Bastante interessante a reportagem da revista Carta Capital, a respeito do dia a dia da comercialização da maconha, liberada para consumo recreativo desde julho do ano passado naquele país.
A primeira coisa que chama a atenção na dita reportagem é a qualidade da maconha vendida nas farmácias, tida como bastante superior ao que continua sendo comercializado de forma ilegal, daí a opção dos consumidores por enfrentar filas mas agir dentro da legalidade.
Diz a matéria que são mais de 17 mil consumidores internos para uma rede de apenas doze farmácias que se propõe a furar o cerco conservador, principalmente dos bancos que ameaçam encerrar conta bancárias das farmácias que vendem o produto.
Claro que os bancos devem preferir o dinheiro sujo da venda ilegal a financiar uma iniciativa pioneira no planeta que põe fim a um dos maiores flagelos que ora acomete a humanidade, a dependência do humor de traficantes que não vacilam em matar quem não paga pelo seu vício.
Trinta gramas de maconha vendida nas farmácias custa o equivalente a trinta dólares, enquanto no traficante sai por cem dólares, o que explica a opção inescrupulosa da agiotagem, sempre atenta ao seu fluxo de caixa, não importando a origem do dinheiro.
Além disso, bancos são aliados de políticos reacionários e esses apostavam no fracasso da medida. Como, na prática, a medida é eficaz, irresponsavelmente fabrica-se uma solução ardilosa que traga seu fracasso, ainda que essa iniciativa prejudique o conjunto da população.
A reportagem faz referência ao contratempo legal contida na proibição da aquisição da maconha uruguaia por turistas estrangeiros. Não importa. O mais relevante para esses pretendentes acidentais seria a importação do modelo legal aos governos dos seus países, ou seja, mais cidadania na hora de firmar compromisso com um candidato.

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