 600 votos.

Sua obsessão pela intervenção militar o faz atuar em várias frentes. “A Intervenção Militar é absolutamente legal, uma vez que o Art. 1º, no seu parágrafo único, diz que: ‘todo o poder emana do povo’.

Entenderam? O texto é claro, ele diz DIRETAMENTE. “Não estando o povo satisfeito com os serviços prestados pelos servidores públicos por ele eleitos, havendo a constatação de que há um interesse nefasto dos três poderes em se perpetuarem, e que estes formam o mesmo grupo (pra não dizer ainda quadrilha) que rouba e julga, não nos resta outra alternativa”, escreveu num comentário em rede social.

Ele também menciona claramente seu alvo: “Quando se fala que as Forças Armadas destinam-se à defesa da pátria e temos o absurdo da incitação de um estadista – Lula – para que o exército de Stedilli (sic), formado pelo MST, supostos médicos cubanos e mais 50 mil haitianos vá às ruas combater os opositores, é fácil entender o que é uma intervenção militar constitucional.

E é óbvio que as ordens para que as FFAA defendam o Brasil destes milicianos jamais partirão da presidente Dilma, que é parte deste citado grupo. E aí fechamos: o poder emanará do povo de forma DIRETA, acionando as Forças Armadas para intervirem”, prosseguiu ele em sua louca cavalgada.

Adjalbas Pereira é aquele tipo que acredita (ou faz que acredita) em contos da carochinha como “Não existe na história, registro de militares envolvidos com corrupção no regime militar”.

Em 2015, deixou recado no Facebook para o ídolo Magno Malta. “Meu irmão Magno, o Brasil está caminhando para um destino perverso para as famílias. Sei bem do seu empenho como Senador e servo, pois te acompanho quase todos os dias nas suas buscas por soluções das tantas aberrações do governo do PT”, escreveu.

“Acredito sim, com toda segurança e de forma muito bem pensada e analisada, que só nos resta a INTERVENÇÃO MILITAR para salvarmos o Brasil. Precisamos dar uma virada nesse jogo, e para isso precisamos que os eleitores sejam impulsionados por seus líderes (Magno Malta, Silas Malafaia, Jair Bolsonaro, Raquel Shrherazade, Marco Feliciano e outros).”

Assim como Donald Trump, Adjalbas Pereira deve ter faltado às aulas de história. Lula que se cuide porque seus detratores, aqueles que adoram acusar o ex-presidente de iletrado, parecem mais dispostos a fazer justiçamento.
(Mauro Donato/ DCM)

Será que a merenda escolar tomou o mesmo rumo do piso salarial dos professores?


Feijão, charque, filé de peito de frango, macarrão parafuso, carne moída, pescada branca, carne bovina traseiro, polpa de cupuaçu, polpa de taperebá, banana, mamão, tangerina, couve, feijão verde, jambu são alguns dos muitos itens que constam da planilha da merenda escolar das escolas públicas do estado do Pará.

No entanto, no dia a dia da merenda dos estudantes dessas escolas, tudo é igual a caviar: nunca viram ou comeram, no máximo, só ouvem falar e olhe lá.

Tudo leva a crer que a SEDUC de fato compra essa merenda, no entanto, a dita cuja jamais chegou às escolas do estado, principalmente naquelas em que a maioria da clientela mantém frequência regular exatamente por conta do consumo da merenda.

Consequentemente, pode estar acontecendo por aqui procedimento semelhante ao verificado no estado de São Paulo, não por coincidência estado também governado por tucanos, quando formou-se uma máfia que surrupiava merenda escolar da aquisição, através de cartéis, até o consumo de produtos como os aqui divulgados, que nunca chagavam aos alunos.

Seria bom que o SINTEPP, a ALEPA e até o MP fossem a campo investigar o que ocorre com a distribuição da merenda escolar servida nas escolas públicas do Pará, na planilha um cardápio apetitoso e variado, enquanto no cotidiano predomina a mesmice do suco de pacote com bolacha.

Monstros só podem dar luz a monstros


Aécio Neves roubou, cheirou, ameaçou mandar matar mas manteve seu mandato de Senador, blindado que é pela toga omissa e cúmplice dessa sua vida dedicada à prática de crimes diversos na esfera pública e privada.

Continua senador e presidente de direito do PSDB, enquanto de fato assume a tarefa partidária o também senador Tasso Jereissati a fim de manter aparências sisudas, como se o afastamento do vulgo 'Mineirinho' tivesse algo a ver com ética na política.

Agora, Tasso está prestes a ser defenestrado da presidência dos tucanos porque está sendo responsabilizado pelo programa partidário, veiculado ontem na tevê, em que pede desculpas pelo mau passo dado pela legenda em apoio ao golpe.

Como é sabido por todos, Tasso é o golpista mais arrependido no covil da privataria e tem batido de frente com outros correligionários que não comungam desse arrependimento e ficaram furiosos com a abordagem do tal programa, a cara de Tasso mas não refletindo posição majoritária.

Afigura-se, então, um quadro de queda do tapa-buracos cearense e a volta do mineiro maroto à presidência da legenda, aliás, apenas antecipando algo que estava previsto para acontecer em dezembro próximo, conforme o próprio Aécio havia anunciado.

Pode significar, ainda, que os tucanos defenderão o tal 'Distritão', modelo eleitoral que liquida os partidos e fortalece os coronéis, mantendo a cumplicidade entre Temer e Aécio, PMDB/PSDB, mesmo que o presidenciável tucano, provavelmente Geraldo Alckmin, seja prejudicado nesse modelo.

E mesmo que tucanos de plumagem mais espalhafatosa sejam contra, como FHC, por exemplo, que já deu declarações públicas contra esse famigerado modelo eleitoral herdado da primeira metade do século passado, coisa que não influencia Aécio, cujo procedimento parece ainda ser orientado pelo quanto pior, melhor, adotado desde quando foi derrotado por Dilma Rousseff, em 2014.

Assim, chegaremos a 2018 sob a hegemonia política do golpismo e vítimas dos mentores dessa patranha que ora nos atormenta. Por isso, qualquer solução teratológica daí surgida é a coisa mais plausível do mundo, inclusive um regime que se pretende parlamentarista tendo como 'rainha da Inglaterra' o abominável jagunço Bolsonaro. Credo!

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

ENTÃO, ESTAMOS ASSIM...


A opinião pública nos tempos do ódio


O sucesso sem precedentes do governo Lula é o maior fator da disseminação pela elite e classe média do ódio contra o próprio ex-presidente e ao Partido dos Trabalhadores.

O recalque foi ainda maior porque Lula veio pra consertar a tragédia de um governo comandado por alguém oriundo desse andar de cima, personagem que foi saudado a priori como exemplo de governante, mas cujos resultados estão entre os mais deploráveis de nossa história.

Rebentos institucionais desse segmento seguem fomentando esse sentimento mesquinho, como se fosse a redenção do país após a mídia cúmplice dessa farsa difundir ondas de falso moralismo a fim de confundir a opinião pública.

Perdida, a população brasileira segue entre o mal dissimulado discurso midiático, que anunciou uma nova moral pública, mas fez tornar ao comando do país a mais repugnante quadrilha de malfeitores da época da privataria.

Assim, entre o ódio de si mesmo e a perplexidade diante das agruras ora enfrentadas, o povo brasileiro não percebe que foi apartado de seu protagonismo importante em um regime democrático, enveredando pelo caminho da apatia, conforme querem os inquilinos do poder.

E ao não perceber que o ódio travestido de moralismo é ardil visando essa alienação, fica indiferente a barbaridades como as verificadas hoje, quando um juiz simplesmente determinou, através de medida liminar, que uma universidade baiana fosse proibida de conceder um título de doutor honoris causa a Lula, enquanto outro togado tenta proibir que uma milionária suíça doe uma quantia retirada de sua fortuna ao mesmo Lula.

Em um país que vivesse dentro da normalidade social isto teria causado uma grande onda de indignação, pelo ódio classista e persecutório que exprime. No entanto, dado o histórico recente de sandices dessa natureza praticada por 'homens e mulheres de bens' em nome da moral e da lei, a apatia travestida de indiferença nos impede de refletir profundamente sobre os tempos obscuros que vivemos presentemente. Haverá conserto?

Desemprego é maior entre jovens, mulheres e negros, e no Nordeste


Taxa, de 13% na média, dobra entre trabalhadores de 18 a 24 anos. Sobe para quase 16% entre pretos (classificação do IBGE) e 15% para mulheres. Também cresce para pessoas com menos escolaridade

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados hoje (17) pelo IBGE, retratam a situação ruim do mercado de trabalho e a desigualdade no país. As taxas de desemprego são maiores na região Nordeste e entre trabalhadores jovens e negros, mulheres e pessoas com menos escolaridade.

A média nacional no segundo trimestre, segundo já havia divulgado o IBGE, foi de 13%, um pouco abaixo do período encerrado em março (13,7%) e bem acima de igual período do ano passado (11,3%). A estimativa é de 13,486 milhões de desempregados. Entre as regiões, as taxas variam de 8,4% (Sul) a 15,8% (Nordeste), atingindo 10,6% no Centro-Oeste, 12,5% no Norte 13,6% no Sudeste.

Os estados com maior índice são Pernambuco (18,8%) e Alagoas (17,7%). As menores taxas foram registradas em Santa Catarina (7,5%), Rio Grande do Sul (8,4%) e Mato Grosso (8,6%). Em São Paulo, ficou em 13,5%. "Nos estados onde houve aumento da desocupação, não foram geradas vagas suficientes para dar conta do crescimento da procura pelo emprego”, diz o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Nos grupos de pessoas de 14 a 17 anos e de 18 a 24 anos, as taxas de desemprego são de 43% e de 27,3%, respectivamente. Esse segundo grupo concentrava 32% dos desempregados do país. A maior parcela era da faixa de 25 a 39 anos (35,1%).

Entre as pessoas que se declararam brancas, o índice fica abaixo da média nacional (10,3%) e sobe para 15,8% entre pretos e 15,1% entre pardos, conforme a classificação do instituto. O desemprego vai a 11,5% para os homens e a 14,9% para mulheres.

No recorte por escolaridade, a taxa de desemprego para pessoas com nível superior completo foi de 6,4%, subindo para 14% entre aqueles com superior incompleto. Aumenta ainda mais para quem tem ensino médio incompleto: 21,8%.

A chamada subutilização da força de trabalho, que incluem pessoas com insuficiência de horas trabalhadas, foi de 23,8% no segundo trimestre, variando de 14,7% (região Sul) a 34,9% (Nordeste). Os estados com maior índice são Piauí (38,6%), Bahia (37,9%) e Maranhão (37,7%). Os menores são de Santa Catarina (10,7%), Mato Grosso (13,5%) e Paraná (15,9%).

O IBGE estima em 90,236 milhões o número de ocupados no país, sendo 68% empregados, 4,6% empregadores, 24,9% trabalhadores por conta própria e 2,4% no chamado trabalho familiar auxiliar. A participação de trabalhadores por conta própria cresce no Norte (31,8%) e no Nordeste (29,8%).

Apenas no setor privado, 75,8% dos empregados tinham carteira assinada – eram 33,331 milhões. O percentual diminui para 60,8% no Nordeste e para 59% na região Norte. Entre os trabalhadores domésticos (6,104 milhões), 30,6% tinham registro.

O rendimento médio (R$ 2.104) e a massa de rendimentos (R$ 185,1 bilhões) ficaram estáveis no segundo trimestre.
(Rede Brasil Atual)

Rumo ao passado



No mesmo dia em que surrupiou dez reais do salário mínimo vigente a partir de janeiro do ano que vem, o larápio Temer assinou decreto tornando a atividade supermercadista essencial.

Na prática, isto significa que os sindicatos da categoria não mais terão poder de negociação com os donos das empresas do setor, deixando os empregados à mercê da ganância patronal submetidos a jornadas de trabalho análogas as do tempo da escravidão.

Aqui na Região Metropolitana de Belém, por exemplo, há anos que os supermercados fecham às duas da tarde de domingo porque os sindicatos não permitem que sua base seja submetida a 20 horas seguidas de serviço, sem direito a substituição.

Agora, como 'atividade essencial', somente para explorar o trabalho alheio já que não há nada legalmente que assemelhe o funcionamento de supermercados ao funcionamento de hospitais e escolas, fica a lição do alcance dessa perversa legislação parida pelo golpismo, que revogou conquistas trabalhistas históricas.

É o desmonte do país que vinha sendo construído, voltando à condição de colônia porque o golpismo lucra com isso e não se importa com o recrudescimento da miséria, tudo isso diante de um povo inerte, dócil e alienado.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Roubando dos pobres e dando pros ricos


Depois de perdoar bilhões de dívidas dos ruralistas, gastar mais outros tantos bilhões pra agradar parlamentares que colaboraram com a incolumidade de sua impunidade, eis que Temer resolve cortar o reajuste do salário mínimo.

O que era ruim acabou piorando, em nome dessa austeridade farsante que retira cada vez mais os pobres do orçamento e agora fere mortalmente o salário mínimo, que volta aos níveis vergonhosos dos tempos da privataria tucana.

Esse reajuste de apenas R$32,00, pouco mais de 3%, anuncia o fim da regra até aqui vigente, um índice que juntava o INPC à taxa de crescimento da economia, e impõe a dependência ao rombo fiscal vigente.

Agora, diante de um rombo anunciado de meio trilhão de reais para os próximos dois anos, é possível que o mínimo sofra um arrocho crescente, transferindo seu custo para as contas que Temer desfrutará nas horas que necessitar gastar com aventuras iguais aquelas que comprou parlamentares para salvá-lo.

Assim foi e assim será, enquanto estiver no poder esse consórcio de bandidos. Pior. Isso não está dando pinta de que acabará tão cedo, conforme vamos vendo anunciadas as salvaguardas que os golpistas fabricam pra garantir sua hegemonia.

Por isso, mais que escolher um novo presidente, a população brasileira precisa estar consciente que terá de escolher quem tenha compromisso com a democracia e assim desmontar a Assembléia de Bandidos, decisiva para o golpe, fundamental na garantia da impunidade e instrumento da imposição do programa derrotado no voto nas eleições de 2014.

Independente da regra eleitoral vigente, as forças progressistas precisam mostrar à população que estará em jogo seu futuro e esse estará comprometido caso sejam escolhidas personalidades, em vez de históricos defensores de causas e conquistas sociais.

A pisada na bola de Jairzinho

O simpático treinador botafoguense Jair Ventura, ao condenar a contratação do colombiano Renaldo Roeda, pra dirigir o Flamengo, acusando a atitude de fechar um posto de trabalho a treinador nascido aqui deveria, por coerência, evitar de escalar em sua equipe o zagueiro argentino De Carli, pelo mesmo motivo.

Deveria, ainda, condenar a transação envolvendo Neymar Jr, que fechou dezenas de postos de trabalho a jovens atletas europeus, bem como lutar para que todos os brasileiros espalhados pelos quatro cantos do mundo sejam repatriados e trabalhem apenas no mercado nacional.
Xeniofobia não é só demonstração de ódio ao próximo, mas uma atitude burra, coisa que Jair decididamente não é

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

'Distritão' é a tábua de salvação da direita contra o PT


Depois de a imprensa lançar ao público a ideia do voto distrital – agora com o nome de "distritão" e só por isso apresentado como novidade – mostrando em simulações que a modalidade deve reduzir a bancada do PT na Câmara, a defesa do voto "distritão" virou o discurso da vez entre os conservadores, sob alegação de que o eleitor conheceria melhor o candidato a deputado ou vereador de seu distrito.

Quando era presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) era o maior entusiasta e defensor da ideia. Agora longe dos holofotes de Brasília, parece que está governando de dentro da cadeia. A bandeira do "distritão" agora é empunhada por Michel Temer, que orientou seus aliados a aprovarem o modelo na comissão especial da Câmara, na madrugada de quinta-feira, durante sessão que debatia a reforma política.

Também são defensores do "distritão" o PSDB e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com quem Temer tem mantido encontros – inclusive fora das respectivas agendas oficiais – para, segundo eles, discutir a reforma política.

Entre os tucanos, o mais engajado em alterar o sistema eleitoral que está na Constituição é o senador José Serra (SP). Em 2015, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado aprovou a (PLS 25/2015), de autoria dele, que institui o voto distrital para vereadores em cidades com mais 200 mil habitantes.

Assim como Gilmar Mendes e Temer, Serra também prega o parlamentarismo. Talvez o senador tucano esteja pensando na possibilidade de ser nomeado primeiro-ministro apesar de derrotado duas vezes nas urnas, quando se candidatou a presidente.

Diferentemente do sistema atual, que vale a soma do número de votos de todos os candidatos e da legenda, o distritão transforma a eleição para deputado numa disputa majoritária. O sistema enfraquece os partidos, reduz a representação das minorias e dificulta a renovação do Congresso.

Quem ganha com isso são os políticos já com mandato, além de figuras conhecidas do grande público, como artistas e jogadores de futebol. Ao propor o distritão, os tucanos manobram para permanecer no poder. Não por acaso, a base de apoio da ditadura na imprensa tradicional (Globo, Veja etc.) é a mesma engajada na campanha pelo voto distrital.

No apagar das luzes da ditadura brasileira, em 1982, os feiticeiros políticos da Arena (partido de apoio à ditadura, ancestral do DEMos), quando perderam o controle sobre o voto popular, tentaram permanecer no poder reintroduzindo justamente o voto distrital, (agora distritão) por meio da Emenda Constitucional 22, de 29 de junho de 1982.

Não deu certo. Tal emenda não chegou a funcionar, pois antes das eleições de 1986, foi revogado com o fim da ditadura, pela Emenda Constitucional 25, de 1985. A Constituinte cidadã de 1988 decidiu por manter o voto proporcional.

E quem acha que pior do que está o Congresso, não fica, precisa pensar duas vezes. A coisa pode sim, ficar bem pior.

A elite só pensa por um lado: que um distrito como Higienópolis, bairro nobre em São Paulo, poderá eleger facilmente um político como o tucano Fernando Henrique Cardoso. Que o distrito da Savassi em Belo Horizonte ou o Leblon, no Rio, elegeria sem muito esforço alguém como o senador tucano Aécio Neves.

Mas e nas regiões ainda controladas pelo tráfico ou por milícias? Quem seria eleito nos distritos de algumas comunidades carentes do Rio de Janeiro? Quem seria eleito em bolsões da periferia de São Paulo, onde a organização criminosa PCC tem presença marcante e constante?

Nestes lugares o crime organizado impõe a lei do silêncio, até o toque de recolher. Se o voto for confinado ao distrito eleitoral, quem vai ganhar a eleição não será o direitista demo-tucano, nem o esquerdista do PT ou do PcdoB. Será o candidato do tráfico ou da milícia (máfia de policiais) alojado em qualquer partido.

No Rio de Janeiro, o DEM já deu legenda para eleger gente como, por exemplo, o ex-deputado estadual Natalino Guimarães, que está preso, acusado de chefiar o grupo de milicianos Liga da Justiça.

Rio e São Paulo são emblemáticos, mas o quadro se repete em quase qualquer metrópole brasileira. O resultado trágico da adoção dessa modalidade de voto nas eleições pode ser a infiltração do crime organizado no Congresso, mais do que casos isolados.

O Brasil correria o risco de ver aqui situação parecida com a que sofreu a Colômbia, no auge do megatraficante Pablo Escobar, quando os cartéis das drogas controlavam províncias inteiras.

Os defensores do "distritão" argumentam que o eleitor exerceria maior controle sobre o deputado, por haver maior proximidade. Não passa de teoria que não se sustenta na realidade. O controle pelo eleitor depende de sua consciência política e interesse para acompanhar o desempenho de seu representante, e não do sistema eleitoral pelo qual ele foi eleito.

A intenção oculta das oligarquias defensoras do voto "distritão" é o contrário: é o maior controle dos caciques sobre o eleitorado do distrito, como ocorria nos currais eleitorais.

Para oligarquias inescrupulosas é mais fácil comprar votos e manter controle dentro de um pequeno eleitorado confinado em distritos, em vez de um eleitorado de massas.

Então, é melhor deixar de lado o oportunismo de ocasião na defesa do "distritão", e qualificar o debate.
(Blog da Helena)

GILMAR EXPLICA


China peita o bufão ianque e por tabela coloca com rabo entre as pernas a viralatice golpista

Reuters
Que bom que o ministro de Assuntos Exteriores da China lembrou ao biltre Donald Trump que as relações bilaterais devem manter "sempre o princípio de não interferir nos assuntos internos de outros países", indiretamente mandando o imperialista enfiar a Doutrina Monroe lá no fundinho do fiofó.

Feio ficou para os aventureiros golpistas Michel Temer e Aloisio Nunes Ferreira, que agalinhadamente incentivaram o governo dos EUA a invadir a Venezuela, tudo em troca de umas migalhas de simpatia diplomática que tirem esse conluio de safados ora instalados no comando do governo brasileiro do desprezo mundial a que foram relegados.

Vamos ver se o basbaque bufão midiático ignorará a advertência chinesa, ou se continua delirando com olhos no passado achando que pode tudo, inclusive tocar fogo em Maracaibo porque aquelas riquezas venezuelanas pertencem ao EUA.

Pouco provável. Até aqui Trump zurrou pela mídia, mas, na prática nada do que ameaçou cumpriu. Ao contrário. Até percebemos que pouco fala do Irã e até na Síria arrefeceu o farsante ímpeto democrático que a mídia cúmplice mundialmente de seus interesses arrota degeneradamente como verdade.

Provavelmente veremos mais uma derrota da viralatice terceiro mundista, com a possibilidade da Venezuela continuar a construir seu futuro, inclusive derrotando seus viralatas locais, que como os daqui fazem de tudo pra ficar de quatro diante do imperialismo ianque.  

E se a traição de Dória for apenas um bode na sala?


Nas redes sociais e naquelas notinhas de colunas de fofocas políticas que campeiam na mídiaZONA, não se fala em outra coisa: o prefeito de São Paulo, João Dória Jr, passou a perna no governador paulista Geraldo Alckmin e viaja o Brasil todo costurando sua candidatura pelo PSDB à presidência da República.

Alguns mais afoitos, ou melhor instruídos para o jogo de cena, até já plantaram naquelas pocilgas impressas que o mata mendigos cogita abandonar o ninho tucano e migrar para o DEM a fim de sustentar sua pretensão.

Todavia, no dia-a-dia administrativo dos dois entes federativos, ambos parecem continuar bastante afinados na missão de atormentar a vida dos mais humildes, deixando São Paulo, estado e capital, à mercê dos interesses do grande capital.

O salafrário Dória, desde primeiro de janeiro deste ano, quando assumiu a prefeitura paulistana, passou 30% desse tempo fora da cidade que governa, levando a tucanos, e direita em geral de outros estados, a ideia que sairá de São Paulo o candidato tucano à disputa presidencial do ano que vem, apesar da encenação de distância do conluio temerário. Ponto.

Sua exposição parece risco calculado por quem é bom de mídia e pode aguentar o tranco desse desgaste. Ao contrário de Alckmin, bastante desgastado pelos escândalos envolvendo seu cunhado, sem contar as ladroagens no metrô e no roubo de merenda escolar que o envolvem.

Portanto, a vitimização de Alckmin pode ser mais um truque eleitoreiro com que a privataria pretende enganar o povo brasileiro, poupando seu candidato do desgaste pré eleitoral e depois, durante o pleito, dizer que as críticas não passam de intriga dos adversários que não têm projeto e fazem do ataque pessoal seu recurso eleitoral.

Aécio parece ter percebido a jogada e já marcou para dezembro o lançamento da candidatura de Alckmin pelos tucanos. Ou seja, daqui a quatro meses o governador será lançado à fúria da opinião pública e seu fiel escudeiro nada mais poderá fazer para blindá-lo contra a execração merecida de que por certo será alvo.

Se resistirá ao bombardeio e ao porradal interno é outro papo. Certo é que internamente terá que bancar o nome de Dória à sua sucessão, agradecido pelo esforço em favor de seu nome, o que abrirá outro ringue pra luta, já que serristas como João Aníbal e Alberto Goldmann não engolirão a seco a imposição do nome do alcaide farsante.

Aguardemos, pois, para conferir o desfecho dessa peleja do capeta contra o demo. Se Aécio Neves, sob blindagem de Gilmar Mendes e Rodrigo Janot, ou Geraldo Alckmin juntará dos escombros do golpismo a enlameada bandeira tucana e enfrentará de peito aberto o povo brasileiro, após essa torrente de falcatruas e tungas de direitos sociais arduamente conquistados.

domingo, 13 de agosto de 2017

A volta da fome é banditismo articulado nas altas esferas


Notícia veiculada pela Agência Brasil, aqui transcrita pelo Diário do Pará, informa que a ong Ação da Cidadania, criada pelo saudoso sociólogo Betinho, "planeja voltar a fazer, este ano, pela primeira vez em dez anos, a campanha 'Natal Sem Fome'.

Relembre-se que, quando criada, a referida campanha arrecadava alimentos para distribuir cestas básicas aos milhões de miseráveis vitimados pela iníqua política econômica da privataria tucana, assim evitando que o número de mortos vítimas desse flagelo fosse ainda maior do que os verificados à época.

O presidente da referida organização ressalta que a "campanha deixou de ser realizada há dez anos devido à avaliação que o governo", PETISTA, sempre é bom lembrar, "vinha combatendo a fome e que por isso a campanha tornou-se desnecessária", mas, agora, "que o Brasil está voltando para o Mapa da Fome da FAO, ... está olhando com grande tristeza para a perspectiva de relançar o Natal Sem fome".

Conclui-se, então, que o golpe político/jurídico/midiático que depôs a legítima Dilma Rousseff para empoderar o espúrio e larápio Michel Temer nada tinha do objetivo propalado pela mídia bandida, de punir eventual crime de responsabilidade.

Era pretexto perverso e bandido pra retirar os pobres do orçamento da União, a fim de fazer sobrar dinheiro que garantisse os privilégios nababescos aos chefes e respectivas corporações das ditas entidades patrocinadoras do famigerado golpe.

Não por acaso, o Poder Judiciário omite-se, a mídia silenciou e o Legislativo corroborou a crueldade governamental de condenar mais de meio milhão de famílias brasileiras à fome, cortando dessas o benefício do Bolsa-Família, transferindo esses recursos para o butim dividido entre membros da 'Assembléia de Bandidos' que blindam o chefe da quadrilha.

Nesse ritmo, em breve chegaremos aos índices alarmantes de produção da fome dos tempos do bandoleiro FHC. Isto depois de termos dado lições ao mundo que era possível combater a miséria apenas fazendo uso racional e humanitário dos recursos públicos, o que foi considerado corrupção pela corja rapace que destruiu esse breve sonho de uma nação justa e feliz. Lamentável"

Berço de ouro, mentalidade autoritária: a "árvore genealógica" da Lava Jato


Rafael Braga foi o único brasileiro preso nas manifestações de junho de 2013. Negro, pobre e morador de favela, o ex-catador de material reciclável foi condenado a 11 anos e três meses de prisão pelo suposto porte de maconha, cocaína e material explosivo. Quatro anos depois, não resta comprovado que, naquele dia, Rafael levava consigo algo além de produtos de limpeza. Ele continua preso, à espera de um novo julgamento.

Breno Borges, filho da desembargadora Tânia Borges, teve melhor sorte. Flagrado no dia 8 de abril com 129 quilos de maconha e 270 munições, além de uma arma sem autorização, o jovem branco foi julgado e solto em menos de uma semana. A mãe dele, presidenta do Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso do Sul, é investigada por favorecimento na libertação do filho.

Os vínculos familiares são determinantes para se entender as dinâmicas dos campos político e judiciário no Brasil. Professor do Departamento de Ciência Política e Sociologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Costa de Oliveira afirma que a origem social dos indivíduos está relacionada a uma série de privilégios, hábitos e visões de mundo compartilhadas.

A última pesquisa dele foi publicada esta semana na revista Núcleo de Estudos Paranaenses (NEP). O artigo “Prosopografia familiar da operação Lava Jato e do ministério Temer” foi assinado em conjunto com outros três pesquisadores: José Marciano Monteiro, Mônica Helena Harrich Silva Goulart e Ana Christina Vanali.

De pai para filho


O texto apresenta uma biografia coletiva do juiz de primeira instância Sérgio Moro, dos 14 membros da força-tarefa nomeados pela Procuradoria-Geral da República e de oito delegados da Polícia Federal que atuam no caso, além de ministros indicados pelo presidente golpista Michel Temer (PMDB).

O aspecto mais relevante do artigo diz respeito aos vínculos da operação Lava Jato com a elite econômica do Paraná. “Este seleto grupo de indivíduos forma parte do 1% mais rico no Brasil, e muitos até mesmo do 0,1% mais rico em termos de rendas”, descrevem os pesquisadores.



Políticos defensores da ditadura civil-militar e indivíduos que atuaram no sistema de justiça durante o regime também aparecem na “árvore genealógica” da Lava Jato. O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, por exemplo, é “filho do ex-deputado estadual da ARENA Osvaldo dos Santos Lima, promotor, vice-prefeito em Apucarana e presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, em 1973, no auge da ditadura, quando as pessoas não podiam votar e nem debater livremente”, segundo o texto. O pai de Carlos Fernando, assim como os irmãos, Luiz José e Paulo Ovídio, também atuaram como procuradores no Paraná.

O professor Ricardo Costa de Oliveira conversou com a reportagem do Brasil de Fato e debateu os resultados da pesquisa. Confira os melhores momentos da entrevista:

Brasil de Fato - O que há em comum na biografia de todos os personagens da operação Lava Jato analisados no artigo?


Ricardo Costa de Oliveira - Todos eles pertencem à alta burocracia estatal. Há alguns, da magistratura ou do Ministério Público, que ganham acima do teto [salarial do funcionalismo público, equivalente a R$ 33,7 mil por mês]. Com suas esposas e companheiras, eles estão situados no 0,1% mais ricos do país.

Quase todos são casados com operadores políticos, ou do Direito. Você só entende os nomes entendendo a família. É uma unidade familiar que opera juridicamente, opera politicamente.

O juiz de primeira instância Sérgio Moro é um desses exemplos?


O juiz Moro é filho de um professor universitário, mas também é parente de um desembargador já falecido, o Hildebrando Moro. A mulher do Moro, a Rosângela [Wolff], é advogada e prima do Rafael Greca de Macedo [prefeito de Curitiba]. Ela pertence a essa importante família política e jurídica do Paraná, que é o grande clã Macedo, e também é parente de dois desembargadores.

O artigo ressalta as coincidências entre a Lava Jato e o caso Banestado [que investigou o envio ilegal de 28 bilhões de dólares ao exterior]. Como isso ajuda a entender o papel da força-tarefa e do Judiciário nas investigações sobre os contratos da Petrobras?

Boa parte deles também estiveram no [caso] Banestado. Foi uma operação que desviou muito dinheiro e apresentou uma grande impunidade, ao contrário de outros momentos. Até porque era outra conjuntura, outros atores políticos que foram investigados.




O [procurador] Celso Tres era um dos maiores especialistas nessas questões. Por que ele não foi convidado para entrar na Lava Jato? Porque ele não tinha a homogeneidade político-ideológica que essa equipe tem. É uma equipe que foi preparada para essa tarefa, não apenas jurídica, mas também política - que na nossa leitura, é a perseguição, lawfare [“guerra jurídica”] à esquerda, ao Partido dos Trabalhadores, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em relação aos vínculos com a ditadura civil-militar [1964-1985], quais foram as constatações mais relevantes da pesquisa?


Os operadores da Lava Jato, bem como os jovens ministros do governo Temer, são de famílias políticas. E os pais trabalharam, defenderam, reproduziram e atuaram na ditadura militar. Os filhos herdam a mesma mentalidade autoritária, o elitismo, o ódio de classe contra o PT.

Como pertencem ao 1% mais rico, eles sempre tiveram uma vida muito luxuosa e beneficiada [pelas condições econômicas]. Estudaram em escolas de elite, vivem em ambientes luxuosos, estudaram Direito, depois fizeram concursos, com muito sucesso. Quando você tem pais no sistema, você tem facilidades.

Por que incluir na mesma pesquisa os operadores da Lava Jato e os ministros nomeados por Michel Temer?

Há uma conexão, no sentido de que é a mesma ação política da classe dominante. Eles operam em rede. Há uma coordenação.

Por isso que é uma prosopografia [biografia coletiva]. Eles são originários da mesma classe social, do mesmo círculo social, e eles transitam nos mesmos ambientes empresariais, elitizados.

O juiz Sérgio Moro, por exemplo: onde é que ele atua quando está em público? Em grandes publicações da mídia dominante burguesa, quando ele está muitas vezes abraçado, cumprimentando efusivamente os membros do golpe [de 2016]. Você vai ver um juiz ou um membro da Lava Jato num acampamento sem-terra? Ou num órgão alternativo da mídia, num sindicato de trabalhadores de categorias braçais e manuais? Jamais.

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Tudo em família


Coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol é filho de outro procurador de Justiça, Agenor Dallagnol. O procurador Andrey Borges de Mendonça, que também atua na operação, é irmão do procurador Yuri Borges de Mendonça. Outro membro da força-tarefa, Diogo Castor de Mattos, é filho de um ex-procurador de Justiça, Delivar Tadeu de Mattos. O tio de Diogo, Belmiro Jobim Castor, foi secretário de Estado várias vezes no Paraná nos anos 1970 e 1980.

O escritório de advocacia Delivar de Mattos & Castor é dos mais conhecidos do Paraná. Nele também atuam os irmãos Rodrigo Castor de Mattos e Analice Castor de Mattos.

Os vínculos familiares de Gebran Neto

Amigo e admirador confesso de Sérgio Moro, João Pedro Gebran Neto é um dos desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Ele será o relator do processo conhecido como “caso triplex”, em segunda instância, cujo réu é o ex-presidente Lula (PT).

Segundo pesquisa do professor Ricardo Costa de Oliveira, o desembargador que atua no Rio Grande do Sul é filho de Antonio Sebastião da Cunha Gebran e neto de João Pedro Gebran, ex-diretores-gerais da Assembleia Legislativa do Paraná nos anos 1950 e 1970.

O casamento de João Pedro Gebran, em 1924, foi o acontecimento que abriu as portas da família junto à classe dominante paranaense. Foi quando eles passaram a ter relações com a antiga rede social e política de sua esposa, Francisca Cunha, filha do coronel Francisco Cunha, prefeito da Lapa na República Velha.

O avô do coronel Cunha era o comendador Manuel Antonio da Cunha, primeiro prefeito da Lapa, em 1833, casado com a filha do 1º capitão-mor da Lapa, o português Francisco Teixeira Coelho. Todas, famílias com origens históricas no latifúndio escravista, aparentadas entre si - tais como a família Braga, do ex-governador Ney Braga, e a família Lacerda, do ex-reitor e ministro da Educação do início da ditadura, Flávio Suplicy de Lacerda.
(Brasil de Fato/ via GGN)

sábado, 12 de agosto de 2017

CARLOS ARAÚJO. PRESENTE!

Ex-deputado e advogado trabalhista, que tinha 79 anos, estava internado desde o final de julho em Porto Alegre; a causa da morte ainda não foi divulgada; durante o regime militar, Carlos Franklin Paixão Araújo ajudou a criar uma organização contra a ditadura, período em que conheceu Dilma

Rio Grande do Sul 247 - O ex-deputado e advogado trabalhista Carlos Araújo, ex-marido de Dilma Rousseff, morreu no início da madrugada deste sábado 12.

Ele tinha 79 anos e estava internado desde o final de julho em Porto Alegre. A causa da morte ainda não foi divulgada.

Carlos Franklin Paixão Araújo sempre foi ativista político e, durante a ditadura militar, ajudou a criar uma organização contra o regime, lutando ao lado de colegas como Dilma.

Os dois se conheceram em 1969, casaram-se, foram presos, torturados e voltaram para Porto Alegre no início da década de 1970.

Araújo sempre foi conselheiro político de Dilma, até o período em que ela assumiu a presidência.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Fies e o custo da exclusão educacional e ignorância


O Brasil possui um desenvolvimento capitalista tardio e uma educação retardatária, profundamente marcada pelas chagas do passado colonial e pela escravidão. As primeiras instituições de ensino superior no Brasil foram fundadas após a chegada da corte portuguesa, no Rio de Janeiro, em 1808. Somente em 1920, quando ainda tínhamos 75% da população analfabeta, foi implantada a primeira universidade brasileira a atual Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A Universidade de Bolonha, a mais antiga, foi instalada em 1088, a de Paris em 1170, a de Cambridge em 1209, a de Salamanca em 1218 e a de Coimbra em 1290. Na América Latina, no início do século XVI, já existiam universidades em seis países, até o final do século XVIII havia 19 universidades, posteriormente, mais 31 no século XIX. Quase todos os países latino-americanos, com exceção do Brasil, já possuíam uma ou mais universidades no século XIX.

Naquele momento da história, as universidades ocupam um papel decisivo na preservação da herança do conhecimento humano, sua avaliação crítica e continuo processo de criação de novos conhecimentos. No novo padrão científico, tecnológico e de inovação, as universidades cumprem um papel relevante e indispensável.

O atraso histórico na educação universitária explica uma parte das dificuldades do Brasil de ingresso na sociedade do conhecimento. No ano de 2002, o país tinha 16.505 cursos de graduação e 3,4 milhões de matrículas de educação superior. Em 2015, eram 32.878 cursos e 8,5 milhões de estudantes. Esse foi o período de maior expansão da educação universitária da história do Brasil.

A rede de universidades federais que era composta, em 2002, por 45 universidades com 148 campus atingiu, em 2015, 65 universidades com 327 campus. As matrículas de graduação passam de 512 mil, em 2002, para 1,06 milhão em 2015. Na pós-graduação, eram 48.925 matrículas de mestrado e doutorado, em 2002, e 143.595, em 2015.

Um processo semelhante ocorre com os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnológica. Com uma trajetória secular, tinham 140 campi até 2002 e são 600 em 2016, superando 1 milhão de estudantes matriculados.

Uma grande democratização do acesso decorre das mudanças no Enem, que passou a ser, desde 2009, o caminho de oportunidades para a educação superior. Os mais de 8 milhões de inscritos no exame nos últimos anos expressam a histórica demanda reprimida por educação universitária. São uma parcela dos 16,8 milhões de estudantes, entre 18 e 29 anos, que terminaram o ensino médio e não chegaram à universidade e os mais de 2,5 milhões de concluintes do ensino médio todos os anos.

O Enem abriu um caminho de oportunidades para o acesso. Com a nota do Enem o estudante pode disputar uma vaga, em qualquer curso, em toda a rede pública federal, por meio de um sistema informatizado: o Sisu. No Sisu, metade das vagas são para os estudantes das escolas públicas, com acesso preferencial para os de baixa renda, negros e indígenas.

A segunda oportunidade para os estudantes da rede pública com baixa renda, ou professores concursados do ensino básico é a disputa de uma vaga no Prouni, que já distribuiu mais de 1,7 milhões de bolsas de estudos nas instituições privadas, como uma contrapartida das isenções fiscais que parte das instituições têm direito. E finalmente, um financiamento público e subsidiado no Fies.

Esse esforço de expansão e democratização do acesso foi acompanhado pela regulação e pelo controle da qualidade. Em 2004, foi implementado o Sinaes, um sistema de avaliação dos cursos e instituições, no qual todas as políticas públicas de acesso dependem das respectivas avaliações. As notas de avaliação variam de 1 a 5, e só podem receber bolsas do Prouni e o financiamento do Fies os cursos com notas igual ou superior a 3. Portanto, além do acesso para os 87% dos estudantes do ensino médio, que são procedentes da rede pública, esses programas procuram induzir a qualidade dos cursos e das instituições privadas de ensino superior.

Importante destacar, que todas as pesquisas acadêmicas realizadas até este momento, demonstram que os estudantes cotistas, ou bolsistas do Prouni e Fies apresentam um desempenho acadêmico equivalente aos demais estudantes ao final do curso. Reforça o argumento que o que faltava a estes estudantes, historicamente excluídos, era a oportunidade do acesso e permanência na educação superior.

O Fies, foi reformulado em 2010 como financiamento reembolsável, com prazos mais longos, carência e juros favorecidos, já beneficiou 2,6 milhões de alunos. Agora, tornou-se alvo de análises superficiais e distorcidas, que se utilizam da grave crise fiscal para implantar uma política de desmonte e retrocessos na educação pública.

O primeiro argumento, é de que o Fies não contribui para as metas do Plano Nacional de Educação. É evidente que contribui e muito. As matrículas seriam aproximadamente 25% menores na educação superior sem o Fies. O programa impulsiona o acesso e contribui para a permanência, que sempre foi um objetivo complementar do programa. A evasão na educação superior, que é elevada especialmente nas instituições privadas, é, em média, 3,5 vezes maior entre os estudantes pagantes e não beneficiados pelo Fies.

O segundo argumento é de que o Fies cresceu muito rápido. É verdade. Mas, basta a comparação desse crescimento com o forte aumento nas inscrições do Enem, com cerca de 8 milhões de participantes, para compreender a necessidade imperiosa de expansão do Fies. Apesar dos recentes avanços de expansão continuamos com uma imensa demanda reprimida, e o total de vagas ofertadas não chega a 25% dos inscritos no Enem.

É importante destacar que entre os beneficiários do Fies, 96,8% dos estudantes possuem renda familiar de até 3 salários mínimos per capita e 54,1% até um salário mínimo per capita. O Fies é o programa público de acesso e permanência à educação superior de maior alcance social. Um dos argumentos para o desmonte do Fies é que os bancos responsáveis não cumpriram as regras de acesso ao programa. Os bancos são públicos, BB e CEF. A auditoria do TCU em 2014, em 732 mil contratos identificou apenas 258 em desconformidade com o critério de renda. As auditorias, fiscalização e controle da CGU e TCU são recorrentes, rigorosas e contribuíram para o aprimoramento do programa ao longo do tempo. O MEC propôs a criação do INSAES – Instituto Nacional de Avaliação do Ensino Superior, desde 2012, para fortalecer os instrumentos de avaliação, fiscalização e supervisão da educação superior, mas a Câmara dos Deputados não votou até hoje este projeto de lei.

Em 2015, com o novo cenário de restrições fiscais, fizemos importantes modificações no programa, aumentando as vinculações das vagas aos cursos melhores avaliados, reduzindo o patamar de renda familiar para 2,5 salários mínimos per capita e definindo prioridades para os cursos, além de uma proporcionalidade para as cinco regiões do país. As taxas de juros foram elevadas de 3,5% par 6,5% a.a., uma melhora de qualidade no Fies, mas com consequente redução da oferta de vagas.

Já o argumento de que o Fies é igual ao Prouni, além de frágil é improcedente. O Prouni não é reembolsável e atinge um número restrito de instituições beneficiadas por incentivos fiscais.

Outro argumento dos críticos do Fies é de que a inadimplência do programa está alta. Está alta para todas as modalidades de crédito, e relativamente muito mais grave para os créditos de maior custo relativo. Essa inadimplência decorre sobretudo de uma conjuntura que apresenta a maior recessão da história documentada do país e não pode ser projetada para as próximas décadas como fazem as críticas superficiais ao Fies.

Além disso, são jovens que estão iniciando sua atividade profissional e tendem a regularizar o acesso ao crédito ao longo da vida. E, a exemplo das demais modalidades de crédito, sempre existe o princípio da renegociação de prazos e das condições de pagamento.

É importante registrar que a projeção de inadimplência que está sendo utilizada pelos críticos do Fies não respeita as próprias normas do Banco Central e o prazo de carência dos empréstimos. Desconsidera, ainda, que uma parcela importante desses créditos conta com um avalista pessoal, critério que foi flexibilizado no final de 2013 por decisão do Congresso Nacional, que retirou medidas protetivas e sobrecarregou o FGEDUC, o fundo garantidor destas operações de crédito.

Por fim, argumentam que o volume de crédito concedido é elevado. De fato, é, mas representa menos de 3% do total de crédito público ofertado para atividades empresariais, imobiliárias, agrícolas ou infraestrutura. A oferta de crédito público é historicamente subsidiada, em decorrência das abusivas taxas de juros praticadas pelo sistema financeiro brasileiro.

Os EUA já ofertaram US$ 1,3 trilhão em crédito educativo. Na crise de 2009, quando da explosão da inadimplência, aumentaram a oferta em 40% e melhoraram os prazos de pagamentos em até 30 anos, mantendo a prioridade da educação.

De fato, crédito educativo tem um custo fiscal, mas a última pesquisa do PNAD-IBGE revela que no quintil superior da renda dos mais ricos, 37,3% são diplomados no ensino superior, enquanto apenas 1,3% no quintil mais pobre. Essa profunda desigualdade educacional, que está na raiz das desigualdades sociais, apenas começou a mudar.

Em 2015, dos concluintes que fizeram o Enade, 35% foram os primeiros de suas famílias a serem diplomados. O crédito educativo tem um custo para a sociedade, mas ainda é muito menor que a exclusão educacional e a ignorância que marcam a história brasileira.
(Aloizio Mercadante/ 247)

DEM flerta com Doria de olho na eleição presidencial de 2018

Ternura e fisiologismo no mesmo olhar

João Doria Junior, prefeito de São Paulo, foi sondado pelo DEM de Rodrigo Maia para ser o candidato a presidente do partido em 2018, caso perca a vaga do PSDB para Geraldo Alckmin.
O DEM ofereceu a Doria a cabeça da chapa majoritária e um candidato a vice-presidente com base no Nordeste. As opções seriam ACM Neto, prefeito de Salvador, ou o ministro da Educação Mendonça Filho.

Rodrigo Maia - que foi flagrado fitando Doria de maneira afetiva - seria candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo DEM, enquanto Ronaldo Caiado quer disputar Goiás com apoio do prefeito.

Para evitar desgaste com Geraldo Alckmin, o comando do DEM tem negado a aproximação.

Outro partido que também sondou Doria com a mesma finalidade, mas que também nega o flerte, é o PMDB de Michel Temer. O namoro teria como pano de fundo, ainda, o fato de Alckmin insistir em empurrar o PSDB para o desembarque do governo federal.

Doria, por sua vez, admitiu que tem recebido convites e agradeceu que as "portas estejam abertas" em outras legendas. Mas, segundo ele, a possibilidade de deixar o PSDB e virar adversário eleitoral de Alckmin é nula.

"Para aliados de Doria, a mudança de sigla, porém, pode ocorrer caso o governador não se apresente como candidato e, mesmo assim, a cúpula tucana vete uma candidatura do prefeito. São cada vez mais fortes, no entanto, as pressões para que Alckmin desista de concorrer e indique Doria, que trabalha para reunir apoios externos e crescer nas pesquisas", apontou o Estadão.

As notícias de sondagem a Doria sairam após a IstoÉ publicar uma capa classificando o tucano como o "anti-Lula" da vez. Em todo evento que vai, o prefeito faz questão de disparar críticas e ofensas ao ex-presidente.
(Jornal GGN)

Sob o mau cheiro da toga escura


Se a regra cogitada, de estabelecer um mandato de dez anos para ministros do STJ e STF, fosse vigente no presente momento, Gilmar Mendes estaria livre para trabalhar sua candidatura à sucessão indireta de Michel Temer.

Além disso, depois que a trama da novela golpista colocou o Poder Judiciário como principal protagonista desse deplorável enredo, qualquer ministro que cumpra seu interstício sairá daqueles tribunais rumo à advocacia já como pop star do direito, tamanha sua exposição midiática.

Nesse sentido, deve ter partido de dentro desses próprios tribunais a tal proposta, apenas com a maquiagem de avanço institucional que coloque um freio nos excessos praticados por magistrados dessas Cortes depois de seduzidos pelos holofotes midiáticos.

Não que não a dita proposta não seja oportuna, principalmente depois que o Poder Legislativo, a fim de cortar prerrogativas da presidenta Dilma, elevou a idade da aposentadoria compulsória para 75 anos de idade, permitindo que múmias togadas como Celso de Melo continuem a  assombrar o direito.

Ocorre que o diabo mora nos detalhes, o que seguramente fabricará um daqueles dispositivos casuísticos em que a conveniência de grupos acumpliciados com os protagonistas da nova norma terão à disposição uma exceção em que a circunstância excepcional passará por cima da regra.

Sempre foi assim e não deixará de ser enquanto as leis forem fabricadas em ambientes suspeitos, semelhantes aos onde fabricam salsichas. Por extensão, continuará sendo balela a máxima democrática de que em um estado autoritário o poder emana do povo e em seu nome é exercido. Humhum, pois sim.

Pela garantia de uma morte tranquila


Depois de gastar R$13 bilhões com a orgia da 'Assembléia dos Bandidos' que o absolveu das denúncias feitas pela PGR, o larápio Temer agora terá que enfrentar a criatividade daquela corja de malfeitores.

É que os meliantes inovaram e agora estão cobrando consumação para participar da próxima farra, vendendo dificuldades a fim de obter as facilidades ofertadas na votação anterior, só que agora com bastante antecedência.

Dizem os bandoleiros temerários que a situação ficou mais complicada porque há dissenções no seio do bando e, quando isso ocorre, sabemos todos que o preço sobe e o prazo de pagamento encurta.

É verdade que o chefe da quadrilha já está em campo praticando mais assaltos a fim de atender o apetite de seus capangas, daí ter cortado em um só dia mais de meio milhão de benefícios do Bolsa-Família, assim como cortado a obrigatoriedade de atingir metas na educação, o que abre a possibilidade de retirada de dinheiro do setor.

Ao mesmo tempo, MT corre para apoiar a aprovação do famigerado 'distritão', sistema eleitoral que recoloca os métodos usados na república velha do início do século anterior, acenando com a garantia da hegemonia dos 'coronéis' de seu bando.

Com efeito, aos nos adequar ao modelo adotado pelas Ilhas Pitcairn, este um conjunto de ilhas com apenas 56 habitantes e que adota o tal sistema eleitoral distrital, Temer opera para transformar o Brasil no maior arquipélago de bandidos do planeta, na certeza que preservará o poderio dos integrantes da atual 'Assembléia dos Bandidos' garantindo, consequentemente, a própria impunidade até o fim de seus dias. Credo!