Conversa de bar. Um daqueles parlamentares de balcão sentenciou: pesquisa feita em âmbito planetário constatou que o Brasil é o segundo país onde mais se consome bebida alcóolica.
Aí um gaiato retrucou: culpa dos crentes. - E o detentor da palavra redarguiu: mas os crentes nem bebem; e o gaiato deu o xeque mate: pois é, se bebessem o Brasil seria o número UM.
Lembrei do diálogo e da lógica que ele encerra ao ler nos jornais a justificativa para a subida estratosférica do preço da carne vermelha: culpa dos chineses, que compram toda nossa produção.
Empulhação neoliberal, que tenta esconder seu fracasso ao transferir a terceiros os resultados de decisões desastradas na política econômica, causadoras da destruição de nossos fundamentos.
Os chineses não estão comprando um bife a mais do que já compravam há dez anos. Pelo contrário, até fizeram certas restrições sanitárias e políticas, depois de hostilizados pela diplomacia da Orcrim.
Acontece que a privataria rediviva por ação do agiota e ladravaz destruiu nossa moeda, esculhambou nossas exportações e transformou nossas contas públicas em pornografia explícita.
Com o dólar acima de cinco reais, qual frigorífico vai querer vender carne vermelha no nosso mercado interno, quando pode vender menos e lucrar bem mais vendendo pra gringo?
Além disso, os crentes podem até não beber, pelo menos em público, devendo-se respeitar sua opção, independente de rankings; o mesmo valendo para os chineses e seu direito de comer carne.
O que falta é um governo que preste no Brasil, capaz de ter uma política eficaz no abastecimento do mercado interno, sem passar por sobressaltos e assaltos ao seu combalido bolso.
Assim como com a carne vermelha, padecemos com a inércia criminosa nos casos da soja, milho e principalmente o arroz, exportados por quem só pensa no lucro, enquanto as autoridades viram as costas para a população. Lamentável!


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