Jorge Paz Amorim

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Belém, Pará, Brazil
Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

domingo, 15 de março de 2015

A hipocrisia vai às ruas

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Exatamente trinta anos após a redemocratização do país, a direita vai às ruas para pedir a deposição de uma governante democraticamente eleita há cinco meses. Alguns deles vão mais além e pedem a volta da intervenção militar já, muitos ignorando o quanto foi sofrida a época em que experimentamos esse pesadelo de mais de vinte anos. No entanto, ressabiados de pagar mico, os políticos por trás desse desastrado movimento abanam o fogo conservador mas evitam associar seus nomes ao golpismo, embora fique clara sua opção pela ruptura da democracia, pois não suportam ser governados por um projeto que esteve à frente das mais importantes conquistas sociais de nossa história mais recente.

Como os golpistas de 1954 e 1964, o mote da direita é o combate à corrupção. Dessa vez parece que a farsa estará mais escancarada, principalmente depois dos vazamentos de ontem do nome de figurões integrantes da lista do HSBC da Suíça, sob a suspeita de terem surrupiado milhões, quiçá bilhões, de reais devidos ao fisco tupiniquim.

Certamente, muitos dos que hoje engrossarão a manifestação contra a corrupção estão envolvidos até o pescoço com a ladroagem que desfalca os cofres públicos, como aquela filha de um ex-diretor do metrô de São Paulo, flagrada como beneficiária dessa roubalheira suíça, anteriormente conhecida nas redes sociais como feroz combatente da lama em que chafurda impávida e ainda impune.

Caso isolado? Longe disso. À medida que os dados dessa colossal ladroagem vêm à tona, vai ficando claro que os mentores que tocam esse gado nem tão novo e muito menos admirável pro curral do conservadorismo estão mais empenhados em promover uma ardilosa operação abafa. Basta ver o envolvimento até o pescoço de barões da mídia, bem como o período em que essa bandalheira foi articulada, o auge da privataria. Portanto, depor um governo que não se opõe à investigação, contra quem quer que seja, seria o golpe de mestre, aplicado por essa malandragem que posa de séria.

Não importa. Na segunda-feira todos voltarão a ser honestos e a mídia cúmplice dessa roubalheira estará dando destaque aos requerimentos investigativos de parlamentares asseclas da ladroagem no Congresso Nacional, eventualmente travestidos de guardiões da moralidade pública e sutilmente tratados como exceção moralizadora, mesmo que carreguem às costas um código penal inteirinho. Cabem direitinho em uma paráfrase daquele sucesso da década de 1950, na voz de Nelson Gonçalves que ensinava, enquanto perdurar esse 'canto triste' e um otário que acredite, esse moralismo de fancaria viverá também.



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