Não que tal argumento seja desprezível, longe disso. Apenas parece estar deslocado de debate, assemelhando-se mais a uma ideia fora de lugar. Com efeito, tal argumento será muito bem vindo no debate da reforma tributária se engrossar o coro dos que querem mandar para a lata do lixo a famigerada Lei Kandir, responsável por esse lógica perversa, que dificulta a vida dos estados produtores de commodities facilitando a vida dos estados mais ricos, em nome de uma desastrada tentativa de tornar competitivos lá fora nossos manufaturados, mas, que, preponderantemente, contribui para a perenização das desigualdades regionais que nos atormentam.
É comum ouvir o governador do Pará choramingar sobre o leite derramado dos prejuizos causados pela tal lei, mas nunca o ouvimos dizer, "vamos acabar com ela!" Simão sempre propõe ou reformá-la, ou que o Tesouro Estadual receba compensações da União pelos estragos feitos.
Vale dizer, nunca dá a palmada no bumbum certo, na medida que essas compensações invariavelmente vêm da União, quer dizer contribuem para ela outros estados igualmente lesados. Claro que isso não é por acaso, mas porque obedece a lógica do conchavo político, pois fica caro que, da parte dele, não há interesse em contrariar os caciques paulistas de seu partido, todos adoradores de carteirinha do monstrengo Kandir.
Voltando a Jordy, seria bom que ele levasse sua posição à Câmara independente do espectro político a que pertence; e que se manifestasse mais claramente sobre Belo Monte, contra ou a favor, afinal, qualquer modelo de desenvolvimento que se queira para a nossa região não prescindirá da geração de energia. Então, melhor que se lute para que essa energia seja limpa. E não só isso: que seja, também, fruto de um amplo debate que mitigue ao máximo eventuais danos causados pelos empreendimentos que proporcionarão a geração dessa energia, pois só assim criaremos condições para que se consolide um modelo ambientalmente sustentável, socialmente justo e economicamente viável.

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