Jorge Paz Amorim

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Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Dilma Rousseff e Yakov Bok


Quando as coisas melhoram aí fora, pioram consideravelmente aqui dentro e o tratamento a mim dispensado torna-se mais cruel. É mais ou menos o que diz o judeu Yakov Bok, personagem central do romance O Homem de Kiev, do judeu americano Bernard Malamud, a seu advogado, já demonstrando desalento diante da acusação injusta por um crime que não cometeu.

Lembrei dessa contradição ao ver como a sectária e reacionária mídia brasileira tratar a votação que se anuncia para agosto do afastamento definitivo da presidenta legítima Dilma Rousseff. Quanto mais notícias ruins expõe o caráter golpista e corrupto da aventura temerária, mais os vassalos do golpe anunciam o esvaziamento de qualquer possibilidade da reversão de alguns votos, possibilidade ainda nebulosa, é verdade, daí passar a ideia de chute por parte dos apologistas do fato consumado.

Hoje, por exemplo, a Folha Tucana(FSP) noticia que uma reunião entre o ex-presidente Lula e o senador Roberto Requião foi prestigiada por apenas seis senadores, nas entrelinhas insinuando que o barco de Dilma está à deriva.

Falta coerência e pudor nesse tipo de nota, na medida em que se porta como os próprios golpistas: ignora o que se passa à luz do dia, quando os que fazem parte da orquestra do golpe recusam-se ao debate no plenário da Comissão, optando pela fofoca surgida das sombras como fonte de suas conjecturas.

Além do próprio pemedebista Requião, há uma outra correligionária de Temer que bate abertamente no golpe e emite sinais claros que votará contra o impeachment de Dilma, a ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu. Claro que isso não é o suficiente numericamente pra apontar mudanças nos 55 votos abiscoitados para a admissibilidade, todavia, muitos desses são passíveis de modificação, principalmente diante da enorme quantidade de fatos desgastantes para o governo interino.

Enfim, em nome do mal disfarçado ódio nutrido contra o petismo, a mídia acaba agindo contra Dilma da mesma forma como agiam as autoridades russas na acusação contra quem não havia provas suficientes:  Yakov podia ser inocente, mas era judeu; assim como Dilma pode ser inocente, mas é petista.

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