Jorge Paz Amorim

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Belém, Pará, Brazil
Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

terça-feira, 17 de março de 2015

Coxinhas e bajuladores


Vassalos do tucanismo/liberal parece que ficaram meio atônitos com um número bem menor de coxinhas nas ruas do que esperavam esses lambaios. Falam de dois milhões, mas certamente leram na FSP que à avenida Paulista, maior concentração, compareceram 210 mil. O resto das capitais, somadas, não colocaram nem 200 mil, logo, sabem que atenderam o chamamento da Globosta apenas aecistas e marinistas, ainda revoltados e esperançosos de um terceiro turno à paraguaia.

Pior. Deve ter sido constrangedor clamar contra a corrupção em uma passeata cujo carro de som era comandado pelo delinquente Silvinho Santos.

Diante desses distúrbios mentais, aflora de novo o pesadelo Helder, com quem os donos do panfleto, e por solidariedade escrotal seus serviçais, sonham toda noite imaginando sua deposição após a deposição de Dilma. Tolice. Dilma fica e o filho de Barbalhão também até que algum imprevisto ocorra. Caso não ocorra, paciência. Procurem um especialista em cuidar de paranóias.

Seria bom que tivessem visto a entrevista de Eduardo Cunha, ontem, no 'Roda Morta', quando coxinhas travestidos de entrevistadores tiveram que ouvir silentes do pres. da Câmara Federal que atirará à lata do lixo todos os pedidos de impeachment de Dilma que chegarem à Mesa, bem como lembrar, mais uma vez, que foi FHC o autor do decreto que abriu brechas na lei 8666(Lei das Licitações) instalando a depravação entre alguns servidores e empreiteiros, empenhados em roubar a Petrobras. Ou Petrobrax, como queriam coroar sua ladroagem.

Um comentário:

Anônimo disse...

"Manifestações contra o governo Dilma tomaram ruas e praças de diversas cidades, neste domingo (15), culminando com as 210 mil pessoas ocupando boa parte da avenida Paulista, de acordo com o Datafolha, em São Paulo. Algumas estimativas, baseadas em cálculos das polícias estaduais, apontam para mais de 1,5 milhão de pessoas em todo o país.
As manifestações, que foram em sua maioria pacíficas, protestaram contra a corrupção, os desvios na Petrobras, a alta da inflação e dos combustíveis, a falta de ética na política, a culpa do PT, o desenvolvimento econômico pífio e a falta de serviços públicos de qualidade, entre outros temas.
No começo da noite, quando os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Miguel Rossetto (Secretaria Geral) apresentaram, na TV, as medidas que seriam tomadas para combater a corrupção e a impunidade por um governo assustado com o tamanho dos protestos, um novo panelaço foi ouvido em bairros de várias cidades brasileiras. E parte do governo continua achando que tudo isso é insatisfação de “coxinhas''.
Já disse aqui uma série de vezes, mas nunca é demais repetir. O segundo governo Dilma Rousseff começou tal como terminou o seu primeiro: de forma muito, muito ruim.
Ela incorre em estelionato eleitoral, pois prometeu um mandato de políticas progressistas em sua campanha à reeleição e, até agora, adotou apenas uma cartilha conservadora. As medidas econômicas que seu ministro da Fazenda, Joaquim Levy, têm tomado poderiam muito bem ter sido adotadas por Armínio Fraga, que seria ministro de Aécio Neves, ou pela “turma do Itaú'', como sua campanha se referia ao grupo de Marina Silva.
Ao mesmo tempo, a economia para resolver os problemas de caixa que sua própria gestão ajudou a criar tem sido feita às custas de mudanças em benefícios previdenciários e sociais. Ou seja, da classe trabalhadora em detrimento aos mais ricos. Enquanto isso, taxação de grandes fortunas, de grandes heranças, de lucros e dividendos ainda é especulação.

Após a eleição, a grande pergunta era se o governo daria o devido valor a esses grupos, empoderando alas do próprio governo que já tentavam pautar esses temas na agenda e atendendo às reivindicações ou se continuaria levando-os em banho-maria ou ignorando-os em nome da governabilidade – uma palavra tão tosca quanto casuísmo, oportunismo, corrupção e hipocrisia?
Processos de terras indígenas mofam esperando canetadas presidenciais. A reforma agrária parou. Os trabalhadores rurais e urbanos perdem benefícios. Comunidades tradicionais são expulsas em obras que beneficiam grandes doadores de campanha. A tão sonhada reforma urbana não passou nem perto. O combate ao trabalho escravo está deixando de ser vitrine para se tornar vidraça brasileira. Direitos reprodutivos? Ah, vá! Enfim, a lista é maior que isso.

Muitos imaginaram que, com o segundo turno, Dilma daria uma guinada à esquerda. E se enganaram. E se decepcionaram. E mesmo a possibilidade de um governo peemedebista não tem sido suficiente para grupos que lhe deram apoio renovarem totalmente seus votos de confiança. A bandeira da “defesa da institucionalidade'', trazida diante de palavras de ordem de impeachment, é deveras frágil para catalisar esses grupos.
Ela não está sozinha e as manifestações de sexta – significativamente menores que as de domingo – mostraram isso. Mas duvido que sejam suficientes para mantê-la no poder. Por isso, ao contrário de muitos colegas, acredito que a saída para ela ainda é à esquerda.

Vai depender de seu governo decidir se irá colocar em prática as promessas que vendeu nas eleições para seus eleitores, resgatando, com isso, parte do apoio que se perdeu – o governo deve fazer merecer novamente o apoio dos trabalhadores, que são a verdadeira força deste país. Ou se irá caminhar, com os aliados que restarem, para o buraco."