Não vi o debate entre os candidatos à prefeitura de Belém, ontem. Não gosto desse formato parido pela Rede Globo, que oculta o debate político com performances de candidatos(as) a astros e estrelas.
Fernando Collor de Mello e Aécio Neves são os exemplos mais bem acabados da prevalência da encenação farsesca sobre o debate político, contribuindo com a alienação do telespectador comum.
Todavia, pelo resumo da matéria publicada na edição de hoje do Diário do Pará, o candidato da direita, Everaldo Eguchi, parece estar enfrentando um dilema nada shakespeareano em sua retórica.
As pesquisas qualitativas feitas por sua campanha devem ter alertado que seu discurso, enaltecendo patrões, é até numericamente um erro estratégico na medida em que há uns 800 empregados para cada patrão.
Assim, quando incorreu no erro de tentar corrigir o erro anterior, desdizendo o que havia dito em outra ocasião, sacou de sua arma nervosa e desferiu um tiro no próprio pé, passando a imagem de inseguro, despreparado e dissimulado.
Claro que a convicção de Everaldo a respeito da solidez dos mantras da 'nova política' decorre de um comportamento perto do tribal, ou seja, de pouco contato com a sociedade que pulsa e rejeita quase tudo aquilo que ajudou a eleger Bolsonaro.
Eguchi constatou isso da forma mais desagradável, pra ele, claro, pois agora pode ser tarde para convencer novos eleitores que o mentor dessa 'novidade' passou 30 anos chafurdado na velha política, dela se utilizando para ficar rico.


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