A impressão que dá é de preparação há doze anos para esse velório que se sucede a cada aniversário de Belém.
É o tempo exato da vigência do debochado slogan 'vamos tirar Belém do vermelho', ambiguidade que transformou a capital paraense em uma Bagdad pós George W. Bush.
Afundada em tenebrosas transações que levaram à cadeia o iniciador da dita 'obra', anunciada pela velhaca palavra de ordem, desde então Belém não para de experimentar retrocessos.
Seu velho centro comercial parece um pardieiro, seu centro histórico é o retrato do desleixo, sua área nobre subiu vários andares a fim de contemplar o mínimo possível esse abandono.
Ao tirar a cidade do vermelho através de retórica torpe, colocaram suas finanças em situação de terra arrasada, dando a sensação que a penúria veio para ficar.
Ilustra esse caos a recuperação da orla do Mosqueiro, derrubada amiúde todas as vezes que tentam levantar seus muros de areia, porém milionários para os cofres públicos.
Essa tem sido a norma de comportamento dos gestores da cidade desde que ela completou 390 anos e toda sua população começou a sonhar com a belezura que ela poderia ostentar daí a dez anos.
Tristeza, frustração e desalento. Nesse período, Belém virou uma cidade símbolo da terra arrasada que acomete a todas que foram submetidas a desastres, quer naturais quer os provocados pelas mãos do homem.
A miséria da paisagem confunde-se com a miséria econômica e realiza-se como síntese na miséria social que nos fez retroceder e nos coloca na desonrosa posição de uma das piores capitais do país em qualidade de vida.
Prosperidade a gente vê apenas no crescimento do patrimônio daqueles que detiveram o poder durante essa tragédia que se abate sobre todos nós. Foi para isso que tiraram Belém do vermelho?

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