Dentre os inúmeros sambódromos espalhados pelos quatro cantos do país, o de Belém do Pará talvez seja o único a ficar fechado durante o carnaval, uma sandice inominável em se tratando de uma terra reconhecidamente festeira.
Seguramente, esse desprezo pelo espaço público, em troca da ocupação de uma via pública inadequada aos desfiles de blocos e escolas de samba, atende a interesses rapaces de mal intencionados administradores do dinheiro público que pretendem lucrar com a indústria da montagem e desmontagem de arquibancadas metálicas.
Nem a famigerada Rede Globo, que insurgiu-se contra a construção do sambódromo na Marquês de Sapucaí pelo seu desafeto Leonel Brizola, chegou a esse ponto de abandonar aquele equipamento público, levando o carnaval pra outro lugar.
Antes, ao contrário. Monopolizou as transmissões dos desfiles para várias partes do mundo, negociou patrocínios e hoje ainda ganha rios de dinheiro com aquele que já foi considerado o maior espetáculo da terra a céu aberto.
Mas, em matéria de estupidez, nossos governantes são insuperavelmente imbecis quando se trata até de fazer politicagem às custas de evento de apelo popular irresistível e a clamar apenas por um singelo incentivo que monopolize a presença popular maciça.
Nem pra isso são capazes. O obtuso e voraz/ladravaz D. Costa, por exemplo, tratou de trocar o nome de Aldeia Cabana por Aldeia Amazônica a fim de tentar apagar o nome do antecessor que criou aquele espaço, em raro momento de felicidade administrativa.
Ficou parecendo que Dudu, O imbecil, desconfiava que foi Edmilson, e não os irmãos Vinagre e Angelim, entre outros, que depôs o traidor Clemente Malcher, restaurando os princípios revolucionários daquele movimento.
O bardo biônico, por outro lado, parece ter faro mais apurado para negócios escusos, daí abandonar a Aldeia Cabana tencionando sua destruição e consequente triunfo dessas indústrias rapaces de pilhagem de recursos públicos.
Como festa popular de grande tradição em Belém, o carnaval tem dado semanalmente resposta à indiferença oficial contra si. O diabo é quando entra a mão pesada do poder público, cuja prioridade é a rapinagem, a politicagem e obsessão de fazer o povo refém desses interesses torpes. Aí tudo desanda.

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