A desistência de Aécio Neves, de concorrer às eleições deste ano, vem com atraso de uns oito anos, porém, é muito bem vinda por quem preza a democracia.
Quando me refiro aos oito anos é porque Aécio, que agiu como um reles golpista em 2016, inconformado com a derrota para Dilma Rousseff, deveria evitar pedir votos pelo desprezo contra esses.
Junto com Michel Temer, este tido como o político mais detestado da nação, com índice de aprovação na casa do risível 1%; Eduardo Cunha preso, restaria a Aécio recolher-se e evitar contato com o povo, a quem traiu.
Foi essa trinca maldita que laborou pela ascensão do fascismo, que quase joga o Brasil em uma nova quartelada da laia daquela de 1964, portanto, o mínimo que se esperava de quem desprezou o voto popular que evitasse ir atrás deste.
Ao tomar essa decisão com pelo menos oito anos de atraso, Aécio Neves parece apenas poupar-se do vexame de uma derrota que marcaria de forma indelével a sua vertiginosa trajetória decadente, de quem quase elegeu-se presidente da República a alguém com votação igual a de uma miss caipira de festa junina, fruto dessa trajetória mais deplorável do que a do personagem vivido pelo ator Vicente Celestino no cinema.

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