Jorge Paz Amorim
- Na Ilharga
- Belém, Pará, Brazil
- Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.
domingo, 25 de outubro de 2015
O PT e a mídia conservadora
Segundo a Folha Tucana(FSP), o PT já perdeu 11% dos prefeitos que elegeu em 2012, provavelmente em razão da crise que se abateu sobre o partido desde que foi demonizado pela mídia, e esses 'fujões' obviamente querem seguir sua carreira. Ressalto que não li a matéria do jornal, mas sua transcrição no site 'Brasil 247', que resolveu ouvir a opinião do presidente do partido.
Rui Falcão parece minimizar essa debandada alegando que, "Há 30 anos, toda matéria que sai diz que o partido vive a maior crise de sua história". Não sei, não. Mesmo que o presidente pareça estar coberto de razão, no varejo, as previsões catastróficas a respeito do futuro do partido fazem, sim, parte da pauta obsessiva do PIG; no atacado, é público e notório que o partido encolheu, se não numericamente, no simpatia que gozava junto à população brasileira.
Rui deve ter números que comprovem sua afirmação, de que o PT mais filia novos militantes do que perde com a saída daqueles que não aguentam o tranco. Todavia, outros números apresentados por certos institutos de pesquisa nos dizem que o partido perdeu muito do prestígio que tinha até uns cinco, seis anos atrás, quando a diferença para o segundo colocado era quase o tripo do percentual e agora fica na casa dos três ou quatro pontos.
Claro que essa guerra midiática tem bastante influência nesse desgaste, mas é flagrante que o partido mudou significativamente seus hábitos políticos desde que passou a ser hegemônico no país. Seus principais dirigentes deixaram de lado a interlocução com a militância, tornando-se membros de uma casta inacessível que muito contribuiu para interditar o debate interno.
Como esse burocratismo espraiou-se pelas demais unidades federativas, adentramos fundamente no apoliticismo que nos fez inchados e doentios, ainda assim, achando-nos fortes e saudáveis. Assistimos, também, sucederem-se fatos insólitos na escolha de táticas eleitorais e arregimentação de novos filiados, eles movidos pelo oportunismo e o partido pela falta de critério, opções que muito contribuíram pra chegássemos onde estamos. A título de exemplo, cito o caso de um delegado aposentado, dirigente de sua associação aqui de Belém do Pará, inimigo de longas datas do PT em sua militância, mas que saiu praticamente de cima do carro-som onde bradava imprecações contra a governadora petista Ana Julia, pra filiar-se ao partido e concorrer às eleições de 2010. Da mesma forma, depois de governar Belém por 8 anos, hoje o PT amarga votações numéricas que fariam corar de vergonha um candidato a síndico de condomínio.
Claro que ainda temos muita força porque temos um projeto político que obteve as maiores conquistas sociais que este país já experimentou, além do líder popular mais influente de nossa história. Mas isto surgiu da nossa vivência política, adubada com muito debate e participação popular. Curiosamente, nesse momento em que o acesso a informação é quase instantâneo, vivemos um momento de fragmentação partidária e inacessibilidade à militância do debate interno.
Urge, então, que façamos esse debate pelos nossos canais de comunicação, sites e páginas partidárias a fim de resgatarmos a vida orgânica partidária. Já que vida atualmente não nos concede tempo suficiente para reunirmos sistematicamente como há três décadas era usual, vamos usar das ferramentas disponíveis a fim de resgatar aquele comportamento que nos fez ser diferentes e mais fortes. Veremos que isso, além de nos revigorar, manterá à distância esse bando de cristãos-novos que entram, passam uma chuva, conseguem algum ganho pessoal e depois voltam aos seus covis.
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