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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O que a imprensa oculta sobre as eleições dos Estados Unidos

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A cobertura do que está acontecendo nas eleições primárias para o cargo de presidente dos Estados Unidos por parte dos maiores meios de informação é, com limitadíssimas exceções, muito parcial, traduzindo a orientação conservadora e/ou neoliberal que caracteriza a grande maioria de tais meios. A bem conhecida (a nível internacional) falta de diversidade ideológica na televisão e no rádio, assim como na imprensa escrita, com raríssima presença de vozes de esquerda, se reflete tanto nos meios de dentro quanto nos de fora dos Estados Unidos. E não poderia ser diferente: os correspondentes presentes no país se limitam a traduzir o que dizem os maiores meios de informação estadunidenses, sem ir mais longe e sem aprofundar criticamente. E para complicar mais as coisas, em sua tradução do que a imprensa estadunidense diz, muitas vezes copiam literalmente o que se escreve em tais meios, sem perceber que alguns termos têm um significado oposto em diferentes praças. Assim, o que nos Estados Unidos se chama de “liberal” seria um político que apoia o intervencionismo do Estado na atividade econômica, propondo medidas redistributivas e a expansão do gasto público. Liberal, nos Estados Unidos, é o que na Europa ou na América Latina se conhece como social democrata – nessas mesmas regiões, um político liberal é aquele que está contra o intervencionismo do Estado, que desfavorece as políticas redistributivas, e promove a privatização do setor público.

O que acontece nos Estados Unidos?

Hoje, a notícia mais importante que existe nos Estados Unidos é que um candidato à presidência do país, que se apresenta como socialista – sem temores, com orgulho de sê-lo –, e que pede uma revolução política no país, utilizando essa expressão em cada um dos seus atos eleitorais, está causando um tsunami eleitoral semelhante ao que ocorreu na Espanha com o Podemos, ou com o candidato trabalhista britânico, Jeremy Corbyn. Na primeira batalha das primárias, há alguns dias atrás, em Iowa, o candidato socialista empatou com a candidata claramente apoiada pelo aparato do Partido Democrata, a Sra. Hillary Clinton, que conta principalmente com a bendição do establishment político-midiático do partido. E essa quase vitória de Sanders, o candidato socialista, ocorreu apesar da clara hostilidade que ele sofreu por parte dos maiores meios de informação do seu país – tal como ocorre com o Podemos na Espanha e com Corbyn no Reino Unido, para ficar em apenas outros dois exemplos.

O surgimento deste movimento antiestablishment nos Estados Unidos, liderado por Bernie Sanders, também tem características semelhantes ao que sucede na Espanha e no Reino Unido, e responde a uma situação comum nos três países: as classes populares estão cansadas do conchavo entre os interesses econômicos e financeiros das grandes empresas, que constituem a classe corporativa, por um lado, e as instituições representativas desses mesmos interesses por outro – as mesmas que se tornaram meros instrumentos de tal classe. Tal situação foi possível devido à privatização do processo eleitoral nos Estados Unidos, onde todo candidato a um cargo político pode receber todo o dinheiro que sua campanha puder arrecadar, e financiar suas campanhas através dos chamados Super PACs, que permitem que se compre todos os espaços televisivos que quiser, sem que exista nenhuma regulação ao acesso a tais meios. A maioria dos fundos que a classe política recebe provém das grandes empresas, do 1% mais rico da sociedade, os que controlam também a maioria dos meios de informação e persuasão do país.

A consequência deste conchavo entre o mundo do capital e as instituições políticas é que as políticas aprovadas pelo Congresso dos Estados Unidos – hoje controlado pela ultradireita estadunidense, um setor financiado massivamente por Wall Street – favorecem sistematicamente os interesses desse capital, e prejudica o mundo do trabalho, composto pela maioria das classes populares dos Estados Unidos.

Tal situação também afeta grande parte do Partido Democrata. Foi precisamente o presidente Bill Clinton que desregulou a banca (tendo como ministro de Finanças o Sr. Robert Rubin, um dos maiores banqueiros de Wall Street), criando as bases para que surgisse a maior crise financeira que o país já viveu desde a Grande Depressão. A mais recente crise criou uma grande queda no nível de vida das classes populares, e ao mesmo tempo aumentou as desigualdades existentes no país. Como constantemente aponta Bernie Sanders, “apenas um décimo desses 1% mais ricos do país 90% das riquezas estadunidenses”. E os dados, facilmente acessíveis, comprovam a veracidade e a credibilidade dessa mensagem.

A revolta popular contra o establishment político-midiático

Resultado dessa situação, a legitimidade e popularidade das instituições políticas caíram até o chão. A enorme abstenção no processo eleitoral – verificado principalmente entre as classes populares – é um indicador dessa perda de fé nas mesmas. O slogan “não nos representam” ressoou tanto no 15M espanhol quando nos Estados Unidos, através do movimento Occupy Wall Street. Por isso o chamado de Sanders a uma revolução política que rompa com o conchavo entre a classe corporativa e as instituições que se definem como democratas são um elemento central do seu discurso. Sua tese é a de que sem essa revolução política será impossível fazer as mudanças políticas que ele está propondo, que são medidas típicas da social democracia – antes desta se transformar em social liberalismo, como ocorreu na maioria de países europeus, e em alguns da América Latina.

As propostas do candidato socialista

Entre as propostas de Sanders, estão a de romper com os grandes bancos, dividindo-os em entidades menores, além de fazer com que eles devolvam o dinheiro dado como resgate para salvá-los do colapso durante a crise de 2008, o que foi feito com fundos públicos. Essas medidas são altamente populares. O senador também tem em seu programa, como propostas principais, a de fazer um investimento massivo em obras públicas, facilitando a transição das fontes de energia, passando de uma matriz baseada em combustíveis fósseis a uma voltada a fontes renováveis – propondo criar 13 milhões de postos de trabalho através dessa política –, e a de estabelecer uma reforma da saúde mais profunda que a de Obama, para garantir a universalidade do acesso ao sistema – hoje, nos Estados Unidos, há mais mortes por falta de acesso à saúde que pela AIDS, por exemplo. O grau de cobertura de saúde no país é muito insuficiente: 45% das pessoas que estão sofrendo de doenças terminais expressam preocupação sobre como eles mesmos e seus familiares pagarão as dívidas médicas.

Outra proposta com grande respaldo anunciada pelo candidato Sanders é a de realizar as reformas que permitiriam o acesso a todos os níveis do sistema educativo, desde as escolas infantis até as universidades. O acesso aos centros de educação infantil e escolas de ensino fundamental e médio tem diminuído entre as classes populares de forma bastante evidente, especialmente devido ao encarecimento das mensalidades. Talvez seja essa a medida que mais contribuiu para que cerca de 80% das pessoas entre 18 e 30 anos apoiassem Sanders nas primárias de Iowa. A nível nacional, segundo a maioria das pesquisas, uma porcentagem semelhante de jovens pais apoia Sanders. Por outra parte, segundo as últimas medições citadas pelo Financial Times (no dia 06 de fevereiro), Clinton e Sanders estão hoje tecnicamente igualados em apoio entre os membros do Partido Democrata – Clinton teria 44% e Sanders 42%.

Um socialista poderia ser presidente dos Estados Unidos?

Existe uma percepção comum entre os maiores meios de informação, de que um candidato socialista não seria capaz de vencer as eleições dos Estados Unidos. Na verdade, alguns dirigentes do Partido Democrata, incluindo Hillary Clinton, consideram que a vitória do candidato socialista nas primárias do conglomerado seria o melhor presente que poderiam dar ao Partido Republicano, ao tornar mais fácil seu caminho para a vitória nas eleições de novembro, devido à enorme vulnerabilidade que representa o fato de que Sanders seja socialista.

Tal opinião, a primeira vista, pareceria razoável tendo em conta os estereótipos que os meios de informações reproduzem sobre os Estados Unidos. Porém, tal linha de argumentação ignora que, segundo as principais pesquisas – a última delas realizada pela Real Clear Politics Average –, o candidato Sanders ganharia numa disputa contra Donald Trump ou Ted Cruz, os dois candidatos republicanos com maior apoio eleitoral, e com uma margem de vitória sobre eles maior que a sustentada por Hillary Clinton, que conta com o claro apoio da cúpula do Partido Democrata.

O Congresso dos Estados Unidos permitiria que se aplicassem as propostas de Sanders?


Nem precisamos pensar sobre o quão certo seria essa hipótese, com um Congresso como o de hoje, controlado pela ultradireita – que domina o Partido Republicano hoje. Porém, se o candidato Sanders ganhar, seria um indicador de que ele conseguiu criar um movimento ao longo do país que se traduziria numa mudança na configuração do mesmo Congresso no dia das eleições presidenciais, que coincidem com as eleições ao Congresso. O candidato Sanders, durante sua campanha, tem repetido a importância de criar um movimento progressista de profundas convicções democratas, claramente comprometido com uma mudança política revolucionária, anulando, por exemplo, a enorme influência que a classe corporativa tem sobre o processo eleitoral e sobre as instituições representativas.

Sanders conseguirá financiamento para suas propostas?

Este argumento se reitera constantemente em vários países, usado sempre pelas vozes conservadoras e neoliberais, como objeção contra as medidas que requerem expansão do gasto público social, propostas por forças progressistas. É interessante destacar que nunca se faz a pergunta de se o país tinha dinheiro para pagar o resgate aos bancos – se fosse feita, talvez seria respondida da mesma forma. Se o país teve dinheiro para salvar os bancos em problemas, também deveria ter para ajudar a população que enfrentava os efeitos da crise.

E o mais importante é que existem fundos suficientes nos Estados Unidos. O próprio Sanders comprova isso: reduzindo significativamente o gasto militar, proibindo os movimentos das empresas em paraísos fiscais e fazendo com que paguem impostos como todos os demais, e aumentado a carga fiscal das grandes fortunas, entre outras medidas. Com isso se poderia gerar recursos mais que suficientes para assumir tais gastos. A não existência desses fundos agora se deve a causas políticas (o já citado conchavo entre o poder econômico e o poder político), não a causas econômicas.

O grupo de economistas do candidato Sanders publicou um artigo sobre como seriam financiadas cada uma das reformas que ele propõe. Por exemplo, o programa de universalização dos serviços saúde substituiria o financiamento privado do atual sistema estadunidense – que se baseia no pagamento de apólices às companhias privadas de seguros, cujos valores são impossíveis para milhões de pessoas, o que determina que elas terão muitas dificuldades para receber atenção médica – por um financiamento público, e assim a cidadania não estará mais obrigada a buscar o serviço das companhias privadas, que oferecem uma cobertura insuficiente, tendo a possibilidade de contar com uma agência pública, que cobrará um valor muito menor e que garantiria uma cobertura completa, como acontece no Canadá – onde a popularidade do sistema de saúde é muito maior que a do sistema privado estadunidense. Na verdade, os impostos não seriam aumentados para a maioria da população, pois a expansão dos serviços públicos seria feita com base nas mudanças de prioridade do gasto público, transferindo fundos da área militar para a social, e no aumento dos níveis impositivos dos bilionários, que pagam pouquíssimos impostos atualmente, em valores desproporcionais com respeito a sua renda e patrimônio.

Sanders não seria velho demais?

Um argumento que parece vulgar mas que tem sido utilizado para desacreditar Sanders, como se sua idade avançada fosse sinônimo de menos habilidade política. Sanders tem lá seus 74 anos, goza de boa saúde e, como vem mostrando ao longo da campanha, é capaz de manter uma vida ativa, sem diminuir a intensidade que o cargo ao qual postula requer. Na verdade, a idade é um ponto a seu favor, pois mostra a coerência em sua vida política, sempre colocada a serviço das classes populares, o que permite a ele adquirir maior credibilidade, a que outros candidatos não alcançam, devido à pouca experiência ou às constantes mudanças de posturas e crenças.

Sanders, o político de maior idade no Senado dos Estados Unidos, e ao mesmo tempo o político mais popular entre os jovens do país, sempre apoiou ativamente todas as causas progressistas nos Estados Unidos, começando por seu apoio à campanha de Martin Luther King a favor da liberação dos negros. Ele foi prefeito da cidade de Burlington, membro do Congresso e do Senado, e sempre se distinguiu por defender o movimento sindical, os movimentos sociais, feministas e ambientais, liderando também a campanha de conscientização sobre o aquecimento global. É precisamente esta história a que faz ele ser especialmente atraente para os jovens, que têm ânsia e desejo de liberação, integridade e compromisso.

Sanders possui experiência em política externa?

Esta pergunta tem sido repetida com certa frequência pelos assessores de Hillary Clinton, que foi Secretária de Estado durante o primeiro mandato de Obama. Como bem respondeu Sanders, o que importa não é tanto a experiência, mas sim a sensibilidade e os critérios que tenha aquele que desenha e configura a política exterior nos Estados Unidos. E nesse sentido, o senador tem mostrado que possui maior sensibilidade e critérios que a candidata adversária em decisões cruciais. Por exemplo, Sanders se opôs à invasão do Iraque, enquanto Clinton a apoiou. Sanders se opôs ao bombardeio da Líbia e ao golpe contra Muammar al-Gaddafi. Hillary Clinton o apoiou. Sanders se opõe a continuar a política de confrontação com a Rússia e o Irã. Hillary Clinton a favorece. Sanders se opõe aos tratados TPP e TTIP. Hillary Clinton os apoiava – embora tenha se distanciado deles ultimamente.

Sanders não parece ser excessivamente utópico e pouco realista?


Novamente vemos uma postura idêntica à utilizada contra o Podemos na Espanha e contra o novo trabalhismo de Corbyn no Reino Unidos, assim como outras forças políticas questionadoras que se opõem ao status quo atual. Nem é preciso lembrar que o establishment costuma colocar esse rótulo de “utópico” e “pouco realista” em todas as forças políticas que questionam o seu poder. Mas as medidas que Sanders propõe são amplamente reconhecidas por especialistas como reformas necessárias. Por exemplo, una medida de grande importância lançada pelo senador é a desmembramento dos grandes bancos (que foram resgatados com dinheiro público) evitando que o tamanho dessas empresas financeiras seja um elemento negativo e empurre a um panorama onde o sistema econômico dependa de um número excessivamente limitado de entidades bancárias. Hillary Clinton não apoia essa medida. O fato de que seja ou não realista depende primordialmente da vontade política, além do conhecimento técnico e científico, mas não é difícil de se realizar, além de ser aconselhável de se fazer.

Uma situação semelhante ocorre com relação ao aumento da idade para a aposentadoria (que é de 67 anos nos Estados Unidos), proposta a qual Sanders se opõe e que Hillary não descarta apoiar, embora se mantenha sem uma definição a respeito. Talvez a indefinição dela soe como uma alternativa melhor que qualquer um dos candidatos republicanos, decididos a apoiar o aumento, mas para uma pessoa progressista, Bernie Sanders se coloca melhor com respeito a essa questão.

O establishment político-midiático permitiria que Sanders fosse presidente?

Esta observação, procedente de grupos mais céticos da esquerda, tem muito peso. Que o establishment mostra uma enorme hostilidade para com a candidatura de Sanders é uma realidade. Os maiores canais de televisão do país (ABC, CBS e NBC) dão muito mais cobertura aos outros candidatos que a Sanders. Segundo a análise do tempo de cobertura dos candidatos, o tempo que esses canais ofereceram ao candidato republicano Donald Trump em 2015 foi cerca de 16 maior que o dado a Sanders, que goza de maior apoio popular que Trump.

Fazer esse questionamento leva ao centro do problema: a cooptação das instituições democráticas por parte dos interesses econômicos e financeiros, corrompendo a democracia. Por isso o chamado de Sanders a transformar as instituições políticas (e midiáticas), aquilo que o senador define como Revolução Política, é tão potente quanto o chamado por uma nova ordem econômica, justa e solidário – e no fundo ambos os chamados são a mesma coisa, segundo ele mesmo. Este é o grande desafio que os Estados Unidos e todo o mundo têm pela frente hoje. Não há dúvidas de que estamos diante de um momento histórico, que estamos vivendo o fim de uma época, a alvorada de uma nova, e que ainda conhecemos pouco da configuração do mundo que virá. A enorme insatisfação das classes populares pode ser canalizada pelas forças políticas mais reacionárias (como Trump, nos Estados Unidos) ou pelas mais democráticas (como Sanders). Um futuro a favor das alternativas democráticas e progressistas dependerá das mobilizações populares pressionando para que isso ocorra. Simples assim.
(Vicenç Navarro- Público.es/ via Carta Maior)

FALA, LULA!

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36 anos de conquistas sociais

Aniversário de 36 anos do PT movimenta as redes sociais
O Partido dos Trabalhadores completou, nesta quarta-feira (10), 36 anos de muita luta em favor da democracia e do povo brasileiro. Diversos dirigentes petistas, parlamentares e apoiadores do partido utilizaram as redes sociais para parabenizar a legenda.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, relembrou o Manifesto de Fundação do PT, aprovado na reunião de fundação da legenda, no auditório do Colégio Sion, em São Paulo. “O Partido dos Trabalhadores surge da necessidade sentida por milhões de brasileiros de intervir na vida social e política do país para transformá-la. O PT nasce da decisão dos explorados de lutar contra um sistema econômico e político que não pode resolver os seus problemas, pois só existe para beneficiar uma minoria de privilegiados”, diz o manifesto.

Rui Falcão ainda exaltou as conquistas dos brasileiros nos últimos anos, com o PT na Presidência da República. “Nosso partido mudou a vida de milhões de brasileiros. Os governos Lula e Dilma Rousseff tiraram 36 milhões de brasileiros da pobreza, muitos foram incluídos na chamada classe média, ampliaram as políticas sociais, ampliaram o acesso ao ensino superior e uma série de outras medidas que, sem dúvida, melhoraram a vida do povo brasileiro. Parabéns a todos e a todas que fazem do PT o maior partido do Brasil”, afirmou o presidente do PT.
(Agência PT)

Melhora no desempenho de jovens em matemática é fruto das melhorias na formação dos professores e o aumento no investimento em educação

Brasil registra melhora no desempenho de jovens em matemática
04-03-13 - Conta em quadro negro no Colégio Estadual Professor Lysímaco Ferreira da Costa, Foto: Hedeson Alves

Pesquisa da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgada nesta quarta-feira (10), mostra que o Brasil é um dos países que mais reduziu o número de estudantes com baixo rendimento em matemática. Conforme o estudo, o País registrou uma das maiores taxas de crescimento no total de pontos na disciplina, entre 2003 a 2012, passando de 356 a 391 pontos.

Os dados revelam que caiu 18% o número de alunos brasileiros, na faixa de 15 anos, que estavam abaixo do nível de conhecimentos básicos na disciplina no período. O levantamento traz uma nova análise do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), divulgado em 2013.

A pesquisa releva, no entanto, que, apesar da melhora, os brasileiros ainda estão no 58° lugar em matemática entre os 65 países e territórios analisados. A justificativa para o desempenho estaria, segundo a organização, no grande número de alunos, principalmente desfavorecidos e de zonas rurais, que ingressaram no sistema educacional.

No mesmo sentido, a taxa de escolarização no Brasil passou de 65% em 2003 para 78% em 2012. A entidade aponta também a efetividade de programas sociais como o Bolsa Família para garantir o maior acesso à educação, especialmente, de alunos mais pobres, que geralmente apresentam atrasos de aprendizado em relação aos demais.

Entre os motivos para a melhora dos índices no Brasil, a OCDE aponta melhorias na formação dos professores e incentivos como aumentos salariais e planos de carreira. Além disso, foi citado também o aumento no investimento em educação, que hoje representa 6,1% do PIB brasileiro.
(Agência PT de Notícias)

A sordidez global


Desrespeitosamente reacionária, como sempre, a Rede Globo privou seus telespectadores de assistirem ao desfile da Vila Izabel, segunda última, cujo enredo homenageava o grande líder socialista Miguel Arraes.

A mesma Globo que rebaixou a escola de samba 'Tradição', quando esta homenageava o apresentador e proprietário do SBT Sílvio Santos, em um enredo que desfiava todas as atrações do programa dominical de SS, este um apresentador que não precisa da Vênus Platinada pra ser um dos ícones da tevê brasileira, a desafiar o monopólio da porta-voz da ditadura.

A vítima agora foi uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, tudo porque prestava homenagem a um grande brasileiro na luta pela reconquista das liberdades democráticas, o oposto do triste papel que representava a emissora. Dessa vez nem procuraram justificar, como no caso do comício das diretas que a Globo dizia ser festejo em comemoração ao aniversário da cidade de São Paulo. Cortaram o desfile da Vila, inclusive o carro alegórico que trazia um boneco de Arraes, e pronto.

Como sempre contra o interesse do povo, decidiram estupidamente aquilo que deveria passar a fim de não ferir suscetibilidades fascistoides dos mandões globais, como se fosse a vontade do povo brasileiro.

No entanto, conforme registro de Paulo Henrique Amorim, em seu blog 'Conversa Afiada', a partir do blog do Renato, a truculenta decisão foi dignados tempos do famigerado Armando Falcão, Apesar da Globo, Vila Isabel terminou o desfile sob aplausos e gritos de “é campeã”. O samba-enredo em homenagem ao centenário de Miguel Arraes levantou os ocupantes da avenida, que acompanhavam o desempenho da escola. Faltando dois setores para o fim da pista de desfile, o intérprete do samba-enredo da Vila Isabel parou de cantar e pediu para o público entoar o samba, e a reposta veio de imediato, com um canto forte.

O compositor Martinho da Vila, que além de ter proposto o enredo é um dos autores do samba, acompanhou emocionado a chegada das alas e das alegorias na dispersão da escola. “É uma emoção muito grande. Dá uma sensação de missão cumprida. Foi uma beleza”, disse.

Bira do Banjo, que há 20 anos pertence à ala de compositores da Vila Isabel, não aguentou e caiu em prantos no fim do desfile “Eu sou nascido na Vila Isabel. A gente passa por uma série de problemas e a Vila está aí, e quem é sabe! Então, ver a escola passar assim é empolgante. Como compositor eu tenho uma história, e quando você vê os amigos, todo mundo unido, desculpe, a gente chora”, contou.


Poucas escolas depois, passou a Mocidade Independente de Padre Miguel, abordando o tema da corrupção. Mesmo dirigida por um meliante acusado de mandar matar o próprio primo na guerra pelo controle da contravenção no subúrbio carioca, além de responder a vários processos por formação de quadrilha,roubo e outros delitos, nada dessa contradição foi registrada pelos globais, que preferiram rasgar elogios à escola que já teve outro bandido como patrono: Castor de Andrade, por sinal, tio do bandido que se insurgiu contra a corrupção no enredo carnavalesco. Mas, para a Globo, tutti buona gente.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Os mais de 10 mil presos políticos do estado nazi/sionista

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Não vão calar a nossa voz!

Em detenção administrativa por Israel desde novembro de 2015, o jornalista palestino Mohammed Al-Qeeq está em greve de fome há mais de 70 dias e corre risco de morte. Aos 33 anos de idade, é a terceira prisão que enfrenta.

A detenção administrativa - sem qualquer acusação formal e renovada por Israel de seis em seis meses, arbitrariamente - é usada com frequência para silenciar jornalistas. Atualmente, há 17 nessa situação, entre os 660 presos políticos palestinos também em detenção administrativa.

"Israel está enviando uma mensagem a todos os jornalistas palestinos", afirmou à agência Mintpress o pesquisador do Centro de Estudos Políticos e Desenvolvimento em Gaza, Yousef Aljamal. "Se você falar, nós sabemos como silenciá-lo. A detenção administrativa está aí."

Desde que teve início a recente Intifada (levante palestino contra a ocupação), em outubro último, cresce a perseguição já comum por parte de Israel. No total, são quase 10 mil presos políticos, incluindo crianças e mulheres.

Neste momento de Intifada, tais métodos empregados por Israel contra a liberdade de expressão e manifestação - de modo a silenciar a denúncia de colonização, apartheid e violações a direitos humanos fundamentais dos palestinos - têm sido aplicados com intensidade. Recentemente, foram destruídos e fechados canais de rádio e televisão na Palestina ocupada. Em 2015, houve 574 ataques a esses locais e 194 jornalistas feridos. Dois cinegrafistas foram mortos e Israel ameaçou fechar 21 agências de notícias palestinas. A criminalização por postagens em redes sociais também tem sido praxe. "O melhor tratamento a esses profissionais por Israel são bombas de gás lacrimogêneo. O pior é atirar para matar", disse Aljamal.Além de prender também grande número de jornalistas palestinos, Israel ataca cotidianamente esses profissionais - nos massacres em Gaza em 2014, foram assassinados 15. Estações de radiodifusão foram bombardeadas. Jornalistas estrangeiros que denunciaram o genocídio foram substituídos pelos meios de comunicação em que trabalhavam ou demitidos, a pedido de Israel.

A greve de fome prolongada de Al-Qeeq é importante denúncia dessa situação. Em protesto contra a detenção arbitrária e as torturas infringidas a ele em interrogatórios (comuns a todos os presos políticos palestinos), Al-Qeeq tem se recusado até mesmo a consumir suplementos básicos para se manter vivo, ingerindo apenas pouca quantidade de água. Diante do protesto prolongado, Israel impôs a ele, no hospital, alimentação forçada, o que viola as convenções de Genebra sobre direitos dos presos políticos. Mesmo tendo perdido mais de 20 quilos, Al-Qeeq tentou resistir e foi amarrado à maca enquanto um membro da equipe médica de Israel realizava infusão forçada de sal e vitaminas. Ficou amarrado por quatro dias, tempo em que tentaram pressioná-lo pelo fim da greve de fome, sem sucesso.

Israel mantém-se irredutível em conceder sua liberdade. A Suprema Corte adiou a próxima audiência para 25 de fevereiro. Enquanto isso, aumenta o número de presos políticos palestinos em greve de fome em solidariedade a Al-Qeeq.

Em luta contra a ocupação palestina e pela democratização das comunicações, as organizações do Brasil e do mundo somam-se às vozes que exigem liberdade imediata a Mohammed Al-Qeeq e repudiam os ataques à liberdade de expressão e manifestação por parte de Israel.

Fim das detenções administrativas por Israel!

Liberdade a todos os presos políticos palestinos!
(Pravda.ru/ Carta Maior)

Rumo ao abismo merecido


Os negócios da TV Globo vão de mal a pior. Em 2015 o faturamento caiu 7%.

É isso mesmo: a TV Globo faturou 7% a menos em 2015 do que faturou em 2014.

Note que o desempenho é muito pior do que o do PIB brasileiro. Não é só a economia brasileira como um todo que afetou a Globo. É o mau desempenho financeiro da própria Globo que entra na conta para derrubar o PIB do Brasil.

O estudo que chegou a este número foi feito pela própria emissora e divulgado pelocolunista Daniel Castro.

A TV aberta como um todo, incluindo todas as outras emissoras, foi pior ainda: queda de 8,5% no faturamento. O mercado publicitário como um todo (incluindo internet, revistas e jornais) retraiu 11%. Não foram divulgados os números em separado, mas é certo que o péssimo desempenho dos jornais, revistas e tv não pode ser confundido com o desempenho muito melhor do meio internet.

Em um cenário que pode ser considerado otimista, a emissora prevê "crescimento" zero em 2016. Isso contando com o incremento extra das cotas de patrocínio das Olimpíadas.

Na minha opinião a emissora está sendo otimista demais, mesmo considerando que a economia brasileira começa a dar sinais de recuperação. O faturamento da tv continuará caindo ladeira abaixo. Por vários motivos:

1) A banda larga vai se expandir com crise ou sem crise. As teles estão perdendo receita na telefonia de forma acelerada e precisam desesperadamente vender mais e mais banda larga, que é o que os clientes querem comprar. A operadora de telefonia que não fizer isso, quebrará. E quanto mais banda larga, menos audiência terá a Globo.

2) Como se não bastasse a Netflix tirar audiência da tv, a empresa indiana Dish Flix está vindo para o Brasil dizendo que terá preços abaixo da Netflix. Na Índia oferece pacotes de filmes descarregados por mini-parabólicas de satélite (sem precisar de banda larga) pelo equivalente a R$ 6,00 por mês. Vai mexer com o mercado de tv paga e tv aberta.

3) A TV paga passou a perder assinantes no fim do ano passado. Em parte tem a ver com a crise, pois quem fica desempregado corta a TV paga, mas em parte também os pacotes oferecidos são caros. Enquanto a Netflix custa R$ 20 por mês, pacotes com alguma variedade de filmes e séries na tv por assinatura custam pelo menos quatro vezes mais. Para voltar a crescer e recuperar clientes as operadoras de tv paga terão de oferecer pacotes a preços mais populares, e pararem de querer empurrar telefone fixo (que ninguém quer mais) em pacotes combos. Com o barateamento da tv por assinatura a Globo perde audiência.

4) Os anúncios nos intervalos comerciais de tv dão cada vez menos retorno em vendas para os anunciantes. Como se não bastasse muita gente usar o controle remoto e mudar de canal no intervalo, mesmo quando um programa de tv faz sucesso, no intervalo as pessoas ficam comentando no facebook, no twitter, etc. Quem anuncia nestas redes sociais acaba tendo mais retorno em vendas do que anunciar na tv.

5) O demo-tucanismo, o golpismo, o ódio à política boa para pobres e trabalhadores, e a parcialidade da TV Globo espanta cada vez mais boa parte dos telespectadores conscientes.

6) A mentalidade de colonizada da TV Globo espanta telespectadores nacionalistas e quem deseja estar bem informado. Até hoje a ficha da Globo ainda não caiu que, desde de 2014, a maior economia do mundo por Poder de Paridade de Compra já é a China e não os Estados Unidos. E isso com dados oficiais do FMI e do Banco Mundial. A gente quase não vê falar da China no péssimo jornalismo da Globo.

7) A pauta do "quanto pior, melhor" e a apologia da crise que se vê na tela Globo, inclusive em programas como o do Faustão, espanta tudo quanto é brasileiro que deseja melhorar de vida e deseja um país melhor.

8) A programação da Globo não atende mais a diversidade nacional. No futebol a Globo dá preferência só ao Flamengo e Corinthians, desagradando todas as outras torcidas. E mesmo flamenguistas e corintianos reclamam do futebol começar tarde da noite, depois da novela. O modelo de rede com programação centralizada no eixo Rio-São Paulo também não atende o telespectador do Nordeste, do Norte, Centro-Oeste e Sul. Além disso a programação da Globo há anos está repetitiva, cansativa, maçante e sem novidades interessantes.

Tenho a ligeira desconfiança de que 2016 pode ser o pior ano da história da Globo. Isso enquanto 2017 não vem.
(Os Amigos do Presidente Lula)

OS VERDADEIROS BANDIDOS


"A família Marinho me convocou pra fazer uma reportagem sobre uma ameaça. O autor era do MST. Depois que pusemos no ar descobri que o grampo telefônico utilizado na reportagem era ilegal. A fonte foi um Sec de Segurança do Paraná posteriormente preso por envolvimento com quadrilha de roubo de automóveis. Tbém fui convocado pelo Fantástico pra denunciar o prefeito de Duque de Caxias, um matador que ficou impune depois de entrar no PSDB. A denúncia tinha sustentação jornalística, mas nunca foi pro ar. Foram semanas pra descobrir o motivo: o prefeito deu isenção fiscal pro Roberto Marinho fazer o parque gráfico no município. Estes são os mafiosos que denunciam corrupção do Lula".
(Luiz Carlos Azenha/ Viomundo)

FLAGELO TUPINIQUIM


Como funcionam as eleições nos Estados Unidos?

Convenção do partido democrata realizada em 25 de julho de 1912 em Baltimore, Maryland

O processo eleitoral norte-americano é secular e cheio de detalhes. As eleições indiretas diferem em muito do modelo brasileiro

A corrida eleitoral nos Estados Unidos estampa manchetes nos mais variados veículos de comunicação brasileiros. Recortes de declarações polêmicas e trechos de debates calorosos são transmitidos pelas mídias daqui a cada passo do processo de lá. No pleito deste ano (que deve chegar ao desfecho entre novembro e outubro), os protagonistas são os candidatos Donald Trump e Ted Cruz, para o lado dos republicano, com Hillary Clinton e Bernie Sanders na disputa entre os democratas.

Para os brasileiros, habituados a eleições diretas com candidatos pré-selecionados pelos partidos políticos, a lógica norte-americana pode parecer destoar do comum. O primeiro detalhe que chama a atenção é a bipolaridade. Apenas dois partidos disputam a vaga para a presidência da maior economia do mundo. Outro ponto a chamar a atenção é a possibilidade de votações prévias dentro do partido – estágio atual do processo que vai escolher o sucessor de Obama: uma verdadeira batalha dentro dos partidos para definir qual candidato concorre na disputa final.O professor de ciência política da Unesp, dr. Tullo Vigevani, explica à RBA estas e outras características do sistema eleitoral norte-americano. "As eleições nos Estados Unidos são muito peculiares e com muitos detalhes, contudo, é um sistema secular, tradicional, que ninguém reclama", afirma.

Primárias

O processo das eleições prévias (ou primárias) começou este ano pelo estado de Iowa, no dia (1º). Pelo lado democrata, Hillary Clinton ganhou por curta margem de Bernie Sanders, o candidato "socialista". Do lado conservador republicano, o magnata Donald Trump, que vinha liderando as pesquisas, foi derrotado por Ted Cruz. Porém, o que isso significa? Qual o impacto destes resultados?"As primárias são regidas por critérios locais de cada estado. As formas como se faz a escolha de um candidato ou de outro são muito diferentes", explica Vigevani. Existem algumas formas possíveis para os estados da Federação escolherem seus candidatos: eleições convencionais, caucuses e convenções. "O estado determina a forma com que é realizada a escolha de acordo com a tradição. O sistema norte-americano é muito federalista, é muito respeitada a diferença entre os estados", diz o professor.

Em Iowa, primeiro estado a realizar as primárias, o sistema utilizado é o chamado caucus. A palavra não possui uma tradução lógica em português, porém é possível exemplificar o processo. "Esse sistema não tem cédula eleitoral. São reuniões entre os eleitores, realizadas em diferentes locais de cada cidade do estado, em que os eleitores discutem e, ao final, quem apoia um candidato se posiciona em um canto da sala, ou auditório, ou igreja. Quem apoia outro candidato, em outra parte do local, e assim por diante", elucida o Vigevani.

Outra forma possível de realizar esta votação é através do sistema tradicional, onde os eleitores comparecem em suas zonas eleitorais e preenchem cédulas de votação. Ainda existem convenções, que são formais e podem contar com a presença dos candidatos. Neste ano, 35 estados utilizarão os eleições regulares. Dez farãocaucuses e oito, convenções.

Após estes processos, os votos são contabilizados em todas as cidades de cada estado. "Não há obrigatoriedade de o eleitor comparecer para as votações. Só vai quem está mobilizado", recorda o professor, atentando para o fato de que nesta etapa votaram apenas os cidadãos que possuem registro nos partidos e fizeram questão do sufrágio.

Um resultado disso, por exemplo, foi o número de eleitores que participaram do caucus de Iowa. Cerca de 356 mil votos foram contabilizados no estado, sendo que o número total de inscritos no colégio eleitoral supera os dois milhões.

Convenções de julho

Após as eleições primárias, surge a figura do delegado. Eles são fundamentais no processo final para a decisão do futuro presidente. "Os delegados são escolhidos proporcionalmente ao número de votos que teve um candidato em um determinado estado. Eles são escolhidos de acordo com a votação que obteve cada pré-candidato", diz o professor.

Serão eleitos 538 delegados com razão proporcional aos eleitores registrados; número que também indica a quantidade de senadores e deputados que cada estado possui no Congresso. Quem nomeia os delegados são os próprios partidos nas chamadas convenções de julho. Nestes eventos, além de tal seleção, é declarado oficialmente o candidato de cada partido que vai disputar a presidência. "As prévias são expressas nas convenções dos partidos. São grandes festas para anunciar os vencedores".A partir daqui começa a reta final do pleito, com a disputa voto a voto entre os candidatos determinados por cada partido.

Colégio eleitoral e eleições indiretas

Para chegar até o colégio eleitoral e definir a figura do delegado, funciona da seguinte forma: os cidadãos votam nas prévias para escolher entre candidatos do mesmo partido. Nas convenções de julho, cada partido anuncia o vencedor, além dos delegados que representarão o partido nas eleições em novembro, no colégio eleitoral. Os delegados são eleitores diferenciados, que a partir da reunião do colégio eleitoral nomeiam formalmente o presidente. Uma vez reunidos no colégio eleitoral para as eleições definitivas em novembro, os delegados podem votar em qualquer candidato, porém o mais comum é que siga o partido que o indicou para tal posto.

Uma peculiaridade do sistema eleitoral norte-americano é caracterizada pela "cor" de cada estado. Democratas são azuis e republicanos vermelhos. O singular nesta etapa é que um estado majoritariamente vermelho (republicano), por exemplo, não manda os delegados democratas (azuis) para a reunião do colégio. "No colégio eleitoral existe a proporção de acordo com os habitantes de cada estado, mas lá estão apenas representantes do partido que venceu as eleições em cada estado", explica o professor.

Este tipo de eleições indiretas pode caracterizar um fato extraordinário e estranho aos habituados às eleições diretas, como os brasileiros. "A figura do colégio faz com que as vezes não haja uma coincidência entre os votos populares e o resultado final. Pode acontecer de quem o colégio eligir, não ter maioria absoluta dos votos populares", diz o professor.

Em 2000, por exemplo, na disputa entre o republicano George W. Bush e o democrata Al Gore, o representante vermelho foi eleito pelo colégio eleitoral, mesmo sem a maioria dos votos da população. Gore recebeu maior quantidade de votos diretos, porém os delegados no colégio eleitoral nomearam Bush. Isso é possível em eleições muito acirradas, onde os representantes delegados possuem maior expressão na formalidade da nomeação do presidente.

Cerca de 40 estados norte-americanos já possuem tradição de um partido específico. Califórnia, por exemplo, é um estado democrata, assim como Nova York e os estados do norte do país. Já o sul, com estados como Texas e Flórida possuem hegemonia republicana. Estes estados mandam delegados representando apenas os partidos majoritários, conforme foi visto. Ora, então como as eleições são disputadas se já existe uma ideia bem formada sobre o posicionamento de cada estado? A resposta está nos chamados "swing states".

"Os swing states são estados os estados intermediários, onde verdadeiramente se disputam as eleições, onde há um certo equilíbrio, onde não se sabe se ganhará o republicano ou o democrata", explica Vigevani. Estes estados são, geralmente, o foco da disputa final entre democratas e republicanos. São eles que pendem para uma cor ou outra.

Todo esse sistema possui tradição secular e diversos detalhes. Não existe uma organização nacional para as eleições, os estados decidem e, muitas vezes, o processo fica por conta dos próprios partidos. Tal modelo permite uma predominância estável da hegemonia bipolar republicanos/democratas. O surgimento de outro partido com tal força é praticamente impossível. "Existem inúmeros partidos, mas o sistema eleitoral potencializa, fortalece a bipolaridade. Romper a polarização é muito difícil, justamente pelas circunscrições eleitorais, elas canalizam a polarização entre duas grandes forças", conclui Vigevani.
(Rede Brasil Atual)

Água, ar e leite materno contaminado: pesquisa no MT expõe impacto dos agrotóxicos


As pesquisas sobre o impacto do uso dos agrotóxicos no Brasil ainda são insuficientes para retratar a dimensão de problemas de saúde e ambientais que já são graves e podem piorar ainda mais nos próximos anos. Em março de 2015, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), publicou um artigo que sistematizou pesquisas sobre o potencial cancerígeno de cinco ingredientes ativos de agrotóxicos realizadas por uma equipe de pesquisadores de 11 países, incluindo o Brasil. Baseada nestas pesquisas, a agência classificou o herbicida glifosato e os inseticidas malationa e diazinona como prováveis agentes carcinogênicos para humanos e os inseticidas tetraclorvinfos e parationa como possíveis agentes carcinogênicos para humanos. Destes, a malationa, a diazinona e o glifosato são amplamente usados no Brasil. Herbicida de amplo espectro, o glifosato é o produto mais usado nas lavouras do Brasil, especialmente em áreas plantadas com soja transgênica.

A partir do levantamento publicado pela Iarc, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) divulgou uma nota oficial este ano chamando a atenção para os riscos que a exposição ao glifosato e a outras substâncias representam para a saúde dos brasileiros. Dentre os efeitos associados à exposição crônica a ingredientes ativos de agrotóxicos, o Inca cita, além do câncer, infertilidade, impotência, abortos, malformações fetais, neurotoxicidade, desregulação hormonal e efeitos sobre o sistema imunológico. O Inca e a Organização Mundial da Saúde estimam que, nos próximos cinco anos, o câncer deve ser a principal causa de mortes no Brasil.


Um monitoramento durante 7 anos em Lucas do Rio Verde

Defensores do uso dos agrotóxicos costumam citar a falta de comprovação científica desses danos. Se é verdade que as pesquisas no Brasil sobre esse tema ainda estão engatinhando, também é verdade que já há estudos localizados que fornecem fortes indícios sobre os riscos e doenças causadas pela contaminação com esses produtos. Uma das mais importantes e rica em dados foi realizada por pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que, entre 2007 a 2014, fizeram um trabalho de monitoramento no município de Lucas do Rio Verde (MT) para avaliar o impacto dos agrotóxicos sobre a saúde humana e o meio ambiente.

Em conjunto com professores e alunos de quatro escolas, localizadas nas áreas urbana e rural, eles avaliaram componentes ambientais, humanos, animais e epidemiológicos relacionados aos riscos dos agrotóxicos. Município com mais de 37 mil habitantes, Lucas do Rio Verde produziu, em 2012, cerca de 420 mil hectares entre soja, milho e algodão e consumiu 5,1 milhões de litros de agrotóxicos, entre herbicidas, inseticidas e fungicidas, nessas lavouras.

Os dados coletados e analisados pelos pesquisadores apontaram uma série de irregularidades e fortes indícios de contaminação humana e ambiental causada pelo uso desenfreado de agrotóxicos. Somente durante o ano de 2010, foi constatada a exposição ambiental/ocupacional/alimentar de 136 litros de agrotóxicos por habitante. Os pesquisadores também registraram pulverizações de agrotóxicos por avião e trator realizadas a menos de 10 metros de fontes de água potável, córregos, de criação de animais e de residências, desrespeitando legislação estadual sobre pulverização aérea e terrestre. Foi verificada ainda a contaminação de resíduos de vários tipos de agrotóxicos em 83% dos 12 poços de água potável (nas escolas e na cidade), contaminação de 56% das amostras de chuva recolhidas no pátio das escolas e de 25% das amostras de ar, também nos pátios das escolas. Essas amostras foram monitoradas durante dois anos.

Contaminação de 100% das amostras de leite materno

O monitoramento realizado pelos pesquisadores da UFMT e da Fiocruz também apontou a presença de resíduos de vários tipos de agrotóxicos em 88% das amostras de sangue e urina dos professores daquelas escolas. Os níveis de resíduos nos professores que moravam e atuavam na zona rural foi o dobro do verificado nos professores que moravam e atuavam na zona urbana de Lucas do Rio Verde. Além disso, foi constatada a contaminação com resíduos de agrotóxicos (DDE, Endosulfan, Deltametrina e DDT) de 100% das amostras de leite materno de 62 mães que pariram e amamentaram em Lucas do Rio Verde no ano de 2010. Os pesquisadores também encontraram resíduos de vários tipos de agrotóxicos em sedimentos de duas lagoas examinadas.Segundo o médico Wanderley Pignati, um dos pesquisadores que coordenou o estudo, a realidade que se vê em praticamente todos os 131 municípios de Mato Grosso é a mesma: uma grande infraestrutura logística para garantir a “saúde do agronegócio” e uma estrutura absolutamente deficitária, quando não simplesmente ausente, para monitorar o impacto do uso intensivo de agroquímicos sobre a saúde da população e o meio ambiente. A pesquisa realizada em Lucas do Rio Verde constatou que não estava implantada nos serviços de saúde do município a vigilância em saúde dos trabalhadores e nem a das populações expostas aos agrotóxicos. “Na agricultura, a vigilância se resumia ao uso ‘correto’ de agrotóxicos e ao recolhimento de embalagens vazias sem questionar onde foram parar seus conteúdos”, afirma o resumo executivo do grupo que realizou o monitoramento.

As recomendações dos pesquisadores

Na avaliação de Pignati, o estudo deixou claro que a população do interior de Mato Grosso convive com a poluição por agrotóxicos que provoca doenças e danos ambientais como ocorre na poluição da bacia do Amazonas e do Araguaia, semelhante àquela constatada no Pantanal. Os pesquisadores denunciaram ainda que lideranças sociais, sindicalistas e pesquisadores foram e são “pressionados” por gestores públicos e pelo agronegócio para recuarem com as denúncias e ações no Ministério Público. Além disso, sugeriram um conjunto de medidas urgentes em defesa da saúde da população e do meio ambiente: proibição das pulverizações por avião; proibição do uso no Brasil dos agrotóxicos proibidos na União Europeia; fim dos subsídios a esses venenos; implantação nos municípios dos serviços de vigilância à saúde dos trabalhadores, do ambiente, dos alimentos e dos expostos aos agrotóxicos; implementar a transição para o modelo Agroecológico de agricultura e do Desenvolvimento Sustentável de Vida.

As pesquisas desenvolvidas na UFMT serviram de base também para o movimento popular que denunciou a “chuva” de agrotóxicos que ocorreu sobre a zona urbana de Lucas do Rio Verde. Em 2006 quando os fazendeiros dessecavam soja transgênica para a colheita, utilizando paraquat em pulverizações aéreas, uma nuvem tóxica foi levada pelo vento para a cidade e acabou dessecando milhares de plantas ornamentais, canteiros de plantas medicinais e de hortaliças. Além disso, essa nuvem de veneno provocou um surto de intoxicações agudas em crianças e idosos.

As pesquisas de Wanderley Pignati, em parceria com a Fiocruz, serviram como base do documentário “Nuvens de Veneno”, que retrata a realidade vivida pela população que vive no interior do Mato Grosso. O documentário exige algumas das conclusões desse estudo e mostra como a aplicação de agrotóxicos por via aérea ou terrestre atinge, não só as lavouras, mas também casas, escolas e fontes de água que são utilizadas depois para abastecer a população. Para Pignati, os números obtidos neste estudo mostram que o uso dos agrotóxicos na cadeia produtiva do agronegócio contamina a lavoura, o produto, o ambiente, os trabalhadores rurais e a população do entorno. O professor da UFMT segue pesquisando esse tema e está envolvido agora em dois grandes projetos: um que está analisando a presença de resíduos de agrotóxicos nas nascentes do rio Xingú, e outro que investiga a contaminação por agrotóxicos na Chapada de Parecis. A partir destas pesquisas, ficará mais difícil decisões judiciais alegarem ausência de pesquisas e de comprovação científica para embasar posições liberando o uso de agrotóxicos.
(Sul21/ GGN)

BC espera recuperar R$6,9 bilhões de grandes devedores até setembro


O Banco Central (BC) espera recuperar R$ 6,970 bilhões de grandes devedores da instituição até setembro deste ano. Na lista de devedores estão instituições financeiras, corretoras de câmbio, empresas que fazem importação e exportações, times de futebol e pessoas físicas. No total, o estoque total de dívida ativa com o BC era estimado, em dezembro de 2015, em R$ 44,707 bilhões.

“Em sua maioria, são multas aplicadas em razão de ilícitos cambiais, mediante regular processo administrativo sancionador, mas também de dívidas de maior valor provenientes de contratos celebrados no âmbito do Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional)”, informou o procurador-geral do BC, Isaac Ferreira.

O Proer foi criado em 1995 no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para salvar os bancos em crise. O programa vigorou até 2001, quando foi promulgada a Lei de Responsabilidade Fiscal, que proibiu aportes de recursos públicos para recuperar bancos quebrados.

A recuperação de recursos faz parte do Projeto Grandes Devedores, lançado em 2014, e vai até setembro deste ano. Pelo projeto, o BC promoveu sistematização e priorização de ações em um universo de 4.078 processos de cobrança de empresas e pessoas físicas em situação de inadimplência com a autarquia.

O foco foram os 322 maiores créditos devidos, dentro do total de créditos de R$ 42,7 bilhões. Desses maiores créditos devidos, o BC recuperou R$ 4,614 bilhões entre setembro de 2014 e dezembro de 2015.

O dinheiro arrecadado pelo BC compõe o resultado contábil semestral que é repassado ao Tesouro Nacional. Os recursos só ficam no BC quando não constituam receita, ou seja, quando são resultado de restituição de valores desembolsados anteriormente pela autoridade monetária.

Segundo o procurador-geral do BC, em 2015 foram feitas diligências destinadas à localização de devedores e bens, com aintensificação do acompanhamento dos créditos classificados como de recuperação possível ou provável.

“A Procuradoria-Geral do Banco Central analisou estratégias de busca online de bens e devedores, criou um sistema de faixas de créditos (ínfimo, pequeno, médio e grande), com providências e diligências obrigatórias e complementares”, disse Ferreira.

De acordo com Ferreira, para concentrar esforços na recuperação de créditos viáveis, “processos considerados como irrecuperáveis foram analisados detidamente, o que acarretou o cancelamento de 147 certidões de dívida ativa”. Assim, foram baixados do estoque de dívida ativa R$ 1,190 bilhão.

Ainda segundo o procurador-geral do BC, a cobrança extrajudicial mostrou-se eficiente na cobrança de valores ínfimos e pequenos, “contribuindo para a diminuição dos casos de cobrança encaminhados ao Poder Judiciário”.
(Agência Brasil/ Portal Vermelho)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

O dia em que o juiz Moro prestou depoimento a Zé Dirceu


Muitos já escreveram sobre o depoimento de Dirceu a Moro. Vai aqui uma outra leitura que demonstra que os papeis parecem ter se invertido naquela ocasião.

Zé Dirceu deu um depoimento de mais de 2 horas ao juiz Moro.

Confesso que havia de minha parte uma grande expectativa, uma vez que estavam enfim frente a frente o inimigo público número um da Nação e o justiceiro eleito pela grande mídia e pela classe média brasileira.

Logo no começo foi possível ver um Dirceu magro, envelhecido e com certa aparência de cansaço. Seria logo engolido por Moro.

Mas para minha surpresa, Dirceu foi respondendo pausadamente e com muito preparo a todas as questões que lhe eram formuladas.

Aos poucos fui percebendo que as perguntas a ele dirigidas eram frágeis, quase simplórias.

Já tinha lido alguns despachos de Sérgio Moro que me chamaram a atenção por uma certa dificuldade em escrever em bom Português.

Alguém poderá alegar preconceito meu, uma vez que nosso idioma passa constantemente por transformações. Porém, ao contrário do comum dos brasileiros, um juiz não pode escrever mal, sob pena de ser mal interpretado em seus despachos.

Mas voltando às perguntas.

Moro à certa altura pergunta a Dirceu se ele tinha alguma divergência com relação à delação premiada de Fernando Moura que o isentou do esquema da Lava Jato ao que Dirceu responde de imediato que não. Mas é claro que não. Se ele foi isentado, como iria invalidar a delação?

Moro faz até 5 vezes as mesmas perguntas, demonstrando que, ou não se preparou direito para o embate ou realmente não tinha o que perguntar a alguém que ele certamente já sabe que não está envolvido na Lava Jato. É que a vaidade o impede de simplesmente soltar o preso o que seria ruim para sua imagem.

Ele e o promotor do Ministério Público, de voz adolescente trêmula demonstraram não conhecer o Zé Dirceu de antes de 2005, ano que estourou o Mensalão. Não conhecem sua história.

Por não conhecer sua história não conseguem compreender que alguém dê consultorias à empresas sem que elabore planilhas, tabelas, gráficos e relatórios como faria qualquer técnico médio.

Não sabiam que o trabalho de Dirceu era, aproveitando-se de seu relacionamento com políticos importantes e governos de esquerda da América Latina e Cuba, abrir oportunidades para que empresas brasileiras pudessem disputar concorrências lá fora, com consequente entrada de divisas para o país e contratação de mão de obra brasileira.

À certa altura Moro lhe pergunta se não enriqueceu com isso, ao que Zé lhe responde que seu objetivo de vida nunca foi enriquecer. Incompreensível para lacaios do capital.

O promotor foi ainda mais primário. Indagou o por quê de Dirceu ter parado de dar consultorias. Ele responde: ora, porque eu estava preso! O promotor não sabia disso?

Além disso, ao final, indagou sobre a pensão às filhas de Dirceu, coisa totalmente alheia à Lava Jato.

Moro revelou também desconhecer que Dirceu não é ministro nem deputado desde 2005.

À certa altura um dos inquiridores o chama por excelência, ao que Dirceu responde que dispensa o termo uma vez que não é mais deputado.

Dirceu foi humilde do começo ao fim. Nem ao perceber a fragilidade dos que o ouviam, mudou de comportamento.

Mas Moro sentiu que lhe escapava a capacidade de desestabilizar o homem e induzi-lo ao erro. Por isso, fez questão de demonstrar sua autoridade quando Zé Dirceu ao responder a alguém, virou-se de costas. Lembrou então ao depoente que não se vira as costas para um juiz, ao que Zé reagiu com um pedido de desculpas.

Outra pergunta que demonstra cabalmente o despreparo de Moro foi quando ele indagou a Dirceu sobre seu patrimônio em dinheiro. Este lembrou-lhe que seu sigilo bancário havia sido quebrado, o que só demonstrou o volume de dívidas que vem se acumulando mês a mês.

Ao final, quando Moro deu a palavra a Dirceu para as últimas considerações, la crème de la crème: a mídia sempre martelou que as relações entre ele e Lula estavam muito abaladas pelo fato de o ex-presidente nunca tê-lo defendido, certo? Pois Dirceu afirmou a Moro que Lula não tem qualquer envolvimento em esquemas de propinas da Petrobrás.

Quando digo que desconfio que Moro e o promotor desconhecem a história de Dirceu é porque foram surpreendidos. Esperavam entrevistar um homem destruído psicologicamente mas não esperavam que ele tivesse aquela fibra moldada em anos de treinamento de guerrilha, vida clandestina, privações de toda ordem.

E Dirceu não se utilizou disso para crescer frente a eles. Eles é que se assustaram e se apequenaram diante do mito.

Por tudo isso, a impressão que se tem foi de que Moro prestou um depoimento a Zé Dirceu.

Nesse depoimento, Moro revelou que é um juiz despreparado, não conhece História, não se aprofundou em saber qual trabalho Dirceu desempenhou em suas consultorias e nem tinha perguntas objetivas que o pudessem incriminar.

A impressão que fica é que, devido à juventude e imaturidade, Moro e o promotor do MP estiveram juntos jogando games na véspera do depoimento.

E após o depoimento, Moro deve ser condenado a libertar Zé Dirceu.

Se continuar preso será a prevalência da vaidade de Moro sobre a Justiça.
(Fernando Castilho/ via Conversa Afiada)

Alta do dólar entope o Brasil de turistas


Como a TV Globo é uma espécie de mosquito do zika vírus para espalhar crise econômica na cabeça do brasileiro, provavelmente você não verá essa notícia no Jornal Nacional, ou se ver será sem destaque.

A lotação dos hotéis no carnaval está maior neste ano do que no ano passado. Isso é crescimento da atividade econômica no setor.

Em Salvador (BA), os últimos números apurados já davam 95% de ocupação (maior do que no ano passado), e a rede hoteleira esperava chegar a quase 100%.

Em Fortaleza (CE) os números divulgados antes do início do carnaval também teve um aumento de 5,1% na ocupação em relação ao ano passado. Às vésperas do carnaval a ocupação atingia 88,9%. Com os turistas de última hora, o número deve ter aumentado. No interior do Ceará a ocupação era maior ainda. Canoa Quebrada estava com 94,8% de ocupação, seguida por Jericoacoara (93,6%), Porto das Dunas/Prainha (93%), Guaramiranga (88%), Cumbuco (86%) e Praia das Fontes/Morro Branco (82,9%).

No Rio de Janeiro, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis-RJ, na semana passada a média de ocupação na capital também teve um crescimento em relação ao ano passado, atingindo 82,20%. No interior o crescimento foi 3,35% com ocupação de 95%.

Hospedagens alternativas tem um crescimento maior ainda. A plataforma Airbnb, uma espécie de "uber" de imóveis, onde proprietários particulares oferecem quartos ou casas para hospedagem, registrou crescimento expressivo. Os destinos com maior crescimento foram Cabo Frio/RJ (122%) e Florianópolis (72%).

A quantidade de turistas que desembarcaram no Rio em navios de cruzeiro é 85% maiordo que no carnaval 2015.

Os aeroportos do país também estão cheios. A expectativa é 7,3 milhões de passageiros passando pelo 15 principais aeroportos do País no período de carnaval. Estão programadas 16.200 partidas no período, 3% a mais que as 15.770 decolagens do Carnaval 2015.

A alta do dólar facilita o crescimento do turismo internacional ao Brasil. E o turista brasileiro também viaja mais pelo Brasil quando as viagens ao estrangeiro tornam-se mais caras.
(Os Amigos do Presidente Lula)

A hora é essa


Como é do seu estilo, o secretário nacional dos portos, Helder Barbalho, vai assumindo uma espécie de co-governança do Pará, principalmente na área de infra-estrutura, onde o governo Jatene é quase nulo.

Recorde-se que quando Helder era prefeito de Ananindeua praticamente abandonou o município, em seu derradeiro ano de mandato, e saiu pelo estado levando sua figura de candidato à sucessão de Simão pelos quatro cantos do estado, utilizando-se do aparelho de uma associação de prefeitos.

De ontem pra hoje, segundo o jornal da família do secretário, um investimento do governo federal, estimado pelo próprio Helder em R$1,2 bilhão será feito no Pará, R$600 milhões à região de Santarém e R$600 milhões no derrocamento do Pedral do Lourenço, na hidrovia do Tocantins,obra que não começa porque há muito político querendo abocanhar um quinhão desses custos, daí o preço daquela obra ser o maior entrave à sua realização.

Além disso, o ex-alcaide ananin aproxima-se do Ministério dos Transportes a fim de ter algum tipo de acesso aos leilões para a concessão à iniciativa privada do trecho de 330km da BR-163, entre Itaituba e Santarém.

É nesse sentido que, se tudo correr dentro das expectativas do secretário dos portos, o governo federal praticamente substituirá o governo do estado, este completamente alheio à urgência urgentíssima dessas obras por omissão e politicagem, nessas regiões,embora deva-se ressaltar que o termo "substituição" é mera força de expressão na medida das dificuldades dessa operação quando o sujeito é inexistente.

De qualquer forma, com o anúncio dos aludidos leilões previstos já para março próximo, bem como o lançamento do edital de licitação para derrocamento do Pedral para mais próximo ainda, daqui a oito dias, certamente teremos, inevitavelmente, as eleições municipais de outubro deste ano já sob o clima dessas iniciativas, isto é, um ambiente bem mais otimista do que deseja a oposição ao governo federal, cuja fé cega na pregação midiática do ambiente pessimista tornou-se a tábua de salvação política.

Sem querer reduzir a necessidade do investimento na logística de nossa infra-estrutura de transportes aos interesses eleitorais de quem quer que seja, não dá pra não fazer a ressalva. No entanto, é mais uma oportunidade que o Pará tem de ver solucionados alguns dos mais urgentes problemas que o puxam para trás e ajudam a consolidar nosso atraso. A hora, mais uma vez, é essa. Basta que os políticos trabalhem a favor.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Homens têm visão machista sobre participação da mulher no carnaval de rua

Pesquisa feita pelo Instituto Data Popular, como contribuição à campanha Carnaval Sem Assédio, do site “Catraca Livre”, mostra que a maior parte da visão masculina ainda é machista em relação à participação de mulheres nos festejos de rua.

A pesquisa foi feita entre os dias 4 e 12 de janeiro, com 3,5 mil brasileiros com idade igual ou superior a 16 anos, em 146 municípios.


“O que existe por parte dos homens é uma naturalização do machismo”, disse neste sábado (6) à “Agência Brasil” o presidente do Instituto Data Popular, Renato Meirelles.

De acordo com a sondagem, 61% dos homens abordados afirmaram que uma mulher solteira que vai pular carnaval não pode reclamar de ser cantada; 49% disseram que bloco de carnaval não é lugar para mulher “direita”; e 56% consideram que mulheres que usam aplicativos de relacionamento não querem nada sério.

Segundo Meirelles, o homem ainda tem uma visão de que a mulher é propriedade dele e que ela é feliz dessa forma, “como se a mulher tivesse que ser grata pela grosseria dele”. A pesquisa confirma a percepção distorcida do sexo masculino que a mulher, ao participar de bloco de rua, quer ser assediada. “Isso tem a ver com o processo histórico-cultural no Brasil”, disse.

Renato Meirelles lembrou que qualquer tipo de abordagem sem o consentimento da mulher é assédio. E o assédio, além de ser moralmente errado, dependendo do tipo é crime, e moralmente não funciona, lembrou.

A sondagem revela também que na percepção de 70% dos homens, as mulheres se sentem felizes quando ouvem um assobio, 59% acham que as mulheres ficam felizes quando ouvem uma cantada na rua e 49% acreditam que as mulheres gostam quando são chamadas de gostosa.

O lado feminino do assédio será objeto de outra pesquisa que o Instituto Data Popular divulgará mais adiante.
(Agência Brasil/ Agência PT de Notícias)

EM ALTA


Segundo a coluna 'Painel'(FSP), de hoje, o ex-deputado paraense Cláudio Puty, atualmente exercendo o cargo de secretário-executivo do Ministério do Trabalho, é o mais cotado para assumir a presidência do comitê que definirá os investimentos do FI-FGTS, com um orçamento de R$20 bilhões do fundo.

Nacionalmente, Puty parece que só viu seu prestígio interno, no PT e no governo, crescer diante do seu inegável desempenho durante seu mandato parlamentar. No entanto, regionalmente, é incerto se terá a unanimidade dos aplausos, caso se confirme a especulação, por conta de certas desavenças políticas que colocaram o ex-deputado sob fogo(amigo) cruzado, ainda durante as eleições de 2010.

De qualquer modo, diante das últimas nomeações para cargos de chefia, cá no Pará, contando com a aquiescência de Puty, parece que toda aquela escaramuça foi superada e a pacificação parece prevalecer no momento.

Caso se confirme o estabelecimento desa paz, certamente que o governo federal terá um protagonismo bastante diferente, mais robustecido, diga-se, já nas disputas eleitorais nos 144 municípios do Pará plantando, assim, a semente da competitividade pasra a sucessão de Simão Jatene, em 2018. Será?

sábado, 6 de fevereiro de 2016

A TOGA DA VERGONHA


Frente Brasil Popular repudia ataques ao ex-presidente Lula

Frente Brasil Popular repudia ataques ao ex-presidente Lula
Brasília- DF29-10- 2015 Ex-presidente Lula fala durante reunião do Diretório Nacional do PT. (Foto: Lula Marques/Agência PT
A Frente Brasil Popular emitiu nota, neste sábado (6), em solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva devido aos constantes ataques que vem sofrendo pela grande imprensa e por setores conservadores.

Leia, abaixo, a nota na íntegra:

“Somos solidários a Lula!

Com o mote “Lula eu defendo, Lula eu respeito!”, a Frente Brasil Popular em São Paulo, que congrega diferentes movimentos social e sindical e os partidos políticos PT, PCdoB e PDT, repudia a forma seletiva como vêm sendo conduzidas as investigações da Operação da Lavo Jato.

Da mesma maneira, repudia a forma criminosa e manipuladora com que a mídia tradicional cobre e transmite as versões dos fatos, tendo como principal interesse atingir a imagem e a honra do ex-presidente Lula, figura emblemática na história política do Brasil.

O ex-presidente representa a história de luta dos movimentos social e sindical e dos partidos políticos de esquerda. Todos nos sentimos atingidos com os constantes ataques feitos a Lula.

A Frente Brasil Popular em São Paulo não aceitará a postura golpista e antidemocrática que tanto setores do poder Judiciário como a grande mídia tentam impor ao povo brasileiro.

Por isso, convocamos a todos e todas para um Ato em Defesa do ex-presidente Lula, no dia 17 de fevereiro de 2016, a partir das 10 horas, no Fórum Criminal da Barra Funda, na Avenida Doutor Abrahão Ribeiro, 313, no centro da capital paulista.

Frente Brasil Popular – SP”
(Agência PT de Notícias)

Hillary Clinton é mais do mesmo. Bernie Sanders é que faz a diferença

wikimedia commons

Num Estado majoritariamente branco e evangélico, não é de se estranhar que Deus participasse, ainda que de forma oficiosa e indireta, da primeira etapa da longa e complexa disputa para escolher os candidatos dos dois grandes partidos à presidência dos Estados Unidos: as primárias de Iowa.

No bando republicano, o candidato de deus se chama Ted Cruz – podemos chamá-lo de “a cruz” – e se impôs surpreendentemente sobre a prepotência populista do favorito Donald Trump, deixando outro filho de imigrantes cubanos como Marco Rubio na terceira posição.

No bando democrata, o empate técnico de Hillary Clinton e Bernie Sanders significa, na prática, um triunfo deste segundo – que será “o martelo” em nosso quadro –, já que confirma que sua candidatura se fortalece e assusta os poderes fáticos, embora sem o rastro da foice e apesar do medo que abunda nos Estados Unidos, onde muitos consideram comunistas até aqueles que encarnam os valores do que a Europa chama de social-democracia.

Embora a quantidade de delegados em jogo para as convenções finais sejam menos de 1%, a tradição diz que o efeito dos resultados em Iowa sobre a campanha é muito mais relevante do que supõe a simples aritmética. Foi lá, por exemplo, onde a estrela de Hillary Clinton começou a se apagar em 2008, e despontou a de um semi desconhecido senador negro de Ohio, Barack Obama. Parece muito menos provável, nesta ocasião, que a ex-secretária de Estado (do governo do próprio Obama) e seja novamente vítima dessa maldição, mas não impossível.

Deus não esteve ausente, mas não foi um ator principal na batalha dos democratas, que teve a virtude mais infrequente dentro da dinâmica eleitoral estadunidense, ao enfrentar duas concepções opostas de como se deve governar o país. Acontece que, independente da proposta de recuperar um certo progressismo e da defensa de alguns aspectos do legado de Obama – que parecem depender de para onde sopra o vento –, Clinton defende o sistema e protege, antes de tudo, os interesses do establishment de Washington, que representa 1% da população que concentra o poder e o dinheiro.

Seu problema é como convencer as classes médias, principais vítimas da crise e com um peso decisivo no resultado final, de que também atuará em sua ajuda. Do contrário, seu até agora principal e atípico concorrente, o senador Bernie Sanders, de Vermont, que se apresenta como social democrata e porta-voz dos 99% restantes da população, que abomina os magnatas de Wall Street, que defende uma universidade gratuita, uma saúde pública para todos, num sistema mais amplo do que o produzido pela reforma de Obama e que levanta a bandeira da luta contra a desigualdade, tão pavorosa lá como em tantas outras partes do mundo.

O crescimento da sua candidatura é em parte resultado do que foi semeado por movimentos como o Occupy Wall Street (similar ao 15M da Espanha) e se nutre da decepção desse ectoplasma chamado esquerda, tão difícil de definir nos Estados Unidos, e que se não consegue o milagre de atrair os votos de centro está condenado de antemão ao fracasso.

Clinton e Sanders terminaram empatados em Iowa, as primárias da próxima semana, em New Hampshire, apresentam uma certa vantagem a Bernie, e deverá manter a ilusão, ao menos durante algum tempo, de que os democratas podem preferir apostar no caráter mais progressista da sua alma. Mais que uma probabilidade real, parece uma utopia. Existem muitas forças – e muito poderosas – atuando contra Sanders. Já se sabe que, embora não pareça, no final são os mesmos que terminam ganhando sempre as eleições dos Estados Unidos, só mudam alguns matizes. Aqueles que, cheios de boas intenções, tentam quebrar essa dinâmica, costumam sofrer as consequências. Ainda assim, Sanders – que deve ter consciência dos riscos – talvez se dê por satisfeito com seu período de glória, com o fato de ter sacudido as consciências.

Deus sempre está em campanha nos Estados Unidos. As possibilidades de que um candidato ateu ou agnóstico – não se sabe ao certo na verdade, mas se suspeita que sim – possa se tornar presidente são tão remotas como as que existem de que se alcance algum dia uma solução justa e negociada ao conflito entre palestinos e israelenses. Entretanto, a utilização do nome de deus em vão – ou seja, para ganhar votos – é tradicionalmente um patrimônio dos republicanos.

A religião está marcada a ferro e fogo no DNA da campanha de Ted Cruz, senador texano filho de um imigrante cubano convertido em pastor, defensor de um conservadorismo da velha escola voltado a criar uma crítica ao establishment de Washington, embora essa pretensão de ser um candidato desligado do sistema seja uma contradição com o fato de ser senador. Nisso, e em algumas outras coisas, ele se assemelha ao seu principal rival, Donald Trump, que também nunca ocupou um cargo executivo – no caso de Trump, nunca disputou cargo eletivo. Exageros extremistas a parte, Cruz lembra um pouco, em sua retórica e ideologia, ao Tea Party, o que é refletido pelo apoio mais recente conquistado por sua candidatura: o de Sarah Palin.

Em Iowa, Ted Cruz apelou a deus para que o ajude a manter vivo o despertar e o renascer dos valores do cristianismo, que ele mesmo diz encarnar. Os seus gestos não são por acaso. As orações, as invocações ao “supremo criador” e o uso reiterado da palavra “amém” são manifestações que fluem em suas performances, assim como uma tentativa de reivindicar ou de encarnar a ressurreição do espírito de Ronald Reagan – é incompreensível na Europa como essa figura pode se tornar um dos grandes ícones republicanos.

Essa religião na qual Cruz acredita e que utiliza para ganhar apoio é a mesma ferramenta com a qual denuncia que o país está sendo destruído pelo aborto, pelo matrimônio homossexual, pelas técnicas de reprodução assistida e pela “perseguição aos cristãos”. Muito já se escreveu sobre o radicalismo xenófobo e a ultra-direita de Donald Trump, a mais notória anomalia da campanha republicana até agora, mas é assombroso comprovar até que extremos chega a filosofia político-religiosa que ele quer promover dentro da Casa Branca.

Trump, o magnata tão seguro de si que afirma que não perderia apoios mesmo que matasse alguém a tiros na Quinta Avenida de Nova York, e que defende a proibição de entrada de muçulmanos no país e a deportação de 11 milhões de imigrantes, também se proclamou “um grande cristão”. Chegou a se atrever a citar a bíblia, para sua desgraça: cometeu um lapso imperdoável em certo momento, o que não passou inadvertido pelos eleitores e sobretudo pelos adversários.

Num país onde a frase “em deus confiamos” está impressa no dinheiro, e num Estado como Iowa, onde a religião possui importância social e política, o terceiro na disputa das primárias republicanas, o também filho de imigrantes cubanos Marco Rubio, não podia deixar o monopólio do cristianismo militante nas mãos de Cruz. Assim, e sem chegar aos extremos de seu oponente, o candidato conservador mais ligado ao sistema e à ideologia tradicional republicana não se deixou de se referir, mesmo quando totalmente fora de contexto, no “presente da salvação oferecido por Jesus Cristo”, que “veio à terra e morreu por nossos pecados”.

Com certeza, tanta apelação às forças divinas poderia terminar sendo uma contradição evidente, em comparação com as forças mais terrenais e objetivas que deveriam atuar pelo bem do país, mas isso é algo que nenhum republicano (e pouquíssimos democratas) se atreveriam a proclamar em público.

Seja como for, o resultado das primárias republicanas em Iowa foram um freio às consequências potencialmente devastadoras de uma arrancada de Trump, embriagado pela vantagem que as pesquisas lhe davam. Seu segundo lugar, atrás de Cruz, tem o amargo sabor da derrota. Pelo contrário, a terceira posição de Rubio, a pequena distância sobre os seus dois principais rivais, são sentidos como um certo ar de esperança e, até lhe poderiam transformar no candidato favorito em algum tempo, principalmente pelo fato de ser o preferido pelo aparato de Washington e pelas estruturas políticas tradicionais. Após a primeira e não decisiva batalha, a guerra entre os republicanos se mostra incerta, e talvez nem todos os atores relevantes tenham surgido no cenário – por exemplo, uma figura como Jeb Bush, filho e irmão de ex-presidentes, pode ter sido dada prematuramente como morta, e ainda não é realmente uma carta fora do baralho.

Enquanto isso, no campo democrata, Hillary Clinton e sua equipe, que inicialmente pensavam que a campanha seria um passeio triunfal, estão inquietos após o empate com Sanders em Iowa e devido às ameaças fruto da atuação dela no assalto terrorista à embaixada dos Estados Unidos na Líbia e da utilização do seu e-mail pessoal no intercâmbio de mensagens classificadas como secretas. Talvez se pergunte se terminará não saboreando o prato mais delicioso do jantar, quando parecia que o banquete da vitória já estava sendo servido, como há oito anos atrás.

Contudo, como deus é todo poderoso, será ele que marcará o destino de uns e outros, a não ser que prefira não se meter em política.
(Luis Matías López * - Público.es- tradução Victor Farinelli/ via Carta Maior)