
Depois de Gilmar Mendes, Aécio Neves é, talvez, o mais furibundo moralista a apontar recorrentemente o dedo no nariz do governo cobrando transparência.
E curiosamente são, talvez, os dois "moralistas" de comportamento público mais "imoral". Gilmar, ministro do STF, agride a decência do cargo que ocupa ao ser dono de um curso de formação onde a clientela é, simultaneamente, parte de demandas judiciais na Corte Suprema do país, conforme demonstrou o jornalista Luís Nassif. No entanto, Gilmar parece ser o co-autor da teratológica teoria conspiratória que embala os delírios do juiz Moro e fez parte do voto de Gilmar a quando do exame da ADI impetrada pela OAB que pôs fim à farra do poder econômico nas eleições brasileiras.
Já Aécio, malgrado seu envolvimento com todas as mazelas que caracterizam um mau político, lidera um consórcio tão barulhento quanto carente de credibilidade dada a trajetória de seus integrantes, longe, bem longe, de ser exemplar.
Mais espantoso é ver surgir, a cada levantamento do atual governo mineiro, mais iniciativas de Aécio que podem ser tudo, menos trato sério da coisa pública. A mais recente, certamente não a última, é a cessão imoral da aeronave do governo de Minas a celebridades globais, que Aécio inescrupulosamente alega ter sido em atendimento a interesses do estado.
Se não fosse o pulha dissimulado que é, já teria soltado nota oficial explicando que razões de estado justificaram ceder a aeronave oficial para que o apresentador global Luciano Huck fosse gravar o seu intragável programa no interior do estado, inclusive com a presença não menos aporrinhante da dupla Sandy & Júnior, igualmente transportada graciosamente pela aeronave estatal. A lista é extensa e envolve desde o mega larápio Ricardo Teixeira até outro global como o Boni, passando pelo gangster midiático Roberto Civita, hoje unha e carne com o capeta.
Em qualquer país sério, onde o Poder Judiciário se fizesse respeitar e não fosse formado em grande parte por canastrões mambembes a serviço de uma organização midiática, Aécio já teria perdido seu mandato de senador e tido seu direitos políticos suspensos tamanho o rosário de falcatruas cometidas. No entanto, esse fato vindo à tona, ontem, amanhã certamente já cairá no esquecimento dessa mídia malsinada, como se nada tivesse acontecido. Lamentável!

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