Um dia depois de contrariar Bolsonaro, ao defender o confisco de propriedades rurais de desmatadores na Amazônia, o vice presidente Hamilton Mourão voltou à oposição eventual reconhecendo pessoalmente a vitória do democrata Joe Biden nos EUA.
Quem leu um artigo dominical de Janio de Freitas, em que o notável articulista tratava do recrudescimento desse embate, deve lembrar o que escreveu Janio anunciando que tratava-se de uma estratégia dos generais para emparedar Jair Messias.
De lá pra cá, tem aumentado o número de desavenças entre ambos, embora o vice sempre recue posteriormente a expor o titular à execração, fazendo ver um Mourão cada vez mais palanqueiro do vice futuro do capitão reeleição.
O general Mourão, ressalte-se, é filiado ao PRTB, enquanto Bolsonaro está sem partido há mais de um ano e com grandes dificuldades para abrigar-se em um partido já existente, pior, ainda, sem perspectivas de atualmente ter base suficiente para fundar uma legenda.
Assim, sem o lenço político que o legitime e sem o documento legal que o embase corre riscos de proporções incalculáveis de disputar sua recondução ao cargo como refém do 'centrão', este nitidamente preparando outra candidatura para a disputa de 2022.
E como não tomou conhecimento da velha máxima sugerida pelo onívoro Tancredo Neves, 'nunca nomeie para seu secretário ou ministro alguém que tenha problemas em exonerar', Bolsonaro corre o risco de virar hóspede incômodo de seu próprio governo, infestado de generais.


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