Jorge Paz Amorim

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Belém, Pará, Brazil
Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

terça-feira, 19 de maio de 2020

O enredo é maior que os atores



Se o Brasil vivesse em um ambiente minimamente democrático, em que a lei é aplicada independente da classe social ou cor da pele de quem está sendo sofrendo os efeitos legais, Flávio Bolsonaro já estaria preso.

Não está porque, nessas horas, recorre-se a princípios gerais e deixa-se as leis nas gavetas dos julgadores a fim de não impedir o curso do poder constituído, ainda que este o tenha sido de forma espúria, independente dos facínoras que o exercem.

Ora, isto não depende apenas da auto proteção, mas de um pacto sinistro estabelecido pelos seculares "donos do poder" que toleram qualquer desmando, menos que a numismática pátria escape de seu poder para auxiliar sans culottes.

Há uma rede de tolerância entremeada nas instituições nacionais que protege o filho do presidente, não apenas pela sua condição de filho, mas pela condição de parlamentar e descendente de alguém que reverencia esses interesses secularmente intocáveis.

Não por outros motivos, Lula, Dilma, Zé Dirceu, José Genoíno Vaccari, PT e familiares em geral foram sumariamente condenados pela mídia, até que a condenação fosse consumada através de processos invariavelmente espúrios, mas legitimados à sorrelfa.

É assim desde que o PT assumiu o governo, vivemos uma guerra e em guerras, sabemos todos, a primeira vítima é sempre a verdade dos fatos, o que explica o furibundismo da apresentadora do Roda Viva contra o dublê de youtuber e pop star, quando este admitiu o golpe de 2016.

Ela foi chamada de tudo que não presta pelos fascistas do entorno do poder central, defendeu-se, vitimizou-se(nem precisava), mas não arredou um milímetro de suas convicções patronais, usando da mesma veemência para defender o papel que lhe coube no enredo principal de 2016.

Trata-se de situação emblemática do comportamento desses mastins patronais, cuja indignação normalmente contida diante do fascismo traduz um certo receio de subir o tom e assim favorecer os planos daqueles que teimam em não morrer diante dos sucessivos golpes que sofrem.

Flávio Bolsonaro pode até vir a ser preso, seu pai desabar, esse poder fascista ungido ao governo após o golpe ser apeado, todavia, o enredo golpista atravessará essa turbulência e continuará martelando o imaginário popular. Afinal, é ele que mantém o gado sossegado no pasto.

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