
Há um caldeirão no fogo. O líquido fumegante desprende vapores. A maneira como o caldeirão se comporta e seus odores permitem conjecturas sobre de que é feita a sopa e sobre de que ele próprio é feito, se de barro, de ferro ou de alumínio.
Por óbvio, quando o caldeirão está guardado no armário, e não fumegando como agora, nem nos interessamos sobre de que é feito, nem nos perguntamos sobre o que tem dentro.
Então, com o caldeirão no fogo podemos aprender muitas coisas.
O Caldeirão
- O PIG é o maestro político do golpe. Se o PIG retrocede, as tropas políticas golpistas, talvez a contra gosto, também retrocedem. O seu poder é, reconheçamos, extraordinário. No entanto, a música que o PIG toca depende do gosto do alto empresariado paulista e carioca e dos bancos;
- Abaixo do PIG os políticos golpistas não passam de bonecos de ventríloquo. Embora pretendam parecer tomadores de decisão são cumpridores de mandado;
- Acima do PIG estão os seus financiadores: o alto empresariado do eixo Rio-São Paulo. Para que o PIG possa exercer o seu papel de ordenador político do campo conservador deve ter a anuência do empresariado e do setor financeiro;
- A agenda golpista não teve a anuência da FIESP/FIRJAN. Sem a autorização, (aberta ou silenciosa) dessa burguesia a agenda golpista não prospera.
- A desautorização explícita da mídia pelo empresariado criou uma fissura na confiança entre a burguesia industrial e financeira e a mídia pretensamente representante dos seus interesses;
- A necessidade da explicitação de uma posição política por parte da FIESP/FIRJAN significa que a sintonia entre o PIG e a burguesia está num nível muito baixo, pois entraram em rota de colisão. Fazendo-se sempre representar por terceiros a burguesia se expõe quando tem que exprimir-se por voz própria.
- O recuo do PIG revela que, apesar de poderoso, ele não hegemoniza o campo burguês, mais ainda demonstra que a alta burguesia abriu uma crise com a sua representação política. De fato, a burguesia expôs a mídia ao vexame obrigando-a renegar o golpe e a realizar uma manobra de 180 graus;
- Noutras palavras, nesse caldeirão mágico, a burguesia descobriu que o PIG representa bem mais a si próprio do que a ela, que o financia. Mais que isto descobriu que se encontrar melhor interlocutor o Brasil poderá viver uma estabilidade política bem mais confortável para a gestão dos negócios;
- Podemos conjecturar que, ou o PIG muda ou a burguesia encontrará outros interlocutores para representá-la nos enfrentamentos da política;
- A mídia quer o golpe, a sua legião de políticos mercenários quer o golpe, mas a alta burguesia não o quer. Há pois uma crise política na direita.
- Insistir nessa estratégia golpista poderá render às empresas e à nação frutos amargos no curto médio e longo prazos.
A sopa
- Cada vez que a direita vai à rua produz quantidade tão elevada de situações sórdidas e degeneradas que demonstra cabalmente a sua incapacidade de ser força dirigente;
- Também por isto as manifestações da direita vêm sendo cada vez menores;
- A comparação entre as manifestações da esquerda e da direita quanto à extração social dos manifestantes, suas atitudes e valores inferioriza pesadamente a direita perante a nação;
- Os movimentos sociais produziram manifestação robusta no último dia 20 principalmente pelo fato de que 1) os manifestantes saíram em defesa da democracia e não obrigatoriamente da política do governo, o que exigiu uma elevada maturidade política, 2) o movimento ocorreu na semana útil (uma burrice aliás) e 3) foi composto essencialmente por trabalhadores que tiveram que conciliar a sua agenda de trabalho com a da manifestação;
- As manifestações deixaram clara a mentira dos institutos de pesquisa que comparam a popularidade de Dilma à de Collor;
- Em função da magnitude das manifestações do dia 20 e da sua composição eminentemente de trabalhadores, o maior risco do golpe é o de por em marcha processo de reimplantação de um Estado de direito ainda mais democrático;
- O PIG e a sua tropa de políticos mercenários poderá, contrariando a burguesia, abrir um processo de impeachment, para continuar sangrando o governo;
- Emergem dessa Roma decadente em que se converteu a direita pós derrota de Aécio Neves as atitudes de agressão às instituições e às pessoas. Emergem na praça pública bundas, peitos e pênis, que são usados para chocar uma sociedade marcada por um pudor de matriz cristã. Exprimem assim esses bem nascidos a impunidade e o descolamento dos valores nacionais.
Francamente, há sopas melhores.
(Ion de Andrade/ GGN)

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