O furo de reportagem do Diário do Pará, dando conta que a UNAMA foi vendida por R$152 milhões à fundação que controla a Faculdade Maurício de Nassau, nos leva a crer que estamos vendo o surgimento da maior universidade privada do Norte. Ressalte-se que já é a maior do Nordeste brasileiro, o que certamente a fará uma das maiores do Brasil ao atender uma clientela potencial de cerca de 1/4 da população brasileira.
Além disso, aponta no rumo da acomodação desse mercado outrora frenético, mais especificamente nos tempos privatas, quando assistíamos ao surgimento de uma faculdade por dia, grande parte delas verdadeiros atendimentos de urgência e emergência que resultavam na prescrição de meia dúzia de informações seguidas de um 'canudo'. Com a ascensão de Lula à presidência da República e o consequente resgate do papel das universidades públicas, muitos desses pronto-socorros passaram a respirar por aparelhos ou foram a óbito, ajustando o mercado ao direito fundamental da cidadania.
Quando foi governador de Pernambuco, o holandês que empresta o nome à compradora da UNAMA operou políticas públicas tão eficientes que deram a Recife bem mais que um ar europeu. A construção de diques, canais e pontes preparou o futuro de uma cidade banhada por dois rios livre de enchentes e alagamentos, coisa que só o crescimento desordenado permitido por sucessivos administradores incompetentes nos quase cinco séculos seguintes foi capaz de anular.
Vejamos se a Nassau da educação será capaz de contribuir com a educação na Amazônia, a ponto de fazer superar o status atual das ditas universidades privadas, qual seja, a de fabricar diplomas em quantidades industriais, sem qualquer compromisso com uma formação acadêmica mais rigorosa, que englobe pesquisa, extensão e retorno à sociedade desse trabalho acadêmico. Sempre resta a esperança, mesmo diante das sucessivas frustrações experimentadas ao longo dessas décadas. Esperança extensiva ao MEC e Conselho Federal de Educação, que bem podiam exigir de um conglomerado tão imponente e poderoso economicamente guiar-se pelos parâmetros das mais renomadas universidades do mundo. Com efeito, isto não significaria nenhuma cobrança estapafúrdia.

2 comentários:
Na Ilharga, joga na cova rasa todas as IES, acusando-as de falta de qualidade na educação superior, sugerindo que a compradora da UNAMA é única tabua de salvação para o ensino superior no Norte e Nordeste do Brasil.
Na Ilharga deveria ser mais cuidadosa em suas colocações. No Pará, assim como nos outros estados das regiões citadas têm boas e más Instituições de Ensino Superior.
Não sugiro que seja tábua de salvação, apenas aproveito a ocasião pra cobrar outra postura do MEC e do Conselho Federal de Educação na medida em que as universidades particulares, até aqui, não mostraram qualquer compromisso com a pesquisa e com a extensão. Apenas isso.
Postar um comentário