Jorge Paz Amorim

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Belém, Pará, Brazil
Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Ambiente golpista


Pelo visto, o comando da conspiração anti Dilma,liderada por Michel Temer, tem mais cheiro de pressão midiática do que verdade factual. Temer pode até ter almoçado com tucanos e demistas fazendo seu silêncio parecer aquiescência aos mais afoitos. No entanto, sua situação privilegiada no imbroglio, paparicado pela oposição e interlocutor privilegiado de seu partido com o governo, não lhe permite mover-se com o açodamento com que analistas sectários imaginam.

Por isso, não faz qualquer sentido Temer conspirar para derrubar Dilma,em 2016, para entregar de mão beijada, em 2018, o poder aos tucanos. Ou seja, caso Dilma sofra impedimento e o vice assuma pra concluir o mandato da presidenta, ficará impedido de recandidatar-se pelas novas regras que acabaram com a reeleição para o Poder Executivo.

Qualquer movimento que faça no sentido de barrar essa regra, obviamente será interpretado pelos golpistas que ora lhe cortejam como traição, sendo ele, Temer, a Dilma amanhã. Assim como não haverá vaga no STF que o seduza, até mesmo porque será atingido pela compulsória.

Portanto, a suposição dos escrevinhadores da Folha Tucana e do panfleto golpista das organizações Globo, colocando Temer no centro da conspiração, parece mais a expressão de um desejo, principalmente após reação da sociedade organizada contra a patranha tucano/cunhista, do que análise baseada em fatos reais.

Tucanos sonham com a repetição farsesca do enredo que viria a os ungir ao poder após tomarem de assalto(literalmente) o governo Itamar,usado como etapa preparatória aos movimentos seguintes- apropriação do Plano Real e compra da reeleição. Com efeito, a obsessão turva o bom senso fazendo-os ignorar que que mais de vinte anos se passaram da consolidação daquela velhacaria.

Pessoalmente, a presidenta Dilma é inatacável, ao contrário de Collor, bem como a interrupção de seu mandato é vista pelo meio jurídico como ruptura democrática, e não uma ação republicana, como em 1993, daí a mídia recorrer ao seu vasto arsenal de conjecturas pra dar sentido à conspiração a fim de poder sonhar com essa improvável volta.

Temer está longe de ser um santo rebelado contra uma conspiração desse jaez. Mas também está longe se ser o tolo que os conspiradores julgam,que assumirá uma postura de 'mula' sacrificando-se para que lá adiante alguns espertos passem a grande muamba. Trocando em miúdos, pode até ser que as possibilidades do golpe vingar se fortaleçam e o atual vice de Dilma acabe aderindo, todavia, por hora, a aventura capitaneada pela dupla Aécio/Cunha tem tudo pra dar errado, principalmente porque a corda do afastamento está apertando no pescoço do segundo. A conferir.

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