
À mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta, diz a máxima romana que virou regra de conduta pública de gestores bem intencionados, diante de suspeitas da prática de atos moralmente reprováveis.
César separou-se da esposa, Pompeia, embora esta nada tenha feito que reprovasse sua conduta, porém, o imperador justificou a separação afirmando, "minha esposa não deve estar nem sob suspeita".
Se não há suspeita, isto indica a perspectiva de ato correto no trato da res publicae, embora a suspeita nem sempre seja indicativa de mau uso, notadamente no mundo da política, onde maledicências precedem atos.
É nesse contexto que o aluguel de um espaço pelo governador paraense, pertencente a uma organização religiosa, antes de significar mais uma iniciativa no combate ao coronavírus, suscita o risco de desgaste.
Precisaria o gestor do Tesouro estadual dispender R$75 mil/mês a um ente privado, quando teria a possibilidade de dispor de espaços bem mais em conta, principalmente diante da causa humanitária que enseja a busca por um espaço?
Por mais que o proprietário do imóvel declare sentir-se orgulhoso "por poder servir nossa comunidade", esse gesto altruísta é precedido por um contrato de locação. E mais: a ser pago com dinheiro público.
O contrato firmado entre o governo do estado e a organização religiosa ainda não foi assinado, é verdade, e muito menos dada a publicidade dos seus termos. Porém, desde já seus propósitos mais nobres estão a reboque da suspeita de ação entre amigos.

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