Jorge Paz Amorim

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Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Partido é dos trabalhadores. Ou não?


Parece que o uso do cachimbo da política convencional moldou as bocas militantes do deputado Josué Guimarães(PT-CE) e do senador Paulo Rocha(PT-PA) a ponto dos dois laborarem pra impedir que companheiros sem mandato façam parte da Executiva Nacional do partido. Como se a representação parlamentar fosse o parâmetro supremo de se aferir a contribuição dada ao partido.

Uma das maiores queixas que a militância petista faz hoje é exatamente a distância que suas bancadas mantém das bases, o que tem acarretado a secura de discussão política, contribuindo enormemente pra afastar o partido das ruas, bem como apartá-lo dos movimentos populares.

Não é minha intenção derramar nostalgia e pugnar por volta saudosista às priscas eras. No entanto, rebeldia não tem idade e uma coisa que deveríamos preservar é nossa inconformidade caraterística latente, deixando o envelhecimento se abater apenas sobre nossos corpos, jamais atingindo nossos corações e mentes.

Nesse sentido, penso até que deveria ser adotado um critério avesso dessa proposta de Josué e Paulo, ou seja, que os parlamentares fossem justamente aqueles que não deveriam fazer parte da Executiva. Afinal, detentores de agendas superlotadas de compromissos externos ao dia-a-dia partidário, acabam contribuindo para o esvaziamento dos debates internos, assim como podem contaminar o debate partidário com abordagens mais comportadas daquilo que se pretende debater mais desabridamente, por conta da influência do rito sisudo imposto pelos poderes constituídos, já que a limitação também vale pros outros dois poderes.

Enfim, tudo que não precisamos nesse momento de duros embates com o conservadorismo ávido pelo golpismo recorrente é moldar o PT à plutocracia geral que vê no mandonismo única forma de se fazer política no país, onde só tem voz quem é reconhecido dentro dos parâmetros impostos pela mídia e pelos graúdos da política tradicional. Talvez esse seja um tema oportuno, assim como oportuna é a ocasião pra que esse debate seja travado nacional e intensamente.

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