Jorge Paz Amorim
- Na Ilharga
- Belém, Pará, Brazil
- Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
O maratonista de 100ms rasos
Como já esperado, a montanha pariu um rato. O pronunciamento de Aécio, agora há pouco no Senado, foi do tamanho da claque que levou para louvá-lo e ouvir um resumo escrito do que havia dito em quase dois meses de campanha. Não importa. Não queriam nada além disso De novidade apenas a declaração que é contra o Programa Nacional de Participação Popular; e contra a realização de um plebiscito que eleja aqueles que farão um texto que dê ao país uma reforma política digna desse nome, optando pelo referendo em ambos os temas. Ou seja, como bom conservador que é, para ele a participação popular esgota-se no voto e o resto é com os "eleitos". Infelizmente, nesse caso as aspas são parte quase sagrada daquilo que concebe Aécio.
Levando-se em conta a reunião ocorrida hoje pela manhã no PSDB, Aécio terminará o ano como o grande líder da oposição e já candidato à revanche daqui a quatro anos. Mas não é certo que atravessará o ano que vem com a mesma postura na medida em que não há qualquer declaração das lideranças tucanas de São Paulo expressando essa convicção. Na verdade, ao precipitar essa auto unção, Aécio corre o risco do aborto político, recorrente em situações semelhantes, em que o trauma da derrota provoca no derrotado uma tresloucada corrida cujo fôlego é insuficiente para mante-la por tanto tempo.
Sem levar em conta a inegável força hegemônica do PSDB paulista, o senador mineiro pode reunir quantos aliados de ocasião conseguir agora que isto será irrelevante. No máximo, servirá para instrumentalizá-lo como alguém que não dê sossego à presidenta no momento. Porém, daqui a três anos, seguramente teremos outra conjuntura e outros postulantes ao cargo. Como diz Paulo Henrique Amorim, constitui-se grave equívoco achar, como Marina achou, que essa votação é capital próprio, intransferível e imutável. O tempo o ensinará a olhar com mais serenidade para o quadro político brasileiro, mas aí já terá sido tarde.
Pode vir a ser vítima do próprio discurso udenista que teima em empunhar, como se isto continuasse como bandeira de sua próxima missão. Pra quem saiu do governo sob reprovações técnicas do mau gasto público em áreas prioritárias; para quem não foi capaz de explicar o caso do tristemente célebre aeroporto construído em terras de sua família com dinheiro público e pra quem teve sua retórica de auto louvação desmentida pelos fatos não será nada extraordinário que esse projeto seja vitimado pelo suicídio.
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