Uma das relações mais fortes que a política mantém, notadamente no Brasil, é com o futebol onde paixão e multidões andam juntas e misturadas.
Muitas vezes são convenientemente mantidas sob os panos das conveniências, todavia, sempre acabam vindo à tona, infelizmente após êxitos de ardis.
Helder Barbalho, então governador paraense e mecenas do seu time do coração, o Remo, contratou para executivo de futebol de seu time o ex cartola flamenguista Marcos Braz.
Vamos poupar quem ler esse post das remissões a respeito da fama de Braz, referindo apenas os méritos do cartola, tanto no Flamengo quanto no Remo, deste saindo sem explicações convincentes.
E aí que observamos o entrelaçamento entre política e futebol: Helder havia dado um golpe de mestre, ao trazer um cartola de fama nacional, cujo cumprimento da missão o faria ídolo da torcida.
E assim aconteceu. O Remo voltou à Série A, formou um elenco digno da competição e obviamente virou um ídolo do mesmo nível do jogador mais paparicado entre os torcedores em êxtase, depois de 32 anos de sonho.
Mas, Braz vinha do Rio de Janeiro bastante ressentido, pois havia sido derrotado nas eleições municipais de 2024, quando não conseguiu reeleger-se vereador, fruto do desgaste sofrido nos últimos meses no Flamengo, quando teve que antecipar sua saída.
Então, o Remo era o espaço perfeito para a retomada da carreira política de Braz, agora não mais como vereador, e sim como deputado federal; e era nesse ambiente que sua exposição o faria mais que um candidato forte, mas, um puxador de votos para o MDB.
A conjuntura política acabou por transformar o sonho em pesadelo. O desgaste emedebista, depois de oito anos à frente do governo, mesmo não alcançando Helder, bateu forte no partido, atingindo inclusive a mãe do governador, tida em pesquisas internas como derrotada certa, na corrida à Câmara Federal.
A saída familiar foi recorrer ao então ministro Jader Filho para o partido, valendo-se de seu cacife eleitoral amealhado após a entrega de milhares de moradias pelo Programa 'Minha Casa, Minha Vida', colocando em segundo plano o projeto Marcos Braz, que preferiu sair apresentando uma desculpa esfarrapada.
Ontem, Braz foi visto na imagem que registrou um evento pessedebista em que Aécio Neves lançou Ciro Gomes candidato à sucessão de Lula, este ano, nos dando a certeza que o cartola não abandonou seu projeto político, seja qual for a legenda ou qual seu verdadeiro domicílio eleitoral. Essa é a minha percepção, quem quiser que exponha a sua.

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