
É até explicável, principalmente tratando-se do nível raso de compreensão do staff golpista, que o Ministério da Segurança exponha entendimento que não cabe à Polícia Federal investigar o atentado contra a caravana de Lula, por esse entendimento, prerrogativa da segurança pública estadual.
Mesmo que o alvo da infâmia fascista seja um ex-presidente da República, legalmente protegido por escolta que deva ser disponibilizada em seus deslocamentos, ainda assim, dá pra entender a atitude omissa, conivente e temerária do ministério em lavar as mãos e transferir aos estados a tarefa.
O que não é tolerável é o cínico e burro argumento de que não está caracterizado ato político na iniciativa criminosa de celerados senhores da terra, incentivados, entre outros por uma senadora anciã e irresponsável, que o tempo e o cargo que ora ocupa já deveriam te-la ensinado o ofício da tolerância.
Está totalmente caracterizado, sim, o caráter político daquela manifestação. Mesmo que fora da lei e delinquente, ela refletiu a inconformidade com a aceitação popular de um líder de um grupo adversário na disputa pelo poder, disputa que deveria ser dentro da lei e civilizada nos marcos da polis.
A não observância desses princípios não anula o dever de seus autores de observá-los. pelo contrário, exige enquadramento imediato desses celerados, e aí caberia a um Ministério que se queixa de ter sido criado pra combater a violência e perde oportunidade preciosa de faze-lo.
Claro que essa omissão, fatalmente transformada pela inação deliberada em conivência, aponta pra vida curta do tal ministério em razão do casuísmo responsável por sua paternidade, daí ser pouco provável que atinja a relevância que o faça ter utilidade.
Dadas as circunstâncias que a cercam, constitui-se lamentável perda de oportunidade do fortalecimento de uma instituição que poderia muito bem iniciar um tardio processo de desmilitarização da segurança pública, vergonha nacional que teima em sobreviver na república mais como pesadelo do que instituição a serviço da cidadania. Pena!

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