Jorge Paz Amorim

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Belém, Pará, Brazil
Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Saindo da letargia


É incompreensível que escribas progressistas da blogsfera tenham descido o malho na senadora Marta Suplicy e silenciado a respeito de manifestações de outros petistas que também clamaram publicamente por mudança de rota na política econômica, principalmente contra a ameaça da unção dos nomes até aqui ventilados para ocupar o Ministério da Fazenda, quase todos oriundos do sistema financeiro.

Antes disso, durante uma reunião de Lula com os senadores do partido, na semana passada, ficou estabelecido que a bancada deverá ter uma atuação mais enérgica na defesa do governo, deixando de lado a apatia que os fazia ouvir em silêncio os ataques feitos pela oposição. Na mesma linha e quase simultaneamente, a direção do PT expediu uma resolução que causou incômodo à mídia tradicional, ao reivindicar a urgência de "construir hegemonia na sociedade, promover reformas estruturais, com destaque para a reforma política e a democratização da mídia.”

Hoje, além da carta-renúncia da ex-ministra da cultura, Zé Dirceu criticou em seu blog corte de gastos e aumento dos juros, caracterizando as medidas como ítens da pauta do candidato derrotado na medida em que essas iniciativas são vantajosas apenas para os que sempre ganharam com as crises financeiras que o país historicamente enfrentou.

Na mesma linha de raciocínio de Dirceu foi o presidente da CUT, Vagner Freitas, ao reivindicar que o novo governo Dilma aprofunde uma série de medidas que deram certo nas conquistas sociais que o país experimentou e afaste qualquer possibilidade do fantasma das 'medidas impopulares' cogitadas pelo adversário. "Não podemos mais devolver bilhões em imposto ao setor privado, beneficiados nos últimos anos por desonerações da folha de pagamento, sem nenhuma contrapartida clara, sem nenhum compromisso como, mais emprego decente. Cruzamento de dados da Receita Federal e do Ministério do Trabalho, segundo o jornal Valor Econômico, mostra que R$ 5,5 bilhões – 23,1% do total de R$ 23,8 bilhões -, deixaram de ser pagos por setores beneficiados por isenções que terminaram o ano demitindo mais do que contratando desde 2012. Temos de sair desta armadilha da estrutura tributária regressiva. Sabemos que temos que cortar os impostos da folha e do consumo, mas para isso temos que aumentar os impostos sobre a renda e o patrimônio, caso contrário, vamos jogar pelo ralo os princípios de cidadania e universalidade que consagramos na Constituição de 1988", resume Vagner sobre o que pensa que o governo deve fazer.

Não se trata, pois, de eventuais acessos de estrelismo ou surtos personalistas e carreiristas, mas a alvissareira possibilidade do PT resgatar a combatividade perdida e disputar o seu próprio governo. Claro que não há nisso qualquer intenção sectária de governar sozinho, mas a luta para se manter o que até foi conquistado, bem como avançar em outras que até aqui tem sido impedidas pelas forças conservadoras, muitas vezes encasteladas dentro do próprio governo,  que parecem estar no horizonte do futuro mandato. Promete!

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