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terça-feira, 28 de julho de 2015

Imperdível e definitivo! paródia de Lalau é revisitada e adaptada à idiotice coxinha atual

Por falar em Sérgio Porto fiz uma paródia em cima de sua grande obra SAMBA DO CRIOULO DOIDO”
SAMBA DO BRANQUELO DOIDO

(NARRANDO):

Este é o samba do branquelo doido, aliás, muito doido, do cara que sambou e cantou a música do Sérgio Porto que equivocadamente estereotipava o crioulo como ignorante em história do Brasil para fazer samba enredo que em certa época o regulamento exigia.

Como sabemos hoje em dia quando alguém quer se referir a uma coisa sem pé nem cabeça e desqualifica-la, diz a frase: “isto parece o samba do crioulo doido”, mas voltando ao sambinha.

Ele queria ser presidente da republica e acreditava no desgaste do atual governo provocado pelo exercício do poder.

Além do mais contava com a grande mídia para tal empreitada, quase conseguiu, mas não deu.

Então tal qual uma criança em que as regras do jogo só valem enquanto ele ganha.

Procurou brechas forenses, e o coitado tome de estudar as leis, decretos-leis e consultar a constituição além de advogados, juízes do STF, etc.

Como viu que não em dava, o branquelo endoidou de vez, mais ou menos assim:

(CANTANDO):

FOI EM VILA PAULINA
ONDE VIVEU FH
LENIENTE COM A PROPINA
PARA DEPOIS DELATAR.

MAIS A CASA GRANDE
COM O SEU EX-PRESIDENTE
FEZ UM PLANO CONVINCENTE
A ENGANAR BANDO DE GENTE.

AI AI AI AI AI
O BODE QUE DEU VOU TE CONTAR

SEU FILHO AECIM
QUE TAMBEM É
FILHINHO DE NOÉ

QUERIA SER DONO DO MUNDO
ATACOU DILMA NUM SEGUNDO

DO GOVERNO DE MINAS
PARTIU PRA IPANEMA
ENCONTROU COM O CUNHA
O PASTOR DAS EMPRESAS
JUNTOU-SE COM ELE
COM DENTES E ÚNHA
DA UNIÃO DELES DOIS
FICOU RESOLVIDA A QUESTÃO

E FOI PROCLAMADA A INQUISIÇÃO

E FOI PROCLAMADA A INQUISIÇÃO

ASSIM SE CONTA ESTA ESTÓRIA
QUE É DOS DOIS A MAIOR GLÓRIA
SEU AECIM VIROU COXINHA
E O CUNHA
EMPADINHA DE GALINHA

AI AI AI AI AI AI

O RANGO TÁ QUEIMADO
OU ESTRAGOU.

U U U UUUUUUUUUU.

OBS; Este samba será gravado pelo QUARTETO EM Dy, formado pelas meninas:

DYMAIOR
DYMENOR,
DYMANSINHA e
DYLMAIS


(Jairo Costa/ via Conversa Afiada)

A variável Lula

Emir Sader
Lula foi situado no centro da vida política brasileira. Todos os holofotes se concentram sobre ele: ou será abatido no voo pela direita, tirando-o, no tapetão, da vida política, ou exercerá seu papel de eixo da recomposição da esquerda brasileira e conseguirá dar continuidade ao processo iniciado em 2002, com todas as adequações necessárias.

Em um marco de crise de credibilidade das instituições, das forças políticas e sociais, das lideranças, a exceção fica com Lula. Não fosse assim, ele não seria alvo dos ataques concentrados da direita. Se acreditasse nas suas pesquisas, bastaria a direita esperar até 2018 e derrota-lo com qualquer um dos seus candidatos.

O destino da direita depende de conseguir inviabilizar juridicamente a candidatura do Lula e ter assim o caminho aberto para reconquistar a presidência da república. Caso contrario, teria que se consolar com um novo mandato do Lula, limitando-o pela revogação da reeleição.

Do lado do campo popular, Lula também é a referência, é o grande patrimônio, com ele pode contar. O maior líder popular da história do Brasil, Lula mantém vínculos profundos com a massa da população, seus governos ficaram marcados na consciência e na memoria das pessoas, Lula representa a auto estima dos brasileiros. Por tudo isso, apesar da brutal campanha contra sua imagem, ela permanece arraigada no seio do povo.
 
Mas ele não se limita a estar na memória do povo, ele representa também sua esperança. Ninguém tem o carisma e a mística que a liderança de Lula possui.

Desde a crise de 2005, quando a imagem do PT passou a ser afetada negativamente, a imagem do Lula foi se descolando do partido, conforme o governo foi ganhando prestigio, com o sucesso das politicas sociais. Mesmo quando a imagem do governo de Dilma e a do PT sofrem com a mais dura das campanhas da oposição, a imagem de Lula resiste e as próprias pesquisas que dão resultados muito ruins para o PT e Dilma, tem que revelar que Lula teria pelo menos 33% de apoio.

Mas o Lula de agora precisa propor ao país novas utopias, novos objetivos, continuidade e aprofundamento do que foi feito a partir do seu governo, precisa diálogo com novos setores sociais, especialmente os jovens, tanto os da periferia quanto os da classe média, precisa surgir como quem reivindica não só a visibilização desses setores, como os espaços das mulheres, rejeitadas nas suas reivindicações. Em suma, Lula tem que representar, ao mesmo tempo, a retomada do que foram seus governos, da forma de fazer política que unifique as forças que apoiem os programas propostos nos seus governos, como também renovador. Nas reivindicações, na linguagem, na interpelação e integração de setores até aqui marginalizados.

É Lula que pode ser o eixo da recomposição das forças de esquerda, das forças democráticas e populares, recomposição que tem que ser feita com novas plataformas, novos programas, que deem vida a um amplo movimento social, político, econômico, cultural, que consolide os avanços, altere profundamente as relações de poder que resistem a esses avanços e aponte para o Brasil a que Lula abriu o caminho com seus governos e sua liderança.
 
Qualquer especulação política sobre o futuro do Brasil que não leve em consideração a variável Lula, está equivocada, está fora da realidade, não considera o fator determinante do futuro político do país. Candidatos tucanos já conhecidos, nomes sem nenhuma viabilidade popular do PMDB ou outros nomes que aventuras políticas apontam, se chocam com essa realidade incontornável. Uma vez mais, quem não decifra o enigma Lula é devorado por ele, como tem acontecido reiteradamente.
(Emir Sader/ Carta Maior)

Jornal argentino repercute ‘campanha suja’ contra Lula


MÍDIA#CampanhaSuja
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O jornal argentino “Página 12″ publicou, no domingo (26), um artigo em que fala sobre a “campanha suja” contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em curso no Brasil. No texto, Darío Pignotti lembra a recente investigação aberta pelo Ministério Público Federal contra o petista e dá ênfase ao currículo “duvidoso” do procurador.

“No Brasil, um procurador-adjunto, sem currículo acadêmico expressivo e com uma ficha de serviços judiciais em que sobressaem 245 avisos por desempenho negligente e/ou demorado, acusou em tempo recorde o ex-presidente e líder do PT”, diz o artigo.

Além disso, o texto relembra a campanha difamatória contra Lula em 1989, durante campanha presidencial. “Era preciso descontruir a imagem, ou melhor, a legitimidade de Lula através de notícias trapaceiras e da montagem do debate final no estúdio de televisão”.

No artigo, Pignotti fala sobre a fragilidade da denúncia contra o ex-presidente e relembra publicação da revista “Época”, que cita suposto “tráfico de influências” de Lula.

“Quem vai lendo e relendo os quase 20 mil caracteres da reportagem publicada em 30 de abril e citado pelo procurador para fundamentar suas suspeitas, chegará a conclusão de que a reportagem tem tantos indícios contra Lula como tinham as pastas vazias que levaram à presidência a dupla Collor-Globo em 1989″, afirma o texto.

Em comentário ao jornal sobre os ataques contra o ex-presidente, o líder do PT no Senado, Sibá Machado, disse que há uma tentativa de impedir Lula de retornar à Presidência da República, em 2018.

“O eventual retorno do líder petista nas eleições de 2018 é uma hipótese contra a qual trabalha a família Marinho, dona da Globo, e seus sócios políticos locais. Esse bloco contrário ao eventual regresso de Lula em 2018 possivelmente conta com o aval de grupos de interesses estrangeiros, “provavelmente norte-americanos”, comprometidos com a restauração de um projeto de livre mercado hemisférico, comentou com este jornal o chefe da bancada de deputados do PT, Sibá Machado”, conclui o texto.

Leia o artigo (tradução livre):
Campanha suja contra Lula é reavivada

No Brasil, um procurador-adjunto, sem currículo acadêmico expressivo e com uma ficha de serviços judiciais em que sobressaem (ou se destacam) 245 avisos (ou notificações) por desempenho negligente e/ou demorado, acusou em tempo recorde o ex-presidente e líder do PT.
Por Darío Pignotti

Pastas vazias. Em dezembro de 1989, as intenções de voto para o candidato Luiz Inácio Lula da Silva cresciam sistematicamente, quanto se estabilizavam as do candidato favorito Fernando Collor de Melo, finalmente eleito presidente graças ao auxílio prestado pela corporação de mídia Globo (ou Rede Globo). Era preciso descontruir a imagem, ou melhor, a legitimidade de Lula através de notícias trapaceiras e da montagem do debate final no estúdio de televisão, na qual Collor chegou um uma volumosa pasta em que assegurava que estavam provas irrefutáveis dos ilícitos cometidos por seu viral. Vinte e um anos depois, o ex-diretor da Globo admitiu ter maquinado o espetáculo de Collor posando de justiceiro diante das câmaras com um portfólio cheio de papéis em branco.

Pesquisas subsequentes combinadas com essa fraude eletrônica, complementada pela reedição do debate dos candidatos igualmente tendenciosa, reverteram a curva de aprovação ascendente de Lula, que três dias depois, em 17 de dezembro de 1989, sofreria sua primeira derrota presidencial perante a Globo, a única força política que sobreviveu impune aos 21 anos de ditadura, obstruindo a transição democrática (censurando as mobilizações massivas por eleições diretas), e se prolongou como partido hegemônica até os dias atuais.

Duas semanas atrás, um procurador-adjunto, sem currículo acadêmico expressivo e com uma ficha de serviços judiciais em que sobressaem 245 avisos por desempenho negligente e/ou demorado, abriu um “Processo de Investigação Criminal” em tempo recorde contra Lula, em quem recaem suspeitas de crime de “tráfico de influências internacional”.

O funcionário suplente conhecido por sua velocidade de tartaruga na comarca judicial de Brasília (integrada por vários procuradores e juízes antilulistas) iniciou o procedimento investigativo atropelando o prazo previsto pela procuradora titular que expirava (ou terminava) em setembro.

E o fez baseado em matérias publicadas pelo grupo Globo nas quais se associava as viagens de Lula ao exterior entre 2011 e 2014 com alegada representação fraudulenta em favor da construtora Odebrecht, com atuação em vários países e há décadas favorecida pelas gestões de governantes civis e militares.

Em uma matéria ilustrada com a imagem de Lula com gesto intrigante, a revista Época o define como um “operador” das construtoras e associa, sem nexo (ou comprovação) documental nem testemunhal, sua agenda internacional com o tráfico de influências.

O semanário da Globo mostra fac-símiles que confirmam as viagens, o que é redundante, porque estas foram públicas, e ignora que a maior parte delas não foram realizadas a pedido da Odebrecht. Para completar a desinformação, a nota se esquiva de explicar devidamente que várias dessas viagens ao estrangeiro foram para receber prêmios e títulos de doutor honoris causa na Espanha, Estados Unidos e México, ou para reunir-se com ex-presidentes, como fez por duas vezes com Bill Clinton.

Quem vai lendo e relendo os quase 20 mil caracteres da reportagem publicada em 30 de abril e citado pelo procurador para fundamentar suas suspeitas, chegará a conclusão de que a reportagem tem tantos indícios contra Lula como tinham as pastas vazias que levaram à presidência a dupla Collor-Globo em 1989.

A falta de informação oferecida pela Globo em essa e outras matérias similares se transformaria em um escândalo mundial em questões de horas: agências internacionais e redes de televisão globais replicaram a notícias de que Lula estaria envolvido em um suposto complô. A bola de neve se agigantou com o passar das semanas e aquela notícia oca inspirou análises inteligentes (ou prudentes), especialmente na imprensa anglo-saxônica, e ainda mais nos meios financeitos anglo-saxões como o Financial Times, que na semana passada escreveu um editorial sobre o “filme de terror” de um Brasil que se afunda na corrupção e só se salvará com um plano de ajuste exemplar. Como é imposto â Grécia? Possivelmente sim.

Aliás, as teses neoliberais ao extremo do Financial Times são tomadas como próprias pela Globo, que imagina como um futuro próximo pós Lula e pós Dilma Rousseff, que a querem fora do Planalto apesar da política ortodoxa de seu ministro da Fazenda Joaquim Levy, que já foi funcionário do FMI e do banco privado Bradesco.

A urgência do grupo midiático mais concentrado da América Latina para virar a página da era “lulopetista” se resumiu na semana passada em um artigo de opinião intitulado “Sem tempo” com argumentos a favor de uma saída antecipada de Dilma e a continuidade do ortodoxo ministro Levy em uma gestão pós golpe institucional.

Como os nazistas.

Poucos jornalistas conhecem como Tereza Cruvinel a lógica política da Globo, empresa na qual trabalhou durante mais de uma década como colunista política. Cruvinel assegura que o plano editorial para acabar com o capital simbólico e político de Lula tem um capítulo fundamental com sua chegada ao poder em 2003.

“Esta novela começou a ser esboçada desde 2003 e agora começa a tomar forma. Em um epílogo desenhado por seus autores, Lula sai da história, lugar ao qual tem direito por sua trajetória e termina vergonhosamente como um processado (declarado pela Justiça), inelegível, e assim o povo não repete a ousadia de voltar a eleger alguém que veio da pobreza e da classe trabalhadora”, afirma Cruvinel.

Lula respondeu na sexta-feira as acusações da Globo em conluio com procuradores e partidos de direita. “Tenho a impressão de que o que vemos na televisão se parece com os nazistas criminalizando o povo judeu, com os romanos criminalizando os cristãos. Estou cansado de ver este tipo de criminalização contra as esquerdas”, disse.

Vermelho de indignação, enalteceu a honestidade de Dilma, caluniada diariamente com insinuações sem provas, ao falar em um ato com sindicalistas no cinturão industrial de São Paulo. Colocando um macacão de militante (acho que isso deve ser uma expressão, tipo: vestindo a camisa de militante), o ex-presidente percorre o Brasil denunciando a intensão do golpe branco contra Dilma, reivindicando a política econômica distributiva dos governos petistas assim como a continuidade da política externa latinoamericanista.

Apesar das companhas contra, tem mantido uma agenda de encontros internacionais que nos últimos meses incluiu os presidentes Evo Morales e Cristina Fernández, o secretário geral da Unasul Ernesto Samper e o titular do Parlamento venezuelano Diosdado Cabello, encontro ocorrido pouco antes de uma missão de senadores oposicionistas brasileiros viajar para a Venezuela para encontrar-se com os referentes golpistas de lá.

Lula é o único sobrevivente da trinca sul-americana, junto com Néstor Kirchner e Hugo Chávez, que em 2005 freou o projeto de “anexação” da Alca fincado por George Bush quando este desembarcou em Mar del Plata acreditando que ninguém se atreveria. Tinha ao seu lado o corpulento presidente mexicano Vicente Fox que se revelou um anão político de burrice diplomática ímpar.

O eventual retorno do líder petista nas eleições de 2018 é uma hipótese contra a qual trabalha a família Marinho, dona da Globo, e seus sócios políticos locais. Esse bloco contrário ao eventual regresso de Lula em 2018 possivelmente conta com o aval de grupos de interesses estrangeiros, “provavelmente norte-americanos”, comprometidos com a restauração de um projeto de livre mercado hemisférico, comentou com este jornal o chefe da bancada de deputados do PT, Sibá Machado.
(Agência PT de Notícias)

Agora vai!


Huuummmm, já sei. Cansada de clamar, sem ser atendida, pelo Exército para que tome o poder na marra, a direita brasileira resolve recorrer ao PCC e fazer desta organização criminosa o braço armado dos golpistas obsessivos. Tal e qual aconteceu no século passado, quando Lampião e seu bando participavam da disputa pelo poder entre coronéis de barranco, hoje a maior organização criminosa conhecida no país, capaz de suprir os, digamos, "hábitos" excêntricos dos filhos da elite, pode muito bem ser capaz de derrubar do governo um grupo comandado por um ex-retirante nordestino.

Claro que, sozinho, mesmo armado até os dentes, aquele grupo criminoso e interlocutor privilegiado do tucanato paulista, não iria muito longe. Porém, contando com a ajuda dos republicanos do Tea Party, que já financiam um monte de delinquentes em nosso território, seria possível gastar mais um pouco e arregimentar hordas de mercenários do tipo daquela que ajudou a trucidar Muhamar Khadaffi na Líbia. Não muitos, pois há o risco dos coxinhas serem enxotados por esses bandos, como ocorreu em território líbio, hoje um enclave bárbaro em pleno século XXI, mas apenas o suficiente pra auxiliar o PCC a fazer Aébrio entrar triunfalmente em cima de um tanque de guerra no Palácio da Alvorada.

E ainda resta o bando tucano da PF, que pode muito bem comandar o golpe final na "corrupção", doa em quem doer, tudo em nome dos mais altos princípios do republicanismo repressivo. Afinal, se Cuba teve o episódio do quartel de Moncada, por que nossos vira latas não podem sonhar com o 'Dia da Mancada?' Égua!

Os donos do "pedaço"


A saída do atacante Souza do Paysandu dá a impressão de ser consequência da falta de entrosamento do renomado atacante com o restante do elenco, pelo menos parte deste, motivado talvez por questões salariais, precisamente a diferença do salário do centro avante para os salários dos demais.

Aliás, a mesma impressão ficou em relação ao volante Radamés, que também rescindiu prematuramente seu contrato e foi reforçar um concorrente do Papão, o Boa Esporte(MG), que também disputa a Série B do Brasileirão. Mesmo não fazendo uma boa campanha, o time mineiro deixa a sensação de capacidade de reação, daí soar estranha a liberação do volante, assim como ocorreu no caso de Bruno Veiga, ora no anteriormente combalido Mogi Mirim, que agora dá sinais consistentes de reação.

Quanto ao Souza, a alegação do jejum prolongado de gols não se sustenta e isto ficou explícito na contratação de seu sucessor, um outro atacante que não faz gol desde setembro do ano passado, conforme alerta o blogueiro Gerson Nogueira, em post feito nesta data.

Era visível o boicote ao 'Magrão' vindo do Criciúma, por parte dos demais companheiros(?). No jogo passado contra o CRB, chegou-se ao cúmulo do lateral Pikachu "passar" uma bola a uma distância de 2mts, dando força na bola como se Souza estivesse a uns 15mts de distância. Junte-se a isso as diversas vezes em que foi evitado o passe, embora o avançado estivesse em condições propícias ao arremate, o volante Jonnathan que o diga.

Não sei se ainda há mais um indesejável no plantel ou se já foram defenestrados todos os que causavam incômodo. O que se sabe mesmo é a consequência desses movimentos internos, motivados mais por vaidades do que pela busca de um objetivo. Além disso, fica patente a falta de pulso firme do treinador diante do poder de articulação de seus comandados. Seria até positivo se essa autonomia fosse decorrente de uma atitude do tipo daquela que ensejou a clássica democracia corintiana. No entanto, ao se desenvolver à sorrelfa, parece traduzir exatamente o que significa: deslumbramento precipitado de alguns que imaginam um brilho bem maior do que a claridade mortiça que ainda têm. Preocupante!

segunda-feira, 27 de julho de 2015

ONU: BRASIL ATINGIU META DO MILÊNIO EM REDUÇÃO DE POBREZA E FOME

:
Segundo a especialista do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) Renata Rubian, o País buscou metas bem mais ambiciosas do que as determinadas pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs); "Por exemplo, a meta de redução da pobreza no Brasil não é de 50%, a meta de redução do Brasil que o governo adotou é de reduzir a 25% a incidência da pobreza extrema. A meta de redução da fome no Brasil também não é de redução de incidência de 50%. É uma meta de erradicação da fome", disse; no geral, o mundo conseguiu reduzir a taxa de pobreza de 36% em 1990, para 15% atualmente; os grupos mais afetados são as mulheres, os idosos, as pessoas com deficiências e as minorias étnicas

Edgard Júnior | Radio ONU | Agência Brasil | Nova York/ 247 A especialista do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) Renata Rubian afirmou que o Brasil conseguiu atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, ODMs, em relação à pobreza e à fome. Em Nova York, Rubian disse em entrevista à Rádio ONU que o país buscou metas bem mais ambiciosas do que as determinadas pelas ODMs.

"Por exemplo, a meta de redução da pobreza no Brasil não é de 50%, a meta de redução do Brasil que o governo adotou é de reduzir a 25% a incidência da pobreza extrema. A meta de redução da fome no Brasil também não é de redução de incidência de 50%. É uma meta de erradicação da fome", disse Rubian.

Em relação aos países de língua portuguesa, ela citou resultados mistos. Rubian falou sobre a situação em Angola, Moçambique, Cabo-Verde, Guiné-Bissau e Timor-Leste, que registrou avanços no setor de saúde.

"O Timor-Leste ainda não atingiu a meta de redução de pobreza, mas a gente vê que o Timor é um sucesso, na verdade, na redução da mortalidade infantil e na melhoria da saúde materna. No caso dos países africanos, é uma situação complexa. A gente vê, por exemplo, Angola e Moçambique que têm um crescimento econômico astronômico. Angola, a gente sabe muito bem de todas as riquezas naturais, como diamantes e petróleo. Mas infelizmente, no caso de Angola e Moçambique, esse crescimento econômico não se traduziu numa redução da pobreza."

No geral, a especialista do Pnud afirmou que o mundo conseguiu reduzir a taxa de pobreza de 36% em 1990, para 15% atualmente. Segundo ela, os grupos mais afetados pela pobreza extrema são as mulheres, os idosos, as pessoas com deficiências e as minorias étnicas.

Dados

Rubian disse que houve um avanço no plano global, em termos absolutos, mas quando analisados os dados agregados, os desafios continuam em várias áreas. No caso do objetivo 8, da parceria para o desenvolvimento global, Rubian explica que ele propõe mudanças em vários setores como o financeiro, principalmente no comércio internacional. Ainda na lista estão negociações para o perdão da dívida externa de países, acesso a medicamentos e à tecnologia.

"Em termos de tecnologia a gente pode dizer que essa é uma área de tremendo sucesso. A gente até compara... em vários países uma pessoa pobre tem acesso a um telefone celular mas não tem acesso a um banheiro, a um vaso sanitário. É um dado estatístico triste mas é a realidade. Em relação à telefonia celular foi um momento enorme e temos 95% da população, a gente calcula, com acesso a um telefone celular."

Agenda Pós-2015

Renata Rubian falou também sobre como a luta contra a pobreza e a fome e os esforços para o desenvolvimento se encaixam na nova agenda sustentável pós-2015, que será aprovada em setembro.

A especialista do Pnud chamou a atenção para os princípios de sustentabilidade que vão estar incluídos no novo documento. Ela citou o princípio da integração entre os fatores sociais, econômicos e ambientais e também o da universalidade, que tem duas dimensões.

Rubian explicou que a agenda será aplicada a todos os países: desenvolvidos e em desenvolvimento e trará metas universais, como por exemplo, acabar mundialmente com a pobreza e a fome até 2030.

Os Vigaristas


Jornalista entra com representação contra advogado que acusou Dilma de ‘traficante, trambiqueira'

Sérgio Cypriano e José Matos

Em 14 de julho, o Viomundo denunciou: Advogado, que acusa Dilma de traficante e trambiqueira e jornalista de receber dinheiro de quadrilha, não é professor da USP.

O advogado é Sergio Cypriano de Moura Ribeiro Marques (OAB/SP 261.179).

O jornalista, José Matos, de Indaiatuba, interior de São Paulo, filiado ao PT desde 1991.

A advogada Fabíola Marques compartilhou em seu perfil no Facebook o repúdio da senadora Gleisy Hoffmann (PT-PR) ao adesivo, que simulava estupro da presidenta Dilma e estimulava a violência contra as mulheres em geral.

Em resposta, o advogado Sergio Cypriano de Moura Ribeiro Marques postou no mural da colega de profissão um comentário machista, difamatório e acusador. Além de colocar em dúvida a existência do adesivo misógino, criminoso, acusa Dilma de “traficante, trambiqueira, terrorista”.

O jornalista José Matos, filiado ao PT desde 1991, rechaçou.

A partir daí, os dois começaram a debater. Primeiro, em mensagens públicas. Depois, a pedido de Sergio Cypriano de Moura Ribeiro Marques, no privado, in box.

O advogado chamou José Matos de “vagabundo”, ameaçou-o (“Te marquei e vou te achar”), disse que ele “deve receber dinheiro roubado”, “dinheiro de quadrilha”, arrematando: “A tua mãe [a de José Matos] é puta e por isso não respeito mesmo”.

O jornalista José Matos denunciou: “O advogado Sergio Cypriano de Moura Ribeiro Marques ultrapassou todos os limites. É um disparate sem tamanho que ofende todas as brasileiras”. E advertiu: “Sergio Cypriano de Moura Ribeiro Marques é reflexo da impunidade. Chega de sermos desrespeitados, agredidos física e moralmente, e de deixarmos barato!”

O jornalista cumpriu o que prometeu. Nesta semana, deve interpelar cível e criminalmente Sergio Cypriano de Moura Ribeiro Marques.

Na quinta-feira passada, 23 de julho, José Matos entrou com representação na OAB-SP contra o advogado Sergio Cypriano de Moura Ribeiro Marques.

A representação (na íntegra, ao final) contém 20 páginas mais 59 de documentos anexos, entre os quais a matéria doViomundo.

Nela, Matos descreve em detalhes o que aconteceu, adverte que a internet não pode ser tratada como terra de ninguém, mostra que o advogado entrou com ações contra ex-namoradas, diz que ele cometeu várias infrações disciplinares e requer que a representação seja admitida e instaurado processo disciplinar. Alguns trechos:











A propósito. Bem no final da reportagem que publicamos em 14 de julho, Advogado, que acusa Dilma de traficante e trambiqueira e jornalista de receber dinheiro de quadrilha, não é professor da USP, fizemos vários questionamentos.

Ao presidente da OAB Nacional, doutor Marcus Vinicius Furtado Coêlho:

— O que acha sobre um advogado que diz que a OAB é “laranja” e cujo comportamento em público e no privado é de absoluta baixaria?

— A OAB Nacional tomará alguma medida? Qual ou quais? E quando?

Ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo:

— Quando finalmente o senhor vai acordar para as barbaridades sexistas, machistas, criminosas, que estão sendo cometidas contra a presidenta Dilma e outras mulheres nas redes sociais?

À ministra Eleonora Menecucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República:

— Já não está passando da hora de ser mais drástica e ágil contra os que incitam violência em geral contra as mulheres?



— A senhora concorda que a postura de Sergio Cypriano de Moura Ribeiro Marques é também um ato de violência contra as mulheres e ele como advogado sabe muito bem disso?

— Será que mais esse caso vai ficar impune?

Após a publicação da matéria, contatamos por e-mail e telefone as assessorias (várias vezes) de imprensa desses órgãos, pedindo que seus titulares comentassem e fazendo os questionamentos acima aos seus titulares.

Lamentavelmente Nenhum retorno da OAB (motivos corporativos?) nem do Ministério da Justiça.

Apenas a SPM, após muita insistência, limitou-se a uma nota burocrática, insípida, que cabe em qualquer circunstância e “vai sozinha” para a redação .

O governo está investindo no enfrentamento da violência contra a mulher, tanto no cumprimento da Lei Maria da Penha, quando na nova Lei do Feminicídio e em uma mudança de comportamento com o Humaniza Redes. Nossa ação é para que todos que cometem atos de violência contra as mulheres, de qualquer natureza, sejam responsabilizados. O Estado brasileiro — órgãos da justiça, Ministério Público e poderes executivos — vem travando uma luta incansável para sair da situação em que estamos no ranking mundial da violência.



Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.

“É visível no comportamento desse advogado a sensação de impunidade e desrespeito às leis e aos bons costumes. Ele não respeita nem o órgão que o representa, chama seus membros e colegas de profissão de ‘laranjas'”, atenta o jornalista João Matos. “É um caluniador e difamador habitual e agressivo em relação às mulheres. Ele não mede palavras para ofender, agredir, caluniar, violar e afrontar a dignidade humana.”

“A decisão disciplinar da OAB em relação a ele será uma resposta à sociedade de como deve se portar os seus associados”, avalia José Matos. “O que está em discussão é se Estatuto do Advogado tem valor prático, de fato e de direito, e se pode ser evocado quando a sociedade é vítima de algum dos seus associados.”

Representação à OAB-SP de José Matos contra Sérgio Cypriano de Moura Ribeiro Marques

(Conceição Lemes/ Viomundo)

Centrais realizam atos em Brasília e São Paulo contra escalada de juros

Amanhã (28), quando Copom inicia reunião que decidirá a taxa Selic, CUT faz protesto na frente do Ministério da Fazenda e Força leva para Avenida Paulista pódio para representar os campeões mundiais de juros

As centrais sindicais realizam protestos amanhã (28) contra os rumos da economia no Brasil. A CUT fará ato em Brasília, na frente da sede do Ministério da Fazenda. “É o dia que o Copom se reúne para decidir a taxa de juros. Não podemos abrir mão de fazer a crítica e fazer a disputa no campo da economia”, afirmou o secretário-geral da central, Sérgio Nobre.
 
  Crédito: Robson Silva 
Em São Paulo, as centrais também realizarão manifestação na avenida Paulista, a partir das 10h, em frente ao prédio do Banco Central (avenida Paulista, 1.804) , destacando que os juros altos penalizam a produção e reduzem os empregos. O ato organizado pela Força Sindical terá um pódio, com três lugares, onde artistas representando banqueiros e especuladores irão receber medalhas de campeões mundiais de juros altos. “Lutamos pelo crescimento da economia, pelo aumento da produção e dos empregos e contra a política que beneficia especuladores financeiros”, diz o presidente da Força, Miguel Torres.
Como tem se repetido nos últimos seis meses, a expectativa do noticiário da grande mídia, que representa os interesses financeiros, é que o Copom anuncie quarta-feira, no segundo e último dia de reunião, mais uma alta da taxa básica de juros. Atualmente, a taxa Selic está em 13,75% ao ano.
A CUT tem criticado essa tendência de alta da taxa. “É coisa de um grupo de burocratas, que não entendem nada de produção. É antiga nossa reivindicação de que os trabalhadores também façam parte do Copom”, afirmou Sérgio Nobre.
A política econômica do País, sob o comando do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tem sido criticada por diversos dirigentes e pelo professor de Economia da PUC-SP Antônio Corrêa de Lacerda, que na semana passada foi convidado especial da central para fazer uma análise da conjuntura econômica.
O economista explicou que “no segundo mandato de Dilma houve uma guinada conservadora da política econômica” e que “o ajuste fiscal é de curto prazo, pois está centrado no corte de benefícios sociais”.
Sobre o papel da mídia, Lacerda afirmou que os analistas não são justos ao examinar a crise brasileira, fazendo mal uso, por exemplo, dos dados da economia nacional. “O Brasil, nos últimos seis anos, teve uma inflação média de 6%. Ao contrário do que diz a mídia, vamos ter países de porte semelhante com o mesmo índice de 6%. Não vale a comparação, como faz o Sardenbergh (Carlos Alberto Sardenberg, da Rede Globo), que nos coloca ao lado de Peru, Chile e Estados Unidos. Temos de nos comparar com Índia, África do Sul, Rússia, que estão no mesmo patamar”, explicou o economista ao apresentar um cenário otimista para 2016. “Devemos ter uma inflação de 5%, que é uma expectativa acompanhada inclusive pelo mercado.”

Marcha das Margaridas

Além da manifestação na frente da sede do Ministério da Fazenda, amanhã (28), a CUT intensificará a mobilização para a Marcha das Margaridas, que ocorre em Brasília entre os dias 11 e 12 de agosto.
Desde 2003, primeiro ano da manifestação, mais de 140 mil mulheres já ocuparam Brasília para cobrar políticas públicas voltadas a um modelo de desenvolvimento centrado na vida, no respeito à diversidade e contra a violência sexista.
O nome da Marcha das Margaridas é uma homenagem à Margarida Maria Alves, presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba, assassinada por um pistoleiro no dia 12 de agosto de 1983.

Em sua memória e para fortalecer a luta, a cada três anos, caravanas de mulheres partem de todo o país rumo à capital federal.

Neste ano, as delegações chegarão ao estádio Mané Garrincha a partir de 11 de agosto e a abertura oficial do encontro está para prevista para as 18 horas do mesmo dia. Na manhã seguinte, a Marcha deixa o estádio e segue para o Congresso Nacional.
No próximo dia 20 de agosto, a CUT integrará um grande ato com outras entidades, como MTST, MST, UNE e outras entidades do movimento social, em São Paulo, em defesa da democracia e contra as tentativas de golpe no país.
(Rede Brasil Atual)

Roberto Amaral: É preciso esmagar o embrião fascista agora

“O ovo da serpente tem uma característica especial: ele não tem casca, mas sim uma película muito fina e transparente que permita que se veja o embrião se desenvolvendo. O que quero dizer com essa metáfora é que nós estamos vendo o desenvolvimento de um embrião fascista no Brasil. Está em nossas mãos a decisão. Podemos deixar esse embrião crescer, sair desse ovo e amanhã picar o nosso calcanhar, ou podemos esmagá-lo agora. O ovo da serpente permite que vejamos à frente. Estou tentando chamar a atenção, não só da esquerda, mas das forças progressistas e democráticas em geral, para a ameaça de um grave retrocesso político e ideológico no País. Esse retrocesso não se mede apenas pela crise dos partidos, em particular pela crise dos partidos de esquerda e, de modo mais particular ainda, pela crise do PT. Tampouco se mede apenas pela crise do governo Dilma. Ele se mede, fundamentalmente, pela ascensão de uma opinião, que já está se tornando orgânica, de retrocesso conservador.”
“Já há um baluarte institucional perigosíssimo desse processo, que é a Câmara dos Deputados. Eduardo Cunha não foi colocado ali pelo acaso, ele representa um núcleo pensante conservador brasileiro. Esse núcleo, na Câmara, está representado pela chamada bancada BBB, ou seja, os grupos do boi, do agronegócio atrasado, da bala e da Bíblia, que reúne os evangélicos primitivos e midiáticos. Isso tudo se juntou”.
Esquerda não levou a sério o tema da comunicação
“Mas é preciso dizer que a grande responsabilidade por isso é da esquerda e dos nossos governos de centro-esquerda. Há mais de 40 anos, eu e outras pessoas – aqui no Rio Grande do Sul havia uma pessoa que lutava muito por isso, o Daniel Herz – viemos alertando sobre o poder dos meios de comunicação de massa no Brasil, sobre o monopólio da informação e a cartelização das empresas. A esquerda nunca acreditou nisso.”
“A primeira eleição do Lula serviu para mascarar esse problema. Nós metemos na cabeça que essa gente não formava mais opinião. Nos descuidamos e ficamos assistindo à construção de um monopólio ideológico, destilando conservadorismo de manhã, de tarde e de noite. Aqui, não estou me referindo apenas à Rede Globo, ao Globo, Estadão e Folha de São Paulo. Pior do que isso talvez sejam as rádios evangélicas, as rádios AM e FM, despejando diariamente xenofobia, racismo, machismo, homofobia e tudo o que é atrasado. Paralelamente a isso, nós não construímos uma imprensa nossa. E nem estou falando de uma imprensa nossa para falar com a sociedade. Não construímos uma imprensa nossa sequer para falar conosco mesmo. Os militantes do movimento sindical e dos partidos se informam das teses de suas lideranças pela grande imprensa. Nem criamos uma imprensa de massa, nem criamos uma imprensa própria.”
“Nos anos 50 e 60, nós tínhamos O Semanário, que circulava no Brasil inteiro defendendo as teses do Petróleo é Nosso e da Petrobras, tínhamos Novos Rumos, do Partido Comunista, a imprensa sindical e circulava também a Última Hora. Havia, então, um esforço para garantir um mínimo de debate. Isso tudo desapareceu e nada foi colocado no seu lugar. Com a chegada de Lula ao governo, os principais quadros do PT foram transferidos da burocracia partidária para a burocracia estatal e o partido acabou se esfacelando. Os principais quadros do movimento sindical também foram transferidos para os gabinetes da Esplanada”.
“A grande dificuldade que temos hoje para promover a defesa do governo Dilma é que perdemos o diálogo com a massa. Eu conversava dias atrás com uma ex-presidente da UNE e ela me dizia: ‘Professor, como é que eu posso entrar em sala e chamar os estudantes para uma passeata quando o governo está reduzindo as verbas para as bolsas de estudo’. Há um paradoxo entre a nossa política e a nossa base social. A Dilma não foi eleita pela base com a qual está governando. Ela atende os interesses dessa base com a qual está governando e não tem o apoio dela. Por outro lado, ela contraria os interesses da base progressista, a qual nós temos dificuldade de mobilizar para defendê-la. Esse paradoxo precisa ser enfrentado.”
“Não devemos nos iludir com os compromissos democráticos da direita”
“Ninguém deve se iludir com os compromissos democráticos e legalistas da direita brasileira. É uma direita que sempre apelou para o golpe e para o desvio democrático. Está aí a história dos anos 50 e 60 repleta de exemplos disso. Ela não tem compromisso com a democracia. Seu único compromisso é com seus interesses de classe. E, lamentavelmente, parece que a burguesia no Brasil tem mais consciência de classe do que muitos setores proletários.”
“Há um segundo paradoxo, que é difícil explicar a não ser que você use aparelhos ideológicos. Nós já sofremos, de fato, dois golpes nos últimos meses. A direita perdeu as eleições, mas ganhou a política. Esta política econômica que está sendo aplicada é a política da direita. O segundo golpe foi a implantação de uma nova forma de parlamentarismo, que vive de subtrair poderes do Executivo. E há ainda um terceiro golpe em curso que consiste em refazer a Constituição sem ter poder originário para tanto, retirando da Carta de 88 conquistas que levamos décadas para aprovar e consolidar”.
Sobre a construção de uma frente ampla, popular e democrática
“Diante deste cenário, precisamos articular a formação de uma frente ampla, de uma frente popular que reúna os setores progressistas e democráticos do País. Eu não estou falando de uma frente de esquerda, pois com isso estaríamos nos encerrando em um casulo, voltando a ser ostra. Precisamos retomar um discurso para a classe média, que perdemos em função dos desvios éticos do PT. Nós não estamos pagando o preço de erros de governo, mas sim dos desvios éticos. Precisamos retomar um discurso que fale para os trabalhadores, para os setores médios, para as forças progressistas, que não são necessariamente de esquerda, falar com a empresa nacional que, neste momento, está sendo destruída neste País. Há uma tentativa de acabar com as principais empresas brasileiras, detentoras de know how, não por uma questão moral, mas para colocar no lugar delas empresas espanholas, chinesas e americanas.”
“Não estou pensando a constituição desta frente com objetivos imediatos e de caráter eleitoral, mas sim na perspectiva da reconstituição das forças progressistas. O ponto de partida para essas forças é construir uma barragem para conter o avanço do pensamento e da ação da direita. Para isso, precisamos voltar às ruas e voltar a debater com a população. Na minha opinião, o modelo no qual devemos nos inspirar não é o da Frente Ampla uruguaia. Esta tem algo que nós não temos, partidos. É uma frente de partidos. Nós temos que construir uma frente de movimentos, da sociedade, preparada para receber os partidos e oferecer a eles um novo discurso, uma nova alternativa. Mas não trabalho com a ideia de um modelo pronto e acabado. O que vai decidir isso, como sempre, é o processo histórico”.
A ameaça do impeachment
“Irrita-me o fato de nossas forças estarem acuadas por fantasmas. O nosso governo está acuado, enquanto ele tem o que dizer. Em face disso, como não há espaço vazio, a direita vem avançando e preparando ideologicamente a ideia do impeachment. Precisamos por isso a nu e exigir que a direita assuma publicamente se é golpista ou não. O senhor Fernando Henrique Cardoso tem que ser chamado às falas. O PSDB e o PMDB têm que ser questionados a assumir se são golpistas ou não. Creio que a melhor forma de enfrentar a ameaça do impeachment, seja ela pequena ou grande, é dizer que ela existe. Dizer que ela não existe é perigoso. E o objetivo principal nem é mais a Dilma, é o Lula. Querem liquidar o Lula e o PT. Não se iludam. Se isso acontecer, não atingirá só o PT, mas toda a esquerda brasileira. Temos responsabilidades distintas pelo que está acontecendo, mas estamos todos no mesmo barco”.
(Por Sul 21- edição: Marco Aurélio Weisheimer/ via O Cafezinho)

Umberto Eco disseca o jornalismo de esgoto para Ilze Scamparini

Sugerido por Percival Maricato
Do Consultor Jurídico
Entrevista concedida pelo semiólogo Umberto Eco à jornalistaIlze Scamparini, para o programaMilênio — um programa de entrevistas, que vai ao ar pelo canal de televisão por assinaturaGloboNews às 23h30 de segunda-feira com repetições às terças-feiras (17h30), quartas-feiras (15h30), quintas-feiras (6h30) e domingos (14h05).
Umberto Eco é um italiano que olha a realidade com óculos especiais. Defini-lo como escritor e crítico literário seria muito pouco. Também seria insuficiente nominá-lo como linguista, esse piemontês de Alexandria, de fama internacional é também filósofo e um ensaísta vivaz. Semiólogo, usa a ciência dos símbolos como um esquema mental. Grande apaixonado pela Idade Média, produziu obras como O Nome da Rosa, de 1980, um suspense filosófico ambientado no ano de 1327, que virou best seller e inspirou um filme com Sean Connery. Estudioso do fenômeno da comunicação, foi um dos primeiros por aqui a falar de linguagem televisiva. Acompanhou o nascimento da televisão italiana e do pensamento americano sobre a TV. Um princípio fundamental da sua narrativa é a suspeita, a desconfiança no que se diz. Umberto Eco põe em discussão qualquer interpretação sobre os fatos. Na sua casa em Milão ele nos mostrou a edição brasileira de Número Zero, o seu último livro que cita histórias da época contemporânea para falar de chantagem, intrigas e de reputações enlameadas dentro da redação de um jornal.
Ilze Scamparini — O senhor acabou de lançar uma espécie de manual do mau jornalismo. Criou uma redação de pretensiosos. Essa ideia vem de onde?
Umberto Eco —
 Há pelo menos, 30 anos que escrevo artigos e ensaios sobre os vícios do jornalismo. Uma visão de dentro, porque também escrevo em um jornal. Então, é um tema familiar para mim.
Ilze Scamparini — Imagino que o senhor não tenha feito essas observações só na Itália?
Umberto Eco —
 A minha é uma redação de jornalistas fracassados. E, nesse caso, um exemplo de péssimo jornalismo. Mas, alguns diretores de jornal aqui na Itália debateram o meu livro e disseram: “Sim, mas alguns desses vícios são também do grande jornalismo”. E são no mundo inteiro por uma série de razões. De todo o modo, o jornalismo vive uma crise desde o fim de 1953. Pelo menos, na Itália. Nos Estados Unidos, um pouco antes, por causa do advento da televisão. Antigamente, os jornais diziam de manhã o que havia acontecido na noite anterior. Ou seja, diziam de manhã aquilo que todo mundo já sabia pela televisão. Isso poderia ter sinalizado o desaparecimento dos jornais como objeto, como instituição. Mas, os jornais precisaram aumentar o número de páginas para acolher publicidade, etc. Quando eu era pequeno, os jornais tinham quatro páginas. Agora, têm sessenta. Então, o que faz um jornal? Ou pode fazer um aprofundamento, o que exige uma redação forte, uma preparação de investigações. Ou fofocas. Como os vespertinos ingleses que não fazem outra coisa a não ser falar da família real. Em alguns casos, como acontece no meu jornal, o sensacionalismo e a chantagem. Quando eu trabalhava em redação, existia um personagem na Itália se chamava Pecorelli. Ele tinha uma agência de notícia. Ele não fazia um jornal, fazia um boletim de notícias. Não era vendido em banca. Mas acabava nas escrivaninhas de todas as pessoas importantes. Então, era um sistema de chantagem porque apresentava algumas notícias que ele poderia vir a divulgar em seguida.
Ilze Scamparini — E por isso ele foi assassinado?
Umberto Eco —
 Foi assassinado. Então, podemos dizer que devia incomodar. Os jornais de chantagem, do tipo que na Itália se chama “máquina de lama”, existem. Até mesmo aqueles jornais que se consideram nacionais e bastante sérios. Nesse caso, coloquei em evidência este problema que é comum a vários tipos de jornalismo. Por exemplo, a tentativa do jornalista de não manifestar opinião, o que é muito praticado. A grosso modo, tem-se um fato, descreve-se o fato. Depois dá-se, entre aspas, a opinião de alguém que passou por ali. Ou seja, dá-se a impressão de que opinião é separada do fato. Mas quem escolheu a pessoa que dá a opinião?
Ilze Scamparini — Essa “máquina de lama”... Se eu não me engano, até o senhor foi vítima dessa “máquina de lama” quando foi a Jerusalém e fez a famosa declaração, não?
Umberto Eco —
 Sim, mas aquela era só uma máquina de estupidez. Porque teve efeito apenas sobre uma pequena discussão. Melhor, o que é típico da “máquina de lama” é que para desacreditar alguém, não é necessário acusá-lo de ladrão, assassino. Basta dizer as coisas que são realmente verdade e que são normais, mas que jogam uma sombra de suspeição. Então, um jornal que não gostava de mim publicou um texto assim: “Ontem, Umberto Eco foi visto em um restaurante chinês com um desconhecido, enquanto comiam com palitinhos.” Não tem nada de mal estar num restaurante chinês. O personagem era desconhecido para eles e não para mim. Era um amigo meu. Mas imagine que, a não ser em Milão, Roma ou Bolonha, em suma, todas as grandes cidades onde existem restaurantes chineses, no resto do país não tem. Então, para as pessoas, a ideia de alguém com um desconhecido usando palitinhos em vez de comer massa com grafo, como fazem as pessoas normais, já transforma tudo em Chinatown, um filme de Polanski. É uma forma de lançar uma sombra de suspeição. Essas são técnicas refinadas da “máquina de lama”.
Ilze Scamparini — Para o senhor quais são os danos mais comuns e mais nefastos do mau jornalismo?
Umberto Eco —
 São infinitos. A senhora definiu o meu romance como um manual. E, na verdade, chegaram a propor usá-lo como manual nas escolas Jornalismo, para explicar o que não deve ser feito. E os espanhóis querem mesmo trabalhar nesse sentido. Pense, por exemplo, nas práticas que, aparentemente, são corretas, a edição. Assim, um jovem mata a namorada em Belo Horizonte. Um outro mata a mulher em São Paulo. Um outro mata a amante em Salvador. São três fatos estatisticamente, num país grande como o Brasil, estatisticamente bem normais. Se todos são postos na mesma página, cria-se um alarme. Se, além disso, todas essas pessoas são, digamos, da mesma cor, são negros. Então, cria-se, de fato, uma perseguição racial. Simplesmente colocando as notícias na mesma página. Então, são técnicas que, algumas vezes, estão arraigadas. Porque vêm naturalmente para os jornalistas. Três notícias bem parecidas são postas uma ao lado da outra. Mas se cinco acidentes de carro são postos numa mesma página, quer dizer que tem alguma coisa que não funciona no motor dos carros. Este é um elemento mínimo. Mas onde a gente vê como o jornalismo pode ser perigoso mesmo quando se trabalha corretamente.
Ilze Scamparini — Mas a política dentro da redação. Isso também pode ser uma coisa nefasta? A política, o jornalismo contaminado da política partidária.
Umberto Eco —
 Só existe um tipo de jornal que não é contaminado. É o jornal de partido. Porque se sabe que é um jornal de partido, então se sabe como ler e fazer a filtragem das informações. É claro que cada jornal tem pressão política de todos os tipos. Vai depender de como eles declaram isso. Os grandes jornais americanos, quando tem eleição para presidente, dizem: “Nós apoiamos este.” Ok, estamos entendidos. Na Itália, o problema trágico é que não existem jornais independentes. Todos são, de algum modo, ligados a bancos, indústria etc. Isso é muito grave. Não é tanto a política. Um jornal deve fazer política. Se é um jornal honesto, deixa claro qual é a posição política dele.
Ilze Scamparini — Os mecanismos revelados pelo livro poderiam ser aplicados em outros países?
Umberto Eco —
 Cabe aos outros países decidirem.
Ilze Scamparini — O empresário que patrocina o jornal que não será nunca publicado representa alguém especificamente? Sei que é uma pergunta que fazem bastante.
Umberto Eco —
 É uma pergunta que todos me fazem. É Berlusconi? Este comendador Vimercati. Existem tantos senhores Vimercati em Itália e em toda parte. Quem é Murdoch? Quem são os donos de jornais, etc. Então, até Vimercati tende a ser um personagem universal.
Ilze Scamparini — Já que os fatos se ligam também, o que significa Silvio Berlusconi na história italiana?
Umberto Eco —
 Atualmente, não acho que Berlusconi tenha ainda um grande futuro político, por causa da idade, por que a situação é diferente. Ele foi ignorado. Encontrou gente mais esperta que ele. O presidente Renzi é mais esperto que Berlusconi. E ele achava que era mais esperto. Berlusconi representou por vinte anos mais um personagem dotado, realmente, de fascínio para muita gente. É um homem e grande simpatia. De grande poder econômico. E como tinha o controle dos meios de comunicação de massa pode convencer um país inteiro, por quase vinte anos, de um programa inexistente: que ele deveria livrar a Itália do comunismo. Quando o comunismo já havia se liberado sozinho. E já havia acabado. Então, Berlusconi foi um produto típico da sociedade de massa. Representa uma nova forma de populismo, de uma política que tem apelo direto com o povo, ignorando o Parlamento. E sobre populismo, a América Latina tem muito a nos ensinar.
Ilze Scamparini — Uma cultura que, no fim das contas, ele produziu, ainda está em vigor.
Umberto Eco —
 Mas, certamente, o eleitorado de Berlusconi é ainda de senhores entre cinquenta e noventa anos, principalmente, os que veem televisão.
Ilze Scamparini — O senhor escreveu O Nome da Rosa há 35 anos. Até hoje, o livro é um mito absoluto na literatura e muito fundamental na sua vida de escritor. De que maneira aquele romance influenciou sua narrativa desde então?
Umberto Eco —
 Pelo simples fato de que, até aquele momento, por exemplo, tem o fato de que eu nunca havia escrito um romance. Costumo brincar que todos os meus livros anteriores tinham uma sinfonia de Mahler, uma obra de Charlie Parker. Então, a cada vez, a gente procura encontrar novas soluções estilísticas, etc. Simplesmente, me aconteceu a desgraça de ter um grande sucesso com o meu primeiro livro. Sorte seria se o grande sucesso tivesse acontecido no último livro. Tendo sucesso no primeiro livro, e citei Gárcia Marquez, ele pode ter escrito tudo o que quis depois, mas as pessoas só lembravam de Cem Anos de Solidão.
Ilze Scamparini — O senhor o enxerga como uma coisa negativa?
Umberto Eco —
 Sim, porque se eu precisasse escolher entre todos os meus romances qual deveria salvar e jogar fora os outros, escolheria o Pêndulo de Foucault. Essa é uma opinião pessoal. De leitor.
Ilze Scamparini — O Nome da Rosa tem mais de 15 milhões de cópias vendidas. O senhor sabe [o número] ao certo?
Umberto Eco —
 Não se sabe. Alguns dizem quinze. Por quê? Porque a metade do mundo não tinha, naquela época, um acordo para direitos autorais. Na China, podem ter impresso uma centena ou um milhão. Não se sabe. Todo o mundo oriental. Mais da metade são edições piratas. Não pagavam os direitos. Toda a Rússia, o mundo soviético. Não existia um acordo. Então, não se sabia quanto eles tinham vendido. Não pagaram os direitos. Então, não se sabe.
Ilze Scamparini — Um personagem do seu livro Número Zero diz que todos mentem, os jornais, a TV...
Umberto Eco —
 Sempre o Bragaddocio paranoico.
Ilze Scamparini — Bragaddocio, exatamente. Os intelectuais também mentem?
Umberto Eco —
 Essa é a opinião de Bragaddocio.
Ilze Scamparini — Os fenômenos atuais como imigração, terrorismo, racismo, são, volta e meia, vítimas de informações erradas?
Umberto Eco —
 Naturalmente. Todo tipo de racismo, fundamentalismo, quase sempre, se baseia em afirmações falsas. Pense, na realidade, Hitler matou 6 milhões de judeus levando a sério o antigo Protocolo dos Sábios de Sião. É natural que toda forma de crime na história nasce da desinformação orientada.
Ilze Scamparini — Os meios de comunicação ao mesmo tempo que podem combater a censura e defender a democracia podem também produzir coisas danosas a sociedade. O que o senhor acha?
Umberto Eco —
 É como todas as coisas. Os automóveis permitem fazer um monte de coisas boas, mas também explodem nas estradas. Pense na internet, cheia de defeitos. Mas, alguém disse que, se no tempo de Hitler existisse internet, a tragédia não seria possível porque todo o mundo teria tomado conhecimento em cinco minutos. É preciso, como sempre, ver os aspectos positivos e negativos. Eu li uma vez que os mecânicos franceses fizeram uma manifestação contra as leis para diminuir os acidentes na estrada... Com menos acidentes, eles trabalham menos.
Ilze Scamparini — O senhor desencadeou uma forte reação quando foi duro contra uma parte da internet.
Umberto Eco —
 É dar muita importância a uma coisa óbvia. É ou não verdade que no mundo existem muitos imbecis? Me parece que sim. Agora, podemos discutir se são a maioria ou a minoria. Mas existem muitos. No momento em que a internet permite que todos falem, permite que um grande número de imbecis fale. Então, é preciso também saber criticar aquilo que está na rede e pronto. Acho que quem protestou foram eles, os imbecis.
Ilze Scamparini — A paixão pela Idade Média passou ou ainda vai dar frutos?
Umberto Eco —
 Tanto que foram publicados há dois anos todos os meus escritos sobre a idade média que chegaram a 1.500 páginas. Foi sempre o período que mais me interessou. Se ainda dará frutos, eu não sei. Como o que vou trabalhar nos próximos anos ou se ainda estarei vivo nos próximos anos. Mas, de qualquer forma, já separei uma ótima série de estudo.
Ilze Scamparini — O senhor escreveu uma bela homenagem para Haroldo de Campos quando ele morreu. Que relação o senhor teve com os poetas concretistas?
Umberto Eco —
 Quando a gente nem se conhecia ainda, eles se ocupavam das mesmas coisas que eu e outros colegas, a semiótica de Peirce e outras coisas. Por isso, quando cheguei pela primeira vez ao Brasil... Além disso, através de um colóquio , quem me convidou foi o Décio Pignatari, eu imediatamente me encontrei com Haroldo e Augusto de Campos, em todo aquele ambiente. Havia um lugar que se chamava João Sebastião Bar. Então, me tornei muito amigo de Haroldo. Não é só isso. Eu tinha publicado... Eu fui ao Brasil acho que em 1963. Eu havia publicado, em 1962, Obra Aberta. E Haroldo me mostrou um artigo que ele havia escrito antes de 1962, onde ele falava da Obra Aberta. Nos tornamos, vamos dizer assim, irmãos. Com muitas ideias em comum. Logo, nos mantivemos sempre em contato. E então, através deles, todo o grupo se manteve, conheci um pouco. E assim, a chamada vanguarda brasileira e o mestre deles Oswald de Andrade, etc. E considero, sobretudo, Haroldo de Campos um ótimo tradutor. Ele traduziu “Dante” de uma forma, em português do brasileiro que é, realmente sublime. E ele era uma grande figura.
Ilze Scamparini — O senhor participou ativamente do Grupo 63, neovanguardista que negava, violentamente, a trama na literatura. Mas o que aconteceu com a sua narrativa, que recupera a centralidade da trama?
Umberto Eco —
 Aconteceu que já em 1965 — ou seja, o grupo se chamava 63 porque fez a primeira reunião em 1963. Mas já em 1965, teve um encontro onde dissemos que tudo bem, que era preciso retornar à narrativa. Uma outra narrativa, diferente daquela do tempo de Robbe-Grillet, o novo romance e toda essa forma nova de narrativa. A verdade é que aquilo que mais tarde foi chamado de Modernismo chegou à página branca, ao quadro monocromático, à cena vazia, ao silêncio musical. Ou seja, alcançou um ponto de destruição da linguagem anterior...
Ilze Scamparini — Que era necessário voltar atrás.
Umberto Eco —
 Ou então, não se poderia. Depois do quadro branco, não se podia fazer nada a mais ou a menos. Então, houve um retorno, no sentido de revisitar as formas tradicionais e modo irônico, meta-linguagem, e tantas coisas sobre as quais podemos falar. Eu acredito que não poderia ter escrito os meus romances se não tivesse passado pela experiência do Grupo 63.
Ilze Scamparini — O senhor afirmou que Tomás de Aquino, milagrosamente, o ajudou a curar-se da fé. O que restas, professor, apenas a fé no homem?
Umberto Eco —
 Não disse isso...
Ilze Scamparini — Não? É um outro caso de mau jornalismo?
Umberto Eco —
 Eu disse que, gradativamente, comecei os estudos de São Tomás enquanto era um crente e terminei porque já estava abandonando a fé. Não porque havia sido inspirado por São Tomás. Mas também porque, mesmo quando se faz um trabalho histórico, objetivo, sobre este personagem, projetei o mundo dele à distância para observar com o olhar crítico da história. Não era mais o meu mundo. Era o mundo dele. Mas não é culpa dele. Estive há pouco tempo no quarto onde ele morreu, em Fossanova. Participei de um congresso sobre a vida de São Tomás e continuo fascinado pelo gorducho.
Ilze Scamparini — E como o senhor, um autor de um estudo sobre Tomás de Aquino, estudioso dos meios de comunicação, vê um Papa comunicador como Francisco?
Umberto Eco —
 Bem, eu o vejo como extrema simpatia. Não por acaso é um jesuíta sul-americano. E não é argentino, é paraguaio. Eram os jesuítas das missões, dos seiscentos, que armaram os índios contra os espanhóis. Para mim, é assim. Ele veio deste mundo ali. Não dos jesuítas reacionários franceses dos oitocentos. Mas dos jesuítas um pouco revolucionários, paraguaios, dos seiscentos. E, então, assim nasce esse personagem bastante singular.
Ilze Scamparini — Um papa um pouco laico, não?
Umberto Eco —
 Em suma...
Ilze Scamparini — Mais que os outros...
Umberto Eco —
 Ele não tem uma visão de talibã.
(Via GGN)