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Pra onde caminha a oposição brasileira? Uma hora vemos o furibundo senador tucano Aloysio Nunes Ferreira propondo uma declaração de guerra contra o ministro das comunicações, Ricardo Berzoini, só porque este manifestou publicamente a intenção de seu ministério propor a regulamentação dos artigos da Constituição Federal que tratam da propriedade de veículos de comunicação, medida que está atrasada há quase três décadas. Com essa postura raivosa, fica claro que o senador paulista acha normal a concentração da informação nas mãos dos monopólios privados e arautos do pensamento único, ofendendo-se até com a possibilidade de discutir o tema, ainda que seja flagrante que esses grupos enfrentem grave crise de credibilidade, muito em razão da abordagem conservadora e partidarizada dispensada ao debate dos grandes temas nacionais, exatamente porque se encontram na lastimável condição de foras-da-lei.
Outra hora é o ex-ministro da fazenda do governo Sarney e serviçal do rentismo parasita, Maílson da Nóbrega, fazendo escancaradamente lobby pra que se mude as regras vigentes da exploração do petróleo em nosso país, propondo a retirada da Petrobras do comando dessa política, entregando-a às multinacionais estadunidenses, ignorando solenemente o grave prejuízo que essa delinquência causaria às finanças do país, principalmente quando as reservas do pre´-sal começam a gerar receitas e essas, por lei, devem financiar a saúde pública e a educação.
Claro que vivemos sob um regime democrático em que a liberdade de expressão é um dos pontos fundamentais. No entanto, há que se exigir responsabilidade e um mínimo de pudor em certos posicionamentos a fim de que não se confunda posicionamento político com mercenarismo que visa auferir vantagens financeiras. Tanto a intransigência do senador quanto a indiferença do ex-ministro com o futuro da educação pública no país desgastam-se por si mesmas de tão anti sociais que são, devendo merecer o repúdio da sociedade brasileira antes que seus exemplos virem prática corriqueira e meio de vida a quem se dispõe a fazer do debate público um vale-tudo e péssimo exemplo de conduta ética, principalmente partindo de quem recorrentemente costuma apontar o dedo na direção alheia.


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