Jorge Paz Amorim

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Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Solidão é o maior veneno para um político

Guilherme Santos/Sul21

Por que Ciro Gomes não quer ser candidato do PDT à presidência do país, caso Lula saia pelo PT? Será porque imagina que isso divide as esquerdas?

Em 1989, se não fosse as candidaturas de Lula(PT) e Brizola(PDT) Collor poderia ter matado a eleição já no primeiro turno. Além disso, as duas candidaturas ajudaram bastante os partidos consolidarem-se como hegemônicos em alguns estados da federação brasileira, fortalecendo a esquerda em todo o território nacional.

Ciro dá mais pinta de evitar a candidatura por não exercer a liderança sobre seus correligionários, ao menos próximo do que Brizola fazia. Deputados do PDT em massa votaram a favor do golpe que apeou criminosamente Dilma do lugar que conquistara legitimamente, mas Ciro continua desfiando impropérios contra os golpistas, como se não convivesse no mesmo ambiente que muitos deles.

Essa dificuldade seguramente é oriunda da falta de perfil político do ex-governador do Ceará, contumaz nômade a vagar por diversas legendas, sem que se tenha clareza de sua identificação com qualquer uma delas. Resultado: não se pode, hoje, afirmar que Ciro é uma liderança nacional. Está mais para um self made man, premido pela proibição de candidaturas avulsas.

Se fosse, de fato, uma liderança política nacional resgataria o legado de Brizola, Darci Ribeiro e do antigo trabalhismo usurpado de sua legenda pela truculência fardada, transformando esse legado na concepção política da legenda, além de unificar o discurso do PDT, dando-lhe um perfil de partido de esquerda.

Nota-se que Ciro defende o patrimônio público, construído com o suor do povo na perspectiva de um estado que atenda suas demandas sociais; defende educação pública de qualidade e defende também independência aos ditames do mercado financeiro, entre outras coisas que faziam parte do repertório crítico de Brizola.

O problema é que Ciro dá a impressão que sente-se impotente para a missão de comandar a legenda, daí mostrar-se como uma espécie de Collor do século XXI, aquele personagem que está acima dos partidos. Por isso a pinimba com Lula, por isso o discurso meramente adjetivado, que encobre a falta de substantivos políticos que sustentem sua ambição. Uma pena.

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