Jorge Paz Amorim

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Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Tratar o gesto de Soteldo como provocação explica nossa mediocridade


Os tumultos gerados ontem, durante o jogo Santos x Vasco, resumem bem a tendência do futebol brasileiro à simulação como forma de mascarar a realidade.

Há 21 anos sem ganhar uma copa do mundo, há dez anos sem ganhar um mundial interclubes, a indústria do entretenimento que mascara nossa decadência utiliza esse expediente.

Rara é a partida em que um jogador não simula agressão do adversário, levando as mãos ao rosto quando, muitas vezes, essa mão do "agressor" mal chegou ao ombro do "agredido".

Porém, o ocorrido na Vila Belmiro, ontem à tarde, superou toda essa rotina canastrona do dia a dia do nosso futebol e enveredou pelos descaminhos da encenação coletiva da truculência e ocultação da mediocridade.

O atacante venezuelano do Santos, Soteldo, de estatura pouco mais de 1,50cm, ficou com os dois pés sobre a bola enquanto planejava mentalmente o que fazer na jogada sob seu domínio, naquele momento em que a equipe santista já vencia por 3x1.

Foi quando o paraguaio Sebastian Herrera, do Vasco, investiu furibundo contra o santista e tentou atingi-lo com um pontapé, como se estivesse ofendido com a ação do adversário, de resto, uma simples demonstração de amplo domínio da arte do futebol.

Algo que seria tão simples no basquete, uma demonstração da habilidade individual, virou um ato de vitimização por parte dos vascaínos e uma briga generalizada, envolvendo jogadores em campo e reservas de ambas as equipes, em tumulto que durou cerca de dez minutos.

Ao final do tumulto, mostrando sua familiaridade com a truculência, o árbitro Anderson Daronco manteve o agressor em campo, aplicando-lhe apenas um cartão amarelo e, pasmem, dando um cartão da mesma cor para Soteldo, talvez entendendo que a vítima da truculência concorreu para a agressão.

Ainda hoje, é possível ouvir, ler e assistir profissionais da mídia esportiva brazuca recorrerem ao velho chavão do conservadorismo tupiniquim do papel da vítima como justificação para eventual agressão; ao mesmo tempo que acabou ficando em segundo plano o show de bola que o Santos aplicou no rival, estampado no placar de 4x1. Pobre futebol brasileiro.

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