É legítimo o pedido de vista, pelo senador Jader Barbalho(MDB/PA), do Decreto Legislativo Nº508/2019, que convoca plebiscito pra decidir a criação do estado do Tapajós, afinal, trata-se de prerrogativa que assiste regimentalmente a qualquer senador.
O que não está correto é o experiente senador desqualificar parte considerável dos seus pares como ilegítimos por não representarem o Pará, como se só os paraenses tivessem legitimidade porque Jader, insidiosamente, pretende regionalizar uma questão de consequências nacionais.
Também, soa estranho e demagógico o senador Barbalho considerar inadequado o desejo de separação, manifestado pela imensa maioria do povo daquela região, apenas porque o rebento do parlamentar que ora governa o Pará superou com sua 'maquiagem' uma realidade adversa secularmente.
Com efeito, não é com algumas camadas de asfalto eleitoreiro em ruas de municípios, ou conserto de estádios de futebol, que se supera dissabores históricos fruto do abandono administrativo, capazes de atirar nas águas dos rios e igarapés da região dezenas, centenas e até milhares de chances para desenvolver-se, somente por conta desse centralismo.
Que Jader apresente razões consistentes em seu voto em separado, defendendo a atual configuração geopolítica, todavia, que não queira impor da forma mais antipaticamente populista possível a criminalização da criação de um estado autônomo, com a perspectiva de desenvolvimento idem, de caminhar com suas próprias pernas e gerenciando suas riquezas de forma soberana.
Óbvio que não está garantido o êxito dessa nova unidade federativa apenas porque foi criada, no entanto, a tutela, o paternalismo a condução autoritária como oposição ao receio de que o povo interessado não esteja preparado para cuidar de seu próprio destino é argumentação débil, e acaba explicando muito mais o porquê do MDB, desde sua fundação, ser um feudo político/familiar.


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