Para além do clima natalino que faz até marmanjos acreditarem em Papai Noel, outra coisa chama a atenção no ex senador petista Aloizio Mercadante: sua crença irredutível na bondade política.
Como mostrou hoje, em entrevista ao canal Globo News, ele ainda lembra com bastante saudade dos tempos em que PT e PSDB chegaram a atuar próximos em determinadas circunstâncias, até a eleição de FHC, em 1994.
A hegemonia tucana em São Paulo, tendo o PT como principal adversário; o projeto de Sérgio Motta, de domínio por vinte anos do PSDB na política brasileira, também com o PT como principal adversário, encarregaram-se de sepultar definitivamente aquela cordialidade. só Mercadante não viu.
Por isso, foi um dos mentores da abertura da porta da administração ao ladravaz Michel Temer, depois que este escreveu aquela carta cheia de mágoas eduardocunhistas, recebendo em troca uma coordenação onde pôde delegar a Eliseu Quadrilha o mapeamento de cargos e compra votos na Câmara pra derrubar Dilma.
Purificar Geraldo Alckmin vai na mesma linha da crença cega que Temer era apenas alguém que queria somar esforços junto aos da presidenta Dilma, como fez o comando político do governo à época; trata-se de político conservador, com uma atuação bem diferente daquilo que o PT defende, todavia, ele está menos distante da gente do que de Boçalnaro.
Por isso, não precisamos dourar a pílula da conciliação contra o inimigo maior na atual conjuntura, apenas precisamos ser maduros para travar os embates externos com mais vigor, assim como travar as disputas internas com sutileza, visão profunda da situação e sem ilusões casamenteiras que vão além do ora vivido, diante do avanço fascista no país.
Enfim, não devemos nem criminalizar ou romantizar a política, apenas lembrar os exemplos da realpolitik em seu sentido mais estrito, bem como dos experimentos europeus onde distanciamento e aproximação não constam, só há lugar para tratativas de questões práticas e pragmáticas, sem lugar para exibicionismos sentimentalóides através de evocações moralistas ou ideológicas. Só isso!


Nenhum comentário:
Postar um comentário