O médico infectologia Marcos Caseiro avalia como absurda a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que recomendou a não importação da vacina russa Sputnik V. “Não tem o menor sentido. Não tenho dúvida que há um viés político, de análise de procedência, nessa decisão. É um absurdo. É uma vacina que já teríamos na mão para adiantar esse caos que vive o país por causa da pandemia do coronavírus”, afirma.
Caseiro diz que é importante considerar que a Anvisa pode levantar algumas questões relacionadas a documentações que possam faltar. “Mas eles fizeram algumas considerações inaceitáveis”.
“A Anvisa é um órgão burocrático, ou seja, não faz nenhum estudo laboratorial. Eles não pegaram a vacina e estudaram laboratorialmente para ver se tem vírus vivo ou não. Eles simplesmente pegaram documentação e leram”, ressalta.
Para o infectologista, é muito improvável que os técnicos da Gamaleya (laboratório biológico russo) tenham mandado documentos com alguma irregularidade.
Além disso, prossegue, a Sputnik V já foi aceita em mais de 62 países e passou por órgãos regulatórios de renome na própria Rússia, no México, na Argentina e em diversos outros países.
EUA e Europa
“Ainda que não tenha passado na União Europeia e nos Estados Unidos, isso também não tem significado. Por exemplo, essa que nós estamos usando aqui, a AstraZeneca, que é da Fiocruz, não foi aprovada nos Estados Unidos. Lá, nesse momento, só estão aprovadas para uso emergencial a Pfizer, a Moderna e a Janssen. Mesmo assim, vão comprar 62 milhões de doses e devem doar para outros países”, revela Caseiro.
Ele diz, ainda, que a Sputnik teve estudo publicado em fase 3, em revista internacional, e questiona: “Alguém ouviu falar de relato de problemas em algum desses países?”.
Na opinião do médico, a Anvisa foi excessivamente rigorosa na análise da vacina russa e muito pouco rigorosa na análise de outras vacinas. “Por exemplo, a CoronaVac não tem publicação na fase 3”, acrescenta.
(Revista Forum)


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