Certa vez, a quando da elaboração da Lei Orgânica do Município de Belém(1989), eu assessorando o vereador Zé Carlos Lima, perto do vereador do PCB, Arnaldo Jordy, este assessorado pelo notável advogado, hoje juiz aposentado, José Maria Alencar.
Estava em nossas mãos o capítulo da parte administrativa referente ao servidor público, ingresso no serviço, estabilidade e coisas do gênero quando Alencar, perplexo diante do quadro funcional da CMB, saiu-se com essa tirada impagável: 'Jordy, aqui não tem organograma, mas árvore genealógica'.
De fato, eram muitos rebentos, esposas, pais, mães, sogras, noras, genros, cunhados, primos, tias e até concubinas causando espanto a quem quer que se debruçasse na origem do exame daquele quadro funcional onde o parentesco era o critério principal para ingresso.
Lembrei disso ao constatar que tal modus operandi não era exclusividade do alcunhado 'legislativo mirim', mas, hábito geral no serviço público paraense, daqueles que estão com a caneta na mão e o Diário Oficial à disposição precisando apenas lembrar o nome do parente ora no desvio e apto a tornar-se servidor...público.
Já sob a fase II da administração pública compartilhada(com a família), vulgo nepotismo cruzado, onde o parente do deputado estadual vira assessor no TJE, o parente de alguém do Ministério Público, transforma-se em assessor em algum desses cabides de emprego chamados de Tribunais de Contas formando um bloco maior que o homônimo carnavalesco.
Foi isso que saltou aos olhos de todos que leram a bombástica notícia em que o procurador geral do MPE pediu o afastamento do governador Helder Barbalho, acusando-o de compras superfaturadas de equipamentos para a Secretaria de Saúde, fato já sob investigação do Superior Tribunal de Justiça, a quem compete julgar governadores.
Acontece que a Polícia Civil do Estado efetuou uma operação de busca e apreensão na casa do ex secretário municipal de saúde(Belém), após liminar expedida pelo TJE, diante de suspeitas da mesma prática do ex secretário da qual o titular da PGE acusa o governador.
E foi aí que a frondosa árvore(genealógica) do MPE e adjacências desabou sobre o telhado(de vidro?) do governador: é que o PGE é cunhado do ex secretário admoestado pela polícia civil; o ex secretário seria coordenador da campanha de Thiago Araújo à prefeitura de Belém, com o apoio do atual alcaide; a esposa do austero procurador é assessora do pai do citado candidato, no TCM.
Como diria D. Vito Corleone, tutti buona gente. Credo!

Um comentário:
Vixe!! Aguenta essa meritocracia toda kkkkkkkkk
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