Jorge Paz Amorim

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Belém, Pará, Brazil
Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

sábado, 22 de julho de 2017

Em busca do tesouro roubado


Como era esperado, a midiazona chiou muito pouco contra a tunga temerária em forma do aumento de tributos incidentes sobre os combustíveis.

Sabe aquela corporação bandalha que esse dinheiro surrupiado de seu bolso através da medieval escorcha acabará tendo parte revertida pra si, em forma de publicidade governamental.

Pelos cálculos divulgados, parece que essa brincadeira de larápios renderá a Temer mais de R$ 10 bilhões, que juntados a cortes a cortes de mais de R$5 bilhões permitirá ao vil golpista municiar-se para comprar o apoio necessário na 'Assembléia de Bandidos' e continuar impune.

No meio de tudo isso, surge um dado convenientemente ocultado no sensacionalismo seletivo que alimenta o noticiário delinquente, certamente porque esses emissores das mensagens são beneficiários do delito.

Trata-se da fantástica fábrica de sonegação de impostos que reina impune no país e teria surrupiado dos cofres  do Tesouro Nacional a espetacular quantia de R$315 bilhões, em um espaço de apenas sete meses.

Ora, caso isto seja verdade é sinal que estamos vivendo uma época de depravação econômico/moral semelhante aos tempos dos legítimos piratas caribenhos, onde o entesouramento de riquezas roubadas era base da economia de muitas nações.

E mais: se o trabalho dos procuradores fazendários conseguiu fazer retornar ao erário cerca de R$76 bilhões, em quatro anos, além de evitar a perda de mais de R$500 bilhões no mesmo período, imagina quanto não foi desviado para paraísos fiscais promovendo miséria e desigualdade social às custas da apropriação indébita dessa fábula.

Que bom seria se tivéssemos uma campanha contra a sonegação semelhante a feita contra a corrupção, a ponto de sensibilizar a população mobilizar-se contra esse flagelo que nos condena ser uma sub nação.

Seríamos, no mínimo, uma nação injusta. Jamais uma nação pobre, a não ser que a ladroagem persistisse audaciosa e impune a nos roubar à luz do dia. Será?  

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O turista que denunciou o triplex da Globo


Daniel Szames passeava de escuna pela baía de Paraty quando viu a praia de Santa Rita com uma construção ostensiva, boias que impediam o acesso, um deck de grandes proporções e a construção de três andares incompatível para região que é reserva da natureza, a Área de Proteção Ambiental (APA) de Cairuçu.

Ele queria parar na praia, mas o condutor da escuna informou que não poderia. No passado mais distante, quando a área pertencia a Francisco William Munhoz e sua irmã, Elizabeth, o acesso era livre, mas, depois que “um membro da família do sr. Roberto Marinho” comprou o sítio, a praia e um pedaço de mar foram “privatizados”, como se diz em Paraty.

Caso o barqueiro passasse pela barreira, ele não conseguiria entrar na praia, pois havia seguranças e cachorros que impediriam o desembarque.

Daniel, que é de Rio das Ostras e trabalha como técnico na Justiça Federal, não se conteve. Ele mandou um e-mail para o Ministério Público Federal e pediu providências.

“Além do relato dessa pessoa (o condutor da escuna), que toda semana passa pelo local, por conta do trajeto rotineiro do passeio de escuna, pude ver tudo o que estou informando. Lamentavelmente não pude fotografar o local, pois minha câmera estava com defeito. Acredito que, por se tratar de propriedade de uma família com tanta influência e poder econômico, muitos jornalistas, políticos e autoridades locais tenham temor de investigar o caso, porém é sabido que a lei tem de ser igual para todos. Necessário se faz, ao meu ver, uma diligência ao local”, escreveu.

Era setembro de 2009, houve diligências no local, através de técnicos ambientais do Instituto Chico Mendes, ligado ao Ministério do Meio Ambiente. A Polícia Federal abriu inquérito e, um ano depois, tiveram início dois processos – um criminal, por violação de leis ambientais, e outro civil, visando à demolição da casa, que já foi premiada pela beleza arquitetônica.

Mas, decorridos quase oito anos da denúncia, a mansão continua lá e os nomes da família Marinho desapareceram do processo. Nos documentos em cartório e no processo, aparecem registros de uma empresa brasileira, a Agropecuária Veine, controlada por uma empresa de Las Vagas, a Vaincre, por sua vez sob domínio de por offshores abertas no Panamá pelo escritório Mossack Fonseca, sem identificação dos reais proprietários.

São indícios veementes de ocultação de patrimônio, com finalidade de lavagem de dinheiro. No cartório de Paraty, onde foi assinada a escritura, o real proprietário é de conhecimento dos funcionários. Segundo um deles me disse, pertence à família de um dos donos da Globo, João Roberto Marinho, mas ele nunca apareceu lá para cuidar da documentação. Sempre foi seu genro, agora ex-genro, Alexandre Chiappetta Azevedo.

Quando fez a denúncia, Daniel pediu reserva quanto à divulgação do seu nome, mas ele aparece logo nas primeiras páginas do processo. Esta semana, eu o localizei e perguntei por e-mail se ele tinha arrependimento por ter feito a denúncia, já que, até agora, não houve nenhuma punição, e o tríplex continua lá, desafiando as autoridades ambientais.

“Arrependimento nenhum”, respondeu ele, apesar do caso mostrar que, ao contrário do que ele imaginava em 2009, quando fez a denúncia, a lei não é para todos.

“Eu só estava fazendo um passeio de barco na época ali no local e o barqueiro da escuna me explicou que aquela praia era pública, como qualquer outra da região de Paraty, e que, após a compra daquela casa, aquela família fechou o acesso à praia, colocando um deck enorme ali, como eu pude ver na hora, e cães ferozes e seguranças ali no deck”, afirmou.

Daniel não quis falar mais e também se referiu aos Marinhos como “aquele família”. O tríplex de Paraty é um dos símbolos de um Judiciário caracterizado por seletividade. Apenas a título de comparação: a denúncia a respeito do tríplex atribuído a Lula foi apresentada em setembro do ano passado e, dez meses depois, já existe condenação e sequestro de bens.

No caso da Paraty House, a Justiça Federal recebeu a denúncia há sete anos e não houvesse consequência mais severa. Sobrou para um arquiteto do Rio de Janeiro, que tem mais de 70 anos de idade. Numa transação penal, ele fez uma doação em produtos, no valor de pouco mais de 1.000 reais, para um asilo de Paraty. Já está quite com a Justiça.

A representante da empresa que tem a propriedade formal do sítio e da casa na praia de Santa Rita, uma senhora que também tem mais de 70 anos de idade, nunca prestou depoimento, apesar de intimada cinco vezes pela Polícia Federal e duas pela Justiça.

Numa das ironias do destino, a indicação de quem está por trás da empresa de fachada que tem a propriedade do imóvel foi parar na mesa do juiz Sérgio Moro, de Curitiba.

Ali aparece o nome de Paula Marinho, como responsável pelo pagamento das taxas de manutenção das empresas offshore – não por acaso, relacionadas no escândalo de lavagem de dinheiro conhecido como Panamá Papers.

Moro não demonstrou a mesma celeridade que tem apresentado no caso de Lula. Os papéis que relacionam Paula Marinho, filha de João Roberto Marinho, à Paraty House estão parados em algum escaninho entre a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a 13ª Vara Federal de Curitiba.

O contador Jorge Luiz Lamenza, do Rio de Janeiro, foi quem abriu a empresa usada para a compra do sítio em Paraty. Eu também o localizei.

“Não sei quem estava por trás da empresa. Um escritório de advocacia me procurou e eu abri a empresa, num trabalho absolutamente profissional, acho que foi em 2006. Na época, era comum que o contador figurasse como representante, e foi isso que fiz. Hoje não faria de novo, pois agora está mais claro do que nunca que existe muita maldade. Você não sabe a finalidade da empresa”, disse.

A Veine, dona da Paraty House, é da família Marinho? “Não sei. Como disse, foi um advogado que me contratou para abrir a empresa. Quando houve inquérito na Polícia Federal, eu saí da empresa e hoje não tenho mais nenhum contato com esse escritório”, respondeu.

O escritório a que ele se refere é de Miguel Bechara Júnior, de São Paulo, que teve seu nome relacionado à abertura de empresas offshore pelo escritório da Mossack Fonseca em São Paulo.

Tudo isso passou pela mesa de Sérgio Moro, em Curitiba, pois a apreensão dos papéis da Mossack Fonseca foi autorizada por ele, quando a PF suspeitava que pudesse encontrar ali algo relacionado ao tríplex do Guarujá, que ele decidiu que pertence a Lula.

Moro não conseguiu provar essa propriedade, mas o condenou assim mesmo. Já a propriedade do tríplex de Paraty já está quase provada. Falta um pouco só de vontade de avançar na investigação. Mas parece não haver interesse na busca da verdade.
(Joaquim de Carvalho/ DCM)

O destemido jornalixo


O jornalixo hoje em dia praticado está em um estágio tão precário que pode ser comparado ao produto global imposto às gravadoras e ao povo, o sub gênero sertanojo.

Hoje um colunista do jornal Diário do Pará, ao fazer infeliz registro da morte do professor Marco Aurélio Garcia diz que o ilustre professor ficou 'famoso' ao praticar um gesto obsceno em dependência do Itamaraty.

A par da indelicadeza, salta aos olhos a ignorância do famigerado escrevinhador, que parece jamais ter aberto outro livro que não o folclórico "Guerras A Vencer", coletânea de pronunciamentos do patrão do indigitado vassalo midiático.

Marco Aurélio foi um dos artífices do BRICS, mais importante aliança entre países na atualidade, desenhando uma nova ordem econômica, superando os ardis pós II Guerra Mundial onde tudo tinha que passar pelo crivo diplomático do Tio Sam.

Pena que uma atividade como o jornalismo, que tantos exemplos de desassombro tenha legado à inteligência rebelde da humanidade, hoje está nas mãos de sabujos dessa laia, que vivem de olho no dedo do "mestre" ignorando a beleza da lua.


Anti Robin Hood leva peia no TJE


Depois de trocentos adiamentos, o pleno do Tribunal de Justiça do Pará deu provimento ao mandado de segurança impetrado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará(SINTEPP) mandando o governo do estado pagar o piso nacional da educação aos seus professores.

Como nem tudo é perfeito, o piso que Simão é obrigado a pagar é o de R$2.135,64, era o vigente no ano de 2016, o vigente atualmente é de R$2.298,80, ou seja, o governador vai continuar subtraindo de cada um dos servidores da educação mais de cento e cinquenta reais/mês. Como são cerca de cem mil professores, imagina o tamanho da tunga.

Simão deverá recorrer, no entanto, a par desse recurso o governo está legalmente obrigado já a partir do próximo mê a pagar esse valor, até decisão superior.

É sabido que o governo jatenista parece ter vindo com a missão precípua de surrupiar ganhos dos professores. Primeiro fundiu duas gratificações, alegando solertemente que as duas tratavam-se de uma só; depois inventou que os professores ganham acima do piso, ignorando aexistência de gratificações.

Ora, até os bebuns que habitam sob aquele elevado que dá pro novo ninho do governador sabem que ao piso juntam-se gratificações pagas desde priscas eras, perfazendo esse total a remuneração dos respectivos servidores públicos daquela categoria.

Fértil na produção de subtrações indevidas dos salários dos servidores de carreira, vejamos que novo ardil a tropa de choque privata inventará para descumprir a decisão da justiça. Afinal, parece ser mantra do governo tungano tirar dos que trabalham para dar aos afilhados.


LAVA JATO: COMEÇA O FIM DO NAMORO INTERNACIONAL


A agência de notícias Deutsche Welle divulgou um post reproduzindo vários jornais alemães com matérias sobre a condenação do ex-presidente Lula pelo juiz Moro – agora agravada pelo sequestro de seus bens. Neste particular, num gesto ao mesmo tempo atroz e ridículo, Moro pediu ao Banco Central que sequestrasse até R$ 10 milhões das contas do ex-presidente. O BC só encontrou pouco mais de 600 mil. Acho que o juiz, talvez por "excesso de trabalho", confundiu Lula com Aécio.

O post da DW, ao qual deveria ser acrescentada matéria do correspondente da revista Der Spiegel para a América Latina, Jens Glüsing, "Staat im Sumpf", "O Estado no Pântano", revela que o prestígio internacional da Lava Jato e do juiz Moro começa a deslizar ladeira abaixo, e o namoro pode acabar.

Na primeira repercussão do caso agora em tela, a condenação, vários jornalistas e artigos da redação citavam a defesa e o currículo mundialmente reconhecido do ex-presidente, por sua obra de caráter social no Brasil. Entretanto, quanto à sentença propriamente dita, havia referências simples, sem comentários nem argumentos da parte dos autores.

Agora a maré começou a mudar. Apontam-se sem papas na pena ou no teclado, muito menos na língua, os excessos e arbitrariedades do juiz e da Lava Jato. Fala-se abertamente na falta de provas contra o ex-presidente, na ausência de documentos que comprovem as acusações. Fala-se em perseguição jurídica – lawfare, na expressão consagrada em inglês.

A Lava Jato já foi menina dos olhos internacionalmente. Ganhou até prêmio, por parte da Transparency International, que tem sede em Berlim e organiza um ranking da corrupção em escala mundial. O tom era que – embora pudesse ter defeitos aqui e ali – a operação empalmava a esperança de que um novo Brasil emergisse dela, menos propenso a tolerar a impunidade dos crimes de colarinho branco.

O tom agora é outro. Enquadra-se a Lava Jato na moldura do golpe de Estado que se abateu sobre o Brasil. A expressão é esta: golpe de Estado. Ressalta-se a complicação por que passa atualmente o Estado brasileiro, engolfado por uma vaga de políticos acusados de toda a sorte de corrupções e outros malfeitos, inclusive o presidente Temer. Assinalam-se que perto destas acusações, as que pesam contra Lula são uma ninharia, ressaltando-se, de novo, que não há provas contra ele, enquanto chovem provas contra os outros. E fazem-se referências às ilegalidades cometidas pela Lava Jato, seus procuradores, policiais e seu juiz.

É bom lembrar que a revista Der Spiegel foi das primeiras, no mundo todo, a consagrar a expressão "kalt Putsch" (golpe a frio, ou "soft coup"), em inglês, "golpe branco" na nossa versão tradicional, para descrever, no ano passado, o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. E que isso ressonou em outros veículos de comunicação também em outros países.

Mas não é só a Lava Jato e o atual governo brasileiro que estão em trajetória descendente. Um efeito colateral que salta aos olhos é o do desprestígio internacional da nossa mídia mainstream, Globo e suas micagens contra Lula à frente. Houve um tempo em que – dando a impressão de serem pachorrentos escribas assentados nas areias de Copacabana – correspondentes estrangeiros citavam apenas a Globo, a Folha, o Estadão, eventualmente algum analista empresarial e políticos em Brasília. Agora há uma tendência a dar-se conta de que a música é muito diferente da que é alardeada pela nossa mídia golpista, e que o órgão toca mais embaixo.

Os golpistas e seus defensores no Brasil querem fazer passar a impressão de que o Brasil navega agora em mar de almirante e voa em céu de brigadeiro, que o país, depois dos "desmandos populistas" e da "quadrilha petista", está entrando nos eixos. A verdade geral é muito outra. Nem na City londrina se acredita mais nessa musiquinha desafinada. Leia-se no Financial Times a matéria sobre a agressão de Temer à Amazônia para comprar votos dos ruralistas. Os golpistas brasileiros não estão apenas nus, como o rei da fábula. Ele estão expostos até os ossos.

Uma das evidências mais marcantes disso é aquela imagem no presidente (?) Temer, vagando a esmo, em meio aos mandatários do G20, sem conseguir falar com ninguém, como se fosse alma penada, esqueleto ambulante.
(Flavio Aguiar- Carta Maior/ via Brasil 247)

quinta-feira, 20 de julho de 2017

A meiguice do verdugo


O verdugo da Farsa Jato, juiz Moro, marcou outro interrogatório de Lula pra setembro. Depois de condenar o ex-presidente pela propriedade de uma apartamento que não lhe pertence, agora vai inquiri-lo a respeito de um terreno adquirido na modalidade Porcina.

Claro que será mais uma condenação, afinal, o furibundo e abilolado togado não quer saber de direito civil ou eventual propriedade legal. Para ele só conta o direito penal, daí o enquadramento em artigos do Código independerem de lei anterior que defina eventuais crimes. É o direito onanista, aquele que basta a si mesmo.

Todavia, parece que aflorou o lado meigo do dito verdugo e a próxima inquirição de Lula será por vídeo conferência. Claro, agora que o sapo barbudo teve todos os seus bens confiscados pelo porra-louca da vara curitibana, restará fazer uma vaquinha pra ajudar Lula a pegar um moto táxi até a sede da PF, onde se submeterá aos delírios togados.

Depois, mesmo que o tal terreno nunca tenha sido adquirido pelo Instituto Lula, mesmo que esteja lá sem qualquer edificação e o citado instituto seja em outro endereço, ainda assim Moro condenará o viúvo de D. Marisa, afinal, não se está falando de direito civil.

Certamente, vem aí mais uma condenação a nove anos de reclusão em regime fechado. Só não se sabe se outras medidas confiscatórias serão arbitradas.

Moro apropriou-se do celular de D. Marisa; do tablet do neto de Lula, sendo este devolvido mais de um ano depois; todos os presentes que Lula ganhou quando exercia o cargo de presidente da República e sabe-se lá mais o quê, agora usurpando todo o patrimônio, inclusive aquele adquirido antes de Lula chegar à presidência. É provável que nada haja pra confiscar a não ser aquela 'lata velha' que ele recusou.

Esse modo insano de agir do carrasco das araucárias acabará por faze-lo revogar manu militari a absolvição por furto famélico sentenciando, baseado em tese do não menos despirocado Dallagnol, que Lula usou aquele dispositivo legal pra formar a maior quadrilha que este país já conheceu. Credo!

Lula solta o verbo na “Sala do Zé”



“O Moro foi condescendente comigo porque ele me deixou a perua de 1982. Inclusive ela até foi roubada.Espero que eles achem ela”.


“Não é possível segurar a tese deles teoricamente, é preciso de prova prática. O Moro reconheceu no parecer dele que não sou dono do Triplex”.

“Nenhum outro partido criou tantos mecanismos de combate à corrupção como o PT”.

“Essa gente gostava do Brasil? Fomos ter a 1ª universidade porque o Rei da Bélgica ia vir e precisava ganhar um título de Dr. Honoris Causa”.

“Eu já fui julgado e o povo me deu 87% de bom e ótimo. É o meu governo que eles estão julgando”.

“Não tenho o direito de desanimar. Um cara que sai de Garanhuns pra não morrer de fome e vira presidente. O que eu quero mais da vida?”.

“Não participamos da discussão da construção de estádios na Copa. Se não teríamos feito estádio em Santa Catarina e não no Amazonas”.

“Sabe o porque desse ódio? Porque depois de tudo que eles fizeram sobrou eu. E o filho deles: o Bolsonaro”.

“Quem gosta de rabada morra de inveja que eu vou almoçar. Rabada com polenta e agrião”.
(Lula, em entrevista ao canal #NaSalaDoZe de José Trajano/ via Blog do Gerson Nogueira)

Aécio recebia 2% de propina em esquema no Banco do Brasil desde FHC, diz Marcos Valério


Condenado no Mensalão, Marcos Valério fez um acordo de delação com a Polícia Federal que expõe, mais uma vez, a seletividade e partidarismo da Lava Jato. Isso porque, segundo O Globo desta quinta (20), Valério entregou material que pode render investigações sobre corrupção no governo FHC, envolvendo contratos do Banco do Brasil, Fundacentro e Eletrobras. Além disso, desnudou os esquemas que financiaram ilegalmente a carreira política de Aécio Neves (PSDB).

Segundo o jornal, Valério afirmou que Aécio recebeu propina de 2% sobre os contratos do Banco do Brasil com sua empresa de publicidade, desde a década de 1990.

"No acordo, Valério sustenta que suas agências de publicidade participaram do financiamento ilegal da atividade política de Aécio desde os anos 90. Afirma que o tucano recebia 2% do faturamento bruto dos contratos do Banco do Brasil no governo FH, valores que seriam pagos por meio de Paulo Vasconcelos, citado como representante de Aécio junto à empresa", apontou o jornal.

"Valério também sustenta que parte dos recursos desviados da campanha pela reeleição de Eduardo Azeredo (PSDB-MG), em 1998 — no processo que ficou conhecido como mensalão mineiro — abasteceu caixa 2 da campanha de Aécio a deputado federal", acrescentou.

O acordo, que aguarda homologação do Supremo Tribunal Federal, também citou pagamentos a PT e PMDB durante o governo Lula. Valério disse que José Dirceu, por exemplo, ganhava uma "mesada" de R$ 50 mil em cima de contratos de publicidade do governo.

Ao jornal, a assessoria de Aécio informou que o senador “jamais participou de qualquer ato ilícito praticado por Valério” e negou que ele tivesse financiado o tucano por meio das agências. Segundo a nota, “é preciso que acusações feitas por delatores sejam sustentadas por provas verdadeiras, sob o risco de servirem, unicamente, para que réus confessos obtenham a impunidade penal”.

Valério foi condenado a 37 anos de prisão pelo mensalão e estava cumprindo a pena na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG), mas foi transferido para a Associação de Proteção e Assistência a Condenados (Apac), em Sete Lagoas (MG), a pedido da PF, após fechar a delação.
(Jornal GGN)

Moro ignora legislação penal do direito moderno e recorre a normas das ordenações coloniais pra colocar Lula na miséria


Então ficamos assim: O verdugo curitibano bota o Lula na miséria, este vai dormir lá no centro da cidade de São Paulo e, em uma madrugada gélida, o prefake manda seus janízaros despejarem jatos dágua contra o sapo barbudo.

Aos 71 anos e congelado, da Silva pega uma pneumonia e morre provocando alívio naqueles sacripantas que irão velá-lo, mas por dentro estão aliviados por ter o favorito saído 'acidentalmente' da disputa de 2018.

Do ponto de vista pseudo moral, fica a imitação da vida à arte, mais precisamente a um texto de Orígenes Lessa, se não me falha a memória, chamado 'Essa Mulher é Minha e dos Amigos', em que o sujeito, já de idade avançada, vive com uma beldade bem mais jovem que ele. Na cidade, os fofoqueiros de plantão, sem qualquer base em fatos concretos, só falam em uma suposta produção galheira que a dita jovem lega ao macróbio que, depois de morto, continua com a fama e a atribuição da propriedade, embora aquele povo fofoqueiro soubesse que tudo aquilo não passava de especulação.

Qualquer semelhança com o tal triplex não é mera coincidência, mas a constatação que o populacho costuma alimentar a maledicência como uma patológica atividade lúdica às custas das desgraças do próximo.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Lava-Jato e o xadrez pós-Temer


A condenação de Lula aconteceu em Curitiba, mas o jogo político está bagunçado é em Brasília, terra de uma crise própria chamada Michel Temer.

Um dia após a sentença, o advogado e amigo do peemedebista, Antonio Claudio Mariz de Oliveira, tentou defender o cliente com uma associação ao caso do ex-presidente: “Pau que mata Michel mata Lula”.

No Congresso, petistas juraram que o problema é oposto, Lula atacado e Michel sobrevivente no cargo há dois meses, desde o escândalo da Friboi.

O PSDB segue desnorteado, com o denunciado Aécio Neves a circular incomodamente no partido, e os tucanos sem saber se abandonam Temer, se festejam a sina de Lula ou se silenciam para não alimentar a estratégia lulista de usar a condenação em favor de outra candidatura presidencial dele.

O “mercado” já funciona em clima de eleição, a Bolsa sobe e o dólar desce, e Brasília vai pelo mesmo caminho, embora ainda falte um ano até a próxima campanha – em tese.

Com Lula sob risco de não poder se candidatar em 2018, alas do PT desejam ver Temer substituído logo pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do DEM. O deputado é tido como um dos poucos governistas de expressão, se não o único, disposto a sentar para conversar com Lula e reconhecido por este como um interlocutor que vale a pena.

Sua primeira vitória para comandar a Câmara, em julho de 2016, teve discreta simpatia de setores petistas. Um dos simpatizantes é o atual relator da reforma política, o deputado paulista Vicente Cândido, autor certa vez de um interessante comentário a portas fechadas: “Eu inventei a candidatura do Rodrigo”.

Com Maia no Palácio do Planalto, um destino que o deputado discute nos bastidores e admite com certos gestos públicos, para desespero de Temer, Cândido crê ser possível negociar um acordo que garanta a realização de eleição em 2018 e que Lula concorra.

Ao “Botafogo” da Odebrecht caberia trabalhar para evitar a judicialização da campanha, ou seja, para os tribunais em Brasília não tirarem Lula do páreo, caso a sentença do juiz Sergio Moro seja confirmada na segunda instância e o petista fique inelegível.

O ganho de Maia? Ser chefe da nação até dezembro de 2018. Primeiro, durante os seis meses que o Supremo Tribunal Federal teria para julgar Temer, caso a Câmara autorize a abertura de um processo contra o peemedebista. Depois, eleito por via indireta sem muita resistência por parte do PT.

Maia no Planalto é um cenário que deixa tucanos arrepiados. Se ele resolvesse tentar a reeleição no ano que vem, teria provavelmente o PMDB como aliado preferencial, quem sabe para vice. Maia se dá bem com Temer, e o secretário-geral da Presidência, o peemedebista Moreira Franco, é seu sogro. E aí o PSDB estaria relegado a uma espécie de terceira força ou fadado a ir para a disputa casado com partidos pobres em máquina eleitoral.

A queda de Temer pode, no entanto, precipitar pressões sociais para antecipar a eleição de 2018, com desfecho imprevisível, diz o secretário-geral tucano, Silvio Torres.


Na trincheira anti-Lula, também há defensores de Diretas Já, caso do líder do DEM no Senado, o presidenciável Ronaldo Caiado, ruralista de Goiás.

Além disso, afirma Torres, Maia na Presidência teria de passar por uma espécie de fase de testes por uns dois meses, para mostrar se aguenta o tranco, se conseguirá conduzir as coisas na economia. E se ele for reprovado?

Tem mais: a condenação de Lula sem a imediata prisão dele permitirá ao petista fazer manifestações públicas de que é perseguido por ser candidato a presidente, como ocorreu um dia após a sentença.

Assim, teoriza o tucano, haverá “tensionamento” na sociedade, com parte dela a pregar eleições já. Um “tensionamento”, comenta Torres, que tem tudo para aumentar diante da permanência de Temer no poder mesmo metido em uma friboiana encrenca.

O contraste entre a situação de Lula (condenado) e Temer (vai ficando) não é o único. Aécio Neves acaba de ser liberado pelo Supremo para voltar ao Senado e responder livremente à denúncia do Ministério Público de corrupção passiva e obstrução da Justiça no caso Friboi. De quebra, viu o Senado arquivar sumariamente sua cassação, graças ao PMDB. O ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures, o “homem da mala”, foi liberado há pouco também pelo STF de uma prisão preventiva.

No dia da condenação de Lula, quem escapou de uma preventiva foi um ex-ministro de Temer, Geddel Vieira Lima. Acusado pelo MP de “criminoso em série” e de fazer disso sua “própria carreira profissional”, Geddel conseguiu a liberdade em um tribunal de segunda instância, o TRF da 1a Região. E Lula, triunfará em um TRF, o da 4a Região, Corte acima de Moro? “Difícil dizer. O caso do sítio de Atibaia é mais forte...”, afirma Silvio Torres.“O TRF vai reverter essa decisão.

O apartamento não é do Lula, não há prova”, diz o senador Roberto Requião, do PMDB do Paraná.

Em Brasília, a condenação foi recebida com certo cuidado. Quase nada de antipetistas furiosos a fazer discursos inflamados na Câmara, no Senado e na mídia. Repercussão surpreendente, quando se lembra o grau de radicalização política no País dos últimos anos.

A explicação talvez seja um receio revelado por alguns governistas nos bastidores, como Moreira Franco e o deputado baiano José Carlos Aleluia, do DEM. A de que a condenação não interessava à classe política, pois Lula funcionaria como uma espécie de blindagem do sistema.

Quem comemorou foi o dito “mercado”. Após a notícia, a Bolsa disparou, o dólar caiu. O motivo? Com a agenda radical de Temer quase toda aprovada (reforma trabalhista, congelamento de gastos públicos por duas décadas, liberação do pré-sal à exploração das multinacionais), o sistema financeiro já está mais preocupado com a eleição de 2018 do que com as próximas decisões do governo.

Em entrevista ao Valor da quarta-feira 12, antes da sentença de Moro, o economista tucano Arminio Fraga dizia: “O que mais atrapalha a recuperação (econômica) neste momento provavelmente ainda é 2018”. Embora tenha feito um governo amigável à turma das finanças, Lula não é mais visto ali como o “paz e amor” vitorioso em 2002, mas como o esquerdista de 1989.

“A eleição será polarizada entre esquerda e direita, o centro será esmagado”, diz o ex-ministro Roberto Amaral, um dos coordenadores da Frente Brasil Popular, grupo de movimentos sociais lulistas.

Enquanto as eleições se desenham, o agonizante Temer luta para salvar o pescoço.

Ele transformou seu gabinete em uma espécie de consultório do SUS. O entra e sai de deputados é impressionante. Na quarta-feira 12, 23 excelências passaram por ali. Na semana anterior, haviam sido 29 em um único dia.

Entre um momento e outro, viajou às pressas para a Alemanha, onde nos dias 7 e 8 houve o encontro do G-20, o time das maiores economias globais. Cogitara não ir, devido à sua crise pessoal, e até desmarcara um almoço com a chanceler do país anfitrião, Angela Merkel.

Mas mudou de ideia. Lá ele posou para a foto oficial da reunião postado no cantinho, gravou um vídeo destinado a brasileiros com um ato falho (“estamos fazendo o desemprego voltar”), não teve um tête-à-tête sequer com líder estrangeiro. Uma performance digna do mais impopular presidente desde José Sarney.

Ao voltar ao Brasil, declarou-se “tranquilíssimo” e engatou uma frenética agenda de eventos no Planalto, uma tentativa de gerar fatos positivos. Em um desses atos, o lançamento do Plano Safra 2017-2018 na terça-feira 11, Temer declarou: “Eu respeitarei qualquer que seja o resultado da votação”, em alusão à decisão da Câmara de autorizar ou negar seu julgamento no Supremo pela denúncia de crime de corrupção passiva no caso da mala de 500 mil reais. Um comentário óbvio e dispensável.

Ou será que o peemedebista, em suas noites no Palácio do Jaburu, chegou a pensar em convocar de novo as baionetas, desta vez para sitiar o Congresso?

A data da votação pelos deputados era incerta até a conclusão desta reportagem na noite da quinta-feira 13. Podia ser ainda antes das férias do Congresso, a começar na terça-feira 18, mas o provável era ficar só para depois, de 1o de agosto em diante.

Temer acha que vencerá essa batalha, uma impressão corrente entre governistas e oposicionistas.

Na quarta-feira 12, três partidos fecharam questão a favor do presidente, jargão político que significa disposição para punir rebeldes. Um deles foi o PMDB, que se pôs numa situação curiosa. Punirá o deputado autor do relatório favorável à degola de Temer, Sergio Zveiter, um milionário advogado pertencente a uma família de juízes?

No seu parecer, Zveiter diz algo singelo: “É preciso apurar o envolvimento do presidente Temer no suposto recebimento de 500 mil reais, com envolvimento do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, também denunciado no mesmo inquérito”. Se não houver processo, não há como saber se o “homem da mala” pegou a grana em nome do chefe, como acusa o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Não é preciso “contato físico” com dinheiro para que haja um crime desse tipo, escreveu o PGR em um documento enviado à Câmara na quinta-feira 13.

Temer pode até escapar do caso da mala, mas terá de apelar de novo à boa vontade dos deputados, movida a cargos e emendas parlamentares distribuídos pelo Planalto. O mandato de Janot termina em setembro, mas ele já avisou: “Enquanto houver bambu, lá vai flecha”. A próxima flechada será mais venenosa.

Denúncias contra Temer por organização criminosa e obstrução de Justiça nas quais o capo estará acompanhado de uns goodfellas, casos do presidiário Eduardo Cunha e de Geddel. Para Janot, esse pessoal formava uma quadrilha nos tempos de deputado, caracterização facilitada pela delação do anistiado criminoso Joesley Batista, da JBS, e pelas descobertas da Operação Cui Bono, investigadora de bandalheiras em diretorias da Caixa Econômica Federal controladas por peemedebistas.

O último ato da quadrilha teria sido com Temer no pleno exercício da Presidência: o uso de grana da JBS-Friboi como cala-boca em Cunha e no doleiro Lúcio Funaro, velho prestador de serviços ao PMDB.

Será uma denúncia retumbante, encorpada por delações de Cunha e Funaro, e Temer tachado de chefe de quadrilha. Deputados do PSOL estiveram na PGR na terça-feira 11 e saíram com a impressão de que as flechadas virão em agosto.

Em guerra particular com Janot, Temer acaba de nomear o sucessor dele na PGR, uma situação absurda na qual o investigado escolheu seu investigador. O presidente ainda tinha dois meses pela frente antes do fim do mandato do atual “xerife”, mas apressou-se para tentar deixar o algoz no limbo, como a autoridade em xeque. Não importa, Janot avisa: “Até o dia 17 de setembro, a caneta está na minha mão e eu vou continuar no mesmo ritmo que estou”. A nomeação de Raquel Dodge foi relâmpago.

A futura PGR foi sabatinada pelo Senado, aprovada em plenário pelos senadores e depois encontrou Temer para a assinatura de sua nomeação, tudo no mesmo dia, a quarta-feira 12. Na sabatina, deu pistas a confirmar que as coisas vão mudar na Procuradoria. O combate à corrupção deixará de ser a estrela, haverá mais ênfase na defesa de direitos dos cidadãos.

As prisões preventivas serão usadas com moderação, para não piorar o caos do sistema carcerário. Idem para o “tribunal da mídia”, aquela invenção de Moro copiada com gosto por Janot para facilitar a condenação de poderosos. Dodge pretende criar um sistema interno de custódia de documentos capaz de permitir a identificação de vazadores de informações sigilosas.

Aliás, vem aí troca de comando também na Polícia Federal, outro sonho da turma governista em Brasília. O longevo Leandro Daiello, diretor-geral da PF há mais de sete anos, já prepara o terreno de sua saída.

Nos últimos dias, cavou cobiçadas vagas de adido policial em embaixadas brasileiras para quatro amigos. Destinos: Espanha, África do Sul, México e França. Ir para o exterior é desejo do próprio Daiello, ao deixar a direção da PF. No fim do governo Dilma Rousseff, ele chegou a combinar sua transferência para Portugal, mas a petista caiu antes.

A designação de seus amigos, formalizada em 4 de julho, dependeu de atos assinados por Temer e o chanceler tucano Aloysio Nunes Ferreira. Sinal de negociação com o Planalto. Em troca de quê? Bom, dois dias depois das nomeações, a PF anunciou o fim da força-tarefa policial da Operação Lava Jato em Curitiba.

Com Lula condenado por Sergio Moro, a força-tarefa já pode sair de cena. Missão cumprida.
(André Barrocal/ Carta Capital)

O Brasil está “na lama” e julgamento de Lula é político e não jurídico, diz a principal revista alemã, Der Spiegel


Matéria da Der Spiegel sobre a condenação de Lula

Publicado no Facebook de Antonio Salvador, da Humboldt-Universität zu Berlin

Dado que a imprensa brasileira não é lá muito confiável, a cobertura internacional merece ser observada. Ela aponta o modo como o Brasil tem sido visto e como será tratado no contexto internacional, num futuro próximo.

Aqui na Alemanha, durante o fim de semana, foram publicadas diversas matérias analisando a condenação do Presidente Lula.

Um dos periódicos mais importantes da Europa, a Der Spiegel, publicou uma longa análise com o título “Julgamento contra o ex-Presidente do Brasil: Estado no lodaçal”. A matéria já começa dizendo que, há um ano, Lula teria dito à Spiegel não ter medo de prisão, e enfatiza: “por enquanto, ele não tem mesmo motivo para isso”.

Até o juiz Sérgio Moro é citado. A revista afirma que, “por sensatez, ele se absteve de determinar a prisão”, pois se Lula tivesse sido preso, “a crise nacional se agravaria perigosamente”.

Sobre o juiz Sérgio, ainda conclui a Spiegel que “Moro confirmou com sua sentença o que os críticos reprovam nele há muito tempo: o tratamento jurídico do maior escândalo de corrupção da história do Brasil segue critérios políticos, e não legais”,

Segundo a lógica alemã, a razão é visível: a acusação contra Lula, “ter recebido um apartamento”, parece “uma ninharia em comparação com as acusações contra o atual presidente Michel Temer e seus aliados”. A revista é categórica: “Trata-se de centenas de milhões de dólares desviados para contas secretas na Suíça e dinheiro de extorsão em malas de rodinha.”

Em comparação com os movimentos pró-impeachment, tão contrários à corrupção, a Spiegel acha estranho que não haja milhões de pessoas indo às ruas contra Temer.

Afirma com todas as letras: “O principal objetivo das manifestações de um ano atrás, conforme hoje se apresenta, não foi a luta contra a corrupção: aqueles manifestantes queriam derrubar Rousseff e ver Lula atrás das grades. O primeiro objetivo eles alcançaram, o segundo está mais próximo do que nunca. Mas o preço que o país paga por isso é alto.”

Vai adiante: “Se o ex-Presidente for para a prisão, enquanto o odiado Temer e seus aliados conservadores fogem”, muitos brasileiros “perderiam a última fé no Estado de Direito – com consequências imprevisíveis para a estabilidade política”.

Fazendo um balanço da Era Lula e citando seu favoritismo para as eleições de 2018, conclui: “Comparado com o triste quadro do atual governo, seus oito anos brilham ainda mais.”

O triste quadro dispensa comentários, mas um ponto, relativo à imagem internacional do Brasil, chama atenção: “o Brasil já se despediu da política externa, o governo está mais ocupado com a própria sobrevivência política”.

Ainda sobre as próximas gerações, diz a Spiegel: “A mudança geracional nas próximas eleições terá um impacto mínimo. A maioria dos políticos jovens são filhos e filhas da antiga classe dominante – sua família lhes fala mais de perto do que princípios éticos. As forças de inércia são mais fortes que o impulso para a mudança.”

Isto também, segundo a Spiegel, se aplica ao Judiciário. Refere-se expressamente ao Supremo Tribunal Federal: “atua como uma barreira protetora para Temer e seus aliados no Congresso”.

Voltando a Lula, vaticina: “Se ele não poder competir nas próximas eleições, isso atrairá dúvida aos olhos de muitos brasileiros quanto à legitimidade da eleição. A profunda crise sistêmica, que já dura três anos, ofuscaria o mandato do próximo presidente – e, possivelmente, jogaria a democracia no abismo.”

Por fim, mas não por último, salienta: “A solução para o dilema do Brasil deve vir da política. O Judiciário é a instância errada. Como fazer isso, não é claro. Mas uma coisa é certa: o veredicto final sobre Lula virá dos historiadores, não do juiz Moro.”

Pergunta aos concidadãos: os alemães estão compreendendo a coisa toda?
(Via Diário do Centro do Mundo)

terça-feira, 18 de julho de 2017

Tragédia temerária: a fome volta a assombrar os brasileiros


Três anos depois de o Brasil sair do mapa mundial da fome da ONU — o que significa ter menos de 5% da população sem se alimentar o suficiente —, o velho fantasma volta a assombrar as famílias brasileiras não só no Nordeste e Norte, mas em todo o País. É um resultado desastroso da política cruel adotada pelo governo ilegítimo Michel Temer.

Cortes em programas e políticas de proteção social têm sido a regra de Temer, que optou claramente por cortar benefícios e reduzir, drasticamente, as subvenções dos programas sociais. Esse jeito de governar revela que o golpe é contra os mais pobres, contra o trabalhador. E, infelizmente, a fome é a parte mais visível e cruel deste "Novo Brasil" que eles estão construindo.

Quando a presidenta legítima Dilma Rousseff foi afastada pelo golpe parlamentar, 13,8 milhões de famílias estavam recebendo os benefícios doPrograma Bolsa Família. Nas mãos dos golpistas, o Bolsa Família está despencando: o número de famílias atendidas caiu para 13,2 milhões em junho de 2017 e chega a julho com 12,7 milhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social.

O golpe já excluiu 1,1 milhão de famílias da rede de proteção. Isto representa 4,3 milhões de pessoas, a maioria crianças (em média cada família tem 3,6 membros). Em meio à crise econômica, consequência da política econômica desastrosa dos golpistas, o governo Temer desprotege justamente os mais vulneráveis. Revelando assim a sua face mais desumana ao intensificar a crise social.

A exclusão de famílias do Bolsa Família, iniciada ano passado, e a redução dos valores investidos no Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), que compra do pequeno agricultor e distribui a hospitais, escolas públicas e presídios, são uma vergonha para um país que trilhava avanços sociais que o colocava como referência em todo o mundo.

Segundo publicou o jornal "O Globo", no norte de Minas Gerais, por exemplo, o corte feito pelo governo federal no repasse de alimentos ao Quilombo Gurutuba, via PPA, vem colocando em risco a alimentação das sete mil famílias que lá vivem. E isso significa que essas pessoas estão voltando a sofrer com a fome.

Os números do orçamento da União são pedagógicos e esclarecem como e por que estamos voltando ao mapa da fome. De janeiro a junho de 2016 foram pagos R$ 43 milhões para aquisição de alimentos; no mesmo período em 2017 foram somente R$ 5 milhões de reais.

O governo Temer disse que estava reduzindo o Bolsa porque não havia mais famílias na fila de espera: outra mentira dos golpistas. O desemprego alcançou o índice mais alto da história, com mais de 14 milhões de desempregados. Como não esperar o aumento na procura do Bolsa Família? Com o desemprego, milhares de famílias perderam renda.

O povo bate à porta das redes de assistência social. Atualmente, 550 mil famílias estão na fila, esperando para receber o cartão. Na expectativa de que o benefício garanta comida e possa espantar o fantasma da fome. É só andar pelas ruas das médias e grandes cidades e se percebe que a pobreza voltou a crescer.

Há um mês, o governo golpista disse que usaria o saldo da redução de famílias para dar o reajuste de 4,6% no Bolsa Família, mas não cumpriu a promessa. Congelou os valores do benefício. E corre solto na Esplanada que a “sobra” está sendo usada para pagar as emendas parlamentares em troca de barrar a denúncia por corrupção contra Temer.

O Brasil, de Lula e Dilma, realizou uma revolução silenciosa, em pouco mais de uma década, ao sair da condição de País conhecido internacionalmente pelo alto índice de pobreza para o País que, de forma pacífica, conseguiu reduzir radicalmente a miséria. Quem diz isto não é o PT, não sou eu, mas o Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (Pnud).

Por exemplo, enquanto o mundo conseguiu reduzir a pobreza extrema pela metade, para 22%, em 2012 – o Brasil, no mesmo período, erradicou a fome e fez com que a população extremamente pobre do País caísse para menos de um sétimo do registrado em 1990 (de 25,5% para 3,5% em 2012). Uma vitória dos governos do PT e do povo mais pobre.

Mas hoje a realidade é que o fantasma da fome volta a rondar. Com o governo Temer, corremos o risco de ser o país que mais rapidamente voltou ao mapa da fome. A única saída para barrar esse triste retrocesso e também acabar com a crise econômica e política é a convocação, ainda em 2017, de eleições diretas. Precisamos retomar a estabilidade política e democrática no Brasil e construir um governo sério, legítimo e comprometido com questões sociais.
(Carlos Zarattini/ via Carta Capital)

O VERDUGO


Contra a vontade da Globo, justiça espanhola quer colocar o larápio Ricardo Teixeira atrás das grades


A Justiça Espanhola emitiu uma ordem de captura contra o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, segundo informações do site espanhol Cronica Global. De acordo com a publicação, Teixeira é procurado por participação em um esquema de desvio de dinheiro de jogos amistosos da seleção brasileira. Ainda segundo o Cronica Global, o ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell também estaria envolvido.

A reportagem afirma que a ordem de captura de Teixeira foi emitida pela juíza Carmen Lamela, da Audiência Nacional. "Ricardo Teixeira obteve, de forma indireta, mediante a um emaranhado societário que se nutria da renda do acordo da ISE para a Uptrend, grande parte dos 8,3 milhões de euros [R$ 30,3 milhões] que a ISE transferiu para a Uptrend pela suposta intermediação desta última", publicou o Cronica Global.

Se Teixeira fosse detido, não seria extraditado para a Espanha já que, como regra, o Brasil não extradita seus cidadãos nacionais.
Ricardo Teixeira usou jogo da seleção para vender voto ao Catar, diz Fifa

Um documento de 360 páginas do investigador norte-americano Michael Garcia, revelado pela Fifa no dia 27 de junho, mostrou que o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, teria usado contratos comerciais para jogos da seleção brasileira em 2010 para camuflar o pagamento de propina que ele teria recebido para apoiar a candidatura do Catar para receber a Copa de 2022.

Um dos detalhes do relatório de Garcia se refere a como Teixeira fez parte do esquema suspeito de compra de votos. Garcia explica como uma partida entre Brasil e a Argentina, realizada no Catar, pode ter sido usada como forma de camuflar recursos que seriam destinados a pagar Teixeira pelo apoio ao país árabe.

Para o amistoso, o Catar gastou, apenas com a hospedagem de Teixeira, mais de US$ 20 mil (R$ 66 mil), cinco vezes o que o governo gastou com o astro argentino Lionel Messi. O brasileiro teve um tratamento de chefe de estado, ocupando uma suíte presidencial.

Os documentos também revelam como Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona, atuaria como intermediário para os interesses do Catar com as federações sul-americanas, entre elas a CBF.

O relatório de Garcia sugere que fosse investigado por corrupção, conflito de interesse e outras violações do código de ética da Fifa.

Garcia foi contratado pela Fifa para apurar as suspeitas de ilegalidade há cinco anos. Juiz de um tribunal de apelação em Nova York, ele constatou indícios fortes de que o país árabe comprou votos para sediar o evento. Seu informe não acabou sendo tornado público e, diante da decisão da entidade de engavetar suas descobertas, Garcia pediu demissão em 2014. Poucos foram processados e o Catar jamais perdeu o direito de sediar o torneio.

Nesta semana, o jornal alemão Bild teve acesso aos documentos, e começou a revelar os detalhes do processo. A Fifa, porém, se antecipou e publicou o relatório em sua integralidade.
(Os Amigos do Presidente Lula)

Pedidos de filiação ao PT crescem após condenação sem provas de Lula




Nem os ataques diários na mídia e nas redes sociaisnem a perseguição política conseguem encobrir que o povo sabe que o Partido dos Trabalhadores é o partido que realmente luta ao seu lado todos os dias.

Provas disso são a crescente aprovação ao PT, que hoje lidera na preferência partidária com 18%, segundo o Datafolha, e o crescente número de pedidos de filiação que tem recebido nos últimos dias.

Desde a condenação sem provas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da decisão arbitrária do juiz Sérgio Moro, no dia 12/7, até a manhã desta segunda-feira (17), o Partido dos Trabalhadores recebeu 3.127 pedidos de filiação.

Os números foram contabilizados a partir de pedidos feitos apenas a partir da ferramenta disponibilizada pelo PT no site oficial.

Os números atestam não apenas o papel da aguerrida militância do PT em resistir aos ataques frequentes contra sua principal liderança, mas também que as trabalhadoras e os trabalhadores conseguem enxergar além da narrativa golpista.

O povo sabe que o Brasil cresce com o Partido dos Trabalhadores. O povo sabe que Lula é quem sabe fazer, já fez e pode fazer de novo.

Um dia após a notícia da condenação, a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, já havia ressaltado, em coletiva de imprensa realizada na sede do partido, em São Paulo, que as injustiças sempre foram o motor do Partido dos Trabalhadores.

“Foi pela injustiça com o povo brasileiro que o PT chegou ao poder”, lembrou ela, ressaltando que a sentença do juiz Sérgio Moro não tem base legal.

Os pedidos de filiação estão em processo de aprovação. Neste processo, o interessado deve assistir ao vídeo da Escola de Formação, que explica sobre o PT, e também responder responda ao e-mail de confirmação. Após estes procedimentos, é preciso aguardar prazo de sete dias para impugnação.
(Agência PT de Notícias)

Xadrez da guerra final entre Temer e a Globo


A ópera do impeachment vai chegando a uma segunda onda decisiva, com o vale-tudo que se instaurou envolvendo os dois principais personagens da trama: a organização comandada por Michel Temer; e a organização influenciada pela Rede Globo.

Do lado da Globo alinha-se a Procuradoria Geral da República e a Lava Jato. Do lado de Temer, o centrão, o Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), alguns grupos de mídia, como a Rede Record, e provavelmente políticos jogados no fogo do inferno, como Aécio Neves.

No pano de fundo, o agravamento da crise, com um plano econômico inviável aplicado por economistas radicais valendo-se do vácuo político. E, fora das fronteiras, ventos complicados ameaçando botar mais lenha na fogueira.

O caos – que irá se ampliar nos próximos dias – é resultado direto da quebra da institucionalidade, com a Lava Jato e o impeachment. No mínimo servirá para que cabeças superficiais, como o Ministro Luís Roberto Barroso, se deem conta da imprudência que cometeram ao cederam às pressões especialmente da Rede Globo.

Aliás, quando os pecados da Globo estiverem à mostra, não se espere do bravo Barroso nenhuma declaração de fé irrestrita no combate à corrupção e de apuração até o final, doa a quem doer. Voltaremos a conviver com um garantista, cuja sensibilidade em defesa dos direitos será enaltecida pela Globonews, o espelho, espelho, seu.

Os próximos capítulos contêm pólvora pura:

Peça 1 – a Globo sob pressão

Pela primeira vez, desde a redemocratização, a Globo encontra um poder à sua altura, isto é, sem nenhum prurido, disposto a se valer de todas as armas à mão para encará-la. Uma coisa foi aliar-se ao Ministério Público Federal (MPF) para conspirar contra Lula e Dilma e sua incapacidade crônica de se valer dos instrumentos de poder. Outra coisa, é enfrentar pesos-pesados, pessoas do calibre e da falta de escrúpulos de um Eliseu Padilha, Aécio Neves.

Temer e sua quadrilha tem a força da presidência. E quem os colocou lá foram justamente a Globo, a Lava Jato e a PGR. Agora, a mão e as verbas do Planalto estão por trás dos ataques da TV Record à Globo. Ou julgaram que o pior grupo político da história aceitaria ir para o patíbulo sem se defender?

Não apenas isso.

Ontem, a Justiça espanhola emitiu uma ordem de prisão e captura contra Ricardo Teixeira, ex-presidente de CBF, por corrupção praticada no Brasil. E, no centro da corrupção, a compra dos direitos de transmissão da Copa Brasil pela Globo, com pagamento de propina.

O carnaval feito pela Globo, com a delação da JBS, visou justamente abafar a divulgação de seu envolvimento com o escândalo, levantado pelo Ministério Público Espanhol e pelo FBI.

No “Xadrez de como a Globo caiu nas mãos do FBI” detalhamos esse caso, mostrando como, no início da Lava Jato, já havia indícios de que o FBI já tinha a Globo nas mãos, a partir da delação de J.Hawila, o parceiro da emissora na criação do know-how de corrupção de compra de direitos de transmissão, posteriormente levado por João Havelange para a FIFA.

Peça 2 – o nó da cooperação internacional e o PGR

Encrenca grande também aguarda o PGR Rodrigo Janot, em visita aos Estados Unidos.

Nos próximos dias deverão aparecer pistas de operações de cooperação com o FBI onde ficará mais claro a montagem de uma parceria supranacional que afronta explicitamente a noção de soberania nacional. É possível que o PGR tenha pedido ajuda do FBI contra um presidente da República. Se confirmado, cria-se uma crise aguda, com o atropelo inédito à soberania nacional, mesmo que na ponta investigada esteja um político desqualificado como Temer.

Além disso, exporá ainda mais a cumplicidade da PGR com a Globo, especialmente se nada for feito em relação a Ricardo Teixeira. Poderia um PGR entregar um brasileiro para ser julgado pela Justiça de outro país, por crimes cometidos aqui? Pelos princípios de soberania nacional, de modo algum.

Mas como se explicaria o fato dos crimes jamais terem sido apurados no Brasil, nem no âmbito da cooperação internacional? Ou de se ter se valido da cooperação internacional contra presidentes da República?

Como se explicaria a enorme blindagem de Ricardo Teixeira que, no fundo, significa a blindagem às Organizações Globo?

Quando começou a ficar claro a falta de regras e de limites para a cooperação internacional, prenunciamos aqui que mais cedo ou mais tarde o PGR seria submetido a um julgamento por crime de lesa-pátria. O exemplo maior foi trazer dos Estados Unidos documentos destinados a torpedear o programa nuclear brasileiro.

Peça 3 – a desmoralização final da República

E, agora, como ficará a PGR ante a exposição da Globo a diversas acusações? Do lado da Espanha e do FBI, o caso CBF-Copa Brasil. Do lado de Temer, os ataques às jogadas fiscais da Globo. E, de sobra, as suspeitas de que a Lava Jato estaria impedindo a delação do ex-Ministro da Fazenda Antônio Palocci, justamente por poder atingir a aliada Globo.

A impunidade da Globo significará a desmoralização final do MPF, da Justiça e de qualquer veleidade de se ter uma nação civilizada, na qual nenhum poder é intocável. O enfrentamento da Globo, mesmo por uma quadrilha como a de Temer, trinca a imagem de intocabilidade da empresa. Finalmente, quebrou-se o tabu.

Por outro lado, uma eventual vitória de Temer significará a entronização, no poder, de uma organização criminosa.

Finalmente, um acordão significaria um pacto espúrio que não passaria pela garganta da opinião pública.

Não há saída boa.

Todo esse lamaçal foi ocultado, até agora, pelo estratagema de construção de um inimigo geral, Lula e o PT. Foi a repetição de um golpe utilizado em vários momentos ultrajantes da história, do incêndio de Reichstag ao macarthismo, dos processos de Moscou ao golpe de 1964: a criação de um grande inimigo externo, para justificar todos os abusos do grupo vencedor.

Agora o álibi se desgastou como um balão furado, com o nível do rio baixando e expondo todos os dejetos.

A sentença de Sérgio Moro condenando Lula não foi endossada publicamente por ninguém.

Na Folha, o corajoso Elio Gaspari precisou colocar uma enorme ressalva - de que nos Estados Unidos Lula estaria condenado – para admitir que o Código Penal brasileiro não autoriza a condenação de Lula. Esqueceu de lembrar que nos EUA as estripulias de Moro e do MPF não teriam passado da primeira rodada.

Já o advogado Luiz Francisco Carvalho competente penalista, admitiu que não há nenhuma prova sustentando a sentença de Moro, aceitou que Lula não é corrupto. Em vez da condenação dos abusos de Moro, preferiu concentrar-se nas críticas às reações de Lula. Ou então a demonstração de equilibrismo de Carlos Ari Sundfeld, que não é nem contra, nem a favor, muito pelo contrário.

Todas as deformações trazidas pelo golpe ficarão claras, agora.

As ondas trazidas pela quebra da institucionalidade criaram movimentos incontroláveis.

O grupo do impeachment esfacelou-se em mil pedaços, o grupo de Temer, o grupo da Globo, um PSDB partido ao meio, um PGR que enfiou o MPF em uma aventura irresponsável, a Lava Jato esvaindo-se nos seus próprios exageros.

E agora, José? No inferno, Eduardo Cunha dá boas gargalhadas e prepara seu tridente.
(Luís Nassif/ GGN)

Fantástico só prova que não há provas contra Lula e que Moro precisa da Globo


A matéria do fantástico no último domingo sobre a sentença do juiz Sérgio Moro é uma peça de propaganda, não de jornalismo, muito menos de análise de uma sentença.

Ela ignora lacunas na sentença do juiz de primeira instância, distorce ou ignora a natureza de documentos apresentados pela defesa bem como a opinião de juristas que apontam falhas na decisão de Sergio Moro. A propaganda opressiva da Globo contra Lula para influir em decisões da justiça contra o ex-presidente com fins políticos é inclusive um dos temas de comunicado feito ao alto comissariado da ONU de direitos humanos sobre as violações, públicas e notórias, cometidas por Sergio Moro contra Lula, como a divulgação pública de escutas ilegais e o grampo dos advogados do ex-presidente.

Ao longo de 13 minutos, o Fantástico tenta provar que a sentença de Moro faria sentido, ou seja: que Lula seria o dono do Tríplex do Guarujá e que este seria fruto de propinas na Petrobrás. Seriam 3 tipos de provas, segundo a Globo: documentais, periciais e testemunhais. A matéria tem várias mentiras e lacunas. Diz que a sentença começa analisando provas. Não. Há um longo início da sentença onde Moro tenta dizer ser imparcial para julgar Lula, se defendendo de atos como a condução coercitiva do ex-presidente, e a divulgação de telefonemas de sua família e de uma conversa grampeada ilegalmente entre Lula e Dilma.

Quando entra nas supostas provas documentais, Moro e a Globo listam um documento rasurado e um sem assinatura, ambos sem nenhum valor legal. O documento assinado e legal é do apartamento 141, que sempre foi devidamente declarado no imposto de rede do casal. A Globo não mostrou a escritura do apartamento 164-A, que está no nome da empresa OAS Empreendimentos, que construiu o prédio, nem a listagem desse apartamento como bem da empresa na recuperação judicial da companhia. Ou seja, o apartamento é propriedade da empresa, que era dono de qualquer apartamento não vendido.

Além disso os advogados provaram com documentos que os direitos econômicos e financeiros do tríplex estão vinculados, de forma específica, a financiamento junto a fundo gerido Pela Caixa econômica federal. Será dos credores da OAS, não de Lula, que Moro confiscara o imóvel. A propriedade (da OAS) e os direitos econômicos (do fundo FI-FGTS) não se confundem com a hipoteca do imóvel citada na matéria e provam que ele não é do ex-presidente Lula ou sua família, que cogitaram comprá-lo mas não o fizeram. A Globo cita o documento para parecer que ele foi contestado pelo juiz, mas nem a matéria, nem o juiz o contestam na sentença.

Das provas periciais, a perícia da Polícia Federal do documento rasurado mostrado na matéria não indica quem fez a rasura ou quando.

A Globo seleciona trechos de depoimentos da testemunha Mariuza Aparecida da Silva Marques e do réu absolvido Roberto Moreira, ignorando trechos mais fortes e concretos dos mesmos depoimentos que provam que a família de Lula jamais teve as chaves do imóvel, citando ao invés disso opiniões subjetivas da testemunha Mariuza, que não cabem em depoimento.Ignora também no depoimento de Roberto Moreira, onde ele diz que se Lula não quisesse o apartamento, mesmo depois da reforma, ele seria vendido para outra pessoa. Ou seja, Lula era um comprador em potencial, não dono do imóvel, independente da reforma, paga, como diz a própria matéria, pela própria OAS.

Além de não conseguirem provar que Lula, e não a OAS, é dona do imóvel no Guarujá, a Globo, como Sergio Moro, também é incapaz de demonstrar qualquer relação entre o imóvel, o ex-presidente e desvios na Petrobras.

Há apenas sobre isso uma afirmação sem provas de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS empreendimentos, que preso, busca um acordo de delação para obter benefícios judiciais por condenações anteriores. Nem Léo Pinheiro, nem nenhuma outra testemunha apontou participação de Lula em desvios da Petrobras. Moro usou para tentar criar um “domínio do fato” sobre Lula são declarações de encomenda e sem provas do ex-deputado Pedro Correa, que teve a delação anulada pelo ministro Teori Zavascki e Delcidio do Amaral, que citou o ex-presidente Lula sem provas quando estava preso para obter um generoso acordo de delação premiada. O próprio Ministério Público considera que Delcídio citou Lula para obter um acordo mais generoso de delação.

Depois de dois anos de investigação e mais de duas centenas de delatores não há provas contra Lula.

A Globo repete mil vezes que haveria provas para tentar que a mentira, pela repetição, supere a verdade. Assim como martela versões da sentença de Moro, não mostra os argumentos dos embargos apresentados pelos advogados, nem ouve os muitos juristas que discordam que a sentença de Moro seja correta.

Mas temos certeza que a justiça e a verdade irão prevalecer mais uma vez contra a mentira e o poder econômico-midiático.
(Lula.com.br)

segunda-feira, 17 de julho de 2017

O consumidor paraense não pode ser refém da ganância de carteis



Durante muito tempo os supermercados paraenses mantiveram o mercado paraense sob seu domínio exclusivo, não permitindo a entrada de qualquer concorrente vindo de outras praças formando assim um verdadeiro cartel de preços, produtos e prestação de serviços.

No entanto, desde que Fernando Yamada assumiu o comando da associação nacional de supermercadistas o mercado paraense se abriu e os chamados 'atacarejos' acabando com a ditadura dos locais, bem como passou-se a ter mais opções de produtos e a preços mais acessíveis.

Diante disso, incomodados com a perda de considerável naco desse mercado, os empresários locais foram até o Procurador do Ministério Público do Estado queixar-se que o governo do estado estaria concedendo benefícios fiscais ilegais aos forasteiros e desequilibrando a concorrência.

Ora, se esses benefícios são ilegais deveriam os que se sentem prejudicados procurar a justiça e barrar a ilegalidade, que estaria desfalcando em R$300 milhões a receita tributária estadual.

No entanto, não é a receita estadual que está preocupando os reclamantes, mas o fato do cartel acima citado ter sido fortemente atingido em sua comodidade que permitia que faturassem alto sem qualquer preocupação com o bem estar do consumidor.

Pelo contrário, como no caso do horário de funcionamento, em que os empresários se recusam a contratar mais gente e levar os estabelecimentos até 22 horas do domingo, o consumidor é o que menos conta, tendo comprometida sua comodidade na hora de fazer compras por conta da intransigência de quem se acostumou a ganhar muito e dar o mínimo em troca.

Seria bom que essa situação fosse tratada com mais transparência e priorizando o interesse público, tanto por parte do MPE quanto da imprensa que dá cobertura ao fato, a fim de que não se experimente o retrocesso aos tempos cartelizados. Ilegalidades não devem ser toleradas, de fato, mas a submissão à formação de carteis em setores do comércio e serviços sempre foram veneno demais pra nossa economia, daí também não deverem ser toleradas.

domingo, 16 de julho de 2017

Farmácias no Uruguai começam a vender maconha para uso recreativo na próxima semana


O Instituto de Regulamento e Controle de Cannabis (Ircca) anunciou nesta sexta-feira em um comunicado que o processo de venda "de cannabis psicoativa de uso não medicinal em farmácias" começará na próxima quarta-feira.

A venda em farmácias é uma das vias de acesso legal à substância, que foi regularizada em dezembro de 2013, sob o governo de José Mujica.

O organismo apontou que, até o momento, são 16 as farmácias que aderiram e essa lista será divulgada no mesmo dia do início das vendas através do site do Ircca. "Serão vendidas flores de cannabis - bud - envasilhados em estado natural, secas, e sem ser prensada", detalhou a instituição.

Concretamente, serão vendidas duas variedades que foram denominada Alfa I e Beta I, com características diferentes.

A Alfa I será um "híbrido de predominância indica com um conteúdo de tetrahidrocannabinol (THC) médio-baixo e alto conteúdo de canabidiol", segundo o comunicado. No total, a Alfa I contará com uma média de 2% de THC.

Enquanto isso, a Beta I terá uma predominância de sativa, também com um conteúdo de THC médio-baixo e um alto conteúdo de canabidiol.

Segundo o Ircca, estas variedades com predominância de sativa contam com "efeitos psicoativos que se manifestam principalmente a nível cerebral".

O organismo informou que até 10 de julho de 2017 eram 4.711 as pessoas registradas para poder comprar maconha recreativa de forma legal e através de farmácias. Desse total, 60% residem em Montevidéu, enquanto os outros 40% correspondem aos outros 18 departamentos (províncias) do país.

"Por sua vez, 70% dos inscritos são homens e 30% mulheres", apontou a instituição.

A maior proporção de pessoas registradas no Ircca ronda entre os 30 e 44 anos. No entanto, também foram registradas pessoas maiores de 45 anos, ainda que em menor medida, que já correspondem a 3 de cada 10 inscritos. As pessoas registradas entre 18 e 29 anos são 3 de cada 10, detalhou o comunicado do Ircca.

Uma vez que comece a venda, as pessoas registradas poderão ter acesso à substância legal em farmácias sem a necessidade de revelar nenhum tipo de informação pessoal, já que poderão comprar através da impressão digital. Os dados das pessoas registradas estão guardados "sob os mais altos padrões de segurança informática", informou o Ircca.

A erva poderá ser adquirida nas farmácias em embalagens de 5 ou 10 gramas, ainda que na etapa inicial só será disponível o primeiro dos dois, a um custo aproximado de US$ 1,30 (cerca de R$ 6) o grama. Cada indivíduo poderá comprar um máximo de 10 gramas por semana e de 40 gramas por mês.

O preço é formado com US$ 0,90 por grama para a empresa produtora e, acima desse custo, a farmácia receberá 20% e o Ircaa 10%, que destinará a programas de prevenção do uso de drogas.

Com a implementação desta medida, o Uruguai completará a regulamentação da lei de produção, comercialização e distribuição de maconha que foi aprovada em dezembro de 2013.

Depois de três anos e meio, o país sul-americano se transformará na primeira nação do mundo a regular do começo ao fim a venda de maconha para uso recreativo.
(Opera Mundi)

Brasil é o país mais perigoso para lutar por direitos e pelo meio ambiente


A ONG Global Witness apurou que a indústria madeireira está vinculada a 16 assassinatos, enquanto proprietários de terras são suspeitos de perpetrarem vários assassinatos na Amazônia. “O governo diminuiu a legislação ambiental e debilitou instituições de direitos humanos”, afirmam.

O Brasil tem sido sistematicamente o país mais funesto para defensoras e defensores do meio ambiente e para os que lutam pela permanência na terra e em seus territórios, desde que a Global Witness começou a compilar dados mundiais. Em 2016, um espantoso número de 49 pessoas foram assassinadas por protegerem suas terras: 16 delas defendendo as ricas florestas brasileiras dos madeireiros ilegais e um número cada vez maior, lutando contra a expansão do agronegócio e o seu poderoso lobby dentro do governo.

Para a ONG, apesar do chocante e crescente número de assassinatos, o governo brasileiro tem, na verdade, diminuído a proteção a defensoras e defensores ambientais. Quase imediatamente após assumir o poder, em agosto do ano passado, a administração de Michel Temer desmantelou o Ministério dos Direitos Humanos. O Programa Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos conta com poucos recursos e é ineficaz.

Os assassinatos são emblemáticos dos níveis extremos da violência rural no Brasil. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) atribui isso ao avanço agressivo, com respaldo estatal, de projetos empresariais - incluindo agronegócios, mineradoras e empresas de energia - sobre as terras de comunidades indígenas e tradicionais, assim como de pequenos agricultores, os quais têm organizado uma crescente resistência coletiva para enfrentar o problema. De acordo com a CPT, as raízes do conflito encontram-se na história do colonialismo e da escravidão no Brasil, e o fato de o governo nunca ter resolvido os problemas estruturais do setor agrário.

“É por isso que muitas organizações sugerem que o conflito só pode ser resolvido através da implementação da política de reforma agrária, estabelecida na Constituição Brasileira. No entanto, a forte influência da elite rural sobre a política nacional, a qual se aprofundou com a atual crise política, tem impedido que isso aconteça.

Enquanto isso, a violência aumenta”, destaca a Global Witness. A CPT documentou 61 assassinatos devido a conflitos no campo no Brasil em 2016*, maior número dos últimos 13 anos. Em 2017, a entidade já registrou, até o momento, 46 assassinatos em conflitos no campo.

Para a ONG estrangeira, “para deter o curso de assassinatos, o governo brasileiro deve fortalecer o seu apoio a defensoras e defensores do meio ambiente e da terra, especialmente nas áreas mais remotas do país”.
(CPT/ MST)