Para serem tolerantes com um governo de extrema direita, as instituições republicanas chegaram ao ápice da conivência com a estupidez naturalizando essa forma teratológica de fazer política.
Sob um morticínio que já custou quase 500 mil vidas, o país segue vendo um presidente boçal minimizar esse número macabro porque 14 milhões de outros patrícios foram curados pela ciência.
Diante dessa conjuntura bizarra ora vivida, sempre alimentamos a esperança de um sopro de bom senso, capaz de trazer dias melhores com a tomada de medidas cabíveis sob o ponto de vista científico.
Lamentavelmente, todo dia somos tentados ao desalento diante da insensatez, estupidez e sandices repetidas à exaustão como forma de nos fazer ver que o nosso sofrimento parece ainda longe do fim.
A torpeza revelada no dia de hoje é que o Brasil está produzindo a vacina russa SputnikV, com tecnologia e ingredientes ativos fornecidos pelo laboratório russo Gamaleya, naturalmente, já tendo sido envasado um lote com 100 mil doses.
No entanto, essas cem mil doses serão exportadas para a Argentina, Uruguai e Paraguai, entre outros países do continente, porque a dita vacina segue proibida no Brasil porque a Anvisa assim o quer, mesmo não submetendo-a a testes.
Caso fosse liberada, a União Química, fabricante daquele imunizante, garante que será capaz de produzir oito milhões de doses/mês, já a partir de junho próximo, algo alvissareiro nesse momento em que houve uma queda de 17% no estoque encomendado.
Como se vê, a ciência segue sob o jugo do obscurantismo, com o sacrifício de centenas de milhares de vidas no altar da cretinice, como se estivéssemos experimentando um rito de passagem às trevas que não experimentamos enquanto nação, pois é isto que nos redimirá. Não dá!


Nenhum comentário:
Postar um comentário