Ponto pro ministro. Lições de ética não podem restringir-se ao estrito campo retórico. Se não forem inseridas no comportamento das pessoas, notadamente desse universo em idade escolar, tudo continuará sob o império da lábia midiática, tão contraditória quanto nefasta, ao transferir para o dia-a-dia a noção de que bem sucedida é a pessoa que adentra o mundo dos impunes. Daqueles que vão às avenidas chiques do país gritar contra a corrupção, mas mandam R$500 bilhões para paraísos fiscais, roubando o imposto que deveriam pagar sobre as fábulas de dinheiro que recebem
Seria bom que essa singela lição fizesse parte, junto com outros temas como a cola, o relacionamento com os colegas, a noção de que devem zelar pelo patrimônio público, zelando pelo prédio da escola onde estudam, da carteira onde sentam, do banheiro que utilizam, enfim, mais do que o ensinamento de fórmulas, de fatos históricos, de acidentes geográficos é absolutamente necessário situar esses discentes na sociedade em que vivem.
Como na clássica observação de Chesterton a respeito da especialização extremada, que faria alguém em um ambiente acadêmico eminentemente urbano conhecer um elefante em seus menores detalhes anatômicos sem jamais ter visto um de perto, é preciso tirar a juventude de hoje do isolamento que o I-phone impõe ao seu jeito de ser isolando-o do resto do mundo real. Com efeito, já adentramos o '1984 orwelliano' sem nos dar conta que o big brother que nos comanda é a estupidez que nos afasta celeremente dos mais comesinhos princípios humanistas que um dia sonhamos como alicerce de uma sociedade justa, fraterna e feliz.

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