Daqui a uma semana a CPI do Genocídio reiniciará seus trabalhos, após recesso parlamentar de uns quinze dias, recesso este que parece ter permitido aos membros da comissão análise mais minuciosa dos documentos.
De tudo que foi possível tomar conhecimento, através de declarações daqueles que, de fato, se debruçam sobre a farta documentação enviada à comissão, há muita coisa comprometedora contra o general Pazuello e o coronel Elcio, principalmente.
Um dos inúmeros méritos dos trabalhos dessa investigação é que, ao contrário de outras mega apurações de possíveis desvios de dinheiro público para bolsos particulares, agora vemos a investigação do corruptor e do corrupto na mesma apuração e sem atalhos.
Não é como o trabalho velhaco operado pela delinquente corja lavajatense, que tinha um enredo pronto, alvo certo e objetivos politiqueiros definidos, daí a encenação terminar não no Irajá, mas nas bibocas mais abjetas do mangue, frequentadas pelos mais torpes rufiões.
O grande desafio, a ser enfrentado pela investigação ora em andamento no Senado, é que os cabeças da roubalheira operam em cumplicidade com outros malfeitores fardados para criar uma blindagem aos crimes que praticaram, como se fossem servidores públicos acima da lei e infensos a investigações.
Tanto o general quanto o coronel que comandaram a orgia da compra de vacinas através de atravessadores já mandaram recados desaforados, através desses esbirros/ comparsas dotados da mesma solércia, declarando que não aceitam as punições correspondentes aos crimes praticados.
Eis aí a tarefa gigantesca de Omar Aziz e Renan Calheiros: fazer com os larápios fardados o mesmo que fizeram com aquele traficante de más influências que usou do cargo que ocupava para engendrar uma operação de rufianismo, onde o objeto da exploração era a vacina que deveria salvar vidas.
Pode ser que a desmilitarização do governo, com a ascensão do Centrão à Casa Civil, crie uma saída salomônica para a situação, onde nem os senadores saiam desprestigiados nem os milicos gatunos saiam da sala da CPI algemados, porém, que saiam ao menos indiciados, pois incriminados já estão desde que alguns comparsas vomitaram os detalhes sórdidos da ladroagem verificada no Ministério da Saúde, sob as ordens expressas de Bolsonaro para que se consolidassem.


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