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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Segurança estatística


As vozes oficiais do governo já responsabilizaram o governo federal pelo descalabro administrativo da segurança pública em nosso estado; viajaram na maionese, repetindo a fantástica lorota da redução da criminalidade conforme os números da Secretaria de Segurança, por sinal, de tanto baixar deve estar próximo do índice zero...na mágica planilha governamental; e, por último esboçaram a providência de colocar o bloco, ops...o policiamento na rua, remanejando pessoal das funções administrativas que executa.

Fora o atabalhoado festival de lorotas, nada disso pode ser levado em conta como coisa séria e decorrente de administradores competentes que planejam suas ações. Relembre-se que a Força Nacional de Segurança manteve contingente quase que permanente aqui pelo nosso estado, de 2007 a 2010, ajudando em muito nossa PM no policiamento ostensivo, daí nunca termos chegado ao pandemônio atualmente vivido. Portanto, a responsabilização do governo federal é irresponsável e torpe.

Nem se deve levar em conta os números divulgados pela SEGUP na medida em que representam um escárnio contra a população paraense, especialmente com os que perderam parentes.

Pulando essa lábia de mascates políticos querendo vender tapete mágico a incautos, sobra a ladainha do deslocamento de efetivo da burocracia às ruas. Localizando o orifício bem direitinho, chegaremos à conclusão que nossas autoridades metem o bedelho no local errado. Com efeito, antes da burocracia, a segurança pública no Pará padece de um mal crônico que a acomete desde o desvirtuamento de sua finalidade. Ou seja, de pública ela tem pouquíssimo, executando mesmo é segurança privada a quem ajuda o governador a mitigar o arrocho o salarial que pratica, pagando por fora grande parte do efetivo.

Quando a governadora Ana Júlia enviou ofício pra Deus e o mundo recambiando os vários policiais que faziam serviços particulares e poderiam muito bem estar nas ruas cuidando de toda a população, conseguiu o retorno de mais de 500 servidores públicos. Mas encontrou muita resistência e jeitinho daqueles que aparentam preocupação, mas tudo da boca pra fora. Houve até um senador que inventou uma ameaça de morte que teria sofrido, apenas para manter os cinco PMs que lhe prestavam serviços particulares, mesmo que seu cargo exigisse que procurasse a Polícia Federal.

Constata-se, assim, que com vontade política já é difícil imagine quando se age de forma bonachona e reverente ao patrimonialismo de certa elite que imagina ser a coisa pública extensão de seu patrimônio, como faz Simão. Só resta fugir para as planilhas oficiais, refugiando-se naquele mar de tranquilidade onde até a folclórica "sensação de insegurança" foi banida. Credo"

Cadê a vergonha? Sócio de Ronalducho confessa que é corrupto, mas o robusto aecista silencia

Na Copa ele disse sentir vergonha. E agora?
O mundo do futebol foi abalado nessa quarta-feira com a prisão em Zurique de funcionários e dirigentes da FIFA.
A ação da polícia suíça cumpriu uma decisão da Justiça norte-americana, que indiciou nove funcionários da entidade e cinco executivos corporativos por extorsão, conspiração e corrupção.
Entre os réus mais famosos e altos dirigentes da FIFA, há casos como o de Jeffrey Webb, o incrível representante do portentoso futebol das Ilhas Caiyman (!), que alçou voo e chegou à presidência da CONCACAF e dois acusados, que apesar de terem negócios nos Estados Unidos, são bem conhecidos dos brasileiros: J. Hawilla e sua empresa a Traffic Sports.
Nos Estados Unidos, a Traffic é sócia de Ronaldo no time Fort Lauderdale Strikers, que recentemente contratou o ex-lateral do Flamengo Leo Moura.
Segundo a Procuradora-Geral dos Estados Unidos, Loretta E. Lynch além dos indiciados no processo publicado hoje, quatro réus já se confessaram culpados para evitar o indiciamento e entre eles está o brasileiro José Hawilla, 71, proprietário e fundador da Traffic, e sua empresa a Traffic Sports International, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas.
“Em 12 de dezembro de 2014, o acusado José Hawilla, proprietário e fundador do Grupo Traffic, o conglomerado de marketing esportivo brasileiro, evitou o indiciamento e se declarou culpado em quatro casos de acusações de conspiração, extorsão, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça'', afirma o documento assinado por Lynch
A Procuradora-Geral informa que Hawilla concordou em recolher mais de US$151 milhões em multas, US$ 25 milhões dos quais já foram pagas na assinatura da sentença.
“A Traffic Sports EUA, com sede na Flórida, e a Traffic Sports International também admitiram culpa e foram condenadas por conspiração e fraude bancária'', afirmou Lynch.
Lynch informou, ainda, que segundo as leis federais norte-americanas, todo o dinheiro restituído pelos réus será mantido em reserva para garantir sua disponibilidade a qualquer ordem de restituição em benefício de pessoas ou entidades vítimas de seus crimes.
Ligações perigosas 
O presidente da Traffic Sports EUA, Aaron Davidson, que é também o presidente do conselho da NASL, está na lista das 9 pessoas ligadas à corrupção na FIFA, que foram indiciadas hoje pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Seis delas já estão presas na Suíça, entre elas o ex-presidente da CBF e ex-governador de São Paulo, José Maria Marin.
Ao longo das últimas três décadas, a Traffic organizou e/ou comercializou a maioria dos eventos de futebol internacional nas Américas e hoje detém os direitos comerciais exclusivos da Copa do Brasil, Copa América, da Libertadores, da Copa Ouro e da Liga dos Campeões da CONCACAF, das Eliminatória da Copa do Mundo (da CONCACAF), da Liga de Futebol Norte-Americana (NASL).
A Traffic também é quem negocia os contratos da Seleção Brasileira no País, além de ser proprietária de clubes como o Estoril Praia (Portugal), do Carolina RailHawks e do Fort Lauderdale Strikers (NASL) e do Desportivo Brasil.
(Blog FastFut/UOL)

Quadrilha do football association desbaratada. Vassalo da Globo é preso

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Os jornais amanhecem com a notícia da prisão de José Maria Marin, a figuraça que presidiu a CBF em substituição a Ricardo Teixeira, quando este não aguentou a exposição de suas falcatruas.
Mas, e o próprio? Claro que está metido no embrulho porque, como esclarece a Folha “as acusações, segundo a polícia suíça, estão relacionadas a um vasto esquema de corrupção de mais de US$ 100 milhões dentro da Fifa nos últimos 20 anos, envolvendo fraude, extorsão e lavagem de dinheiro em negócios ligados a campeonatos na América Latina e acordos de marketing e transmissão televisiva”.
Transmissão televisiva? Será que ouve-se aí um “plim-plim”?
E como a polícia suíça, nem o EUA vão adotar o “método Sérgio Moro” de que corrupção antiga “não vale”, Teixeira e seu ex-sogro, Jean-Marie Faustin Goedefroid Havelange, vulgo João Havelange, estão metidos em tudo, já que a acusação do Departamento de Justiça norte americano, em nota, é de que o “esquema que atuava há 24 anos para enriquecer dirigentes através da corrupção no futebol internacional”.
“Bola”, nos círculos dirigentes do futebol, no Brasil e no mundo, há muito tempo deixou de ser aquele objeto redondo perseguido no campo.
A Jabulani dos cartolas é outra, verdinha, em maços bem polpudos.
Tanto lá como aqui e é por isso que, no exterior e no Brasil estes dirigentes se perpetuam.
Afinal, o esporte de que gostam se pode jogar com qualquer idade.
(Tijolaço)

O significado da derrota de Cunha


Não dá pra superestimar o poder de influência de Eduardo Cunha, mas também não dá pra achar que os resultados nas votações a respeito do 'Distritão' e da manutenção do financiamento empresarial de campanhas são derrotas pessoais e intransferíveis dele. Em condições normais de temperatura e pressão, Cunha jamais jogaria fora votos fazendo o que fez com o relator da tal comissão especial que formou.

Além disso, sabia dos interesses difusos entre as várias bancadas que até aqui o acompanharam, o que dificultaria bastante a união em torno de propostas tão polêmicas.

Certo é que o atual presidente da Câmara fermentou a influência que hoje tem beneficiando-se das regras vigentes. Assim, usando do seu poder de lobbista, ajudou a eleger frações significativas de bancadas corporativas que hoje formam sua base de sustentação.

Nesse sentido, colocar o bode na sala pode ter feito parte da tática pra deixar tudo como está. 'Distritão' e financiamento empresarial, em um momento tão adverso, foram os bodes retirados do ambiente sem que haja sinalização de que Cunha tenha feito algo mais do seu feitio pra evitar. Continua, então, prevalecendo o modelo vigente em que o voto na legenda abastece o cálculo do coeficiente eleitoral que indicará quem será eleito.

O problema passa a ser o financiamento, já que a derrota de ontem pode significar o sepultamento do poder de influência das empresas. Como diz a competente, experiente e honesta analista política Tereza Cruvinel, em relação ao financiamento de campanhas ainda serão votadas nesta quarta-feira propostas de financiamento público exclusivo ou misto. Mas está claro que não há clima nem voto para aprovar nenhuma delas. Foi-se a reforma.

Resta, então, o vácuo que ficará a partir dessa votação. E resta, também, a decisão do STF em considerar inconstitucional o financiamento das empresas, só não homologada em razão da manobra solerte do ministro Gilmar Mendes, que esperava pela constitucionalização da medida para declarar inútil a votação da nossa Corte Maior.

Caso tenhamos essa desfecho, nem tudo estará perdido e o ganho com o fim da enorme influência do poder econômico na vontade do eleitorado brasileiro, podendo ocorrer, já em de 2016, a primeira eleição pós ditadura militar/empresarial parcialmente livre daquilo que Golbery do Couto e Silva impôs visando garantir a hegemonia das elites no comando político do país. Promete!

Brasil, um país desconhecido pelos brasileiros

Mateus Pereira/Secom
É um fato concreto que a versão veiculada pela mídia sobre o que acontece no país é totalmente desvirtuada e dirigida, segundo seus interesses empresariais e familiares. Em relação às políticas públicas voltadas para o combate à fome e a produção de alimentos pela agricultura familiar, que engloba trabalhadores e trabalhadoras assentadas, quilombolas, ribeirinhos, indígenas e o povo marginalizado há décadas nos nove estados nordestinos e o norte de Minas Gerais, que formam o semiárido. No final do ano passado a FAO, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, lançou pela primeira vez o relatório sobre Segurança Alimentar e Nutricional inteiramente sobre um país, no caso, o Brasil. O documento começou a circular este ano, e têm versões em português, espanhol e inglês. Internamente a notícia veiculada rapidamente dava conta que o Brasil tinha saído do Mapa da Fome.
 
A FAO monitora mais de 180 países nos quesitos sobre insegurança alimentar. E o Brasil, desconhecido de grande parte da população, é tratado como um caso de relevância internacional, que passou a ser um exemplo e copiado por muitos outros países por suas políticas adotadas no combate à fome e a produção de alimentos pela agricultura familiar. Como esclareceu o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic:
 
Prioridade para segurança alimentar é política
 
“- A conjuntura do Brasil é caracterizada pela consolidação e institucionalização de políticas bem sucedidas de combate à fome e de promoção da segurança alimentar e nutricional (SAN), norteados pelo Direito à Alimentação Adequada, da ONU. O Brasil cumpriu e ultrapassou os Objetivos do Milênio no que diz respeito à redução da pobreza e da fome”.
 
A questão não é técnica e sim política, como define a própria Lei 11.346/2006, que é a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional, onde está definido o significado de tudo isso:
 
“- É a realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras da saúde, que respeitem a diversidade cultural e que sejam social, econômica e ambientalmente sustentáveis. Não é um conceito técnico, é um conceito político, construído com intensa participação social”, escreve o dirigente da FAO no Brasil.
 
Brasil referência internacional
 
Por que o caso brasileiro se destaca, pergunta Alan Bojanic?
 
Por vários motivos: combate à fome como prioridade de Estado, sistema de governança da SAN, perspectiva do Direito Humano à Alimentação Adequada, processo participativo e intersetorial, políticas públicas articuladas e programas bem desenhados, monitoramento da SAN e convergência com a discussão internacional.
 
As ações funcionam em rede, tanto os programas sociais como o Bolsa Família, que em 2013 alcançou R$25 bilhões e atendeu 13,8 milhões de pessoas, mas todas as outras ações de apoio à agricultura familiar, como o PRONAF e os Programas de Aquisição de Alimentos e da Merenda Escolar, que no total somaram R$78 bilhões em 2013. Segue outro trecho do relatório Segurança Alimentar e Nutricional – Um Retrato Multidimensional, da FAO:
 
“- O Brasil já é hoje uma referência internacional de combate à fome. As experiências exitosas como transferência de renda, compras diretas para aquisição de alimentos, capacitação técnica de pequenos agricultores, entre outras, estão sendo transferidas para outros países. Os gastos sociais aumentaram mais de 128% entre 2000 e 2012 e a parcela no PIB aumentou 31%. O Bolsa Família que atingiu R$25 bilhões em 2013 e atendeu 13,8 milhões de famílias, sendo que o depósito é feito em nome da mãe preferencialmente e exige que as crianças permaneçam na escola e visitem os serviços de saúde.”
 
Estrutura fundiária concentrada
 
As famílias em situação de extrema pobreza, que foram o foco do programa Brasil Sem Miséria, lançado em 2011, e tornaram possível que estas famílias recebam um mínimo de renda per capita de US$1,25 por dia, segundo o relatório, retirou desta situação 22 milhões de brasileiros. Os investimentos em políticas que apoiam os agricultores familiares aumentaram 10 vezes em 10 anos, caso do PAA chegou a R$1,3 bi em 2013 e o PNAE atingiu 43 milhões de estudantes, no mesmo ano. Outra política pública ressaltada pela FAO: o acesso à terra, com a distribuição de 50 milhões de hectares a mais de 600 mil famílias nos último 10 anos, contando até 2012. Os números totais hoje em dia chegam a quase um milhão de famílias assentadas e 80 milhões de hectares.
 
Por fim, o Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, realizado em conjunto com a sociedade civil, está vinculado ao orçamento federal e um sistema bem estruturado de monitoramento multidimensional de segurança alimentar e nutricional. O Brasil é um país mundialmente importante na produção agrícola e diversidade de alimentos. Por outro lado, aspectos como a estrutura fundiária concentrada e a sustentabilidade do sistema adotado e o equilíbrio entre produção de commodities direcionadas para o mercado internacional e de alimentos para o consumo interno têm reflexos importantes na Segurança Alimentar e Nutricional da população e alguns grupos específicos.
 
Consumo excessivo de agrotóxicos e transição agroecológica
 
O relatório cita o fato do país ser líder na produção de laranja, cana e café, ocupar a segunda posição em soja, feijão e carne bovina, o terceiro em abacaxi e milho, o quarto na produção de leite de vaca e o quinto em limão e banana.
 
“- Ao mesmo tempo ainda existe uma parte da população em situação de insegurança alimentar, o que mostra que a quantidade de produção de alimentos de um país não se configura como um fator determinante no combate à fome. O mesmo ocorre nos Estados Unidos, também entre os maiores produtores de alimentos, onde quase 15% da população estão em situação de insegurança alimentar, sendo 5,7% em situação de insegurança alimentar grave”.
 
O relatório também registra que apenas metade das terras indígenas no país estão regularizadas e que apenas 10% dos quilombos identificados pela Fundação Palmares possuem título de terra. E faz o alerta para o consumo excessivo de agrotóxicos pela população brasileira.
 
“- Um terço dos alimentos consumidos na mesa dos brasileiros é contaminado por agroquímicos, sendo que mais de um quarto com substâncias proibidas para consumo no Brasil.”
 
Os avanços na democratização do acesso à terra em determinadas regiões e os modelos produtivos e de promoção da transição agroecológica, além da importância econômica da agricultura familiar, são questões que o Brasil precisa avançar, ainda conforme o relatório.
 
Dinheiro do PRONAF continuará o mesmo
 
Na semana passada a Confederação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (CONTAG) e seus quatro mil sindicatos espalhados no território brasileiro realizaram o 21º Grito da Terra com 80 mil pessoas mobilizadas. Os representantes da CONTAG se reuniram com a presidenta Dilma Rousseff e apresentaram uma pauta com 170 itens que foi respondida pelo governo federal. Neste encontro, o presidente da CONTAG, Alberto Broch disse à presidenta:
 
“- Não tenha medo de mexer no cofre dos grandes empresários, das mineradoras, mas não mexa nas populações rurais. Não mexa na reforma agrária”.
 
O Plano Safra da Agricultura Familiar será lançado no dia 15 de junho e deverá manter o patamar de R$25 bilhões para custeio e investimentos. O governo federal também se comprometeu a dirigir as compras públicas cada vez mais na direção da agricultura familiar. Também se comprometeu a entregar 10 mil moradias no Programa Minha Casa, Minha Vida Rural no próximo mês, uma da das reivindicações da CONTAG.
 
Sobre a reforma agrária, a secretária executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Maria Fernanda Coelho esteve reunida no sábado, dia 23, em Recife, com os representantes da Federação dos Trabalhadores e trabalhadoras rurais – FETAPE – e anunciou que o governo federal vai assentar 120 mil famílias até 2018 – em condições qualificadas de luz, água, moradia, crédito e assistência técnica.
 
100 mil mulheres em agosto na capital federal
 
Em Recife ocorreu uma das maiores manifestações do Grito da Terra com cinco mil participantes. Eles caminharam até a sede do governo estadual, pois desde 2013 existe uma lei no estado que define ações em apoio ao povo do semiárido que até agora não receberam nenhuma resposta ou iniciativa do executivo. Os 179 sindicatos pernambucanos também reivindicam R$30 bilhões para o PRONAF e outros 20 bilhões para outros programas. Nas ruas da capital eles anunciaram o que a população brasileira precisa saber:
 
“- Quem coloca alimento na mesa da cidade precisa de apoio da sociedade”.
 
A FAO divulgou ainda nos últimos dias o relatório mundial sobre a fome, onde 805 milhões de pessoas passam por esse sacrifício todos os dias. No caso da África, um em cada quatro habitantes. Entretanto, mesmo sendo referência internacional o Brasil segue um desconhecido para os seus habitantes, porque aqui o único problema existente é a corrupção. E mais nada. Também não ficará sabendo que na última semana deste maio de 2015 acontece a Semana dos Alimentos Orgânicos com ações oficiais em 20 estados. Mas certamente vai ficar sabendo quem nos dias 11 e 12 de agosto 100 mil mulheres desfilarão pelas ruas de Brasília na 5ª Marcha das Margaridas. Essa vai ficar difícil de esconder.        
(Najar Tubino/ Carta Maior)

terça-feira, 26 de maio de 2015

Resultados nefastos do famigerado orçamento impositivo


Quando foi aprovado no Congresso Nacional, o tal orçamento impositivo foi saudado pela mídia delinquente e partidarizada como um avanço no resgate de prerrogativas perdidas pelo Legislativo para o Executivo desde os tempos da ditadura militar/empresarial.

Porém, na prática, era sabido que tudo não passava de ardil visando dobrar a inflexível Dilma Rousseff e fazer valer o balcão de negócios gestado no parlamento entre empresas financiadoras e parlamentares financiados a fim de impor como prioridade nacional interesses particulares inconfessáveis.

Eis aí um exemplo prático dessa sordidez, relatado pelo site da revista Carta Capital. O financiamento da saúde, por parte da União, teve diminuído o percentual mínimo da receita corrente líquida de aproximadamente 14,6% para 13,2%, e com isso o orçamento da saúde perde entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões, este ano. A PEC também prevê o pagamento de emendas, obrigando a União a repassar cerca de 1,2% do orçamento destinado a saúde às emendas parlamentares individuais de cada deputado. Tais recursos que serão retirados do SUS deverão ser aplicados em saúde, não precisando ser gênio pra perceber quem serão os beneficiários.

Hoje, o deputado paraense Hélio Leite foi à tribuna da Câmara saudar a ida dos prefeitos de todos os cantos do país a Brasília a fim de pressionar o governo federal por mais recursos. Não por acaso, o ex-prefeito do município de Castanhal e hoje deputado federal propôs a criação de uma espécie de PAC da saúde, correndo o risco de ser submetido a essa lógica de retirar recursos do orçamento público e transferindo pra iniciativa privada, inominável patranha urdida por malfeitores que tiram recursos pra atendimento dos que mais precisam pra beneficiar tubarões e turbinar essa usina de falcatruas. Revoltante!

O covil do metrô


Seul, na Coreia do Sul, inaugurou a sua malha de metrô apenas um mês antes da capital paulista, em 1974. Mas hoje, enquanto os paulistanos contam com uma rede de 80,6 km, a cidade asiática possui 326,5 km —fazendo 8 km de metrô por ano, enquanto São Paulo inaugurou menos de 2km/ano.

No entanto, há indícios fortíssimos de que mais de R$4 Bilhões foram distribuídos em propinas à autoridades desse setor metroviário, por parte de empresas que queriam vender equipamentos ou tocar obras de construção civil. E mais: executivos de empresas estrangeiras envolvidos nessa ladroagem foram punidos em seus respectivos países, enquanto os servidores públicos corrompidos continuam impunes e beneficiários da lerdeza da justiça brasileira, muitos dos quais até exercendo mandato parlamentar e até vociferando contra a corrupção em repugnante show de hipocrisia.

Não por acaso, dia sim outro também privatas falam em impeachment da presidenta Dilma, sonhando beneficiar-se de golpe paraguaio para voltar ao comando político/administrativo do país, de onde foram enxotados em 2002 pela população, que não aguentava mais viver sob o tripé arrocho salarial, ladroagem e entreguismo de nossas riquezas e nosso patrimônio ao capital estrangeiro ao mesmo tempo em que explodiam o desemprego, a inflação e nossa dívida pública.

Hoje, quando esses mesmos privatas apostam na falta de memória da população pra apresentarem-se como alternativa, como se o criminoso trabalho midiático de ocultar os malfeitos dessa corja de flibusteiros em governos estaduais e prefeituras, felizmente percebe-se que a sociedade brasileira ainda não esqueceu aquele que foi um dos mais tristes ciclos políticos experimentados, sendo muito difícil o retorno dessa súcia, seja pelas vias normais permitidas pela democracia seja pelo atalho golpista que buscam obsessivamente. O Brasil não merece viver esse pesadelo novamente.

A raposa e o galinheiro. Juiz da Zelotes é investigado por corregedoria

A pedido do MPF, magistrado vira alvo de uma investigação da Corregedoria Regional da Justiça Federal
Juiz da Zelotes é investigado por corregedoriaUm dos juízes responsáveis pela Operação Zelotes será investigado pela Corregedoria Regional da Justiça Federal por suspeitas de atrapalhar o andamento do caso. Ricardo Augusto Soares Leite é titular da 10ª Vara Federal Criminal de Brasília teria barrado diversos pedidos de prisão solicitados pela Polícia Federal e paralisado as interceptações telefônicas.
A Operação Zelotes, da Política Federal, é responsável por investigar uma quadrilha que atuava no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão ligado ao Ministério da Fazenda. Formado por conselheiros e funcionários públicos, o grupo mantinha um esquema de fraude em votações cujo prejuízo é estimado em R$ 6 bilhões.
A atuação do magistrado será investigada a pedido da procuradora Regional da República Valquíria Oliveira Quixadá Nunes, integrante da força-tarefa criada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Segundo integrantes da força-tarefa da Zelotes, as investigações enfrentam dificuldades desde o início devido a ações de Leite. O juiz integra a única especializada em lavagem de dinheiro de Brasília e chegou a atrapalhar diligências caminhavam para comprovar crimes praticados por altos funcionários de bancos como o Safra, Bradesco e Santander.
A postura de Leite já havia sido criticada pelo coordenador da força-tarefa da Zelotes, o procurador Frederico Paiva. Em coletiva de imprensa, Paiva afirmou que a operação não sensibiliza a mídia e que o juiz tem um histórico de acúmulo de processos que deveria ser acompanhado de perto.
(Agência PT de Notícias)

"Filisteus"

O esbirro/parlamentar da bancada paraense editou um vídeo pra difamar o deputado Jean Willys(PSOL/RJ), sendo por isso denunciado pelo difamado à direção da Câmara Federal, mas mereceu elogios de um  notório trapezista escrotal com faro aguçado pra propina.

Agora, é o blog 'Sol de Carajás' que denuncia a mesma prática por parte do vil bajulador, acusado de manipular vídeo e retirar agressões do prefeito ao titular daquele blog de Parauapebas e aos maranhenses que procuram aquela cidade.

Nem a propósito, hoje foi desencadeada uma operação policial em Pebas resultando na prisão de políticos e empresários e deixando no ar um provável envolvimento do dito prefeito no esquema ora desbaratado, embora o trapezista escrotal em tela tenha dito mil maravilhas a respeito dessa altamente suspeita administração, sabe-se lá porque motivo$$$$.

Grupo da USP denuncia Abril, Globo e projeto tucano de censura a professores

Grande queima de livros pelos nazistas
O que seria o “ensino ideológico”? O que seria o “assédio ideológico”?
Estas duas questões se colocam com a tramitação na Câmara dos Deputados do Projeto de Lei (PL) 1411/2015, o qual prevê condenação ao “assédio ideológico” no ensino no Brasil. O PL é de autoria de Rogério Marinho (PSDB). Nas suas palavras: “A escola e o ambiente acadêmico precisam ser blindados de qualquer assédio ideológico e partidário, um crime covarde. É preciso garantir a liberdade de aprender”.
No Rio de Janeiro, o Deputado Flavio Bolsonaro já tinha apresentado em 2014 o PL “Escola sem Partido” para defender o “direito dos pais a que seus filhos menores não recebam a educação moral que venha a conflitar com suas próprias convicções“.
Sabemos que certos “moralistas” querem mesmo é um homeschooling homofóbico e racista. O ridículo das propostas costuma levá-las ao esquecimento em condições “normais”, mas num ambiente político em que o Congresso Nacional reverte até direitos trabalhistas e sociais que também julgávamos conquistados, qualquer pantomima fascistoide de um parlamentar nos preocupa.
O ambiente escolar e acadêmico são alvos privilegiados do assédio ideológico e partidário, ao menos nas gestões tucanas em São Paulo e no Paraná.
O aparelhamento (e sucateamento) da Universidade de São Paulo após vinte anos de governo do PSDB é notável, como, ademais, se dá em outras instâncias do estado. Estão frescas na memória de muitas e muitos as cenas bárbaras protagonizadas pela polícia de Beto Richa nas ruas de Curitiba contra os professores em greve. Não houve qualquer panelaço revoltado em seu nome!
A PM de Alckmin não fica para trás: a forte repressão das greves estudantis de 2009 e 2011 na USP com direito a cavalaria, esquadrão anti-bombas, choque e soldados suficientes para cercarem homem a homem o prédio da reitoria e o CRUSP foi digno da ditadura militar, deixando claro um dos mecanismos de funcionamento da democracia racionada. Tampouco estes estudantes tiveram qualquer solidariedade, antes sofreram represálias da grande imprensa e dos sensacionalistas! A tática do governador agora é, para além da repressão, a negação da existência da greve de professores (assim como o faz com a crise hídrica). A negação é um dos estágios do luto…
Outra expressão da manipulação ideológica no ambiente acadêmico se dá através dos critérios das agências de fomento à pesquisa.
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por exemplo, também é uma instituição dos vinte anos de aparelhamento do estado pela direita tucana. A seleção ideológica de direita ali se vale de camuflagem científica, a qual se opera através da desqualificação de estudos marxistas, os quais são acusados de não serem científicos por conterem princípios ideológicos. Misturam-se a ignorância e a má fé nesta argumentação! Toda e qualquer abordagem científica carrega ideologia em seu bojo. O referencial teórico marxista é caracterizado por um severo grau de cientificidade, justamente por reconhecer e assumir que é construído através de uma visão de mundo e com vistas a uma intervenção neste mundo.
Retornemos ao “ensino ideológico”. De acordo com a direita brasileira, todo e qualquer ensino questionador, orientado teoricamente, com posição política do docente assumida, seria ideológico. Ora, reproduzir o senso comum e impedir que as coisas mudem, não é um assédio ideológico? Não é uma posição política? A manutenção do status quo, ainda que dissimulada por um falacioso discurso de neutralidade, é sem dúvida um assédio ideológico. A ideologia, como a política, está em tudo!
Na justificação do PL 1411/2015, assim escreveu o deputado Rogério Marinho:
“A forma mais eficiente do totalitarismo para dominar uma Nação é fazer a cabeça de suas crianças e jovens. Quem almeja o poder total, o assalto à Democracia, precisa doutrinar por dentro da sociedade, estabelecer a hegemonia política e cultural, infiltrar-se nos aparelhos ideológicos e ser a voz do partido em todas as instituições. Para eles, é preciso calar a pluralidade, a dúvida saudável e substituir a linguagem, criando um ambiente onde proliferam mitos, inversões, clichês, destruição de reputações e conflitos desnecessários. Para o totalitarismo vingar, é preciso destruir a coesão social e as tradições da sociedade. Por isso, partidos autoritários necessitam calar a imprensa e os meios de comunicação, dominar o sistema de ensino, estabelecer a voz única, enfim, a hegemonia decantada por Antônio Gramsci (filósofo e político Italiano – 1891-1937). Esse expediente estratégico foi utilizado para a conquista e manutenção de poder dos fascistas, nazistas, comunistas e ditadores por várias nações. Hegemonia política significa que a voz do partido deve ser ecoada em todos corações. Por isso, a propaganda desonesta, o marketing mentiroso, a idolatria por indivíduos, a falsificação da realidade e a tentativa de reescrever a História, forjando o passado.” Narciso apenas consegue enxergar o seu espelho!
O projeto de lei deste parlamentar tucano não se caracteriza, justamente, por calar a “pluralidade” e a “dúvida saudável” ao censurar os profissionais formados para suscitar o espírito crítico na escola, seu lugar de excelência? Talvez a tarefa de pensar e intervir na sociedade para o deputado caiba apenas aos meios de comunicação amigos de seu partido. O pensamento único se manifesta neste assédio ideológico que é tal PL! É a “falsificação da realidade” que Marinho acusa. Assalto à democracia através da mentira e deturpação conceitual (comentar a sua leitura capciosa de Gramsci seria desperdício de tinta).
A Revista Veja, anos atrás, veiculou matéria denunciando o que chamou de “doutrinação marxista”. Quando tentaram restringir a sala de aula brasileira de “conteúdos políticos”, em nome da defesa nacional contra “o perigo vermelho”, o que se viu foi a exclusão da Filosofia e da Sociologia do currículo, bem como a deturpação da disciplina de História, em nome das intervenções ideológicas, travestidas de disciplinas escolares, chamadas de Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira.
Duplo assédio: ideológico no colégio, físico e direto nas ruas! Aquelas disciplinas só serviram a um fim: produzir livros didáticos de baixa qualidade escritos por militares que se locupletaram juntamente com empresas editoriais.
A Rede Globo, com as palavras de Ali Kamel, também denunciou “conteúdo subversivo” em seus órgãos. Os interesses da Editora Abril e da Globo conseguem ser menos nobres ainda do que os dos setores golpistas em 1964! A sua estratégia macarthista, para além de agradar o gosto de seu público imbecilizado, corresponde aos interesses de grandes grupos produtores de material didático, em que se incluem os próprios conglomerados citados, tendo em vista retirar de mercado livros já consolidados no Ensino de História.
A escola também é, por definição, um espaço de formação, tal qual a família ou a religião do aluno (para aqueles que professam alguma fé). E formação é um momento de construção de pensamento crítico. Enganam-se, e enganam aos outros, aqueles que acreditam que a liberdade de aprendizado se opera em uma sala de aula censurada. A ideologia hegemônica não é imposta por professores e professoras, de resto espancados e mal pagos, mas sim por organismos midiáticos que, apoiados em concessões públicas ou em vultosas assinaturas para distribuição de seus escritos no ensino básico, possuem a plena liberdade para a mentira. Eis o real assédio!
Contra a escola sem partido, preferimos a sala de aula sem censura!
PS do Viomundo: O Gmarx surgiu em 2009 como grupo de pesquisa com o objetivo de discutir os vários marxismos no âmbito da Universidade. Ele congrega estudantes de graduação e pós-graduação, professores universitários, mas também estudantes ou autodidatas de fora da universidade.
O Gmarx se posiciona publicamente na defesa dos valores humanistas, da educação pública gratuita para todas as pessoas, a favor de cotas e procura integrar prioritariamente mulheres e negros, reconhecendo suas dificuldades em atingir tais objetivos.

Bravura Indômita


O vereador de Belém que atende pelo nome de John Wayne apresentou projeto de lei obrigando as concessionárias de energia, telefonia ou tevê por assinatura a providenciarem, no prazo máximo de dez anos, a substituição do cabeamento aéreo por cabeamento subterrâneo.

A medida, entre outras coisas, substitui o uso do satélite pela fibra ótica, principalmente na geração das imagens da tv evitando-se, assim, as constantes interrupções das transmissões quando chove. Vale dizer que o bravo e indômito edil belenense não aguenta mais ver perder pro mau tempo as perseguições e surras que o herói seu homônimo aplica em meliantes do velho oeste durante o ano todo, época que chove em Belém do Pará. Sábio!

Terra do nunca


PPP para 'criação e gestão' de 50 escolas é a cara dos SSS do prefeito Zenaldo. Tanto um, governo do estado, quanto outro, prefeito de Belém, vivem da ficção que o panfleto tucano/liberal inventa diariamente pra enganar a população.

Um secretário de (des)educação que declara publicamente ser contra colocar vigilante em escolas públicas não parece propriamente alguém preocupado com o setor que dirige, muito menos estar empenhado em algo mais sério. Está lá apenas para fazer valer a política do arrocho defendida pelo governador a fim de anular as conquistas da categoria.

Na verdade, estamos diante do EEE: ENGODO, ENGANAÇÃO E EQUÍVOCO.

'Farinha pouca ou muita, meu pirão primeiro!'.

Cerca de 40% da população economicamente ativa do Pará ganham até um salário mínimo como remuneração total, cerca de 900 mil famílias necessitam do complemento dos benefícios do programa Bolsa-Família pra não viverem em situação de extrema pobreza e a renda per capita em nosso estado está entre as quatro menores dentre todos os estados da federação brasileira.


Assim, o projeto de lei apresentado pelo vereador Cleber Rabelo(PSTU) à Câmara Municipal de Belém que reduz o salário dos vereadores, secretários, prefeito e vice-prefeita de Belém  a um teto de 8 salários mínimos, mais que redução do abismo existente, é medida pedagógica que chama a atenção para a prática corriqueira do uso da coisa pública em benefício particular, aproveitando-se e deturpando-se uma prerrogativa eventualmente outorgada pela população.

A própria Câmara Municipal de Belém é exemplo acintoso dessa apropriação indébita, pois vive com o Ministério Público em seus calcanhares por conta da adoção escancarada do velhaco ditado 'qualquer farinha, meu pirão primeiro'. Desrespeita acintosamente a Lei de Responsabilidade Fiscal ao manter um gigantesco séquito de assessores, cerca de três vezes maior do que o quadro fixo da Casa, quando a dita lei limita em 50% esse número.

A alegação seria graciosa não fosse criminosa, de que isso não onera os cofres do Poder na medida em que a remuneração desse contingente é feita através de uma verba fixa, portanto, tanto faz ter um como dez assessor, o gasto é o mesmo.

No entanto, existe embutida aí uma malandragem que já deveria ter sido objeto de medida drástica por parte da justiça, pois trata-se de transgressão à própria norma malandra ora vigente. Se você vai ao Diário Oficial daquele Poder, toma conhecimento que a essa remuneração são agregados diversos penduricalhos, gratificações ilegais, que certamente não saem dessa verba, caso saíssem, estourariam esse orçamento. Logo, são oriundos de outra rubrica desmentindo o alegado, bem como dando o tom da ilegalidade.

Pois é nesse sentido que esse projeto é exemplar, ao levantar tão oportuno debate. É do pleno conhecimento de todos que o governador Simão Jatene aumentou seus vencimentos, de seu vice e dos secretários em mais de 60%, enquanto luta desesperadamente pra burlar a lei que manda pagar um salário decente aos professores e demais servidores públicos. Eis aí um assunto que deveria ser incentivado seu debate em público.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Refrescando a memória dos privatas


Situação ocorrida em 1999, primeiro ano do segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, surpreendeu o país após as eleições, com plano econômico ortodoxo.


Na medida em que o governo federal vai apresentando o conjunto de propostas de ajustes da economia brasileira elevam-se as críticas da oposição, que chegam a identificar, inclusive, como “traição” ao discurso da então candidata Dilma em 2014. A despeito disso, cabe lembrar a situação ocorrida em 1999, primeiro ano do segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso (1999-2002).

Nas eleições presidenciais de 1998, por exemplo, o então candidato Cardoso jamais ousou mencionar tanto a degradação econômica que ocorria no Plano Real, como as negociações em segredo que ocorreram entre o governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Imediatamente ao encerramento das eleições, o Brasil foi surpreendido com o pacote econômico ortodoxo anunciado a partir de novembro de 1998.

Ademais da mudança da equipe econômica, com a demissão de Gustavo Franco, presidente do Banco Central, um conjunto de medidas recessivas foram implementadas, mesmo após o candidato Cardoso afirmar que a economia brasileira seguia perfeitamente bem sob o seu comando. Pelo acordo com o FMI, que liberou o ingresso de US$ 59,5 bilhões para salvar as contas externas, o Brasil perdeu a soberania da política econômica interna, tratando de aplicar o ajuste econômico que transferiu para a parte mais frágil da sociedade o seu maior ônus. A taxa de inflação, por exemplo, aumentou de 2,5%, em 1998, para 8,4%, em 1999, enquanto a taxa de juros aumentou de 7,5% para 13,3%.

Apesar dos aumentos de impostos sobre a população, capaz de elevar a Carga Tributária Bruta de 26,9% do Produto Interno Bruto (PIB) para 27,5% entre 1998 e 1999, a Dívida Pública aumentou 10% (de 42,6% do PIB para 46,9%). Mesmo assim, a superávit primário nas contas públicas saltou de 0% do PIB para 3,2% no mesmo período de tempo.

Para isso, o governo Cardoso cortou parte significativa do gasto público. O financiamento para aquisição da casa própria pela Caixa Econômica Federal refluiu tanto que a quantidade habitacional construída passou de 235,7 mil unidades em 1998 para 144 mil em 1999 (redução de 38,9%). O crédito total também encolheu significativamente (11,1%), decaindo de 28% do PIB para 24,9% no mesmo período de tempo.

A despesa com pessoal e encargo do governo federal decresceu 8,1%, pois passou de 4,9% do PIB em 1998 para 4,5% em 1999. O gasto social federal em relação ao PIB também retrocedeu de 12,3% para 12,2% no mesmo período.

O resultado da opção recessiva adotada em 1999 não tardou a aparecer, indicando os segmentos sociais mais atingidos frente à queda do PIB per capita em 1,8% e a redução da participação dos salários na renda nacional em 3%. De imediato, o aumento de 4,6% na taxa nacional de pobreza, que saltou de 32,5% da população para 34% entre 1998 e 1999.

No mesmo sentido, houve o crescimento da taxa de desemprego em 9% nas regiões metropolitanas, pulando de 11,1%, em 1998, para 12,1%, em 1999. Somente em 1999, o país registrou o saldo negativo de quase 200 mil empregos formais, segundo o Ministério do Trabalho. Para além da pobreza e desemprego, nota-se a redução do valor real do salário mínimo em 3,5% no ano de 1999, assim como a queda no valor médio real dos benefícios da Previdência Social em 2,5%.
(Marcio Pochmann- Rede Brasil Atual/ via Agência PT de Notícias)

Matriarcado à vista?

Segundo esses números da Paraná pesquisas, lidera até aqui a deputada estadual Manuela D'Ávila(PCdoB) com 19,24%; seguida de Luciana Genro(PSOL) com 11,4%. Pra completar o favoritismo feminino, em quarto lugar está a petista Maria do Rosário, atrás apenas 0,1% do pedetista Vieira da Cunha, que está com 8,9%. Lá em quinto lugar aparece o ruralista Onyx Lorenzoni(DEM) com 8,4%, menos de 1/3 das intenções de votos nas candidatas da esquerda.


São números interessantes que mostram a perspectiva de termos mais mulheres disputando prefeituras importantes com chances de vitória, melhor ainda que tenham um perfil progressista, o que pode indicar um certo esgotamento da emporcalhada tática da mídia partidarizada contra Dilma Rousseff. Que volte o cipó de arueira no lombo de quem mandou dar!

Manuela D’Ávila e Luciana Genro lideram pesquisa para a prefeitura de Porto Alegre

domingo, 24 de maio de 2015

O “mico” da “coluna Aécio”

A Folha de S. Paulo anuncia em nota na sua primeira página, na edição de sexta-feira (22/5): “Grupos anti-Dilma dizem que PSDB e Aécio são traidores”. O Estado de S. Paulo, em reportagem interna sobre o mesmo tema, informa: “Grupos se dizem traídos por tucanos”.


O descompasso entre os trabalhos políticos e os dias de marcha produziu a ruptura entre os doze aloprados e os oportunistas que os apadrinharam.

A imagem que ilustra o texto do Estado mostra doze – isso, exatamente uma dúzia – de manifestantes que caminham pela Rodovia Anhanguera, com destino a Brasília, onde pretendem fazer sua pregação em favor do impeachment da presidente da República.

Quando saíram de São Paulo, no fim de abril, os integrantes da marcha foram estimulados por líderes do PSDB, que imaginavam uma espécie de “coluna Prestes” invertida, a recolher, pelo caminho, milhares de cidadãos descontentes com o governo, numa chegada triunfal à rampa do Planalto. Mas, como no poema de Hesíodo, as relações entre os homens e os deuses devem se submeter ao crivo da verdade, e esta nem sempre se manifesta como desejam os humanos.

Entre o fim de abril e esta última semana de maio, a expectativa do grupo de manifestantes, estimulada por discursos inflamados do senador que perdeu a eleição presidencial em 2014, não foi justificada pelos fatos. O descompasso entre os trabalhos políticos e os dias de marcha acaba por produzir a ruptura entre os doze aloprados que imaginam reverter a decisão das urnas e os oportunistas que os apadrinharam.

Por sugestão do jurista Miguel Reale Jr., convocado a emitir parecer sobre a proposta do impeachment, os líderes do PSDB acharam melhor ingressar com processo contra a presidente Dilma Rouseff na Justiça comum, talvez confiantes na ação dos julgadores que o poeta grego chama de “comedores de presentes”. Mas o Judiciário, já embaraçado com a interferência do Congresso em suas atribuições, não dá sinais de que irá acolher tal petição.

Representantes dos grupos que pedem a interrupção do mandato da presidente da República teriam ouvido na semana passada, na capital federal, promessas de parlamentares do PSDB e de outros partidos de oposição de que entrariam com o pedido formal de impeachment assim que os marchadores alcançassem a Praça dos Três Poderes. Desde quarta-feira (20/5), a uma semana da chegada da marcha a Brasília, prevista para o dia 27, a página do Movimento Brasil Livre, um dos grupos que organizam o protesto, exibe um quadro dizendo que o senador Aécio Neves traiu a causa.

Ignorância política

Segundo o Estado de S.Paulo, líderes do PSDB avaliam, reservadamente, rever a estratégia de apoiar explicitamente a marcha, quebrando a promessa de dar um caráter apoteótico à sua chegada a Brasília.

O ex-deputado federal Francisco Graziano, assessor do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, disse à Folha de S. Paulo que entende a frustração dos que querem o impeachment, mas considera que “atacar Aécio, FHC ou o PSDB mostra ignorância política”. De repente, os tucanos descobrem que meteram a mão em cumbuca.

Restará aos protestadores, certamente, o apoio do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) e talvez a presença do deputado Paulo Pereira da Silva (SDD-SP), cujas biografias não justificam os cuidados que precisam ter os líderes do PSDB.

O principal partido de oposição embarcou na aventura dos golpistas pela mão do senador Aécio Neves, que foi demovido do plano de impeachment pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na semana passada. Agora, precisa de um discurso consistente para evitar o constrangimento de se haver associado aos aloprados que seguem para Brasília.

Não se pode prever o que irá ocorrer na capital federal na quarta-feira (27/5), mas certamente não será a grande festa cívica que esperavam os organizadores do protesto. Nesse período, o núcleo principal das propostas de ajuste econômico já terá sido aprovado, ou uma nova agenda estará acertada entre o Executivo e o Congresso Nacional.

Analistas acreditados pela imprensa já registram uma redução das tensões entre os poderes, que vêm sendo estimulada pela mídia desde a posse da presidente Dilma Rousseff em segundo mandato.

A decisão da presidente, de elevar a alíquota da Contribuição Social sobre o lucro líquido dos bancos, tende a reconciliá-la com parte de seu eleitorado, pela simbologia da medida, combinada com a manutenção da carência de um mês para pagamento de abono salarial, que beneficia os trabalhadores.

Tudo de que os presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, não precisam, neste momento, é barulho de manifestantes. O “mico” do impeachment fica com o PSDB, que vai ter que explicar, daqui para a frente, se considera que eleição é para valer ou se, nas próximas disputas, caso venham a ser derrotados novamente, os tucanos irão outra vez mobilizar a “coluna Aécio”.
(Luciano Martins Costa- Observatório da Imprensa/ via Portal Vermelho)

CBF tenta mais golpe contra a MP do futebol


Acostumada a agir nas sombras, a Confederação Brasileira de Futebol(CBF) cria amanhã(25) a comissão do fair play para atuar especificamente na normatização do sistema de licenciamento dos clubes brasileiros. O detalhe é o atraso de oito anos na adoção da medida, já que a FIFA fazia a exigência desde 2007.

Agora, diante de uma conjuntura adversa à política de conchavos adotada desde sempre pela entidade que comanda nosso futebol, com a edição da MP em março assinada pela presidente Dilma Rousseff, a CBF mexeu-se para fazer valer seus interesses particulares e inconfessáveis, em prejuízo da moralização que a MP impõe aos clubes.

Pela MP, o  licenciamento dos clubes tem como base o "fair play financeiro". Vale dizer, um clube não obterá licença para participar de competições organizadas pela CBF se estiver, por exemplo, com salários atrasados ou em dívida com a União. A Confederação foge disso como o diabo da cruz, tanto que já reclamou da intromissão do estado em uma atividade privada, de resto uma vigarice retórica recorrente que sempre desvia o foco do principal a ser debatido, a austeridade administrativa.

Não por acaso, a tal comissão a ser criada amanhã fez questão de ignorar os integrantes do Bom Senso F. C. e convidou para o seu convescote dez integrantes: com dois clubes (Flamengo e Fluminense), dois dirigentes da CBF, dois representantes do sindicato nacional dos clubes, dois atletas, e dois membros de entidades representativas dos atletas (excluindo-se aqui nomes do Bom Senso FC, que não foram convidados nem para a reunião).

O vexame seria muito pior, caso um outro convidado(bem trapalhão) não tivesse declinado. Eurico Miranda, ícone das más práticas esportivas, pulou fora porque vive em conflito com os dirigentes da dupla FlaXFlu e deve ter pressentido algum sinal de honestidade no trabalho daí, em náusea, tenha pulado fora.

Aguardemos, pois,  a votação da dita MP na esperança de que finalmente o futebol brasileiro tenha um instrumento legal que o oriente a seguir práticas republicanas e livre-se definitivamente da ditadura dos 'abnegados', cuja trajetória pessoal aproxima-se mais da crônica policial que de feitos admiráveis.

Bala perdida


Impossível ler no panfleto tucano/liberal a alcunha de "ministro pesque e pague", com que escribas tentam ser engraçados gozando o ministro Barbalhinho, e não lembrar do governador Simão Jatene.

Durante os anos em que trabalhei no Palácio dos Despachos, então sede do governo do Pará, dez entre dez histórias relatadas por servidores da área de apoio recordando os seguidos sumiços do governador na hora do expediente de trabalho terminavam com a informação da localização de Simão no restaurante "Pesque e Pague", na rodovia Mário Covas.

Alheio a tudo isso, Simão deve achar nada criativo o apelido, embora deva soltar suspiros nostálgicos, agora que está mais distante e tem vizinhos vetustos na mais movimentada avenida da capital paraense, inclusive um quartel do batalhão de selva do Exército. Credo!

Tereza Cativo e o príncipe John


Assim como o tal príncipe do título desta postagem, a secretária do prefeito tucano Zenaldo aproveitou a ausência do titular para usurpar-lhe o cargo e assinar cobranças de débitos de IPTU já prescritos, compondo um pacote de ilegalidades flagrantes, em nome da penúria financeira que acomete a PMB.

A diferença é que o príncipe John cometeu essa barbaridade no século XIII, na Inglaterra, aproveitando-se da viagem do irmão mais velho, o rei Ricardo liderando uma Cruzada, para aumentar os tributos e convulsionar a Grã-Bretanha sendo, entretanto, contido em seu ímpeto escorchante pelo lendário herói Robin Hood.

Já a secretária tucana intenta meter a mão ilegalmente no bolso da população em pleno século XXI, sem que se vislumbre no horizonte alguém capaz de detê-la. Não precisa nem ser herói, basta ser investido em uma função pública e constitucional para indiciar a provecta marota servidora, impedindo-a de bulir com o que não lhe pertence.

Vigarice travestida de crítica


O programa 'Minha casa, Minha Vida', do governo federal, é considerado o mais exitoso já feito país afora quando o tema é construção de casas aos que mais precisam. Já foram entregues mais de 2 milhões de moradias e cerca de mais dois milhões já estão contratadas.

Alheio, entretanto, à honestidade que deve presidir a conduta de quem faz jornalismo, bem como aos excelentes números citados, o panfleto tucano/liberal, com a canalhice que lhe é peculiar, tenta minimizar esse sucesso com sandices como "O Programa Minha Casa, minha Vida segue devagar quase parando" e cita que, das 53.094 contratadas no Pará, apenas 25.225 foram entregues.

Ora, isso atesta o estado de incompetência do poder público cá no Pará, refém de uma parte do empresariado local do setor que vai na contramão do que ocorre em todos os demais estados do país, por sinal, igualmente como ocorreu com o asfaltamento da Transamazônica quando foi repassada a obrigação de concluir o asfaltamento ao governo estadual, sob o comando dos tucanos, e o Tribunal de Contas da União detectou a existência de roubalheira nos contratos referentes a TODOS os trechos da obra.

Efetivamente, o vil panfleto curte mesmo é o malsinado, mal afamado e mau cheiroso 'Cheque Moradia', trambicagem que comprou votos a rodo pra reeleger o governador e ainda foi tratado pelos asseclas, inclusos, obviamente, os midiáticos, como política social de grande relevância. Lamentável!

PT tem 1.740.110 filiados


PT tem 16,6 mil novos filiados em 2015

O Partido dos Trabalhadores registrou, somente nos primeiros cinco meses deste ano, um aumento considerável do número de filiados. De acordo com o jornal “Estado de S. Paulo“, em matéria publicada neste domingo (24), foram 16.640 novas filiações até a última sexta-feira (22).

Em comparação ao mesmo período do ano passado, o número é 81% maior. Nos cinco primeiros meses de 2014, o partido recebeu 9.187 adesões. Apenas em abril de 2015, foram 10,8 mil filiados – no mesmo mês de 2014, foram 384 filiações.

Para o secretário de Comunicação da legenda, José Américo, o aumento no número de filiações pode ser visto como uma defesa do partido. Ele também considera que a organização da legenda nas redes sociais também pode ter influenciado nas adesões.

“Setores da base social do PT saíram em defesa do partido. Para eles, a forma de reagir é a filiação”, explicou o dirigente, em entrevista ao jornal.

Atualmente, o PT conta com 1.740.110 filiados e está presente em 84% dos municípios brasileiros. Ao todo, são 3.206 diretórios municipais e 1.494 comissões provisórias.

Além disso, 149 mil novos filiados aguardam na fila para fazer cursos de formação política obrigatórios para a formalização de adesões ao PT.

(Agência PT de Notícias)

Momento de decisão


A impressão que passa para quem está do lado de fora do estádio(como eu), a direita está apostando todas as suas fichas na manutenção da regra que permite empresas privadas continuar financiando campanhas eleitorais, apesar de todo o desgaste desse procedimento a partir da apuração de vários escândalos e inúmeras prisões. Devem avaliar que vale o risco de desgaste, diante da generosa grana que garante pra alguns liderança política e eternidade parlamentar e/ou executiva.

Assim, percebe-se que os escribas de aluguel dessa tese já anunciam a perspectiva da manutenção da famigerada regra, em votação que deve ocorrer ainda esta semana, e veem isso como o enterro da decisão do STF que só não enterrou esse entulho por conta da acintosa procrastinação do ministro tucano Gilmar Mendes, cuja manobra escancarada desrespeitou a vontade da maioria dos ministros.

Esses escribas até entregam o tal 'Distritão' em sacrifício no altar das tratativas, até mesmo porque não acham tão ruim assim o atual sistema proporcional, maior responsável pela vigência do lema 'ganha, mas não governa', em que o eleito para exercer o executivo é obrigado a mil concessões a um parlamento pulverizado e marcado pelo fisiologismo.

Nesse sentido, constatamos pouca movimentação dos segmentos populares para fazer o enfrentamento com essa posição reacionária. É necessário lembrar que a aprovação desse dispositivo, que conserva a hegemonia do dinheiro nas eleições brasileiras, torna tudo mais irrelevante na medida em que conserva a metodologia da eleição de bancadas corporativas defensoras de interesses particulares em prejuízo do interesse comum(bancada ruralista, bancada da mídia, bancada da bala, bancada evangélhica etc), além da porta continuar aberta à entrada da ladroagem na atividade política eternizando aquilo que Ciro Gomes nominou anteontem, em evento empresarial, como um "congresso de bandidos".

Portanto, essa deve ser uma semana de mobilização popular, principalmente em Brasília onde ocorre a decisão, pra derrubar um dos dispositivos herdados da famigerada ditadura militar/empresarial que mais macula nossa história política recente, e escrever um novo capítulo, onde a vontade popular seja finalmente resgatada, se não plenamente, mas, pelo menos, tirando-a da sombra das infames tenebrosas transações que as atormentam.

A coisa pública e a religião


Com a projeção de obter mais de 60% dos votos favoráveis da população, o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado na Irlanda. Ano passado, vários estados nos EUA também aprovaram a mesma medida através de plebiscitos, a quando das eleições para a renovação do parlamento.

Assim, aos poucos o mundo vai superando o preconceito e a intromissão autoritária na vida privada de seus cidadãos e cidadãs, afastando a humanidade da chamada 'Idade das Trevas', em que as pessoas viviam sob eterna vigilância e ameaça de punição.

Lamentavelmente, parece que no Brasil vivemos na contramão desses avanços. As constantes iniciativas parlamentares de deputados ligados  a seitas religiosas parecem querer nos impulsionar celeremente no rumo desse passado sombrio que não vivemos e, numa espécie de catarsis macabra, tencionam criar um ambiente de perseguição, preconceitos e obscurantismo evitando uma sociedade mais aberta através da imposição da ideia da vigilância divina que a tudo proíbe.

Curioso que muitos desses ditadores de cânones anacrônicos praticam a auto martirização, bem como movem-se com extrema hipocrisia, conforme foi constatado recentemente, quando um desses árbitros do atraso teve revelado fatos de sua vida em que praticava intimamente tudo aquilo que condena em público.

Recentemente, viu um desses dramalhões televisivos ser execrado por esses puritanos apenas porque exibiu uma cena de beijo entre duas mulheres. Curioso que essas produções são medíocres em quase sua totalidade, além de veicular mensagens subliminares contendo os mais torpes mantras. No entanto, os ditadores do atraso acham de implicar apenas com aquilo que não lhes diz respeito.

Nesse sentido, é digna de elogios a atitude do PSOL ao expulsar de suas fileiras um deputado fanático que apresentou proposta de emenda constitucional misturando estado(ente coletivo) com crença( atitude individual) e, como se fosse um cruzado fora de época e lugar, resolveu impor "a palavra de Deus" de forma fundamentalista e autoritária, violando um dos princípios básicos da democracia, conforme a etimologia do termo refere. Bem feito. Afinal, se com a força do povo expressa no texto constitucional já aparecem biltres golpistas atentando contra o regime, imagine se substitui a expressão por um dizer prenhe de fanatismo. Lógico que iam aparecer milhares de 'iluminados' para, em nome dele, Deus, desrespeitar a vontade soberana do povo e instalar o caos institucional/inquisitorial que essa  mentalidade atrasada tanto gosta.

sábado, 23 de maio de 2015

Ciro Gomes: “Temos um Congresso de ladrões convocando CPIs e bandidos acusando gente séria de ser bandido”


cirogomes
Foto: Greg Salibian/CartaCapital
 “Brasília está dominada por uma coalizão de gatunos”, diz Ciro Gomes
Agora na iniciativa privada, como chefe da ferrovia Transnordestina, o ex-ministro da Integração Nacional e ex-governador do Ceará Ciro Gomes não poupou o Congresso Nacional e as coligações partidárias durante sua participação na 3ª edição do Fórum Brasil promovido por CartaCapital, cujo tema neste ano é “Crescer ou crescer”. Para Ciro, o parlamento está dominado por ladrões.
Ciro participou de uma mesa de debate com o ex-ministro da Defesa e das Relações Internacionais Celso Amorim e o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), David Barioni Neto. Os três se reuniram na tarde desta sexta-feira 22 para falar sobre o tema “Exportações, o Caminho para Sair da Crise”. Segundo a falar, Ciro revelou seu pessimismo em relação à retomada do crescimento econômico: “O Brasil não tem projeto”, afirmou.
Ciro, candidato ao Planalto em 1998 e 2002, é difícil criticar os rumos da política industrial e de comércio exterior brasileira porque eles simplesmente não existem. “Temos de forçar a elite brasileira a ajuizar nossa agenda, que é inexistente. O Brasil não tem projeto. Qualquer bodega no Ceará tem projeto, mas o Brasil não.”
A culpa, afirmou Ciro Gomes, começa pelas alianças partidárias no Congresso, considerado o mais conservador desde a redemocratização do Brasil. “Brasília está dominada por uma coalizão de gatunos e incompetentes”, afirmou. “E isso é grave menos pela novela moralista e mais pelo cinismo de um Congresso de ladrões convocando CPIs e bandidos acusando gente séria de ser bandido”, disse.
Gomes poupou a presidente Dilma Rousseff das críticas, a quem considerou “uma exceção, porque é honrada e tem espírito público”.
O comentário de Ciro, ex-governador do Ceará, vai ao encontro do que afirmou seu irmão Cid, ex-ministro da Educação de Dilma Rousseff. Em evento na Universidade Federal do Pará, Cid disse haver no Congresso “400 ou 300 achacadores” se aproveitando da fraqueza do governo para levar vantagens. A frase provocou indignação contra Cid no Congresso, e ele acabou deixando o governo.
A terceira edição do Fórum Brasil faz parte da série Diálogos Capitais, uma iniciativa da Editora Confiança que busca apresentar e discutir temas de grande relevância para o País.

A pesca e as águas turvas do jornalixo


Incomodados com a presença de Helder Barbalho no Ministério da Pesca, os co-proprietários do panfleto tucano/liberal(atualmente Simão arrendou alguns espaços) destacaram na manchete de capa que aquela pasta perdeu quase todo o seu orçamento previsto para o próximo ano, resultante do ajuste fiscal feito pelo governo, ficando o ministro sem o barco, isca e anzol, apenas com a vara na mão .

Perdão, mas esse regozijo é de quem está aéreo ao problema. Muito desse dinheiro seguramente bancava o custeio, sendo o aperto mais afeito à administração interna. No entanto, isso não quer dizer que Helder ficará totalmente impossibilitado de firmar parcerias com outros entes governamentais a fim de bancar despesas em eventuais construções de terminais pesqueiros, estradas vicinais e outros equipamentos públicos inerentes ao ministério.

Portanto, o corte não inibirá o ministro de vir ao Pará firmar convênios, reunir com prefeitos,   vereadores, lideranças empresarias, cooperativas, lideranças de trabalhadores do setor, enfim, fazer política junto com sua atividade laboral, algo criminalizado seletivamente pela mídia partidarizada e reacionária quando não envolve a curriola que apadrinham. Com esse nível cu de sapo da crítica que ora é feita, torna-se extremamente difícil avaliar avaliar o desempenho do único paraense no ministério de Dilma. Lamentável!

A mídia de Shrödinger

Confesso que já subestimei a inteligência da imprensa nacional. Bom, depois de ver boa parte dela agir como se não soubesse sequer os nomes dos presidentes de países da América Latina, acabei desdenhando um pouco mesmo. Sei que boa parte dos leitores me entende e peço desculpas aos demais por uma posição tão esnobe. Não se repetirá, prometo!

Até mesmo porque melhorei meu juízo sobre a mídia brasileira nos últimos dias, afinal descobri que ela parece ter aplicado conceitos de física quântica em seu jornalismo, e isso não é para qualquer um!

Em 1935, o físico Erwin Schrödinger criou um exercício mental para demonstrar o paradoxo que era abstrair com elementos cotidianos a teoria referente à mecânica quântica. O experimento consistia em considerar um gato vivo preso dentro de uma caixa fechada e opaca, com um frasco de veneno intacto, um martelo, um recipiente com material radioativo e um detector de radiação.

Com tal configuração, haveria duas possibilidades: (1) o detector identificar o material radioativo que aciona o martelo, quebra o frasco e libera o veneno matando o gato; ou (2) o detector não identificar o material radioativo, e os demais itens ficam no mesmo estado inicial e o gato continua vivo.

O interessante dessa proposta é que, segundo a física quântica, o gato pode estar vivo ou morto no mesmíssimo instante (considerado estado vivo morto) uma vez que a partícula radioativa subatômica pode assumir as duas posições – detectada ou não – ao mesmo tempo.

Sem a pretensão de querer ser um novo Nobel de física, proponho aqui também um experimento para mostrar o quão dúbio é o comportamento dos nossos grandes meios de comunicação que, assim como partículas subatômicas, podem assumir duas posições diferentes no mesmo instante, numa incrível contradição no tempo e espaço!

O exercício mental consiste em imaginar um esquema qualquer de corrupção. Na investigação do crime, existe um delator numa sala, depondo para uma instituição pública qualquer (um conjunto de legisladores ou policiais, por exemplo). No mesmo recinto tem um repórter da grande mídia que irá publicar certa notícia. As duas possibilidades existentes são: (1) o delator insinua a participação de alguém do PT em algum esquema ilícito; ou (2) o delator insinua uma outra participação, semelhante ou até igual, de alguém que não é do Partido dos Trabalhadores.

Dentro desses dois estados, a mídia conseguiu criar um paradoxo chamado sujeito inocente culpado. Se a pessoa tiver alguma ligação com o PT é automaticamente tratada como culpada pela imprensa. Todavia, com os mesmos sujeitos e na mesma situação, se for um indivíduo de oposição ao governo logo é tratado com a presunção de inocência (como se deve ser, diga-se de passagem).

Vamos a dois exemplos práticos.

Primeiro, o delator Alberto Youssef insinua que o governo sabia dos esquemas de corrupção da Lava Jato. Logo, o “fato” vira capa da revista de maior circulação nacional às vésperas da eleição, com direito a grande divulgação por parte de outros veículos e um jargão exaltando a culpabilidade que perdura até os tempos de hoje. Eis o sujeito culpado.

Agora analisemos o mesmo delator, conversando com a mesma polícia acerca do senador Aécio Neves, oposição ao governo e adversário derrotado ao planalto em 2014. Youssef afirmou que o mineiro dividia uma mesada de aproximadamente 100 mil dólares com outro político. Apesar da informação ter muito mais riqueza de detalhes, diferente da primeira, a mídia se comportou de maneira muito mais cautelosa: nos títulos das matérias não tem mais afirmativa mas sim a palavra “suposto”; a revista que tinha dado capa à outra delação sequer escreveu sobre o ocorrido (confesso que não achei na pesquisa do Google) e o assunto morreu atualmente. Esse é o sujeito inocente.

Então, se houver uma delação de alguém, para uma instituição qualquer, sobre fulano de tal, este estará num estado antagônico inocente culpado até que a mídia descubra se o mesmo é petista ou não.

O segundo exemplo é parecido e ainda mais pontual. Em declarações recentes à CPI da Petrobrás, o mesmo Youssef realizou, entre outras, duas afirmações: que o planalto possivelmente sabia do ocorrido (ele afirmou não ter como provar, e frisou que era apenas uma opinião) e que havia mandado remessas de dinheiro em nome do PMDB com envolvimento do Eduardo Cunha.

Sobre o envolvimento do planalto, novamente as principais mídias deram grande destaque à notícia (que além de antiga é uma suposição).

Já sobre a participação do atual presidente da Câmara dos Deputados, que afirma fingir ser governo, a mídia tradicional deu pouquíssimo destaque, com ênfase no jornal mineiro que conseguiu dar um viés positivo à declaração envolvendo o deputado carioca (imaginem uma manchete “Youssef diz à CPI que não pode confirmar envolvimento do governo”).

Vale ressaltar que na proposição do gato de Schrödinger, o observador faz a diferença: uma vez que a caixa é aberta, a posição vivomorto do felino se desfaz e ele aparecerá em apenas um estado. Portanto, da mesma maneira, cabe aos leitores, ouvintes ou telespectadores das mídias tradicionais assumirem a posição de observadores críticos e tentarem enxergar o estado verdadeiro das acusações.

Afinal de contas, se os pitbulls do ódio conseguirem vencer os debates sociais com seus discursos irracionais, a tendência é que eles matem qualquer gato, com caixa e tudo. No fim, não sobrará nem a teoria para análise.
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(Tadeu Porto é mestre em Engenharia Elétrica pelo Cefet-MG. Petroleiro, dirige o departamento de formação do Sindipetro-NF./ Carta Maior)