Jorge Paz Amorim

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Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

quarta-feira, 19 de março de 2014

A diplomacia ferrabrás que só os tucanos tiram o chapéu(e os sapatos)

A principal coisa a entender, sobre a política exterior dos EUA é que, basicamente, é dirigida por gente sem experiência, sem sequer compreensão sobre o que seja “diplomacia” e seus objetivos. Não é só Mrs Nuland e seu famoso “Foda-se a União Europeia!”. E também Kerry e suas constantes mentiras e zig-zags; é também Mrs Rice com suas ameaças arrogantes e sempre belicosas contra a Rússia e muitos outros países; finalmente, é também Obama, combinação, ele mesmo, de húbris imperial e um realmente fenomenal nível de hipocrisia.
A própria noção de negociação é profundamente distante desses líderes imperiais que creem, fortemente, que negociar sempre seria sinal de fraqueza. Para eles, a única coisa negociável é o outro lado aceita todos os termos e condições que os EUA imponham. E se isso não acontece, os EUA basicamente põem-se a ameaçar que bombardearão o outro lado até a total submissão. Longe vão os dias em que George H.W. Bush (Pai) e seu brilhante secretário de Estado, James Baker entendiam o quanto podem conseguir diplomacia e negociações cuidadosas.
A geração Kerry/Rice só entende que poderiam dizer a todos os demais o que eles próprios querem e, se não funciona, então a força bruta (ameaças, ou real força bruta) sempre resolverá tudo. Aí está a razão pela qual os EUA jamais aceitaram negociar com Gaddafi ou Assad; e eis por que todas as propostas dos russos, para encontrar solução negociada, foram sistematicamente rejeitadas.
Já no outono passado a Rússia ofereceu-se para negociar, quando os primeiros sinais de crise iminente começaram a surgir. Lavrov propôs que se iniciassem negociações trilaterais entre UE, Ucrânia e Rússia. A UE, fosse por obediência a ordens dos EUA, ou movida só por suas próprias fantasias de grandeur, rejeitou estupidamente a proposta, sob o pretexto de que a Ucrânia era nação soberana e que, portanto, a Rússia tinha tanto direito de opinar sobre seu futuro quanto o Paraguai ou Vanuatu.
Pior: a UE fez como se bastasse que o governo ucraniano assinasse as 1.500 páginas do longo acordo que fixava os termos e condições de uma proposta associação entre UE e Ucrânia, sem que ninguém precisasse dar um segundo de atenção ao que a Rússia pudesse fazer. Exceto que logo começou a ficar bem claro para Azarov e Yanukovich que a Rússia ficaria sem alternativa, se não fechar as atuais fronteiras, para proteger a economia russa contra um dilúvio de produtos da UE que fatalmente afogaria a Ucrânia.
Quando, no último segundo, Yanukovich anunciou a conhecida decisão de não associar a Ucrânia à UE, outra vez a Rússia propôs que se abrissem negociações. E outra vez sua proposta foi rejeitada. Alguns burocratas da UE aparentemente ainda acreditavam que Yanukovich cederia, na reunião em Vilnius. Ele não mudou de posição, simplesmente porque não podia mudar, não, pelo menos, sem matar toda a economia ucraniana.
Foi quando os norte-americanos literalmente enlouqueceram, entraram em surto, porque compreenderam que um “não” à UE, mesmo que apenas temporário, significava um “sim” à Rússia – e provavelmente, permanente. Foi quando o Tio Sam acabou pessoalmente envolvido.
(Redecastorphoto)

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