Três estados, Oregon, Alaska e Distrito de Colúmbia (o Distrito Federal de lá, onde fica a capital do país), farão consulta popular sobre a aprovação da maconha para fins recreativos; a Flórida votará a liberação da maconha para uso medicinal; e a Califórnia, a descriminalização da posse de pequenas quantidades da droga. Outras decisões que eleitores tomarão serão sobre temas mais polêmicos, como restrições ao aborto no Colorado, Dakota do Norte e Tenessee. O casamento civil gay será votado no Arizona. Há, ainda, a votação a respeito de temas que passam pelo financiamento à educação, jogos, porte de armas, imigração, salário-mínimo, impostos e justiça criminal.
Como em qualquer democracia que respeita o óbvio, a vontade soberana da população, não serão os parlamentares que dirão o que o povo terá, mas, ao contrário, a partir daquilo que o povo decidir é que os parlamentares exercerão o papel a eles delegado.
Já, aqui no Brasil, onde uma parcela considerável do nosso parlamento ainda tem a boca torta pelo uso sistemático do cachimbo do autoritarismo que a ditadura de 1964 lhes impôs, a democracia ainda é vista sob adjetivos e temores do protagonismo dos autênticos donos do poder, o povo. Inventa-se uma série de apelidos bolivarismo, esquerdismo, adoção de ideologias alienígenas, traição à pátria tudo pra preservar uma visão tacanha daquilo que essa minoria considera democracia: a ausência do povo.
Mais uma vez, estamos diante da oportunidade de resgatar a substância da democracia. Dessa vez, pelo menos, sob uma conjuntura favorável a partir de um governo eleito e referendado pelo sucesso popular de um projeto político exitoso há doze anos. Ao contrário de outros momentos em que se deu o enfrentamento, 1954, 1964, 1985 e 1989, quando a conjuntura política favorecia os setores conservadores a frustrar os anseios populares. Hoje, fora essa classe política reacionária, resta a mídia de mentalidade colonizada e partidarizada, que tanto fala em modernidade, no entanto, em situação de impasse como essa, opta por defender seus interesses comerciais misturados aos interesses do reacionarismo.
Trata-se de manter a população mobilizada para esse embate. Com o mesmo vigor com que enfrentou o criminoso golpismo político/midiático que tentou ungir seu candidato ao comando do país. Derrotados e frustrados, investem furibundos contra o avanço nas conquistas sociais tentando impedir que se sepulte o anacrônico entulho autoritário que afronta a democracia. É hora de dar um basta a isso!


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