Jorge Paz Amorim

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Belém, Pará, Brazil
Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Humberto Costa, qual página deve ser virada?


O senador Humberto Costa (PT-PE) concedeu uma entrevista à revista “Veja” (edição de 22 de fevereiro de 2017).

A entrevista está causando polêmica, tanto pelo conteúdo quanto por ter sido concedida a uma publicação conhecida pela falta de compromisso com a verdade, pelo direitismo e pela violência editorial.

Vale dizer que Humberto Costa não é o primeiro a ceder aos encantos das páginas amarelas da revista “Veja”. O ex-petista Cândido Vaccarezza enterrou ali suas pretensões de virar presidente da Câmara dos Deputados.

Ao decidir conceder uma entrevista à revista “Veja”, Humberto certamente sabia da repercussão.

Portanto, se existe alguma lógica política em sua atitude de conceder tal entrevista, ela consiste em mandar um recado para uma parcela dos golpistas.

A “Veja” interpretou e resumiu este recado da seguinte forma: existe um setor do PT disposto a admitir que o partido se “envolveu em corrupção”, disposto a “pedir desculpas à sociedade”, disposto a “abandonar o discurso de denúncia do golpe” e disposto a apresentar “propostas econômicas para tirar o país do atoleiro”.

“Veja” sintetizou esta interpretação no título que deu à entrevista: para este setor do PT representado por Humberto, teria chegado a “hora de virar a página”.

Falando de outro jeito: no momento em que o governo Temer afunda, este setor do PT estaria disposto a ajudar numa saída negociada para a crise.

Para chegar a esta interpretação, “Veja” teria manipulado as opiniões de Humberto?

Ou é mais ou menos isto que pensa o senador eleito pelo PT de Pernambuco?

A resposta será conhecida nos próximos dias. Pode ser que Humberto solicite uma correção na entrevista. Mas se ele não fizer isto, então valerá o que está escrito.

Enquanto a resposta não vem, vejamos ponto a ponto, confrontando as conclusões de “Veja” (citadas abaixo entre aspas e em negrito) com as afirmações publicadas de Humberto, sempre lembrando que ele ainda está em tempo de solicitar uma correção.

“Chegou a hora do PT admitir que se envolveu em corrupção”


Das 14 perguntas da entrevista, pelo menos 4 tratam de corrupção. A esse respeito, Humberto Costa diz que “houve” corrupção, que “claro” que houve pessoas que “podem” ter se beneficiado pessoalmente, que “até agora” foram “identificadas” coisas feitas “com o propósito de manter o poder e de fortalecer o PT”, sendo que “neste processo, perdemos as referências”.

Já li e ouvi – embora nunca na revista “Veja” – outras pessoas fazendo este tipo de raciocínio, que considero errado, pois tira o foco do financiamento privado empresarial, da economia política da corrupção e do debate sobre a orientação política geral do partido.

Mas o espantoso é que Humberto não denuncie globalmente a Operação Lava Jato. Espantoso, mas compreensível: se é hora de “virar a página”, melhor não lembrar que a Operação Lava Jato foi (e continua sendo) parte essencial de um golpe.

Mesmo quando “Veja” diz que “o ex-presidente corre o risco de acabar preso pela Lava Jato”, Humberto responde na condicional: “se um fato como esse acontecesse, seria uma violência institucional e política sem precedentes. Uma coisa como essa talvez até ampliasse a força política de Lula. Como não existem provas, argumentos que justifiquem a prisão dele, acredito que ele não só vai estar livre, como será candidato”.

Ou seja: ao menos no que foi publicado, não se denuncia a ilegal violência que já está sendo cometida. A questão fica no âmbito do “se” e do “seria”.

Em seguida, “Veja” pergunta se “o PT sobrevive sem Lula”. Humberto responde assim: “não acho que o PT vai acabar se o Lula sair da cena política”. Resposta curiosa, vinda de quem acaba de afirmar que Lula será candidato à Presidência da República. Mas, enfim, tudo pode ser produto das manobras editoriais de “Veja”.

“Chegou a hora do PT pedir desculpas à sociedade pelos erros que cometeu”

Perguntado se “o PT deve pedir perdão”, Humberto responde: “eu não elimino esta possibilidade”. A seguir ele diz que o 6º Congresso do Partido pode dizer ao povo que “pedimos desculpas pelos erros que cometemos e que nossos acertos foram maiores”.

Espero que “Veja” tenha deturpado esta passagem da entrevista de Humberto. Pois não faz o menor sentido – lógico nem político – admitir esta possibilidade de “pedir perdão”.

O PT certamente cometeu e ainda vai cometer muitos erros. Devido a estes erros, o PT certamente já fez e continua precisando fazer autocríticas públicas.

Mas se nós cometemos mais acertos do que erros, qual o sentido de “pedir perdão”??? Salvo, claro, que alguém acredite que o PT é uma “alma” torturada pela culpa e pela vergonha…

A esse respeito, vale a pena ler a resposta dada mais adiante sobre o caixa dois, em que Humberto afirma: “querem cassar o PT, o PMDB, o PSDB”. Estas respostas parecem saídas de um episódio de “Fringe”, um mundo alternativo em que o PT deve pedir perdão, enquanto o PMDB e o PSDB também sofrem o risco de cassação.

“Chegou a hora de abandonar o discurso de ‘denúncia do golpe’”


Das 14 perguntas da entrevista, pelo menos 7 dizem respeito à conjuntura e à postura do PT frente ao governo Temer.

Nas respostas, Humberto afirma que “não adianta mais ficar apenas no discurso de denúncia do golpe”. Tomada isoladamente, a frase é injusta. Afinal, nunca o PT ficou “apenas” na denúncia do golpe. Por exemplo, sempre fizemos questão de lembrar que o golpe era um meio para atingir um fim: reduzir direitos, limitar a democracia e alterar a política externa.

Mas quando lemos a resposta seguinte dada por Humberto, a frase acima deixa de ser injusta e converte-se num trampolim para um imenso erro político.

Segundo Humberto, “o resultado das eleições municipais obriga a gente a virar esta página. Não dá para ficar só no discurso do golpe, que era verdadeiro, real. A população não quer isso que está aí, mas também não queria o que estava lá com Dilma”.

Cada uma das frases acima revela disposição mental para a capitulação. Vamos por partes:

1) O resultado das eleições municipais, seja qual for, não legitima o golpe;

2) O golpe não “era”, ele é e continua sendo verdadeiro e real;

3) Não foi a população que derrubou Dilma, portanto pesquisas de opinião não servem como argumento para “democratizar” golpes;

4) Um partido que defende a democracia não pode, nunca, abrir mão de denunciar um golpe, mesmo que isso fosse contra a opinião momentaneamente majoritária do povo.

O mais curioso, digamos assim, é que esta disposição para a capitulação vem no momento em que o governo Temer está passando por imensas dificuldades. Dificuldades reconhecidas na capa da mesmíssima revista “Veja” que publica a entrevista de Humberto.

Logo, a leitura política que faço destas declarações de Humberto é a seguinte: ele está avisando uma parte dos golpistas de que está à disposição para um pacto de governabilidade.

Esta interpretação fica reforçada pela descrição feita por Humberto acerca das divergências existentes na bancada do PT no Senado.

Segundo ele, “há dois grupos bem distintos. O meu, que defende uma posição mais aberta, mais negociadora. E o da senadora Gleisi Hoffmann, que assumiu a liderança no meu lugar e quer o enfrentamento permanente. Na minha visão, não é possível ter uma orientação de enfrentamento permanente”.

Humberto não esclarece em torno de que questões ele acha possível ter uma posição “mais aberta” e “mais negociadora”. Por exemplo: ele por acaso considera possível negociar a reforma da previdência e a reforma trabalhista? Em que questões poderíamos ser mais “abertos”?

O único exemplo concreto dado por ele diz respeito à eleição da Mesa do Senado. Vejamos o que ele diz a respeito: “Nesse processo, um grupo tomou a posição deliberada de pegar um tema interno, de interesse única e exclusivamente do PT, e criar uma cruzada contra o outro grupo. Quem se interessou pelo debate sobre se o PT votaria ou não no Eunício Oliveira? Só o PT. E aí o que eles, Lindbergh e Gleisi Hoffmann, fizeram foi jogar uma parte da militância contra o grupo dos parlamentares que defendiam o entendimento”.

Humberto argumenta como se o tema fosse interno à bancada, de interesse única e exclusivamente dos senadores. Afinal, se o tema é interno ao partido, logo de interesse do conjunto dos petistas, é legítimo mobilizar a base. Especialmente se a postura da bancada tem relação – como Humberto mesmo confirma ter – com a tática geral do PT frente aos golpistas.

O “entendimento” defendido por Humberto faz parte de uma linha política geral de “virar a página”, linha esta que não foi apresentada nem aprovada em instância alguma do partido. Mas que se tentou aplicar na eleição da Mesa do Senado e da Câmara dos Deputados.

Humberto reconhece que um dos pilares da posição de Gleisi e Lindbergh é que “vivemos um período de exceção e não cabe haver entendimento. Ou seja: tudo tem de ser governo e oposição. Eu diria que se trata de um pretexto. Mudaria alguma coisa no Brasil se a gente se posicionasse contra? Não, claro.”

A edição feita por “Veja” deixou o raciocínio pouco claro. Mas quem acompanhou o debate no Senado pode adivinhar do que Humberto está falando. Ele parece perguntar se “mudaria alguma coisa no Brasil se a gente se posicionasse contra” Eunício de Oliveira? E ele responde que “não, claro”.

Aparentemente Humberto não se perguntou o oposto: mudou alguma coisa no Brasil, com ele e outros três senadores petistas votando no Eunício de Oliveira? Afinal, quem ganhou o quê com este “entendimento”?

Seja qual for a resposta, o espantoso é ver um senador petista, logo após um golpe, considerar um “pretexto” a afirmação de que vivemos um “período de exceção”, no qual “tudo tem de ser governo e oposição”. Mas, claro, tudo pode ser uma edição perversa da revista “Veja”.

“Chegou a hora do PT apresentar propostas econômicas para tirar o país do atoleiro”


Quando “Veja” pergunta diretamente “que postura o senhor acha que o PT deve assumir em relação ao governo Temer”, Humberto dá uma resposta muito curiosa: “temos de responder, como oposição, ao desmonte que eles estão fazendo (…) Mas precisamos mostrar à sociedade como sair da crise. Não basta criticar (…)”.

O “mas” cumpre um papel curioso neste raciocínio. É como se ele dissesse: vamos agir como oposição na hora de tratar do desmonte; mas, na hora de discutir como sair da crise, vamos agir de outra forma. Afinal, como ele deixa implícito noutra passagem da entrevista, é errado achar que “tudo tem de ser governo e oposição”.

É neste contexto, já no final da entrevista e depois de uma pergunta sobre o “caixa dois”, que Veja faz duas perguntas diretas sobre a politica econômica.

Na primeira resposta, Humberto defende ampliar o investimento estatal, além de desonerações temporárias e condicionais. Nenhuma palavra sobre reforma tributária, nem sobre outras propostas tão frequentes nas resoluções partidárias e nos documentos de economistas próximos ao partido.

Aliás, quem lê a entrevista fica com a impressão de que somos um deserto de propostas. Humberto chega a dizer que precisamos apresentar “um programa, um projeto, alguma coisa”.

Na sequência, respondendo à última pergunta da entrevista, Humberto afirma que “o que afundou a economia [no governo de Dilma] foi o fato de que demos incentivos demais em momentos que não eram ideais”.

Não sei se Humberto disse exatamente isso. Caso tenha dito, está explicado porque ele admite a possibilidade de “pedir perdão”. Pois ele acabou de aceitar a tese segundo a qual a crise econômica teria sido causada pela generosidade irresponsável do governo, multiplicada pela generosidade irresponsável do Congresso.

*

Se Humberto realmente deu as respostas publicadas por “Veja”, então ele estaria mesmo disposto a construir algum tipo de saída negociada para a crise.

Ilusão semelhante foi cometida por muita gente, em 2015 e 2016, gente que gastou tempo precioso buscando interlocutores do outro lado, setores que estivessem dispostos a construir uma mediação que evitasse o impeachment.

Hoje, depois do impeachment, depois de tudo o que o governo golpista e seus aliados fizeram, depois que as pesquisas revelaram que um setor importante da elite aposta em Bolsonaro para 2018, reincidir neste tipo de ilusão, neste tipo de conciliação, é – na falta de termo melhor – um criminoso suicídio.

Como diria Humberto: esta página precisa ser virada.
{Valter Pomar/ Agência PT}

Justiça determina: praia é pública, não de Luciano Huck


Em 2011, a juíza da 1ª Vara Federal de Angra dos Reis, Maria de Lourdes Coutinho Tavares, condenou o apresentador Luciano Huck a pagar R$ 40 mil por cercar com boias e redes a faixa costeira ao longo de sua mansão na Ilha das Palmeiras, em Angra dos Reis, litoral sul do Rio de Janeiro, sem autorização ambiental. O global alegou apenas que o fizera "sob o propósito de exercício futuro de atividade de maricultura".

Na sentença, a juíza alegou que "a motivação da colocação do cerco é outra que não a atividade de criar mariscos, ou seja, a maricultura seria um pretexto para legitimar a pretensão não acolhida pela lei, de apoderamento de bem de uso comum do povo". Ou seja, o chamado bom mocismo típico da classe média não queria que ninguém tivesse acesso a "sua" praia particular.

A juíza determinou ainda que Huck retirasse as boias e pagasse indenização por danos materiais e imateriais, além de multa diária caso descumprisse a decisão. Inconformado com a sentença, Luciano Huck recorreu e, em segunda instância, foi novamente condenado.

O apresentador recorreu então ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), por achar, segundo declarou, muito alto o valor da multa aplicada. Brigou durante sete anos na Justiça para tentar escapar da multa ambiental.

Sem sucesso. Na quinta-feira (16), o Ministério Público Federal (MPF) exigiu que o apresentador da TV Globo pague multa de R$ 40 mil.

Em manifestação ao STJ, a Procuradoria Regional da República da 2ª Região defende a rejeição do recurso de Huck por tratar-se apenas de "medida de inconformismo, caracterizando mera insatisfação do réu com a sentença".

Essa não foi a primeira vez que Huck já foi acionado na Justiça por chamar de seu o que é patrimônio público e ambiental. Em 2006, ele foi denunciado pelo MPF porque sua mansão na Ilha das Palmeiras foi construída sobre um espelho-d’água cercado por rochas e por ter erguido um muro com cerca de dez metros de altura. Ele também mandou fazer diques para a formação de uma praia artificial. No entanto, conseguiu escapar da Justiça, alegando que a construção original, de 1971, foi concluída antes da entrada em vigor da legislação atual, e que ele apenas reformara a casa que lá já estava.

Em junho de 2009, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB/RJ) liberou as regras para construções em áreas de preservação ambiental em Angra e outras regiões do estado. O decreto, de número 41.921, ficou conhecido como "Lei Luciano Huck", porque teria sido feito para beneficiar o apresentador da Globo.
{Rede Brasil Atual}

PRIVATARIA RIDES AGAIN


O vale-tudo contra Lula e o jornalixo da Folha Tucana- FSP


Em se tratando de forjar denúncias para forçar manchetes contra o ex-presidente Lula e sua família, a Folha de S. Paulo não tem limites.

Neste domingo (19/02), após pesquisa mostrar que ele lidera as intenções de voto para presidente em 2018, a Folha baixa mais o nível da apelação. Parece o governo Michel Temer tamanha a desfaçatez.

Um vazador teria informado à Folha que um delator da Lava Jato teria revelado em delação premiada que a Odebrecht teria pago um orientador de carreira para o filho mais novo do ex-presidente Lula.

O verbo no condicional é nosso, pois a Folha é peremptória na acusação. Veja abaixo.

Um dos favores feitos pela Odebrecht para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi pagar um orientador de carreira para ajudar seu filho Luís Cláudio a colocar de pé a empresa Touchdown Promoções e Eventos Esportivos, que organizava um campeonato de futebol americano.

A informação consta da delação premiada da empresa, que ainda está sob sigilo:

Segundo a Folha apurou, foi o próprio Lula quem pediu para que a empresa bancasse o “coaching”, cujo objetivo era ensinar a Luís Cláudio, 31, técnicas de gestão.

Procurado, o Instituto Lula disse que não comentaria.

Caçula de Lula e Marisa, ele promoveu entre 2012 e 2015 o Torneio Touchdown, que reunia cerca de 20 equipes de futebol americano.


Vamos por partes:

A Folha não diz quem deu a informação, quanto foi pago nem o nome de quem teria dado o suposto curso ao filho do ex-presidente.

A Folha também não informa quando isso aconteceu.

A informação sobre a data é relevante, sim, ao contrário do que alguns possam imaginar.

Lula deixou a presidência em 31 de dezembro de 2010. Já, segundo a Folha, o filho do ex-presidente promoveu campeonatos de futebol americano entre 2012-2015.

Assim, se fosse verdade, o suposto curso teria sido pago quando Lula não era mais presidente.

A Folha diz na 12ª linha da matéria: “Procurado, o Instituto Lula disse que não comentaria”.

A Folha sabe que não é bem assim. Falta com a verdade inclusive sobre a resposta do Instituto.

Tanto que ao final da matéria, na 50ª linha, publica parte da resposta do Instituto Lula. É apenas para constar.

A Folha não comenta também que jornalista José Chrispiniano, assessor de imprensa do Instituto Lula, lhe fez algumas perguntas-chave para que pudesse responder à demanda e o jornal não respondeu. Assim, como sonegou essas informações aos seus leitores neste domingo.

Não bastasse tudo isso, a Folha não conta aos seus leitores que ela e o seu vazador foram mudando as versões sobre o suposto acontecido ao longo da última sexta-feira (17/02), como demonstra troca de mensagem (na íntegra, abaixo) entre a repórter e o assessor do Instituto Lula.

Denúncia ridícula, desonesta, que não fica em pé.

Feita, obviamente, para diminuir o impacto positivo da pesquisa que deu Lula liderando em 2018, o que a Folha conseguiu com esta nova denúncia foi cravar mais um prego no seu caixão.

Nota do Instituto Lula

Como a Folha e vazadores mudam versão de história sem provas em poucas horas para gerar manchetes contra Lula e sua família. Não há o que comentar diante de informações genéricas de origem ilegal, de apurações sem documentos que mudam em poucas horas

Da Assessoria de Imprensa do ex-presidente Lula, via e-mail, em 19/02/2017

O jornal Folha de S. Paulo publica hoje matéria baseada em suposto vazamento de delação premiada contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A matéria vem com grande destaque na edição do primeiro domingo após pesquisa eleitoral indicar que, apesar da perseguição movida contra Lula por setores da imprensa e alguns agentes públicos, ele venceria as eleições para presidente da República tanto no primeiro quanto no segundo turno.

No contato feito com a assessoria de imprensa do ex-presidente (leia abaixo a troca de e-mails entre a Folha e a assessoria), a Folha de S.Paulo mudou em poucas horas a versão da sua apuração.

Primeiro haveria um “interlocutor de Lula” que teria feito o pedido citado na suposta delação a que a Folha teve acesso. A reportagem informou que o nome desse interlocutor não seria revelado. Depois, o tal interlocutor sumiu em uma informação de última hora que teria chegado na noite de sexta-feira (quando os jornais fecham a maior parte da sua edição de domingo).

Fica a impressão de alteração da história, pelo jornal ou por sua fonte, após terem sido questionados sobre a falta de informações básicas. A Folha de S.Paulo também não soube prover nenhum documento ou mesmo informações simples sobre a história que sustenta sua matéria: em que ano ela teria acontecido?

Lula deixou a Presidência da República em 31 de dezembro de 2010 e não ocupa nenhum cargo público desde então. Diante de informações genéricas, sem documentos, de origem ilegal, que mudam em poucas horas, não há o que comentar ou dar crédito a suposições.

Por lei, delações não são provas, quanto mais vazamentos de supostas delações, sem documentos, contexto, provas do ocorrido ou sequer o ano em que teria acontecido o fato. Servem apenas para gerar manchetes sensacionalistas contra Lula e sua família.

A Folha de S. Paulo costuma publicar esses ataques contra Lula aos domingos, atribuindo como “presentes” ao ex-presidente um estádio que é do Corinthians, ou uma piscina que é do Palácio do Planalto.

Supostas acusações de delatores divulgadas com estardalhaço na imprensa não têm se confirmado em depoimentos em audiências, onde mais de 11 delatores chamados como testemunhas de acusação pela Lava Jato foram incapazes de apontar qualquer ato ilegal ou vantagem indevida recebida pelo ex-presidente Lula. 

A imprensa, que faz estardalhaço de versões sem contexto e distorcidas de supostas delações, não dá destaque algum quando delatores como Paulo Roberto da Costa, Nestor Cerveró ou Pedro Barusco dizem, perante o juízo e com compromisso de dizer a verdade, jamais terem ouvido falar do envolvimento de Lula em ilegalidades ou recebimento de qualquer vantagem indevida (veja vídeo em https://www.facebook.com/Lula/videos/1219752334760431/).

Abaixo, a troca de mensagens entre a assessoria e a reportagem da Folha que mostra as informações faltando na matéria e a mudança de versão na história ao longo do dia.

Em 17 de fevereiro de 2017 13:20, Bela Megale escreveu

:Ola, tudo bem?Tivemos a informação de que o Alexandrino Alencar, delator da Odebrecht, disse em acordo com a Lava jato que a empresa pagou um orientador de carreira, uma espécie de coach, para ajudar Luis Claudio Lula da Silva na sua carreira no marketing esportivo e na implementação do campeonato Touchdown.Também temos a informação de que o pedido foi feito por um interlocutor do ex-presidente Lula.Gostaria de saber se o fato aconteceu e se Luis Claudio, Lula ou a defesa deles gostaria de comentar o assunto.Poderia nos dar uma resposta até as 19h?Obrigada.
BelaEm 17 de fev de 2017, às 14:04, Ass. de Imprensa 

– Instituto Lula escreveu:Caros,Imagino que seja para a manchete de domingo.

 Sempre é bom receber esses contatos na sexta, é bom saber que mantemos alguma relevância.Esse interlocutor tem nome?Atenciosamente,Em 17 de fevereiro de 2017 14:12, Bela Megale escreveu:Ola,Não vamos abordar o nome do interlocutor na matéria.Em 17 de fev de 2017, às 14:24, Ass. de Imprensa – escreveu:Vocês não sabem o nome do interlocutor, ou sabem e não vão dar? Sabem dizer o ano do ocorrido, ou isso também não será abordado na matéria?abraço,

José Chrispinian Em 17 de fevereiro de 2017 14:34, 

Bela Megale escreveu:, não iremos citar o nome e o ano. Pode passar o contato da assessoria do luis Claudio?

17 de fevereiro de 2017 15:17

De: Ass. de Imprensa – Instituto Lula
Enviado: sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017 15:17
Para: Bela Megale
Cc: Walter Henrique Nunes
Assunto: Re: Questão matéria luis Claudio

Caros

segue a resposta da assessoria do ex-presidente:

A pergunta, e pelo que você me diz também a matéria, baseiam-se em suposta delação para obtenção de benefícios judicias que deveria estar sob sigilo, sem apresentar transcrição, documento, contexto, época do ocorrido ou qualquer informação básica que permita até compreender o que está sendo perguntado. Não vamos comentar supostas informações incompletas baseadas em supostos documentos fora de contexto que estariam sob sigilo judicial.

Em 17/02/2017, às 20:23, Bela Megale escreveu:

Chrispiniano,

Desculpe, mas tivemos a correção de uma informação há poucos instantes. O pedido da contratação do orientador profissional teria partido do próprio ex-presidente Lula.

Esse dado constará na matéria. Se quiser enviar alguma resposta sobre o fato, pode encaminhar até sábado, amanhã às 11h, ou hoje até qualquer hora.

Obrigada

Bela Megale
Folha de S. Paulo

Em 17 de fev de 2017, às 20:28, Ass. de Imprensa – escreveu:

Mantenho a nota, ainda mais porque a história vai assim mudando conforme avança o dia.

Você tem documento sobre o assunto, que comprove essa líquida apuração?

Atenciosamente,

Jose

Em 17/02/2017, às 21:29, Bela Megale escreveu:

Olá, não abrimos os documentos que tivemos acesso. Obrigada.
{Conceição Lemes/ Viomundo}

Com golpistas, Brasil voltará ao caos de 2002

Há poucos anos, quando se discutia sobre os obstáculos do Brasil para se desenvolver efetivamente, autoridades e especialistas indicavam que faltava uma coisa, planejamento de longo prazo. As políticas de curto e médio prazo, contudo, geravam resultados satisfatórios. Hoje, após o afastamento de Dilma Rousseff, temos uma "política velha", que deve garantir um retorno para a posição que o país estava há 15 anos ou mais, acredita o professor do Instituto de Economia da UFRJ João Sicsú.

"Não há horizonte de otimismo para a economia brasileira", alerta Sicsú, que foi diretor de Políticas e Estudos Macroeconômicos do Ipea entre 2007 e 2011. Ele defende que uma nova recessão deve ser esperada para este ano, já que falta um plano de recuperação da economia e de combate ao desemprego.

O Boletim Focus previa em outubro do ano passado uma alta no PIB de 1,3% para 2017. Em dezembro, a previsão caiu para 0,5%, e pode cair ainda mais. Como aponta Sicsú, o desemprego crescente e a crise nos estados afetam o consumo, empresários deixam de investir porque não há perspectiva de crescimento da economia, não há política de investimento do governo e as estatais também investem menos. 

"Cada dia se espera menos da economia brasileira", destaca Sicsú

"Estamos tendo políticas econômicas que não resolvem o desemprego. Milhares de famílias já voltam para o programa Bolsa Família. Temos dados bastante assustadores, 500 mil famílias que saíram do programa até 2011 retornaram só no ano de 2016. Esta é a política econômica que nós temos hoje, uma política velha que produz antigos resultados. Vamos retornar ao passado que tínhamos",
{Jornal do Brasil}

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Machos e louras: queiram retirar-se, por favor.



Depois que o PSDB expôs sem pudor toda a iniquidade do quadro partidário brasileiro, fruto da herança daquilo que o general Golbery do Couto e Silva deixou e a famigerada 'Nova República' não abriu mão de usufruir, colocando na presidência de seu segmento afrodescendente uma loira, agora vem o Partido da Mulher dar sua contribuição à tragédia travestida de comédia.

Acaba de ser punido pela justiça eleitoral com a perda de 9 minutos da propaganda da legenda por não respeitar a presença mínima de 20% de mulheres nessa propaganda. Nesse caso, deveria até ser maior a exigência da presença feminina por motivos flagrantes. No entanto, sacripantas travestidos não respeitam sequer a legislação vigente.

Talvez, fosse o caso de movimentos de mulheres cobrar mais efetividade da justiça eleitoral fazendo com que o tal partido da mulher fizesse a representação de gênero inverter a exigência do TSE, ou seja, garantir maioria feminina absoluta, respeitada a presença de 20% de homens na legenda.

Ora, a exigência da presença masculina seria barbada de respeitar na medida em que o quadro político do país atesta vivermos uma autêntica machocracia. Todavia, mais que machismo, constitui ofensa esse tipo de manobra utilizada por políticos inescrupulosos, alugando uma legenda que deveria combater o arcaico patriarcalismo, impondo regras que respeitassem minimamente o papel da mulher em uma sociedade verdadeiramente democrática.

Isto deveria valer também para o deboche tucano em relação ao seu segmento afrodescendente, verdadeiramente uma empulhação torpe na medida em que no Congresso Nacional não existe um negro sequer compondo a bancada da privataria constatando-se, com efeito, tratar-se de ardil de patifes pra enganar incautos. Sem esse rigor, não há como reclamar da classe política.

FHC, Temer, as amásias e o 'jornalixo horizontal'


Hoje, é sabido por todos que Fernando Henrique Cardoso teve um caso amoroso e rumoroso com uma jornalista global, que foi mandada pra Espanha depois de ter ficado grávida e a desconfiança da paternidade era do então presidente do Brasil, o que acabou não se confirmando.

FHC contou com benefícios de empresas privadas para manter sua partner subterrânea vivendo confortavelmente na Espanha. Inclusive a própria Globo, que acabou fazendo bem mais do que exigia a relação de trabalho entre a emissora e sua funcionária.

Agora, diante das explicações que está dando a respeito do seu papel desempenhado durante o golpe, Eduardo Cunha revela que Michel Temer, o 'MT' da planilha da Odebrecht, também teve um caso com uma jornalista, caso este mais duradouro ainda que o de FHC com a repórter global.

Cunha insinua que Temer valeu-se de um esquema fraudulento montado na Caixa Econômica Federal, montado por ele, Cunha, e por Moreira Franco, pra liberação de FI/FGTS que teria bancado despesas da dita amante do atual presidente golpista.

Égua, será que era regra do jornalixo da midiazona, colocar essas insólitas mata-haris disfarçadas de repórteres diante de homens poderosos a fim de ajudar que chegassem ao topo e tirar proveito disso?

O encapetado ACM listava dois tipos de jornalistas: os que gostam de informações e os que gostam de dinheiro. Dizia, ainda, que para os primeiros não se devia dar dinheiro, para os segundos nada de informações.

Parece que o tino empresarial dos patrões midiáticos conseguiu a proeza de furar até as precauções do espertíssimo coronel baiano ao criar uma nova modalidade de jornalixo: o horizontal.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

1964/2016, as semelhanças que não são mera coincidência


A empresa CONSULTEC, organizada por Roberto Campos, Mauro Thibau e Garrido Torres Lucas Lopes como um grupo de assessoria e de pressão da Hanna Corporation, que funcionou como principal agência de coordenação e financiamento das atividades das multinacionais de apoio ao golpe de 1964, se converte num bloco de poder depois do golpe. Assume, a seguir, o comando da política econômica do governo militar juntamente com os velhos testas-de-ferro das empresas estrangeiras. Em consequência, 15 dias depois do golpe, o Congresso revoga a Lei de Remessa de Lucros. Revoga, a seguir, a Lei de Estabilidade no Emprego, principal conquista dos trabalhadores no período getulista.

Roberto Campos, ministro do Planejamento, e Otávio Gouveia de Bulhões, ministro da Fazenda, negociam a dívida externa brasileira com o FMI nos termos que os banqueiros ditam. O preço real foi a abertura de toda a economia brasileira e de todos nossos recursos naturais às empresas multinacionais e a aceitação das condições ditadas pela Hanna e pela Amforp para a solução de seus litígios com o governo.

Os norte-americanos socorrem com urgência o governo que implantaram, mandando entregar imediatamente a Castelo Branco, por conta da Aliança para o Progresso, 4 milhões de dólares para despesas de algibeira e, logo depois, mais 883 milhões como empréstimo. Mas começam também a cobrar, fazendo o governo comprar por 105 milhões de dólares as empresas que Brizola havia desapropriado por um dólar e que de Jango só reclamavam 30 milhões.

Roberto Campos, Eugênio Gudin e Otávio Gouveia de Bulhões, montados no poderio da ditadura, dão um aumento de 100% aos militares e, assim respaldados, ditam a política econômica antinacional e socialmente irresponsável que jamais haviam podido executar. (…) Roberto Campos entrega o BNDE a Garrido Torres, com o encargo de matá-lo; para isto, tenta extinguir os fundos públicos com que operava. Queria vingar-se dos técnicos que o haviam expulsado do banco como entreguista e corrupto.

Três decretos marotos conseguem à Light tudo que ela pedia: elevação de tarifas e sua correção automática, bem como a reavaliação dos seus ativos convertidos, para nós, em astronômicos passivos.

O governo devolve as refinarias particulares encampadas por Jango. Sabendo quanto elas pagariam de suborno para não serem encampadas, posso avaliar o que terão pago para serem desencampadas.

A ditadura regulamenta o artigo da Constituição que garante direitos de greve, para torná-la totalmente ilegal e punível. (…) O novo ministro do Trabalho, Arnaldo Sussekind, intervém em cerca de mil sindicatos, destitui as antigas diretorias legalmente empossadas e dissolve entidades sindicais de grau superior.

Roberto Campos faz Castelo Branco decretar a anistia fiscal para os brasileiros que repatriassem depósitos clandestinos de dólares no exterior.

A Handson’s Letter de Wall Street chama os brasileiros de “palhaços do mundo” pela compra da Amforp por 135 milhões de dólares. A compra negociada por Roberto Campos previu o pagamento de 10 milhões de dólares à vista, provavelmente o suborno; 24, 7 milhões em vinte anos, a juros de 6%; e 100 milhões, no mesmo prazo, a juros de 6,5%. Dos 100% de ações compradas, o Brasil só recebeu 75%; os outros 25% seriam as tais “ações sem valor ao par”, dadas aqui aos figurões que a Amforp subornou ou aos diretores cuja dedicação premiou. Assim terminaram as expropriações de Brizola, as empresas gaúchas da ITT e da BBS.

1965

O Serviço Geológico dos Estados Unidos rouba e entrega à U.S.Steel os levantamentos realizados por uma empresa brasileira para o governo, graças aos quais se localizou na Serra dos Carajás uma grande jazida de calcário e minério de ferro (18 bilhões de toneladas). A empresa americana, para se apropriar das jazidas, arma uma falcatrua, apresentando requerimentos de 167 funcionários no seu escritório de Belém, que incluíam desde porteiro e secretária até o diretor, requerendo alvarás de exploração de Carajás como uma montanha de calcário. A maroteira era tão escandalosa que nem o governo ditatorial pôde aprovar. Mas, ainda assim, concede à mesma United States Steel um alvará de exploração do minério de ferro de Carajás para exportação, que eles prometem iniciar imediatamente. Nunca iniciaram, porque o objetivo era, como sempre, ficar sentada em cima das concessões de mineração que obtinham. Mas venderam depois, ao próprio governo, esta licença incumprida, por bom dinheiro.

Dado o desinteresse da Light em expandir e melhorar os seus serviços de telefone, o governo decide nacionalizá-los. A empresa cede gostosamente. Pagaram o dobro do que ela pediu originalmente, uma bolada a pagar em 80 prestações trimestrais a juros de 6% –em dólares.

É promulgada e posta em execução a Lei 4.725, destinada a reduzir os salários reais através dos critérios de fixação do salário mínimo e de controle dos aumentos salariais. A nova lei, somada à repressão policial e à intervenção nos sindicatos, submete o trabalho à servidão frente ao capital.

A USP e a UFRJ, bem como dezenas de vetustas instituições culturais, veem surgir de dentro delas, espumantes de ódio, intelectuais repressores que aderem à ditadura e passam a apontar, de dedo duro, a seus colegas mais competentes como subversivos. O reitor da USP, Gama e Silva, se credencia para ministro da Justiça nomeando uma Comissão Dedo-Duro, que compões laboriosamente uma lista de 50 professores e estudantes dos mais brilhantes e remete aos órgãos de segurança para serem punidos e demitidos.

Entra em ação o acordo MEC-USAID, ratificado secretamente em 1967 para implantar a reforma universitária, que corresponde ao espírito da ditadura, privatizando as universidades públicas e dissolvendo as organizações estudantis. Para isto, o general Meira Matos junta milicos e deseducadores brasileiros com subintelectuais norte-americanos contratados pelo mesmo órgão de Washington que patrocinou o treinamento dos torturadores.

1966

Juracy Magalhães, embaixador do Brasil em Washington, convencido de que é bom para o Brasil tudo que for lucrativo para os Estados Unidos, assina um Pacto de Submissão Colonial. Por ele, se dá garantias formais de que respeitaremos as leis norte-americanas que garantem os investimentos de suas empresas no Brasil até 20 anos depois de qualquer futura lei brasileira que venha a afetá-los.

A reforma tributária é posta em execução, impondo o predomínio da União e reduzindo drasticamente as fontes de recurso dos estados e dos municípios, que passam, assim, a depender inteiramente das autoridades federais.

O bando entreguista instalado no poder entrega à Hanna Corporation –empresa reconhecidamente não-idônea nos Estados Unidos – a Companhia Vale do Paraopeba, detentora de imensas jazidas minerais– com a qual João Goulart pensava fazer a independência do Brasil, vendendo minério exclusivamente para construir siderúrgicas. A Hanna recebe, ainda, a estrada de ferro que liga Minas ao Rio para exportação de ferro e manganês, em competição com a Cia. Vale do Rio Doce. Desgastada no uso mais intensivo para transferir as montanhas de Minas para os Estados Unidos, a Rede Ferroviária custa ao governo brasileiro, em subsídios anuais, muito mais do que tudo que a Hanna paga pelo minério. Pelo uso daquela rede ferroviária de 633km de Belo Horizonte ao porto privado de Sepetiba, a Hanna pagava uma tarifa de 125 cruzeiros por tonelada, quando o preço de custo para o governo era de 160 mil cruzeiros. Em consequência desta outorga, o governo inicia a construção de uma outra estrada, por nossa conta, a Ferrovia do Aço, para levar o minério de Minas a Volta Redonda. Nela, já se gastaram mais de 2 bilhões de dólares, e falta outro tanto. Tamanha dação só se explica porque a Hanna foi a principal financiadora do golpe de 1964.

1967

Castelo Branco paga a última prestação do preço do golpe de 1964: um avião militar norte-americano desembarca em Brasília os diretores da Hanna Corporation que vêm firmar com Azevedo Antunes a ata de fundação da empresa nominalmente nacional, Minerações Brasileiras Reunidas, a fim de legalizar a apropriação estrangeira de 720km² das terras de Minas Gerais, onde se encontra uma das maiores reservas de minérios deste mundo, que Jango havia recuperado para o Brasil e eles ganharam.

Escândalo nacional com as acusações a Roberto Campos de ter participado da “vaquinha” que enriqueceu vários membros do governo com a nova alta do dólar por ele decretada.

O milionário Daniel K. Ludwig –secretariado por Heitor Ferreira de Aquino, que também foi secretário de Geisel e Figueiredo– compra, com a ajuda zelosa do general Golbery, um país de 60 milkm², no Amapá e no Pará, para montar ali um ambicioso projeto madeireiro, minerador e agroindustrial. Acaba dando imenso prejuízo que, como sempre, o Banco do Brasil assume e converte em mais uma negociata na forma de empréstimos subsidiados a milionários nativos.

Eminentes educadoras paulistas como Maria José Werebe, Maria Nilde Mascelani e Teresinha Framme, em São Paulo, Henriette Amado e diversas outras no Rio são perseguidas e denunciadas escandalosamente por darem uma orientação esclarecida a seus alunos sobre a matéria sexual.

Um incêndio suspeito destrói os artigos com a documentação e os registros de terras de índios e a filmoteca do velho SPI, então sob a guarda da Funai em Brasília.

1969

A Phillips Petroleum consegue de Costa e Silva a construção de um grande conjunto habitacional , bem em cima de uma jazida de fosforita, em Olinda, para inviabilizar sua exploração, que era competitiva com a deles.

1970

Avança o loteamento da Amazônia. Além dos 6 milhões de hectares de Ludwig, são doados 668 mil à Suyá-Missu, 600 mil à Codeara, 500 mil à Paragominas e outros tantos à Georgia Pacific, à Bruynzeel, à Volkswagen e à Robin Mac. Também entram na negociata a Anderson Clayton, a Swift-Armour, a Goodyear, a Nestlé, a Mitsubishi, a Bordon, a Mappin, além dos nativos Camargo Corrêa, Bradesco et caterva.

Acelera-se, em consequência, a destruição da floresta amazônica com drogas desfolhantes, napalm e correntes arrastadas por enormes tratores de esteira. O programa é esteira. O programa é transformar a selva em pastagens.

É criado o INCRA –Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária–, mas o que se implanta é a anti-reforma pela entrega de glebas quilométricas a grandes empresas para serem afazendadas à custa do povo. Isto porque as beneficiárias podem deduzir todos os seus gastos até a metade do imposto de renda que deveriam pagar, mas embolsam. Incrível, só neste Brasil da ladroagem.

Paulo Freire, exilado, publica nos Estados Unidos sua obra maior: Pedagogia do Oprimido, uma apreciação crítica de suas práticas de pioneiro da educação de adultos. Este livro é o texto educacional brasileiros mais traduzido e que exerce maior influência no mundo. Curioso é que, tal como ocorreu com Josué de Castro –outro intelectual nosso com grande êxito internacional, detestado pela mediocridade nativa–, Paulo Freire provoca a inveja mais odienta de toda a pedagogia fútil e vadia, que nada faz, mas se engalana com plumas tiradas do nosso grande educador.

É criado o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), destinado a pôr em prática um imenso programa de alfabetização imbecilizadora, aplicando ao contrário os métodos de Paulo Freire. Somado à repressão nas universidades, e mantido o ensino fundamental nesta campanha de alfabetização despolitizadora, a ditadura reduz drasticamente os gastos com a educação, que de 11,2% di irçamento da União, em 1962, caem para 5,4%.

1971

A ditadura, simultaneamente à liquidação política do Congresso nacional, o degrada com vergonhosas mordomias para legisladores que não legislam; o clientelismo de legiões de assessores e serviçais bem pagos e o faraonismo que converte a Câmara e o Senado –inúteis– nos maiores edifícios públicos do mundo.

São Paulo, na primeira fase da industrialização pioneira, realizada pelos Mattarazzo, gostava de se ver como a locomotiva que arrastava o Brasil, como um comboio de vagões vazios. Com a industrialização substitutiva, através da implantação de grandes fábricas das multinacionais, muda de imagem. Começa a ser vista pelo país como a grande bomba de sucção que nos sangra, para carrear lucros para o estrangeiro. Com efeito, o intercâmbio entre São Paulo e o resto do Brasil passa a ser tão desigual que alguns estados planejam criar reservas de mercado para suas próprias indústrias, fim de enfrentar o colonialismo interno, praticado ferozmente pelos gerentes paulistas das multinacionais.

A exploração dos doentes brasileiros pelas multinacionais, produtoras de remédios, que controlam a produção e o mercado, chega a níveis tão altos que provoca, mesmo na ditadura, a provação de um Plano Diretor de Medicamentos destinado a pôr cobro no escândalo. Mas Wall Street protesta e o Plano é anulado.

Graças ao cientista Albert Sabin, se verifica que o governo Médici, além de falsificar os índices do custo de vida para comprimir salários e de exagerar os progressos da alfabetização, mente também nas informações relativas ás condições sanitárias da população, declarando vacinações antipólio que não realizou, o que põe em risco a população infantil.

1972

A Hanna e Antunes inauguram, na baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro, um porto próprio, destinado a transportar para os Estados unidos as montanhas de ferro de Minas Gerais, a fim de constituir, ali, uma gigantesca reserva que garantirá tanto a prosperidade futura deles como a nossa pobreza.
{Darci Ribeiro- As negociatas da ditadura/ via Socialista Morena}

O coração tem razões que a própria razão desconhece


Tratado pelo Diário do Pará como evento créme de la créme do republicanismo parauara, a caminhada mosqueirense feita por Helder Barbalho, Jader Barbalho e Zenaldo Coutinho tem incontornáveis traços políticos visando o futuro.

Ciente que o golpista temerário corre o risco de ter vida longa no Planalto, e que seus porta-vozes por aqui são os pemedebistas, Zenaldo trata de apadrinhar sua pífia administração com os ex-adversários a fim de não encerrar a carreira política como seu antecessor.

É verdade que o eleitorado daquele distrito mal elegeria um vereador, todavia, a recuperação daquele potencial polo turístico tem tudo pra encantar a enorme população flutuante que frequenta o lugar, daí combater a erosão daquelas praias é tiro certo na perspectiva de atrair eleitores.

Além disso, os candidatos à simpatia de Simão para sucede-lo são outros que não o alcaide belenense, logo, isto pode ter gerado ciumeira em Zenaldo, seguida do descompromisso com qualquer um dos escolhidos, vale dizer, com o próprio partido.

Assim, depois de adentrar no até então inexpugnável reduto tucano da Federação das Indústrias do Pará, Helder, com essa aproximação, pode estar conquistando uma parte do eleitorado da capital, este historicamente refratário ao Barbalhismo, sabidamente um dos nichos responsáveis pela derrota do filho do Jader, em 2014.

Em outros tempos, isto seria visto como a mágica que a política costuma fazer ao alar bovinos às vistas perplexas da população. No entanto, diante da simpatia quase amor que move PMDB e PSDB na condução da gestão golpista de agora, nada mais natural que essa exibição de xodó inesperado.

Concorre pra isso a longa e volúvel trajetória zenaldista, que começou a vida política como jarbista, isto é, seguidor do coronel Passarinho; depois, deu guinada de 180º e abrigou-se no nicho do desafeto jarbista, Alacid Nunes; deu ainda alguns voos rasantes em outros nichos, até atirar-se nos braços da privataria simão/almirista, onde dava a entender que iria até à aposentadoria. Dava.  

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Cunha volta a cutucar seu ex-comparsa


A nova lista de perguntas de Eduardo Cunha a Michel Temer, na Justiça, é pura dinamite.

Michel Temer vai precisar como nunca da blindagem que lhe deu o juiz Sérgio Moro ao vetar parte das perguntas feitas pela primeira vez, que acabaram levando à conexão Temer-Odebrecht, via Eliseu Padilha e José Yunes, que acabou demitido.

Agora, a tarefa cabe ao juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Criminal Federal de Brasília.

Agora, a porta dos fundos do ocupante do Palácio do Planalto é Moreira Franco, a quem blindou com a nomeação como ministro.

Das 19 perguntas, que listo abaixo, dez versam sobre o “Angorá”.

E uma é especialmente intrigante:
Tem conhecimento de oferecimento de alguma vantagem indevida, seja a Érica ou a Moreira Franco, seja posteriormente, para liberação de financiamento do FI/FGTS?

Érica? Quem poderia ser?

Bem, ao que se saiba só houve uma Érica na vida de Michel Temer, a jornalista Érica Ferraz, com quem tem um filho, hoje com 18 anos.

As respostas, mesmo se as perguntas forem indeferidas, logo começarão a surgir.

E o Planalto, finalmente, pôs-se em marcha para soltar Eduardo Cunha.

Talvez seja tarde demais.

As perguntas de Cunha.
1 – Em qual período o senhor foi presidente do PMDB?
2 – Quando da nomeação do senhor Moreira Franco como vice-presidente de
Fundos e Loteria da Caixa Econômica Federal, o senhor exercia a presidência do PMDB?
3 – O senhor foi o responsável pela nomeação dele para a Caixa? O pedido foi feito a quem?
4 – Em 2010, quando o senhor Moreira Franco deixou a CEF para ir para a coordenação da campanha presidencial como representante do PMDB, o senhor indicou Joaquim Lima como seu substituto?
5 – O senhor conhece a pessoa de André de Souza, representante no Conselho dos Trabalhadores no FI/FGTS à época dos trabalhadores?
6 – O senhor fez alguma reunião para tratar de pedidos para financiamento com o FI, junto com Moreira Franco e André de Souza?
7 – O senhor conhece Benedito Júnior e Léo Pinheiro?
8 – Participou de alguma reunião com eles, junto com Moreira Franco para doação de campanha?
9 – Se a resposta for positiva, estava vinculada a alguma liberação do FI?
10 – André da Souza participou dessas reuniões?
11 – O senhor conheceu Fábio Cleto?
12 – Se sim, o senhor teve alguma participação em sua nomeação?
13 – Houve algum pedido político de Eduardo Paes, visando à aceleração do projeto Porto Maravilha para as Olimpíadas?
14 – Tem conhecimento de oferecimento de alguma vantagem indevida, seja a Érica ou Moreira Franco, seja posteriormente para liberação de financiamento do FI/FGTS?
15 – A denúncia trata da suspeita do recebimento de vantagens providas do consórcio Porto Maravilha (Odebrecht, OAS e Carioca), Hazdec, Aquapolo e
Odebrecht Ambiental, Saneatins, Eldorado Participações, Lamsa, Brado, Moura Debeux, BR Vias. O senhor tem conhecimento como presidente do PMDB até 2016 se essas empresas fizeram doações a campanhas do PMDB. Se sim, de que forma?
16 – Sabe dizer se algum deles fez doação para a campanha de Gabriel Chalita em 2012?
17 – Se positiva a resposta, houve a participação do senhor? Estava vinculada à liberação desses recursos da Caixa no FI/FGTS?
18 – Como vice-presidente da República desde 2011, teve conhecimento da participação de Eduardo Cunha em algum fato vinculado a essa denúncia de cobrança de vantagens indevidas para liberação de financiamentos do FI/FGTS?
19 – Joaquim Lima continuou como vice-presidente da Caixa Econômica Federal em outra área a partir de 2011 e está até hoje, quem foi o responsável pela sua nomeação?
{Tijolaço}

Que traje belíssimo


Doria e o chapa branquismo da 'Folha'. Ou, como funciona o mercenarismo midiático no país

Eu quis reproduzir esse post, do Sergio Saraiva, porque acho que faltou dar um pouco mais de sentimento. Nesses tempos sombrios, a linguagem puramente racional não dá conta.

Então vamos lá. Peço perdão pela vulgaridade, mas um palavrãozinho, disfarçado delicadamente em sigla, é irresistível.

PQP!

O prefeito corta em 53% um programa de distribuição de leite voltado para crianças, no auge de uma sinistra crise econômica, e a Folha faz uma manchete dizendo que “Doria recria Leve Leite com enfoque nos mais pobres e sem adolescentes”?

Que raios de jornalismo é esse?

Estamos falando de leite para crianças, meu Deus! E isso no meio da maior crise econômica em décadas!

O qualificativo chapa-branca me parece um eufemismo.

Isso é coisa de cafajeste, de mau caráter, e paro por aqui para não perder a elegância de vez.

*****

O leite das crianças e o jornalismo que não ousa dizer o nome

por Sérgio Saraiva, em seu blog (hospedado no portal GGN)

QUI, 16/02/2017 – 07:46
ATUALIZADO EM 16/02/2017 – 07:47

Doria corta mais da metade do Leve Leite

Esta é a manchete correta.

A partir de março de 2017, o Programa Leve Leite da prefeitura de São Paulo deixará de atender às crianças com mais de 7 anos de idade. Hoje, o programa atende crianças da rede municipal de ensino de 0 a 14 anos.

João Doria determinou uma redução de mais de 53% em relação ao atendimento atual. O programa será reduzido a menos de sua metade. Mais de 480 mil crianças deixarão de receber o benefício do fornecimento de leite.

Além da redução da faixa etária, o programa limitará a entrega a famílias com renda familiar de até R$ 2.811,00 e reduzirá a entrega para 1 kg por aluno por mês, ao invés dos 2 kg atuais.

Uma medida de impacto direito na vida das famílias mais pobres, as que se utilizam do ensino municipal. Uma redução drástica de benefícios.

Porém vejamos como a Folha de São Paulo apresentou tal medida:

“Doria recria Leve Leite com enfoque nos mais pobres e sem adolescente”.

O uso do eufemismo “recriar” no local de reduzir e chamar criança de 7 anos de adolescente é jornalismo que não ousa dizer o nome: “falta de vergonha na cara”.

Com tamanho corte de benefícios, João Doria pretende economizar mais de R$ 180 milhões.

Somente para termos uma comparação, João Doria anunciou, há poucos dias, que pretende gastar R$ 100 milhões este ano com propaganda.

Fácil entender o porquê do tom ufanista da manchete.
{Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:/ via Blog do Miro}

A ignorância, o preconceito e a curiosidade do justiceiro togado




Em audiência no processo que investiga o ex-presidente Lula pela propriedade de um tríplex, o juiz Sérgio Moro gastou boa parte de suas indagações ao ex-governador Tarso Genro para tratar de uma curiosidade sobre a possível refundação do PT. Argumentando que queria entender a relação do partido com seus subordinados, o juiz mostrou interesse, principalmente, sobre como esse projeto lidaria com integrantes acusados de corrupção, como José Dirceu e Delúbio Soares.

— Essa ideia da refundação, renovação, também envolveria reconhecimento de eventuais irregularidades praticadas por agentes vinculados ao Partido dos Trabalhadores? — perguntou o juiz.

— Ilegalidades cometidas por todos os partidos do sistema político. Vivemos um sistema político que instiga e promove a corrupção pelo financiamento empresarial das campanhas e por outras determinações — respondeu Tarso Genro.

Diante do interesse de Moro pela refundação do PT, o próprio advogado de Lula tentou fazer com que o assunto não fosse explorado.

— Vossa Excelência, na verdade, não está julgando o PT e nem questões de natureza político-partidária — disse Cristiano Zanin Martins.

Em sua defesa, Moro argumentou que queria entender a relação do PT e do ex-presidente Lula em relação interna partidária. O ex-governador do Rio Grande do Sul, no entanto, disse não se importar em responder as perguntas do juiz, embora não tivessem relação com o processo.

Moro questionou, então, se envolvidos no mensalão, como Dirceu e Delúbio, foram punidos pelo partido após suas condenações pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Após as respostas de Tarso Genro, o juiz voltou a perguntar se, nessa defesa de refundação, haveria reconhecimento desses ilícitos ou se seriam tomadas providências.

Na resposta, Genro afirmou que a refundação planeja verificar o que determinou os desvios de conduta no PT.

— Vivemos em um estado de direito, as instituições tem que funcionar para fazer suas investigações, julgar conforme a lei e aplicar as consequências em cada pessoa que é responsabilizada e que tem os seus fatos delituosos eventualmente provados, disse Genro.
{Os Amigos do Presidente Lula}

Em SP e Rio, atos de repúdio a Alexandre de Moraes: “Indicação ao STF mais contestada da história”; abaixo-assinado já tem 266 mil assinaturas


Na próxima segunda-feira (20/02), véspera da sabatina de Alexandre de Moraes no Senado, juristas, movimentos sociais e estudantes realizam atos de repúdio contra a sua indicação ara o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em São Paulo, a manifestação será a partir das 18h, na Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, casa de formação e docência de Moraes.

Entidades organizadoras:


Centro Acadêmico XI de Agosto – Direito USP

Centro Acadêmico João Mendes Jr. – Direito Mackenzie

Centro Acadêmico 22 de Agosto Direito PUC SP

Centro Acadêmico Direito GV

Conectas

Justificando

IBCCRIM

Barão de Itararé

UNE – União Nacional dos Estudantes

CLADEM

SASP – Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo

CA Lupe Cotrim – CALC

Diretório Acadêmico Getúlio Vargas


No Rio de Janeiro, o ato será no Circo Voador, a partir das 19h.

Vários juristas e intelectuais já confirmaram participação. Destaque para o jurista Flávio Martins,diretor da Faculdade Nacional de Direito.

Para o site Justificando, que participa da articulação do ato em São Paulo, Alexandre de Moraes é o indicado ao STF mais contestado da história:

A organização das manifestações combinada com a mobilização de centenas de milhares de pessoas na internet contra o ministro são o pano de fundo da indicação ao STF mais contestada na história. O incômodo é tanto que os próprios professores colegas de Moraes na Faculdade de Direito do Largo São Francisco estão se organizando para também repudiar a indicação.

Nas últimas semanas, vieram à tona episódios graves para a academia envolvendo Moraes, sendo o de maior repercussão a cópia do livro de um espanhol na obra do ministro da Justiça.

Outros episódios de cópias foram descobertos e como defesa Moraes tem alegado que ele faz a referência na bibliografia no final do livro. Essa argumentação foi rebatida pela Rede de Pesquisa Empírica em Direito.

Sua carreira na academia também foi alvo de muita contestação. Como apurou o Justificando, Moraes disse ter feito um Pós -Doutorado tanto em seu currículo do Lattes, como no enviado ao Senado. No entanto, tal pós-doutorado jamais aconteceu.

Outra dúvida acerca de seu passado na academia se deve à carreira meteórica na USP, enquanto acumulava a função de promotor de justiça, professor de cursinhos preparatórios e autor de livros sobre Direito Constitucional.

Em função dessa conjuntura improvável para que ele tenha tantos títulos com um trabalho minimamente razoável, sua carreira na academia é repleta de críticas e dúvidas.

Em sua tese de doutorado, inclusive, chegou a defender que ministros de Estado não poderiam assumir a cadeira no Supremo Tribunal Federal, como revelou o Estadão. Evidentemente, o que defendeu na academia não foi o que fez na prática.


O rechaço a Alexandre de Moraes é tamanho que o abaixo-assinado, criado pelo Centro Acadêmico XI de Agosto contra a nomeação do indicado por Temer para ocupar a vaga do Teori Zavascki, já tem 266 mil assinaturas.

Não é preciso a pessoa ser da área jurídica para apoiar o abaixo-assinado. Ele está aberto a toda a sociedade civil.
{Viomundo}

Em troca de blindagem, MT coloca plumas


É sabido por todos que desde os tempos da privataria tucana que o PSDB construiu uma blindagem que impede investigações contra si, daí os de plumagem mais exuberante circularem impunes Brasil afora, mesmo diante das mais escabrosas denúncias de ladroagens cometidas por eles, como nos casos do metrô de SP, do roubo da merenda, também em SP, da Lista de Furnas, Mensalão, Banestado e tantos outros delitos até aqui impunes.

Diante disso, é notório que o arqui delatado golpista MT tenha se bandeado para aqueles lados, na certeza de que essa impunidade chegará até ele e assim ele poderá até estar com a moral enterrada na lama, mas garantirá sua permanência até o fim do mandato no mais alto degrau da fama, conforme poetava Ataulfo Alves.

Resta saber como contratacará o PMDB, diante dessa trairagem inominável que tem criado inúmeros apertos aos demais coronéis, como Edison Lobão, Romero Jucá, Renan Calheiros, enquanto Temer conta com o esforço hercúleo até do jagunço togado curitibano para protege-lo, conforme ficou claro no episódio das perguntas feitas por Eduardo Cunha à sua testemunha Michel Temer, todas indeferidas pelo tal justiceiro.

Agora, com a investidura do ex-advogado do hiper encrencado Aécio Neves no Ministério da Justiça, o PMDB ensaia um tonitruante jus sperneandi. Mas, sabe-se que a legenda não é só de ficar no barulho. Pior, quando chega a esse ponto é porque já tem uma ação pra retrucar a rasteira.

Ontem, de uma tacada, a Lava Jato constrangeu o filho de Edison Lobão, um aliado da dupla Jader/ Helder Barbalho e abriu mais uma frente de investigações contra pemedebistas. Vejamos que troco contra Temer ou seus mais chegados virá, provavelmente já nesse final de semana. Perigo à vista pro 'Angorá'.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Delcídio confessa que não partiu de Lula ordem para obstruir delação de Cerveró

delcidio amaral

O ex-senador Delcídio do Amaral, réu em ação penal por obstrução da Justiça por suposta tentativa de impedimento da delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, prestou depoimento ontem (15) na Justiça Federal de Brasília. Na mesma ação, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também é acusado de obstrução, por supostamente, de acordo com delação premiada de Delcídio, ter conversado com o ex-senador que trabalhasse para que Cerveró não assinasse um acordo de delação.

No depoimento desta quarta, Delcídio afirmou que já estava em contato com a família do executivo da Petrobras desde janeiro de 2015, muito antes, portanto, da reunião que teria tido com Lula em maio daquele ano, onde este assunto teria sido tratado.

Delcídio também afirmou que Lula não lhe pediu que obstruísse a delação de Nestor Cerveró. O ex-senador falou que não se lembra se foi ele ou Lula quem marcou a reunião de maio, nem a data exata da conversa, que teria acontecido em uma sexta-feira. Segundo Delcídio, só os dois estavam na sala. O assunto Cerveró teria surgido em dado momento, mas o ex-senador não sabe quem o mencionou, se ele ou Lula. "O assunto sobre a família Cerveró surgiu na conversa (com Lula). E eu disse que eles estavam enfrentando dificuldade, e que uma alternativa era tentar atendê-los de alguma maneira. Lula disse que estava muito preocupado com a família Bumlai, e disse 'veja o que você pode fazer' sobre a família Bumlai. E eu imediatamente contatei o Maurício Bumlai (filho de José Carlos Bumlai)."

Segundo Delcídio, o ex-senador e Maurício Bumlai acertaram pagamentos mensais de R$ 50 mil à família de Cerveró, que duraram cinco meses. Mas, ainda segundo o próprio Delcídio, ele não discutiu nada de dinheiro com o ex-presidente Lula, e que foi dele, Delcídio, a iniciativa de buscar o contato com o Maurício Bumlai. Essa seria, mesmo de acordo com o depoimento de Delcídio, a única suposta relação do ex-presidente Lula com as tratativas entre Delcídio e as famílias de Cerveró e Bumlai, que teriam acontecido entre janeiro e novembro de 2015.

Como a lei é clara ao determinar que ninguém pode ser condenado baseado apenas em delação premiada (realizada em troca de benefícios penais, o que é exatamente o caso do depoimento de Delcídio do Amaral), não há uma única prova que sustente a acusação de envolvimento do ex-presidente Lula em suposta tentativa de impedir a delação de Nestor Cerveró.

Em depoimentos anteriores como testemunha, tanto Bernardo Cerveró quanto Nestor Cerveró negaram que Delcídio tenha feito qualquer pedido de proteção em relação à José Carlos Bumlai ou Lula, e que as preocupações de Delcídio era apenas evitar citações ao próprio ex-senador. Delcídio negou essa fala de Cerveró feita na condição de testemunha, onde há a obrigação de se dizer a verdade, diferente da condição de réu de Delcídio.

Delcídio foi preso em novembro de 2015 graças à gravação de uma conversa dele com o filho de Cerveró, Bernardo. O ex-senador só deixou a cadeia ao acusar Lula em delação premiada, em processo da Operação Lava Jato.

No depoimento desta quarta, Delcídio também relatou que teve uma reunião com Lula, Edison Lobão e Renan Calheiros, e que Lula estaria preocupado com os desdobramentos da Lava Jato, não questionando a Operação em si ou fazendo qualquer tipo de obstrução à Justiça, mas manifestando “preocupação institucional”, com os efeitos dela no legado e na imagem do ex-presidente e de seu partido, o PT, após 13 anos de governo. Delcídio disse que Lula "teria razão", inclusive pelo posterior impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

No início do depoimento, advogados de Lula e outros réus levantaram uma questão de ordem sobre se o ex-senador seria ouvido como réu ou réu colaborador. Porque, como réu, ele teria direito de permanecer em silêncio, mas como réu colaborador, após um acordo de delação premiada, ele não teria o direito de permanecer em silêncio em nenhuma pergunta, além de ter o compromisso de dizer a verdade. Foi definido, então, que ele deporia como réu.
{Lula.com.br}

Pesquisa revela que 68% de ações penais de quem tem foro privilegiado prescrevem


O foro privilegiado obtido pelo ministro Moreira Franco e objeto de desejo de políticos no alvo da Operação Lava-Jato costuma beneficiar os investigados. Levantamento realizado pelo projeto Supremo em Números, da FGV Direito Rio, mostra que no Supremo Tribunal Federal (STF), uma das cortes que julga os que possuem foro privilegiado, de 404 ações penais concluídas entre 2011 e março de 2016, 276 (68%) prescreveram ou foram repassadas para instâncias inferiores porque a autoridade deixou o cargo. A condenação ocorreu em apenas 0,74% dos casos.

No caso dos inquéritos concluídos no mesmo período, o índice de prescrição ou repasse para instâncias inferiores foi de 38,4% (379 casos). Em apenas 5,8% dos 987 inquéritos houve decisão desfavorável ao investigado com abertura de processo penal.

— O números mostram que é muito mais vantajoso para os réus serem julgados no Supremo — afirma Ivar Hartmann, coordenador do Supremo em Números da FGV.

Dessas 404 ações, 136 tratavam de crimes contra o meio ambiente, 39 de casos relativos à lei de licitações e 30 de crimes de responsabilidade. Outras 26 eram referentes à formação de quadrilha, 25 de peculato, oito à corrupção passiva e cinco, corrupção ativa.

O foro privilegiado beneficia milhares de pessoas no Brasil, do presidente da República a prefeitos, passando por promotores, juízes e membros de tribunais de contas. A força-tarefa da Lava-Jato estima que cerca de 22 mil autoridades são contempladas pelo privilégio atualmente no país.
O STF é responsável por julgar presidentes, ministros e parlamentares. Ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), cabem os casos que envolvem governadores, membros de tribunais de contas e desembargadores dos Tribunais de Justiça. Já os tribunais regionais federais julgam os membros do Ministério Público Federal e os juízes federais de primeira instância. Além disso, cada estado define os foros nas unidades da federação. Em geral, as constituições estaduais concedem o benefício a prefeitos, juízes e promotores do Ministério Público Estadual (MPE).

No caso do Rio, a constituição estadual define em seu artigo 161 que têm direito ao foro privilegiado para serem julgados pelo Tribunal de Justiça o vice-governador, os deputados estaduais, os secretários de estado, os juízes estaduais, os membros do Ministério Público, da Defensoria Pública, das Procuradorias do Estado, os delegados de polícia, os prefeitos, os vice-prefeitos e os vereadores. Já em São Paulo, o benefício não atinge vice-prefeitos, vereadores, delegados e membros da Defensoria Pública e das Procuradorias Gerais.

Projeto parado no Senado

O promotor Roberto Livianu, presidente do Instituto Não Aceito Corrupção, defensor do fim do foro, destaca que os tribunais foram concebidos apenas para apreciar recursos de decisões da primeira instância e não para colher provas na fase de instrução da ação, como é necessário nos processos penais.

— Instruir processos nos tribunais é uma aberração. Isso leva à inviabilização da Justiça — diz Livianu.

Para o promotor, o benefício ajuda a prorrogar carreiras de políticos envolvidos em escândalos.
— Vemos uma série de pessoas que têm mandato e se sustentam usando como escudo o foro privilegiado. Temos, por exemplo, um político que até pouco presidia o Senado, alvo de 12 investigações criminais e réu por peculato — afirmou Livianu, referindo-se ao ex-presidente do Senado e atual líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Em dezembro do ano passado, o STF acolheu denúncia contra Renan por desvio de dinheiro público em um caso que havia sido revelado em 2007. Na denúncia, Renan também fora acusado pelos crimes de falsidade ideológica e apresentação de documento falso, mas o STF entendeu que esses delitos já estavam prescritos.

Ainda na avaliação de Roberto Livianu, o foro privilegiado, além de inviabilizar o funcionamento da Justiça e contribuir para o aumento da impunidade, fere os princípios de uma sociedade democrática.
— A própria ideia de privilégio é incompatível com a essência democrática de igualdade de todos perante a lei. A cultura do privilégio guarda uma relação que relembra a monarquia. Não é compatível com os princípios republicanos — acrescenta Livianu.

— O foro é não só desnecessário como ruim para a democracia — concorda Ivar Hartmann.
Em novembro do ano passado, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou uma proposta de emenda constitucional (PEC), de autoria de vários parlamentares, para acabar com o foro. A proposta, que acaba com o benefício para todas as autoridades brasileiras nos casos de crimes comuns, inclusive para o presidente da República, não tem data para ser votada em plenário. Parte dos senadores têm resistência ao projeto.
{Os Amigos do Presidente Lula}

'Leviatã no encalço de Edison Lobão chega até Belém do Pará


A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (16) a Operação Leviatã para cumprir seis mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, referentes a inquérito instaurado a partir de provas obtidas na Operação Lava Jato. A investigação corre em segredo de Justiça.

Entre os alvos da operação estão os principais envolvidos em um esquema de repasse de valores ao filho do senador Edison Lobão, Márcio Lobão, e o ex-senador Luiz Otávio de Oliveira Campos, do Pará. A investigação apura o pagamento de propina a dois partidos políticos, no percentual de 1% sobre as obras civis da Hidrelétrica de Belo Monte, por parte das empresas integrantes do consórcio construtor.

Estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro (RJ), em Belém (PA) e Brasília (DF), nas residências e escritórios de trabalho dos investigados. Eles poderão responder pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Segundo a PF, o nome da operação faz referência à obra O Leviatã. Nela, o filósofo político Thomas Hobbes afirmou que o “homem é o lobo do homem”, comparando o Estado a um ser humano artificial criado para sua própria defesa e proteção, pois se continuasse vivendo em Estado de Natureza, guiado apenas por seus instintos, não alcançaria a paz social.
{Agência/ Jornal do Brasil}

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

CRUZEIRO DEVASSO


Decano, um volúvel de 'merda'


A história está relatada no livro “Código da Vida”, de Saulo Ramos, ex-ministro da Justiça responsável pela nomeação de Celso de Mello para o STF no governo Sarney.

“Terminado seu mandato na Presidência da República, Sarney resolveu candidatar-se a Senador. O PMDB — Partido do Movimento Democrático Brasileiro — negou-lhe a legenda no Maranhão. Candidatou-se pelo Amapá. Houve impugnações fundadas em questão de domicílio, e o caso acabou no Supremo Tribunal Federal.

Naquele momento, não sei por que, a Suprema Corte estava em meio recesso, e o Ministro Celso de Mello, meu ex-secretário na Consultoria Geral da República, me telefonou:

— O processo do Presidente será distribuído amanhã. Em Brasília, somente estão por aqui dois ministros: o Marco Aurélio de Mello e eu. Tenho receio de que caia com ele, primo do Presidente Collor. Não sei como vai considerar a questão.

— O Presidente tem muita fé em Deus. Tudo vai sair bem, mesmo porque a tese jurídica da defesa do Sarney está absolutamente correta.

Celso de Mello concordou plenamente com a observação, acrescentando ser indiscutível a matéria de fato, isto é, a transferência do domicílio eleitoral no prazo da lei.

O advogado de Sarney era o Dr. José Guilherme Vilela, ótimo profissional. Fez excelente trabalho e demonstrou a simplicidade da questão: Sarney havia transferido seu domicílio eleitoral no prazo da lei. Simples. O que há para discutir? É público e notório que ele é do Maranhão! Ora, também era público e notório que ele morava em Brasília, onde exercera o cargo de Senador e, nos últimos cinco anos, o de Presidente da República. Desde a faculdade de Direito, a gente aprende que não se pode confundir o domicílio civil com o domicílio eleitoral. E a Constituição de 88, ainda grande desconhecida (como até hoje), não estabelecia nenhum prazo para mudança de domicílio.

O sistema de sorteio do Supremo fez o processo cair com o Ministro Marco Aurélio, que, no mesmo dia, concedeu medida liminar, mantendo a candidatura de Sarney pelo Amapá.

Veio o dia do julgamento do mérito pelo plenário. Sarney ganhou, mas o último a votar foi o Ministro Celso de Mello, que votou pela cassação da candidatura do Sarney.

Deus do céu! O que deu no garoto? Estava preocupado com a distribuição do processo para a apreciação da liminar, afirmando que a concederia em favor da tese de Sarney, e, agora, no mérito, vota contra e fica vencido no plenário. O que aconteceu? Não teve sequer a gentileza, ou habilidade, de dar-se por impedido. Votou contra o Presidente que o nomeara, depois de ter demonstrado grande preocupação com a hipótese de Marco Aurélio ser o relator.

Apressou-se ele próprio a me telefonar, explicando:

— Doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o meu voto no caso do Presidente.

— Claro! O que deu em você?

— É que a Folha de S. Paulo, na véspera da votação, noticiou a afirmação de que o Presidente Sarney tinha os votos certos dos ministros que enumerou e citou meu nome como um deles. Quando chegou minha vez de votar, o Presidente já estava vitorioso pelo número de votos a seu favor. Não precisava mais do meu. Votei contra para desmentir a Folha de S. Paulo. Mas fique tranqüilo. Se meu voto fosse decisivo, eu teria votado a favor do Presidente.

Não acreditei no que estava ouvindo. Recusei-me a engolir e perguntei:

— Espere um pouco. Deixe-me ver se compreendi bem. Você votou contra o Sarney porque a Folha de S. Paulo noticiou que você votaria a favor?

— Sim.

— E se o Sarney já não houvesse ganhado, quando chegou sua vez de votar, você, nesse caso, votaria a favor dele?

— Exatamente. O senhor entendeu?

— Entendi. Entendi que você é um juiz de merda! Bati o telefone e nunca mais falei com ele.”
{Transcrito do Diário do Centro do Mundo}

O homúnculo



Aécio Neves teve cerca de 50 milhões de votos para presidente da República, em 2014, mas optou pela solução golpista.

Desde sua saída do processo eleitoral, desprezou essa votação admirável, até então jamais alcançada por seus antecessores Serra e Alckmin, e uniu-se a Eduardo Cunha para derrubar Dilma, golpear a democracia e incendiar o país. Ou seja, desprezou não só a sua votação, a vontade soberana do eleitor.

Mesmo delatado, seguiu em pregação pautada no mais abjeto moralismo hipócrita votando contra tudo que era do interesse do país que vinha do governo. Postou a bancada do partido que presidia como linha auxiliar dos malfeitos cunhistas.

Por fim, como mau perdedor, votou a favor do golpe jurídico/parlamentar/midiático que tirou da presidência uma mulher honesta e associo-se a bandidagem que assumiu o poder a fórceps.

Hoje Aécio teve o troco que merecia da população: pesquisa CNT de intenção de voto na corrida presidencial para 2018 informa que Aécio está atrás do jagunço Jair Bolsonaro, amargando um risível 4º lugar.

Ou seja, fica claro que a direita tem seu candidato e este não é Aécio, mas alguém com o figurino talhado em 1964, sem retoques, sem maquiagem de bom mocismo, enfim, um truculento assumido.

Com isso parece ficar claro que o fantoche privata não estava a altura do papel que a direita, a mídia conservadora, o vetusto Poder Judiciário e o Poder Legislativo à imagem e semelhança do assaltante Eduardo Cunha lhe conferiram e fez derreter todo esse capital eleitoral em menos de dois anos.

Presidente da segunda maior legenda operadora do golpe contra a democracia, articulista do jornal de maior circulação no país, beneficiário da facciosa forma de atuar do jornalixo tupiniquim, que evita dar repercussão aos inúmeros malfeitos cometidos pelo senador mineiro, ainda assim, amarga um quarto lugar nas pesquisas, o que ressalta sua desimportância política, fruto de uma trajetória deplorável pessoal e como homem público.

A incrível resistência de Lula ao bombardeio jurídico/midiático e o repúdio popular ao golpismo temerário


Pesquisa realizada pelo instituto MDA por encomenda da Confederação Nacional dos Transportes, divulgada nesta quarta-feira (15), aponta que o ex-presidente Lula (PT) lidera as intenções de voto em todas as simulações, inclusive de segundo turno.
Voto espontâneo

Com relação às intenções de voto espontânea, Lula subiu de 11,4% para 16,6%.

A reprovação ao governo do presidente Michel Temer aumentou sete pontos percentuais de outubro para cá, segundo pesquisa realizada pelo instituto MDA por encomenda da Confederação Nacional dos Transportes (CNT). No total dos entrevistados, 44% avaliam de forma negativa a administração do peemedebista (eram 37% em outubro), 39% os que consideram regular (eram 36%) e 10% os que avaliam como positivo (contra 15% no levantamento anterior).
A rejeição a Michel Temer subiu de 51,5% em outubro para 62%


Nos cenários para 2018, divulgados nesta quarta-feira, o destaque é a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em todas as simulações, inclusive de segundo turno.

O índice de reprovação a Temer vem crescendo desde sua posse. Em junho, eram 40% os que reprovavam o presidente, depois subiu para 51% e agora chega a 62%. A aprovação caiu de 34% em junho para 32% em outubro e para 24% na pesquisa deste mês.

ELEIÇÕES 2018

As intenções de voto espontânea em Lula subiram de 11,4% para 16,6%.

Jair Bolsonaro (PSC) subiu de 3,3% para 6,6% e aparece em segundo.

Todos os demais nomes mencionados tiveram queda em seu percentual.
Aparecem em sequência Aécio Neves (PSDB), com 2,2%;
Marina Silva (Rede), com 1,8%;
Michel Temer (PMDB), com 1,1%;
Dilma Rousseff (PT), com 0,9%;
Geraldo Alckmin (PSDB), com 0,7%;
Ciro Gomes (PDT), com 0,4%.


Lula lidera em todos os três cenários propostos para o primeiro turno com percentuais de 30,5% a 32,8%.

Marina Silva e Jair Bolsonaro aparecem nos três cenários, enquanto Aécio Neves e Geraldo Alckmin são apontados como candidatos do PSDB.

Marina, Bolsonaro, Aécio e Alckmin aparecem empatados tecnicamente, pela margem de erro, em todos os cenários.

Marina varia entre 11,8% a 13,9%.


Bolsonaro vai de 11,3% a 12%.

Aécio varia de 10,1% a 12,1%.


Alckmin tem 9,1% no cenário em que seu nome foi apresentado.
Foram realizadas seis simulações de segundo turno. Lula passou a liderar nos três cenários em que é testado. Em outubro, ele vencia apenas em uma simulação contra Michel Temer.

No levantamento atual, Lula venceria Aécio por 39,7% a 27,5%, bateria Marina por 38,9% a 27,4% e derrotaria Temer por 42,9% a 19%.

Nos demais cenários, Aécio venceria Temer por 34,1% a 13,1% e estaria em empate técnico com Marina, com 28,6% contra 28,3% da ex-senadora. Marina, por sua vez, venceria Temer por 34,4% a 16,8%.

O nome de Bolsonaro não foi testado em nenhum cenário para o segundo turno.
Foram realizadas 2002 entrevistas entre 8 e 11 de fevereiro em 138 municípios de 25 unidades da federação. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.
Execrado
A avaliação do Michel Temer piorou em fevereiro na comparação com outubro, mostrou nesta quarta-feira pesquisa CNT/MDA, num momento em que o país se esforça para superar a profunda recessão que tem gerado recordes de desemprego.

Segundo a pesquisa encomendada pela Confederação Nacional do Transporte, 10,3 por cento consideram o governo Temer ótimo ou bom, ante 14,6 por cento em outubro. Os que acham o governo ruim ou péssimo passaram a 44,1 por cento, ante 36,7 por cento no levantamento anterior.

A avaliação regular foi para 38,9 por cento, ante 36,1 por cento. Ao mesmo tempo, a parcela dos que não tinham opinião ou não quiseram responder recuou para 6,7 por cento, ante 12,6 por cento. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais.

O desempenho pessoal de Temer foi aprovado agora por 24,4 por cento, ante 31,7 por cento em outubro, enquanto a desaprovação foi para 62,4 por cento, ante 51,4 por cento.
Foram ouvidas 2.002 pessoas em 138 municípios do país, entre os dias 8 e 11 de fevereiro.
{Os Amigos do Presidente Lula}

O pragmatismo folharal


Alheia aos malfeitos acadêmicos de Alexandre de Moraes, a Folha Tucana chama de 'teatro' a oposição que as bancadas oposicionistas no Senado continuarão fazendo à infeliz escolha.

Trata-se de dever cívico que ficará para a história, bem ao contrário de um jornal que foi vilmente censurado mas não consegue posicionar-se além dos seus interesses comerciais, daí dar uma no cravo do seu furo de reportagem, e outra na ferradura dos interesses argentários que ligam aquele panfletão paulista aos interesses do golpismo assaltante.

Ruim seria se os parlamentares se omitissem para não dar trabalho ao jornalixo tupiniquim. Primeiro pela necessidade de ocultar o desempenho dos oposicionistas, depois posicionando-se a favor do governismo delinquente fazendo das tripas corações que o rábula temerário reúne condições para atuar na mais alta Corte do país.

Sabe a Folha e os demais orgãos da mídia conservadora que não reúne, daí ser mais fácil desviar a atenção batendo na oposição do que agir seriamente mostrando a tremenda vergonha que é para o país a malsinada escolha.

E olha que esse STF nem é assim tão digno de ser poupado de ter figuras desse nível em seu colegiado. De qualquer modo, trata-se de uma instituição que deve merecer o maior respeito da população. Mesmo que às vezes ele pareça estar mais para o compadrio com 'angorás' do que como guardião da nosso Constituição.

Mirem-se no exemplo de Eldorado do Carajás


Uma das páginas mais vergonhosas de nossa história foi o tristemente conhecido 'Massacre de Eldorado do Carajás', quando a Polícia Militar agiu com extrema brutalidade e matou cerca de 20 trabalhadores rurais. Tudo até hoje devidamente empurrado pra debaixo do tapete da impunidade criminosa.

Agora, quando as esposas e familiares dos policias militares ameaçam radicalizar seu protesto contra os péssimos salários que o governo do estado paga a seus maridos, fechando as principais avenidas da capital paraense e até do município de Castanhal, espera-se que não apareçam para Simão os mesmos conselheiros que convenceram Almir a mandar desobstruir a estrada qualquer custo.

Além do risco de derramamento de sangue, que as duas partes, governador e PM, entendam que reivindicações justas não podem ser tratadas como delinquência. Antes, ao contrário, trata-se de manifestação justa no sentido de fazer um segmento social não andar para trás, no rumo da precariedade social, apenas porque um governante entende que austeridade fiscal faz-se às custas desse processo de empobrecimento da sociedade.

Que fique a lição, principalmente para os apoiadores do movimento dos familiares dos policiais. Assim, pode ser que futuramente os mesmos aprendam a lição definitivamente.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

JÁ VEM COM CENSOR 'MAR DE LAMA'


Depoimentos de delatores contradizem diretamente denúncia do MPF contra Lula


O Ministério Público Federal acusou Lula de receber desvios da Petrobras na forma de um apartamento no Guarujá e na armazenagem de "bens pessoais" (na realidade, o acervo presidencial). Na acusação, o MPF disse que os desvios da Petrobras para Lula teriam ocorrido com a participação de executivos da Petrobras. Na realidade, porém, em depoimento como testemunhas chamadas pela acusação, esses mesmos executivos negaram qualquer conhecimento de vantagens indevidas ou qualquer participação de Lula nos desvios da Petrobras.

No processo que move contra Luiz Inácio Lula da Silva e dona Marisa Letícia Lula da Silva, os procuradores do Paraná que compõem a Operação Lava Jato listaram nada menos do que 27 testemunhas de acusação, todas já ouvidas pelo juiz Sérgio Moro.

Não só nenhum dos 27 depoentes do MPF conseguiram comprovar a principal tese acusatória dos procuradores paranaenses: a de que a construtora OAS teria determinado a outra empresa do mesmo grupo, a OAS Empreendimentos, que “doasse ocultamente” ao casal Lula da Silva um apartamento triplex em um prédio no Guarujá (SP), como pagamento ilegal ao ex-presidente por este ter ajudado à OAS Construções ter fechado três contratos com a Petrobras.

Para além de não auxiliar em nada para comprovar a tese, duas das testemunhas levadas pelos procuradores, e citadas em sua denúncia, relataram fatos que desmentem a tese acusatória do MPF-PR.

As testemunhas são dois ex-executivos da Petrobras, Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, ambos delatores que fecharam compromisso de colaboração com a Justiça.

Na denúncia que o juiz Sérgio Moro aceitou para tornar Lula e dona Marisa réus no processo penal, os procuradores discorrem longamente sobre um “contexto dos fatos” por mais de 100 páginas, mas em apenas uma delas eles resumem a acusação concreta que apontam contra o ex-presidente Lula:

“Com efeito, em datas ainda não estabelecidas, mas compreendidas entre 11/10/2006 e 23/01/2012, LULA, de modo consciente e voluntário, em razão de sua função e como responsável pela nomeação e manutenção de RENATO DE SOUZA DUQUE [RENATO DUQUE] e PAULO ROBERTO COSTA nas Diretorias de Serviços e Abastecimento da PETROBRAS, solicitou, aceitou promessa e recebeu, direta e indiretamente, para si e para outrem, inclusive por intermédio de tais funcionários públicos, vantagens indevidas(...)

As vantagens foram prometidas e oferecidas por LÉO PINHEIRO e AGENOR MEDEIROS, a LULA, RENATO DUQUE, PAULO ROBERTO COSTA e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO [PEDRO BARUSCO], para determiná-los a, infringindo deveres legais, praticar e omitir atos de ofício no interesse dos referidos contratos.”


Ou seja, do que acusam objetivamente Lula os procuradores da Lava Jato? De ter solicitado e recebido vantagens indevidas de um empresário (Leo Pinheiro, da OAS), por conta de três contratos fechados entre a Petrobras e a OAS. Tais vantagens teriam sido negociadas e recebidas por meio dos executivos Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Pedro Barusco.

Assim, a fim de provar o que alegam, os procuradores chamaram como testemunhas de acusação os dois executivos. E o que disseram eles no processo?

1 - Paulo Roberto Costa


Pergunta: Vossa senhoria tem conhecimento se o ex-presidente Lula solicitou vantagem indevida em razão do cargo?
Resposta: Não tenho esse conhecimento.

P
: Vossa senhoria tem conhecimento se o ex-presidente aceitou promessa de vantagem indevida também em razão do cargo?
R: Não tenho esse conhecimento.

P: Vossa senhoria tem conhecimento se o presidente Lula recebeu vantagem indevida em razão do cargo?
R: Não tenho esse conhecimento.

P: Vossa senhoria tem conhecimento se a OAS teria oferecido vantagem indevida em razão do cargo ao ex-presidente Lula?
R: Não tenho esse conhecimento.


2 - Pedro Barusco


Pergunta
: O senhor teve algum contato direto com o ex-presidente Luiz Inácio?
Resposta: Eu só tive oportunidade de encontrar com ele em inaugurações ou solenidades. Nunca tive pessoalmente com ele, conversando ou discutindo algum assunto.
{Lula.com.br}