A primeira constatação que se faz dessa decisão de Pirão é que ele não confia no treinador de sua equipe. E não adianta vir com tinta dourada para a pílula prescrita ao treinador Agnaldo de Jesus que ele já está em maus lençóis, caso aceite passivamente a interferência indevida do presidente em seu trabalho, afinal, não se trata de entrar em campo e bater uma penalidade máxima e ir comemorar com a galera, mas, impor uma parceria nunca vista em competições no futebol profissional a um profissional que deve ter toda a autonomia em seu trabalho para que este seja respeitado pelos atletas.
Para alguns críticos literários, Nelson Rodrigues é uma espécie de realista tardio em meio a um ambiente modernista, mostrando até as mais ocultas mazelas do comportamento suburbano carioca como se fosse uma tragédia grega. Com seu gesto insólito, Pirão resgata esse realismo e funde-o com a crônica mais sacana do dia-a-dia da zona rural brasileira, do tipo daquela saída da literatura de José Cândido de Carvalho, sem esquecer de condimentar com as tiradas filosóficas de Neném Prancha.
Se dará certo no próximo domingo não é possível prever. O que se pode afirmar é que essa atitude de Pirão o nivela aos mais inusitados personagens dessa literatura citada. Nesse caso, prescinde de um autor. Mas necessita urgentemente de uma boa dose bom senso que o faça respeitar o cargo que ocupa, a imensa torcida do Clube do Remo, bem como os profissionais que trabalham para o clube que dirige.

Um comentário:
Segundo foi postado, o regulamento das competições da CBF proíbe isso. Que pena, pois eu creio que seria positiva para os atletas a presença de seu presidente à beira do gramado.
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