
Desde que aqui chegaram os portugueses, o Brasil tem servido de repasto à ganância, primeiro dos europeus, depois de americanos do norte, asiáticos e tudo que é lado onde há um maldito ramo do imperialismo, que acumula riquezas em uma minoria de países, pilhadas da grande maioria dos que vivem à míngua.
Essa relação parasitária é viável graças à formação de elites que, em troca do domínio do poder local, negociam a preço vil as riquezas nativas. São essas elites detentoras do comando de instituições que deveriam estar à disposição do conjunto da sociedade, mas servem apenas aos interesses de um grupo social social minoritário.
Dentre essas instituições, sem dúvida, uma das mais poderosas é a imprensa, envolvida no paradoxo de expandir-se e se sofisticar na proporção inversa que simplifica sua mensagem contextual até a pura e simples imposição da ideologia dominante como pensamento único.
Exemplo gritante nos dias atuais é a reação que a chamada grande imprensa teve diante da perspectiva do reconhecimento, por parte do Congresso Constituinte, da existência de várias nações indígenas vivendo nesses mais de 8 milhões de quilômetros quadrados, bem como a possibilidade de respeitar os direitos dessas nações.
Correio Braziliense, O Estado de São Paulo e principalmente O Globo, este de propriedade do sr. Roberto Marinho, sócio da mineradora Santa Marta, subsidiária da Britsh Petroleum, desfecharam intensa campanha contra o Conselho indigenista Missionário(CIMI) e contra a parte da igreja católica que está nessa luta, so a acusação que os defensores dos povos aborígenes seriam testas de ferro de mineradoras estrangeiras interessadas no sub-solo daquelas terras.
Aqui entre nós, esse nacionalismo fajuto teve como defensor o reacionário jornalista João Malato, que em troca de cartas com membros da famigerada UDR, defendeu a incolumidade das riquezas existentes nessa áreas, invocando uma soberania que lhes era estranha.
Quando foi que denunciaram a ingerência do FMI na nossa economia? Quando tiraram dos seus cuidados entreguistas pra denunciar o efeito perverso da dívida externa na miséria que acomete o povo brasileiro?
Pelo contrário. Esses senhores têm uma concepção a respeito do índio totalmente atrelada à história oficial que os donos do poder impõe ao povo, que o índio é entrave ao progresso o que justifica seu extermínio; é selvagem e preguiçoso, o que justifica tomarem suas terras; suas terras são imensos vazios demográficos, o que justifica toda sorte de agressões ao meio ambiente; além de sempre serem referências do passado, o que legitima seu genocídio.
O marechal Rondon já dia remotamente, "...mais tarde ou mais cedo, conforme lhes soprar os ventos dos interesses pessoais, esses proprietários expelirão das terras seus verdadeiros donos e, por uma inversão monstruosa dos fatos, os considerará como se fossem eles os intrusos, salteadores e ladrões".
Não por acaso, a revista 'Senhor' comparou o ministro da justiça, Paulo Brossard, ao general Custer e a Buffalo Bill em seu desprezo e vontade de extermínio de índios, enquanto o senador Severo Gomes considerou a reação da elite mineradora como 'Plano Cohen' da mineração.
O PT aproveita o ensejo para denunciar e repudiar essa trama. O sr. Roberto Marinho, por exemplo, comporta-se como alguns personagens das telenovelas que veicula: em público é afável, bondoso, pacato; mas quando defende seus interesses escusos é ardiloso, macabro, terrível, daí ser nosso dever de homens públicos denunciar o que de pior espalha-se pelo país e o está desgraçando.
(Pronunciamento do vereador Humberto Rocha Cunha- na Câmara Municipal de Belém, em 14 de setembro de 1987, mostrando que, fora a saída de cena de alguns personagens, a moldura Brasil continua praticamente a mesma)

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