Esse caso da repórter da TV Record, hostilizada por um comerciante da zona Leste de São Paulo, extrapola o próprio fato e precisa ser visto de maneira mais ampla.
Não cabe reparos ao fato da repórter pedir respeito ao cidadão, que atirava lama na direção da jornalista, alegando que estava trabalhando o que é verdade, embora isto não crie 'direitos extras'.
Como, por exemplo, mandar filmar alguém que queria apenas preservar o anonimato de sua figura enquanto limpava a frente do seu comércio, que estava toda enlameada após torrencial chuva caída no local.
Seria tão difícil para a jornalista respeitar a vontade do empresário? Será que em pleno século XXI ela ainda acha que todos querem encantar na televisão? Que não existe alguém cuja vontade de ser quase ninguém é sagrada?
Fato é que, em uma rua de tamanho considerável, o direito da repórter de trabalhar foi ultrapassado pela própria, e aí que violou o direito alheio, quando achou que estava fazendo um favor a outrem exibindo sua imagens à revelia da vontade dessa pessoa.
Desgraçadamente, esse é um cacoete autoritário que grudou na tevê brasileira, e é muito cultivado nesses programas policialescos de baixo nível, que julgam ser ilimitado o direito da reportagem exibir a imagem de quem bem entendem publicamente, sem o consentimento da pessoa exposta, canalhice que começou no famigerado DOI-CODI e consolidou-se nas periferias do país abastecendo a fabricação de criminosos, sempre pretos e pobres. Não dá!

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