Jorge Paz Amorim

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Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A esperteza tucana não é capaz de fazer de bobos os pemedebistas

Esse também conserta relógio no fundo da piscina cheia e no escuro. Calçado com luvas de boxe

A sempre excelente coluna semanal 'Rosa dos Ventos', publicada na revista Carta Capital, assinada pelo jornalista Maurício Dias, levanta uma tese curiosa a respeito dos planos golpistas para um futuro próximo, protagonizados por Temer e sua ponte para o futuro, juntado a um ardil revelado em artigo dominical de FHC, colocando a necessidade de um consenso nacional que reúna forças para o futuro. Vale dizer, derrube-se Dilma, agora, e promova-se a unção de Temer até 2018, desse golpe surgindo a possibilidade da volta dos tucanos ao comando do país.

Maurício chega a especular que, "Ascenderia ao lugar dela(Dilma) o vice, Michel Temer, com o compromisso de cumprir o restante do mandato. Ele não disputaria a eleição de 2018. Essa articulação traiçoeira tem o propósito de deixar a porta aberta para o candidato do PSDB ou, quem sabe, para José Serra entrar com o uniforme do PMDB".

Não sei, não. Formulado nesses termos, esse enredo está mais para acordo CARACU do que pra entendimento entre forças políticas com igual peso e praticamente sem chance de ser aceito pelos sempre espertos pemedebistas. Nem consideremos a hipótese da "porta aberta para o candidato do PSDB", pois isto significaria, para os pemedebistas, entregar de mão beijada aos tucanos toda a força que possuem regionalmente, isto é, colocaria como reféns dos tucanos Jader Barbalho no Pará, onde há uma luta encarniçada entre ambos; Pezão, no Rio de Janeiro; no Ceará, onde os tucanos só contam com o solitário Jereissatti; em MG, onde os pemedebistas ressurgem na mesma proporção em que o PSDB definha, depois da peia sofrida ano passado; Rio Grande do Sul, onde os tucanos atuam como linha auxiliar do governo pemedebista, enfim, não dá pra pensar que esse coronelato seria tão ingênuo a ponto de apear do poder os petistas a fim de colocar o combalido PSDB.

Mesmo a entrada do privata Serra, "com o uniforme do PMDB", nesses termos colocados não garantiria a tão sonhada hegemonia futura da legenda fundada por Ulisses Guimarães. Seria, com efeito, uma repetição piorada da unção do pemedebista Sarney após a morte de Tancredo Neves. Sarney, apesar das suas origens udenistas e trajetória arenista, percebeu que o aquela altura maior partido do Ocidente não tinha um perfil ideológico definido e usou do seu poder temporal pra dar esse perfil.

Resultado: no período pós Sarney o PMDB abdicou da disputa central, porém tornou-se o maior partido regional, sempre com as maiores bancadas legislativas, maior número de prefeitos em cidades pequenas e um considerável número de governadores, cacife respeitável nesse momento de crise braba de liderança.

Assim, a tal 'Ponte Para o Futuro', de autoria de Michel Temer, mais parece uma declaração de ecletismo do que simples adesão neoliberalismo tucano. Quer dizer, o partido é parceiro do governo que fez até hoje o mais eficaz programa de combate à miséria com políticas públicas nunca dantes vistas no país, mas pode também comandar, em vez de terceirizar para quem padece da falta de credibilidade e representatividade política, um governo com um programa mais condizente com aquilo que desejam os organismos internacionais que controlam o dinheiro o mundo.

Nesse sentido, seria pouco provável Serra descer de paraquedas no meio do gramado, como se fosse uma espécie de Ronaldinho Gaúcho. Ao contrário. Terá que pegar pesado nos treinos que o partido faz pra enfrentar o embate pela hegemonia do país, inclusive abrindo mão de certas posturas de evidente cacoete e personalismo típicos do senador ainda tucano. Não que isto o inviabilize. Apenas o submete ao teste que terá de enfrentar pra ser visto, de fato, como um candidato pemedebista.

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