Estou lendo simultaneamente "A Verdade Vencerá"(editora Boitempo); e "Lula"(Companhia das Letras), o primeiro traz uma entrevista do ex presidente a Ivana Jinkings, Juca Kfouri, Maria Inês Nassif e Gilberto Maringoni; enquanto o segundo é a biografia de Lula, escrita por Fernando Morais.
Dois fatos claramente correlatos( ao contrário da maioria dos mortais, sempre acreditei em bruxas) me chamaram a atenção em um e outro livro, embora narrados em circunstâncias aparentemente distantes, assim como contextos que tratavam de outros acontecimentos envolvendo um personagem comum a eles.
O personagem é o advogado e ex ministro da Justiça(governo Dilma) José Eduardo Martins Cardozo. Fazia parte, segundo declara o próprio Lula em "A Verdade Vencerá", da coordenação da campanha de reeleição de Dilma, sendo um dos artífices da ideia de descolar a imagem da presidenta da de Lula, contra a vontade da própria Dilma, diga-se.
Lula chamou então o quarteto defensor dessa proposta indecente, Cardozo entre eles, ratifique-se, e disse "Quem de vocês tem voto. Porque se vocês não têm eu tenho..." e desmontou ali aquela idiotice política de desvincular o nome da candidata daquele que havia sido o fiador de sua candidatura e garantidor do direito de Dilma Rousseff disputar sua reeleição.
Já no livro de Fernando Morais, no capítulo que antecede a prisão calhorda de Lula na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, Morais reporta-se à hostilidade de boa parte da militância petista dispensada ao já ex ministro Cardozo, na hora em que este entra na sede, por conta de sua atuação leniente diante das arbitrariedades da Polícia Federal contra Lula e outros petistas.
Do alto de sua empáfia e fingindo não acusar o golpe, Cardozo infere que a antipatia decorre mais das suas virtudes que dos defeitos que vagamente diz possuir; e cita o episódio da facinorosa condução coercitiva de Lula, sem que este fosse sequer intimado a depor, como se isto fosse comportamento normal na condução de meganhas articulados com o vil "juiz ladrão", este ávido por justiçamento.
Mesmo a ordem do juiz sendo flagrantemente ilegal, o ex ministro prende-se à formalidade e arremata, queriam que o ministro punisse um delegado que estava cumprindo uma ordem expedida por um juiz federal; nenhuma palavra a respeito da teratologia jurídica que embasava a tal ordem, muito menos qualquer declaração pública do ministro ao qual a Polícia Federal estava subordinada condenando a patranha.
No meu modo de ver as coisas, claro que ali no episódio da condução coercitiva facinorosa de Moro contra Lula, na omissão estava cunhada a vingança do advogado e ex ministro da justiça, ainda engasgado porque fora questionado a respeito da ausência de votos que o desautorizava fazer parte de um complô que excluísse estupidamente da campanha petista a figura mais expressiva do PT e o maior líder político da história do país.
Vejo nesse episódio a ilustração irretocável do porquê não ser tão simples assim golpear Lula, em um eventual terceiro mandato e na circunstância de um vice de centro-direita, como foi no caso da presidenta Dilma, esta, infelizmente, muito mal assessorada politicamente, salvo raras exceções, daí ter virado um alvo fácil para a artilharia do ladravaz temerário e seus bucaneiros tarados por butins, poder, impunidade e dinheiro público em geral.


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