Jornais de tevê, impressos e assemelhados seguem com o eufemismo macabro, 'chuvas já mataram 48 pessoas, em Minas Gerais'.
Nada mais sordidamente politizado do que essa afirmação infame que culpa a natureza por aquilo que a mão perversa do homem fez.
Assim como no início do século XX, o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Pereira Passos, mandou derrubar e incendiar todos os cortiços da cidade e confinou a população pobre e miserável nas encostas dos morros, a torpe gentrificação que expulsa populações de bairros em favor da especulação imobiliária seguiu esse rito em outros estados cuja geografia apresenta desenho semelhante.
Isso é que mata. Já matou e segue matando, enquanto não houver um enfrentamento dessa canalhice que desrespeita o Estatuto da Cidade e precisa urgentemente de providência séria. Não dá, por exemplo, pro governador de São Paulo anunciar que vai fazer um centro administrativo no centro da capital, a um custo de R$6 bilhões, ao mesmo tempo que pessoas morrem vitimadas por deslizamentos de morros, no litoral paulista, onde encontraram o único local para morar.
É a repetição do que fez o larápio e drogado Aécio, que construiu um centro administrativo, também a custo bilionário, enquanto ignorou o drama dessas pessoas que são obrigadas a morar em local mais perigoso do que em trapézio de circo, sem lona de proteção em baixo.
Por isso, é preciso cobrar mais pudor dos noticiários e que deem nomes aos bois tipo, 'a incúria administrativa de fulano já matou mais de trocentas pessoas..." Não resolve, mas refreia.

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