Ao auto louvar-se pela contratação de 3.134 policiais através de concurso público, sendo mais de 700 que deveriam fazer parte de um cadastro de reserva, o governo paraense deixa claro que prioriza um modelo de governança onde o binômio infração/punição é o esteio da relação Poder Executivo e população.
Enquanto isso, a educação pública segue sendo o filho bastardo desse famigerado modelo, onde a evasão escolar contribui para engrossar as estatísticas da eficiência do trabalho repressivo, ao "fornecer" um sem número de infratores que justifica tal priorização e faz o governador Helder Barbalho tão feliz pela opção.
Supervisionada por instituto privado contratado em outro estado para ditar as normas aqui vigentes, a educação pública no Pará dá a impressão de ser vista pelo governo como um estorvo, um gasto sem retorno; o mesmo mau humor que o MEC dispensa às universidades públicas, este insatisfeito com os "comunistas" e o governo do estado com os "indolentes".
Por causa dessa visão distorcida é que Helder parece nem cogitar fazer um concurso público que permita o ingresso de mais de três mil profissionais da educação nas escolas; claro, segue o modelo lorótico de fechar turmas de alunos onde não estejam matriculados vinte e cinco alunos, pelo menos, fazendo da pedagogia do amontoado o álibi que absolve a má administração.
Quase quinze anos depois do último concurso público relevante para o ingresso de professores na Seduc, realizado ainda pela governadora Ana Júlia Carepa, o estado segue andando para trás no trato da educação pública por conta, ratifique-se, de uma visão tosca da sociedade fundada em culpa e expiação, algo que explica o porquê da enorme simpatia que Simão e Helder nutrem por escola militar. Lamentável!


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