Em filmes como 'Z', 'A Confissão', 'Estado de Sítio', de Costa Gravas-Gravas; 'Todos Os Homens Do Presidente', de Alan Pakula, ou até mesmo o genial e pouco visto 'Queimada', de Gillo Pontecorvo, o que não falta é licença poética a partir de situações políticas, ou postulados filosóficos, em seus enredos.
No entanto, isso não tem nada a ver com a sordidez parida pelo celerado José Padilha, que em nenhum momento saiu de sua visão de bandido hereditário da política nacional pra expor seu recalque contra quem imagina ter sido o responsável pela desdita familiar em um dos muitos ciclos de ladroagem que parte da elite brasileira empreendeu contra o dinheiro público.
Não há nada que indique respeito à ficção, à imaginação livre de um realizador inquieto o suficiente para construir personagens e situações capazes de levar à reflexão que faça entender os nexos históricos da corrupção com o status quo no Brasil.
Tudo é dissimulado em um realismo indigente, que jamais consegue sair do nível infame, rasteiro e manipulado das trocentas matérias de jornais e revistas a partir de vazamentos criminosos das investigações que adubaram a série, por parte da autoridade togada, de processos que a lei não permitia publicidade, porém era importante dar publicidade a fim de formar um juízo de valor sórdido que se sobrepusesse à investigação.
Por isso, por mais que escrevinhadores das gangues midiáticas invoquem licença poética para defender o lixo padílhico, além da sordidez pessoal, há a mediocridade que faz dessa série um símile à altura do bastardo 'Polícia Federal- A Lei É Para Todos'. Ambos invocando o direito de serem ficção barata e despida de qualquer poesia, a não ser que se considere poesia letra do repertório sertanojo. Lamentável!

Nenhum comentário:
Postar um comentário