Jorge Paz Amorim

Minha foto
Belém, Pará, Brazil
Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Ambiguidade

Assistindo ontem a um programa de entrevistas na TV Brasil, fiquei intrigado com uma fala do nosso representante na Câmara Federal, Arnaldo Jordy, que me pareceu feita diretamente do leito de Procusto, ou seja, adequada a fórceps ao papel de oposicionista que o parlamentar desempenha. O deputado insinuou ser contra a construção da Usina de Belo Monte apenas porque o ICMS devido será pago no estado comprador da energia e não no estado vendedor, no caso, o Pará.
Não que tal argumento seja desprezível, longe disso. Apenas parece estar deslocado de debate, assemelhando-se mais a uma ideia fora de lugar. Com efeito, tal argumento será muito bem vindo no debate da reforma tributária se engrossar o coro dos que querem mandar para a lata do lixo a famigerada Lei Kandir, responsável por esse lógica perversa, que dificulta a vida dos estados produtores de commodities facilitando a vida dos estados mais ricos, em nome de uma desastrada tentativa de tornar competitivos lá fora nossos manufaturados, mas, que, preponderantemente, contribui para a perenização das desigualdades regionais que nos atormentam.
É comum ouvir o governador do Pará choramingar sobre o leite derramado dos prejuizos causados pela tal lei, mas nunca o ouvimos dizer, "vamos acabar com ela!" Simão sempre propõe ou reformá-la, ou que o Tesouro Estadual receba compensações da União pelos estragos feitos.
Vale dizer, nunca dá a palmada no bumbum certo, na medida que essas compensações invariavelmente vêm da União, quer dizer contribuem para ela outros estados igualmente lesados. Claro que isso não é por acaso, mas porque obedece a lógica do conchavo político, pois fica caro que, da parte dele, não há interesse em contrariar os caciques paulistas de seu partido, todos adoradores de carteirinha do monstrengo Kandir.
Voltando a Jordy, seria bom que ele levasse sua posição à Câmara independente do espectro político a que pertence; e que se manifestasse mais claramente sobre Belo Monte, contra ou a favor, afinal, qualquer modelo de desenvolvimento que se queira para a nossa região não prescindirá da geração de energia. Então, melhor que se lute para que essa energia seja limpa. E não só isso: que seja, também, fruto de um amplo debate que mitigue ao máximo eventuais danos causados pelos empreendimentos que proporcionarão a geração dessa energia, pois só assim criaremos condições para que se consolide um modelo ambientalmente sustentável, socialmente justo e economicamente viável.

Nenhum comentário: