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A
proposta do relator do Orçamento, deputado Ricardo Barros (PP-PR), de
cortar R$ 10 bilhões do Bolsa Família em 2016 vai devolver 8 milhões de
pessoas à extrema pobreza ou seja, com renda mensal inferior a R$ 77 per
capita.
O levantamento foi apresentado pelo secretário nacional de Renda de
Cidadania do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
(MDS), Helmut Schwarzer, durante a X Conferência Estadual de Assistência
Social da Bahia, em Salvador. Além do aumento da condição de extrema
pobreza, ele destaca que ainda haveria impactos sobre escolaridade,
mortalidade infantil, saúde e na economia dos estados.
A secretária nacional de Assistência Social do MDS, Ieda Castro, aponta
que a proposta de cortes no programa é resultado de preconceito contra a
forma que o país encontrou de transferir renda e garantir o mínimo
direito às famílias. “A retirada da família do programa significa
colocá-la abaixo da linha da pobreza. Nós estamos lutando para enfrentar
a desigualdade social e construir uma sociedade mais igual.”
O aliado do PSDB, que sempre chamou Bolsa o Família de bolsa esmola
Na tentativa de demover o relator-geral do Orçamento de 2016, deputado
Ricardo Barros (PP-PR), de propor um corte de R$ 10 bilhões no Bolsa
Família, o governo decidiu partir para uma "batalha de números". A
intenção é mostrar que, neste momento de forte crise econômica, a
"tesourada" no principal programa social reduziria em 2,9 milhões o
número beneficiários no Estado de São Paulo, que seria o mais afetado
pela redução das verbas.
Em todo o País, 23,2 milhões dos 47,8 milhões de beneficiários seriam
excluídos do programa, diz o governo. O corte também retiraria 250,7 mil
crianças e jovens das escolas no próximo ano, afirma o governo. Nas
simulações feitas pelo Ministério do Desenvolvimento Social, o Estado
comandado pelo governado paulista Geraldo Alckmin (PSDB) seria a unidade
com a maior evasão: cerca de 61% dos quase 5 milhões de beneficiários
do programa em São Paulo teriam de ser desligados.
O Paraná, Estado do relator e comandado pelo também tucano Beto Richa, é
o que mais perderia beneficiários em termos proporcionais: 75% do 1,4
milhão de pessoas contempladas sairiam do programa social.
A oposição também tem se posicionado contra o corte no programa. No
Senado, Ronaldo Caiado (DEM-GO) já manifestou restrições à "tesourada".
Nas simulações, o critério do ministério para fazer o corte atinge
inicialmente as famílias beneficiárias que trabalham e têm maior renda
dentro do programa e, depois, aquelas que só contam com o Bolsa Família
como fonte de renda. Por essa razão, São Paulo encabeça a lista, seguido
por Minas Gerais e Bahia. Por outro lado, Estados mais pobres, como
Piauí e Maranhão, teriam o menor corte proporcional, abaixo de 30% do
total de beneficiários.
"É um contrassenso", afirmou o secretário de Renda de Cidadania do
Ministério do Desenvolvimento Social, Helmut Schwarzer. "Num momento
como este, os beneficiários precisam de políticas que sejam um colchão,
que amorteçam o impacto social e não que aprofundem as dificuldades",
disse.
Segundo o secretário responsável por administrar o programa, pelas
projeções, 7,9 milhões de pessoas entrariam na pobreza extrema com o
corte, das quais 764 mil só em São Paulo. O governo conta com a
divulgação dessa "fotografia" do Bolsa Família para convencer os
parlamentares a não mexer no programa.
Ensino
A pasta calcula ainda que haveria um aumento da evasão escolar das
crianças, uma vez que, hoje, os alunos beneficiados com o programa têm
frequência escolar 3,1% maior do que estudantes em condições similares,
mas fora do Bolsa Família. Para se habilitar ao benefício ou à
complementação de renda programa, a família tem de comprovar renda per
capita de até R$ 154,00.
Os números foram encaminhados a Ricardo Barros,como parte da pressão que
o Planalto faz para evitar que a proposta vá adiante. Para entregar um
orçamento sem déficit, ele pretende cortar cerca de 35% dos 28,8 bilhões
da verba prevista para o Bolsa Família em 2016. A diminuição nos
repasses do programa atingiria 11,35% da população do País, calculada
pelo IBGE em julho passado em 204,4 milhões de brasileiros.
Procurado, o relator reafirmou que vai propor o corte no programa e
acredita ter votos para aprovar a proposta na Comissão Mista de
Orçamento (CMO). Ele não teme um prejuízo político-eleitoral com a
medida impopular. Ao contrário, disse que seus eleitores apoiam a
diminuição do Bolsa Família.
Parâmetros
"Ninguém concorda em rasgar dinheiro", disse Barros, ressaltando que
auditorias do próprio governo apontam que 29% das famílias beneficiadas
não se enquadram nos parâmetros de renda do programa. "Não comungo da
visão do relator", rebateu Helmut Schwarzer, ao destacar que o programa é
um dos mais auditados "do mundo".
Até o momento, além da discussão pública dos números do programa, não há
uma estratégia definida na comissão para barrar a iniciativa. Por ora,
aliados do governo citam manifestações de Dilma, do ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e até mesmo de lideranças oposicionistas pela
manutenção do programa, assim como o "efeito multiplicador" na economia
das cidades, para impedir o corte no programa.
"Não trabalhamos com a hipótese de diminuição do programa", disse o
líder do governo na CMO, deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Segundo ele, há
tempo para reformar a proposta.
(Os Amigos do Presidente Lula)


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