
Os protestos contra o racismo, nos EUA, não param e já apontam para uma possível modificação na atual estrutura policial: acabar com essas atividades ostensivas de rua que só servem para seviciar, e até matar, pessoas de cor e tentar esconder moradores de rua.
Há até uma proposta, oriunda do conservadorismo, que visa reduzir o papel dos sindicatos de policiais na proteção aos direitos dos seus filiados na artimanha de individualizar a responsabilidade por cada crime, por cada atitude violenta e eximindo as autoridades.
Com uma ordem jurídica bem mais eficiente que a brasileira, assim como apoio maciço da população à mudança, como estamos constatando, talvez essa nova polícia chegue mais cedo do que se imaginava até semanas atrás inaugurando um novo tempo no setor.
Já aqui no Brasil, essa é uma discussão que sequer deixa expor sua necessidade urgentíssima, por pura conveniência do estado brasileiro, exatamente porque a segurança pública é fator de insegurança ao público e mera defensora do patrimônio e dos interesses da classe dominante.
Ela atravessou os séculos com esse caráter de guardiã do patrimônio privado das classes privilegiadas, por via de consequência, vendo como suspeitas as pessoas vitimadas por uma histórica e brutal desigualdade social, mantida sob controle às custas de muita repressão.
Já no século XXI, há poucos dias recebemos como uma bofetada um exemplo dessa imobilidade, quando policiais assassinaram um adolescente de 14 anos, dentro de sua própria residência, enquanto que quase simultaneamente outros policiais eram chamados de 'merdas' por um morador de bairro chic.
Ou seja, antes de reformar a segurança pública, o Brasil precisa primeiro reformar-se e finalmente tornar-se republicano, onde a lei para todos deixe de ser retórica de malfeitores ávidos por notoriedade, e consolide-se como obrigação, principalmente dos que se achem acima dela.
Mesmo parecendo tão distante do debate e tão urgente na prática, a fim de que a força da lei suplante a lei da força, certo é que esse tema deve ser onipresente entre os grandes temas que a política precisa ofertar ao país, na medida em que por aí passa necessariamente o surgimento de um Brasil mais humano.

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