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| As más companhias atrapalham? |
Na sessão plenária do Senado Federal, ontem(15), quando estava sendo votada a MP que aumentava a alíquota da CSLL(Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) de 15% para 20% de instituições financeiras, o senador psolista Randolfe Rodrigues deu um verdadeiro show de malabarismo circense/ideológico ao atirar para todos os lados com o intuito de mostrar-se "diferente".
Reconheceu méritos na proposta, mas reclamou que a cobrança deveria ter uma alíquota maior, Jader Barbalho, que não é propriamente um esquerdista, também reclamou e até chutou que deveria ser de 50%, desdenhando no caso da possibilidade de uma provável resistência, caso fosse proposto um percentual maior, conforme ressaltou a relatora da matéria, senadora Gleisi Hoffmann.
Nada disse, durante o encaminhamento da votação da MP, a respeito do requerimento(rejeitado) de destaque do senador José Agripino (DEM-RN), que mantinha em 9%, e não em 20%, a alíquota de taxação sobre os planos de saúde. Em seu relatório, esclareceu Gleisi, os planos continuam na alíquota de 9%. A alteração, segundo ela, diz respeito às instituições seguradoras especializadas em saúde, que oferecem seguros voltados a viagens internacionais, que já são taxadas em 15% e passarão a pagar 20%.
Preferiu bater naquilo que chamou 'penduricalhos', incluídos no texto, na verdade iniciativas que tiveram sua manutenção garantida graças à aprovação da referida MP. No caso, por exemplo, do incentivo à construção naval, Randolfe deu de ombros à retomada da nossa indústria naval e acusou irresponsavelmente de ser uma medida que beneficia a construção de iates de luxo.
Porém, o pior foi quando investiu furibundo contra a recriação da CPMF, como se estivesse investido do espírito de sua antecessora, ela também aparentemente portadora de um discurso carbonário, mas dócil à rede de sonegação fiscal que nos assola, conforme a clássica foto em que aparece ao lado de Malvadeza, Apropino, Tasso dos shoppings e outros barões que ajudaram a apagar os rastros que a burla ao fisco deixava com a cobrança daquela contribuição.
Randolfe seguiu a mesma trilha da ambiguidade vociferando contra mais um imposto, ignorando seu caráter progressivo e o fato de ser 'insonegável', no país da sonegação. Enfim, emprestou um tom esquerdizante à postura mais conservadora que se pode ter em uma sociedade historicamente desigual.


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